Etegami: pintura com mensagem

O stress e o caos da metrópole deixam sempre as nossas cabeças confusas. A importância da saúde mental tem sido cada vez mais evidenciada e por isso viemos aqui dar uma dica muito boa para quem mora ou frequenta São Paulo.

 
etegami
 
O Etegami é uma arte japonesa de origem folclórica que significa pintura com mensagem. O conceito se baseia na cultura tradicional de produzir e dar cartões de ano novo com mensagens positivas a quem gosta.

 
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Com o passar do tempo, o Etegami se popularizou e assim, não há mais tema, nem objetivos ou pretensões. Nessa técnica, não existe certo ou errado. E isso é o mais legal. Você não precisa se prender a uma fórmula, nem se preocupar se seu desenho saiu “torto” ou “borrado” porque tudo isso faz parte do processo.

 
[caption id="attachment_6498" align="aligncenter" width="751"]meu primeiro etegami! meu primeiro etegami![/caption]  
Se você quer conhecer melhor, aí vem a dica: Curso de Etegami da Associação Ishikawa Ken. As aulas são ministradas por Keiko Ishii em conjunto com senhoras pacientes e atenciosas, que têm como propósito não deixar o Etegami morrer e assim expandir sua cultura. O ambiente é super tranquilo e a “sensei” (professora) deixa tudo preparado de forma organizada e atrativa para você se inspirar. Isso tudo proporciona um momento de único de relaxamento espiritual e alegria (sério!).

Cada aula tem o custo de 15 reais + uma pequena taxa para uso do material e acontece todo segundo sábado do mês (fique de olho no calendário!).

 
etegami
 
Experimente e pratique em casa!

 
etegami
 
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Associação Ishikawa Ken

Onde: Rua Tomas Carvalhal,184 – Paraíso, São Paulo – SP (px. metrô Paraíso)
Quando: Todo segundo sábado do mês – 10h – 12h
Informações: (11) 3884-8698
 
Fotos da Exposição da Associação Ishikawa Ken que aconteceu em Maio de 2015

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Mas lugar de mulher é na cozinha, não é?

Recentemente percebi que meu dia mais esperado da semana é terça-feira, dia de Masterchef Brasil Profissionais, dia de ver a Dayse Paparoto chutando bundas.

dayse

 

 

Essa última temporada do programa tem me marcado mais ainda que as anteriores (que também tiveram seus altos e baixos), pelas atitudes machistas e descaradas de alguns participantes. No último episódio, exibido dia 29 de novembro, os participantes realizaram uma prova em que precisavam apresentar três receitas diferentes com o mesmo ingrediente. Dario e Marcelo ousaram no preparo, enquanto Dayse e Ivo optaram por receitas mais simples e sofisticadas. A prova decidia quem dos quatro participantes iria direto para a semifinal.
Bem tranquilo, Marcelo ressaltava a Dario que eles já estavam garantidos e que a vitória claramente ia para algum deles. De fato, Marcelo ganhou disparado na prova por maioria de votos, mas a sua surpresa estava mesmo na prova de eliminação a seguir.

 

 
Todos acreditavam que Dayse seria a candidata com “menos técnica” e seus conhecimentos eram erroneamente subestimados pelos demais. “Quero derrubar a Dayse de qualquer jeito, hoje”, disse Marcelo, achando que ela seria a mais fácil de passar por cima, se comparada a Ivo e Dario.

Mas desculpa querido, não rolou.

 


 
Elogiada pelos três chefs, ela ficou surpresa consigo mesma <3
 


 
Dayse desenvolveu uma receita que surpreendeu a todos, inclusive a Marcelo, que desceu do mezanino (a convite inédito de Paola Carosella) para provar o prato que consistia em duas proteínas: fraldinha e vieiras com molho de maracujá.

 

 
Infelizmente não foi a primeira vez que a participante foi desacreditada, com constantes comentários de que ela seria a “menos perigosa” dos concorrentes, “muito teimosa” e por aí vai. Argumento atrás de argumento tentando desqualificar alguém que nunca foi pra berlinda – sorry not sorry!

E para todas as críticas Dayse só tem os melhores posicionamentos <3

Eu podia até cozinhar pra surpreender o Marcelo, mas a verdade é que eu não tô nem aí pra ele.

Fádia, ao ser eliminada em outro episódio, desabafou na saída: “É muito mais difícil (para as mulheres), porque tem os machistas na cozinha. Não aceitam nossa presença dentro de uma cozinha mais corrida, mais puxada. Só que desde que eu coloquei na minha cabeça de seguir isso como profissão, eu falei ‘não! Por quê?!’. Sou mulher, mas eu também tenho potência ou competência suficiente para estar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher”.

Lógico que como todo programa de televisão, ainda mais um reallity show, o Masterchef tem suas edições e cortes calculados para cada episódio. Mas isso não necessariamente desqualifica os preconceitos demonstrados durante a competição.

Engraçado como é comum a mulher ser relacionada ao papel de dona de casa, na cozinha e afins (vide o “bela, recatada e do lar“). Mas quando se trata de uma competição entre homens e mulheres, o papel da mulher facilmente se transforma a algo inferior. Como no comentário do participante Ivo (ex-chefe de Dayse), em um episódio passado, quando disse para que ela pegasse a vassoura e que varresse o chão, enquanto ele e Dario cozinhavam.
 

¯\_(ツ)_

 
Em entrevista recente, Dayse comentou sobre esse machismo que sofreu e ainda sofre dentro da cozinha: “Sempre tive que ser meio bruta para conseguir me manter em um emprego, porque o chef coloca as meninas na salada e eu não queria salada, queria fogão, ser subchef, chef. Quando entrava na salada, eu tinha que me esforçar o dobro dos caras para mostrar que podia ir para o fogão”.

 


 
A própria poderosíssima chef Paola Carosella comentou em entrevista pra revista Trip, em novembro de 2015, sobre os maus bocados que passou na cozinha, pelo simples fato de ser mulher. Hoje a bem-sucedida chef argentina conta que sofreu com assédios sexuais, com encoxadas de chefes a ameaças de morte por colegas de trabalho.

O relato das duas e de outras competidoras do Masterchef Brasil Profissionais prova que a cozinha profissional é um ambiente extremamente machista, por mais difícil que seja imaginar isso – considerando as décadas em que mulheres foram mandadas para onde? Pra cozinha!

Mas elas estão conquistando seus espaços e derrubando alguns machistas pelo caminho. Não é, Dayse?! <3

“Ver meu ex-chefe sair da competição é um sentimento que não sei explicar, porque, quando eu era subchefe dele, ele não acreditava em mim. Ele não acredita em mim até hoje. Ver essa cena é um pouco estranho, mas me deixa um pouco feliz porque me faz pensar que estou no caminho certo”, disse a chef orgulhosa, depois da eliminação de Ivo.

Lugar de mulher é na cozinha, no escritório, pilotando um airbus, ou onde quer que ela decida. E isso vai continuar ferindo o ego de muitos homens até que eles relaxem e aprendam que a gente tá aqui sim e é pra arrebentar. Deal with it.

 


 
Texto por Fernanda Garcia (Kissy) com a colaboração de Débora Backes.
 

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