É machismo sim

Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf

Há alguns meses me tornei dona de uma placa com os dizeres “Cunha inimigo número 1 das mulheres” de um lado e “A América Latina vai ser toda feminista” do outro. Recebi de uma mana em uma das muitas passeatas contra o Eduardo Cunha quando ele estava tentando passar a PL5069 – aquelas manifestações lá que deram origem ao que a mídia batizou de “primavera das mulheres”.

Me incomoda bastante o quanto o machismo dessa coisa toda de impeachment tem sido pouco comentada, pouco exposta por nossa mídia. Não é uma questão de apoiar cegamente o governo Dilma por ela ser mulher (ainda estou esperando o direito ao aborto legal que nos foi prometido), mas sim de manter os olhos descascados para o que nessa história está nascendo de um desconforto social em ver uma mulher no poder. Nos Estados Unidos ninguém finge que Barack Obama não é negro, mas no Brasil nos sentimos totalmente confortáveis em fingir que Dilma não é mulher. Que ela estar ocupando o assento que ocupa hoje tem o mesmo significado que teria se fosse um dos 400 homens brancos que ocupam a câmera dos deputados. A mídia brasileira, tão confortável em apoiar golpe, também se sente totalmente a vonts fingindo que cada vez que um deputado diz “Pela família, voto sim” ele não está falando “Como você mulher ousou sair da cozinha e vir para o Planalto?”. A reportagem da Veja (revista que até agora só faltou falar que a cor do batom da presidenta não combina com o terninho dela) sobre a esposa do Michel Temer está ai para provar. Mulher boa, no Brasil, é mulher que fica em casa, mulher educada, mulher quieta que torce para ter um segundo filho. Mulher que é torturada no pau de arara para combater a ditadura aparentemente não tem espaço na graça do brasileiros. O recado que nossos ilustres deputados estão nos dando – e com nós digo todas as mulheres que me lêem – é esse: não abram a boca. Não venham lutar. Não saiam do lugar que nós designamos para vocês. E quem duvidar, é só ouvir o Bolsonaro, tão desesperado com uma mulher no poder, que homenageia a figura de um torturador estuprador. É só se perguntar se esse argumento da família estaria fazendo sentido se fosse Lula, se fosse (deus me livre) Alckmin, os nomes a serem “impeachados” (no melhor português). É só lembrar daquele adesivo de carro grotesco que mostrava Dilma abrindo as pernas para a gasolina (me dá vergonha até de escrever isso). É só ver as milhares, milhares de fotos de homens brancos de meia idade comemorando um golpe de estado “Pelo bem da família”. Um golpe que nos é oferecido pela Bancada do Boi, da Bala e da Bíblia. Pelo bem da família. Familia essa tão ameaçada pela mulher divorciada, mulher que já declarou em entrevista que “o mundo não é para debutante”, que preside o nosso país.

Não derrubamos o Eduardo Cunha na primavera das mulheres. Gostaria de dizer que um dia o destino chama todos nós para a chincha, mas nasci e cresci no Brasil e sei muito bem que isso não é verdade. As chances de não acontecer nada com o Cunha são grandes, maiores ainda do que as razões pelas quais ele deveria estar apodrecendo atrás das grades. Quanto à plaquinha do meu quarto, mantenho ela virada para o lado “A América Latina vai ser toda feminista”. Porque nisso pelo menos eu tenho esperanças sim. Esperança de que, se não na mídia, pelo menos nos nossos corações esteja bem claro o que está acontecendo. E que nossos olhos abertos que tudo veem não permitam que isso seja esquecido.
 
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Ilustração feita com exclusividade por Sarah Assaf.
 

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Pendure suas musas na árvore de natal

Esse ano, como forma de agradecimento por tudo que se passou em 2014, decidi decorar a minha árvore só com sentimentos doces. Junto dos bibelôs tradicionais estou pendurando fotos de pessoas que me inspiraram, de bons momentos, e das pessoas que eu amo na árvore. Aqui vou ensinar como fazer essas decorações, mas elas realmente não se restringem a árvore de natal (afinal, não é todo mundo que celebra o natal): podem ser usadas para decorar a casa, ou para dar de presente para o seu melhor amigx, para decorações de páscoa…

Foto I

Para esse tutorial vou usar uma foto da Maya Angelou, uma de minhas poetas preferidas (que, para o pesar de todos, faleceu esse ano), e uma de Billie Holiday, cujas musicas me ajudaram a sobreviver os dias mais pesados de 2014.

Para fazer seus próprios enfeites de natal você vai precisar de:

  • Fotos que quer usar no seu enfeite (pode ser de uma pessoa que te inspira, que você admira, de você e seus amigos, trechos de poemas ou musicas que você ama, enfim, o que deixar você mais feliz). Eu imprimi as minhas fotos usando uma impressora PB e depois recortei.
  • Uma tesoura
  • Papel colorido
  • Cola (Pritt ou branca, o que você preferir; dependendo do que você for usar para enfeitar sua decoração, pode ser cola quente também)
  • Coisas de decoração (eu estou usando glitter e pétalas de flor, mas isso vai de acordo com o gosto de cada um)

 

1. Faça o esqueleto da sua decoração

A primeiríssima coisa que você precisa fazer é recortar a sua foto no formato que achar melhor para a sua decoração. Eu escolhi cortar as duas fotos em uma forma retangular, mas isso foi por pura incapacidade de usar uma tesoura. Você pode cortar suas fotos de maneira circular, oval, etc. Depois disso, você vai cortar o papelão e colar sua foto em cima, criando uma base.

Eu colei a foto na Maya Angelou em uma base verde. Depois, escrevi a última estrofe do meu poema preferido dela, I know why the caged bird sings, em torno da foto.

The caged bird sings
With a fearful trill
Of things unknown
But longed for still
And his tune is heard
On the distant hill
For the caged bird
Sings of freedom.

Para a Billie, fiz uma base mais simples, só com papelão azul.

Billie

2. Decorate it!

Agora é hora da decoração pesada. Recorte um pedaço de papelão que seja maior do que o seu esqueleto. Você vai decorar esse pedaço, e em seguida colar o seu esqueleto em cima dele.

Não esqueça de deixar uma margem larga o suficiente para fazer o furinho no qual você vai passar o barbante! O melhor momento para fazer o furo é logo antes de começar a colar coisas no papelão. Para fazer o furo basta usar um furador ou uma tesoura (ou, se você é super bem preparada como eu, um prego). Depois, passe um fio por ele e amarre bem o nó.

Foto III

Agora é a melhor parte. Cole pétalas, jogue glitter, lã, lágrimas dos seus inimigos (no melhor espírito de natal), e o que mais o seu coração desejar.

foto IV

3. Junte tudo e… violà

Agora é só colar o seu esqueleto no papelão decorado, e pronto!

Dica: imediatamente depois de colar, coloque um livro gordo em cima da decoração para garantir que esteja colando sem rugosidades (mas antes, certifique-se de que não haja cola saindo pela lateral que possa manchar a capa do seu livro).

foto V

foto VI

Divirta-se!

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