10 motivos para não ter uma Hermione Negra

Arte de Adele Sego

Lembra que contamos aqui sobre um fato incrível (e polêmico) sobre o elenco da peça “Cursed Child”, escrita por J.K Rowling para dar continuidade à história contada na saga Harry Potter? Sim! A atriz que interpretará Hermione Granger mais velha, 19 anos depois da Batalha de Hogwarts, é Noma Dumezweni. Uma mulher negra.

A novidade agora é que o site Pottermore divulgou uma foto oficial da nova geração da família Granger-Weasley, mostrando os atores caracterizados como Rony, Hermione e Rosa, filha do casal introduzida no final de “As Relíquias da Morte”. Ou seja, pela primeira vez a hegemonia ruiva vestesdesegundamão dos Weasley, como descritos nos livros e nos filmes, foi quebrada. Pelo menos na versão da peça, Rosa Granger-Weasley puxou a mãe!

 
Weasley_Granger_Cursed_Child
 
Assim como aconteceu na época do anúncio de Noma como Hermione, os fãs não receberam bem esta nova imagem da peça. Nas FanPages ou fóruns de fãs da série, a maioria diz que não é por causa de racismo, mas sim porque, supostamente, a cor da pele da Hermione tira a essência e, consequentemente, a fidelidade à personagem conhecida e querida há tantos anos.

Aham, sei.

Mesmo com a própria J.K Rowling lembrando que a pele da Hermione nunca foi especificada nos livros (onde o personagem surgiu ORIGINALMENTE), aparentemente, a cor da pele é uma coisa assustadoramente perigosa para a caracterização de uma personagem tão significativa para a série.

Reunimos algumas ilustrações de artistas ~malucos~ que imaginaram a Hermione negra ao ler o livro, para provar que, realmente, mudar a cor da pele dela é um erro que mudaria tudo na saga. Então liga o modo ironia para continuar nesse post, ok?

 

1. Ela não seria tão bonita quanto a Hermione dos filmes

Black Hermione Granger

Aposto que “a bruxa mais inteligente da sua idade” se importa muito com aparência, inclusive!

 

2. Hermione deixaria de ser a bruxa mais brilhante de sua idade

Black Hermione Granger

Porque toda a habilidade que ela tem iria embora com o acréscimo de melanina em sua pele!

 

3. E não seria tão estudiosa

Black Hermione Granger

Uma das características mais fortes na personagem se perderia por causa da cor de sua pele!

 

4. Ela não saberia conjurar feitiços

Black Hermione Granger

Claro que o maior impedimento pra isso ela já superou: o fato de ter nascido trouxa! Mas a pele negra pode acabar com tantas habilidades, né?

 

5. E as poções que ela faria seriam um fracasso

Black Hermione Granger

Harry e Rony que se virem quando eles precisarem de uma polissuco!

 

6. Suas relações afetivas mudariam, começando pelo gato. Hermione nem teria o Bichento.

Black Hermione Granger

~ Isso é tão absurdo e surreal que não consigo ironizar! ~

 

7. Ela não seria a melhor amiga do Harry

Black Hermione Granger

Mulher negra é objeto, não amiga, namorada, parceira etc.

 

8. E não formaria uma família feliz com o Rony!

Black Hermione Granger

Onde já se viu? Uma mulher negra em um relacionamento feliz e saudável!

 

9. E ela não gostaria tanto de beber cerveja amanteigada nos bares de Hogsmeade com os amigos

Black Hermione Granger

Obviamente, os gostos característicos da personagem mudam junto com a cor!

 

10. E o “Golden Trio” não seria mais o mesmo

Her 4

Harry. Check. Rony. Check. Hermione. Chec… Ah, não! Ela é negra!

Enfim… Para uma jovem que originalmente já precisa combater preconceito por não ter nascido nos padrões que a elite bruxa espera, a cor da pele dela é tão importante para a composição da personagem, quanto o fato de que Dumbledore é gay seria determinante em sua vida como grande bruxo estudioso!

Para nós, espectadores da saga, a cor da pele da Hermione vira o jogo em um quesito: Representatividade importa!
 

Mais de Karoline Gomes

Não, meu afro não está na moda

Quando falamos em transição capilar, falamos também do esforço de passar meses fazendo cronogramas, texturizações e outras técnicas para lidar com dois tipos de cabelo na cabeça, passando pelo descobrimento de texturas, a paciência para esperar o crescimento, e mesmo o desanimo e vontade de desistência diante das dificuldades e da pressão para alisar, que nunca acaba. É, transição não é fácil, e nunca deveremos dizer que é.

Dito disso, eu gostaria de pontuar: Nenhuma mulher se submete a transição em busca de estar na moda. Para seguir uma tendência de beleza ou das passarelas.

Para ficar mais bonita? Sim. Para se sentir mais bonita? Sim. Depois de ver uma amiga que passou pelo processo, superou todas as dificuldades, e se sente bem apesar de todos os olhares, e julgamentos? Com certeza! Este é um dos maiores incentivos que podemos ter. Mas não passamos pela transição porque está na moda, como tem sugerido a mídia.

Moda implica em manias passageiras, que podem ser questionáveis ou não, que podem combinar ou não com algum tipo de pessoa.

A descoberta do seu cabelo afro, significa também identidade, autoestima recuperada, e uma nova vida. É comum que uma mulher, depois de sentir toda essa satisfação após passar pela transição e recuperar seu cabelo natural, queira incentivar outras a fazerem o mesmo. Logo, iniciam-se grupos, encontros, canais de discussões, tira dúvidas, qualquer coisa que estiver a seu alcance para que outras possam se beneficiar do mesmo.

Não se pode esconder a satisfação de vencer esse período e se encontrar, reconhecer sua identidade, ver como ela tem a ver com sua personalidade, conhecer sua beleza real, e talvez, a quem interessar, encontrar seu estilo a partir disso.

Todo esse movimento pela beleza natural representa uma luta política. Sim, política. Pois como representante desse movimento para outras mulheres, você assume a dificuldade que é o empoderamento, pois haverá também o trabalho da conversa e incentivo para que a mulher não desista dessa luta diante da pressão que mencionei antes.

E esta pressão existe pois ainda vivemos em uma sociedade racista, que aponta o cabelo afro como negativo, e espera uma beleza europeia de todas as mulheres, mesmo daquelas que não nasceram com estas características. Resistir a isso, acordar todos os dias e colocar a cara – e o cabelo! – na rua diante de tanto julgamento, não pode ser nada menos do que uma luta política.

Por isso, tona-se tão ofensivo àquelas que passam pela transição e incentivam a luta de outras, quando nos deparamos com reportagens na mídia, que erraram completamente a interpretação dos movimentos pela beleza natural e de incentivo a transição capilar, achando que todas aquelas mulheres estão ali porque está na moda ter cabelo afro.

Será que estes jornalistas andaram dando uma espiada nas passarelas e revistas de moda recentemente? Será que eles notaram que o cabelo afro está longe dos “must-have” das fashionistas?

Sim, precisamos do apoio da mídia, pois até pouco tempo não se falava em transição capilar, alguns veículos perceberam o barulho feito pelos grandes movimentos em suas páginas na internet, e começaram a destacá-los, consequentemente, mais adeptas a beleza natural começaram a surgir para participar de algo que cuja divulgação e créditos pelo progresso cabiam somente as militâncias que tanto se esforçaram.

Mas a mídia precisa colaborar apontando o porquê dessa busca das mulheres, questionando a imposição do mercado e da sociedade ainda exigindo cabelos lisos, apontando os reais motivos do porque as mulheres buscam pela transição, que para cada uma pode variar e ir além da luta política, mas ser também uma transformação pessoal. E a mídia não colabora vendendo tudo como moda.

Vender o cabelo afro como moda, abre mais portas para a apropriação

Moda implica em manias passageiras, que podem ser questionáveis ou não, que podem combinar ou não com algum tipo de pessoa. Dizer que cabelo afro está na moda, deixa aberto para questionamentos sobre a execução e o uso daquela tendência tão falada, já posso até imaginar as manchetes: “Como ter cachos perfeitos e sem frizz”, “Faça seu cabelo crespo ganhar cachos e definição”, “Até quando de volume combina para o formato do seu rosto?”.

A intenção dos movimentos é justamente não estarmos mais apegadas a estes tipos de regras chatas. Nós paramos de alisar para fugir delas, não entrar em mais delas, não para termos que nos ajustar visualmente para sermos quem realmente somos!

Vender o cabelo afro como moda, abre mais portas para a apropriação, logo o volume será bonito para a pele branca, que já é aceita, e as mulheres negras, que representam a maioria das mulheres em transição, serão excluídas de uma tendência novamente, dessa vez de uma tendência que supostamente criaram. Dizer que cabelo afro é moda, sugere que depois dessa onda, todo este esforço da transição terá sido em vão, pois voltaremos a alisar nossos cabelos e nos preparar para a nova tendência.

O cabelo afro não deve entrar na moda, a moda precisa se ajustar às mulheres de cabelo afro.

 
Fotografia da capa: Keith Major

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um fato incrível (e polêmico) sobre o elenco da peça “Cursed Child”, escrita por J.K Rowling para dar continuidade à história contada na saga Harry Potter? Sim! A atriz que interpretará Hermione Granger mais velha, 19 anos depois da Batalha de Hogwarts, é Noma Dumezweni. Uma mulher negra.

A novidade agora é que o site Pottermore divulgou uma foto oficial da nova geração da família Granger-Weasley, mostrando os atores caracterizados como Rony, Hermione e Rosa, filha do casal introduzida no final de “As Relíquias da Morte”. Ou seja, pela primeira vez a hegemonia ruiva vestesdesegundamão dos Weasley, como descritos nos livros e nos filmes, foi quebrada. Pelo menos na versão da peça, Rosa Granger-Weasley puxou a mãe!

 
Weasley_Granger_Cursed_Child
 
Assim como aconteceu na época do anúncio de Noma como Hermione, os fãs não receberam bem esta nova imagem da peça. Nas FanPages ou fóruns de fãs da série, a maioria diz que não é por causa de racismo, mas sim porque, supostamente, a cor da pele da Hermione tira a essência e, consequentemente, a fidelidade à personagem conhecida e querida há tantos anos.

Aham, sei.

Mesmo com a própria J.K Rowling lembrando que a pele da Hermione nunca foi especificada nos livros (onde o personagem surgiu ORIGINALMENTE), aparentemente, a cor da pele é uma coisa assustadoramente perigosa para a caracterização de uma personagem tão significativa para a série.

Reunimos algumas ilustrações de artistas ~malucos~ que imaginaram a Hermione negra ao ler o livro, para provar que, realmente, mudar a cor da pele dela é um erro que mudaria tudo na saga. Então liga o modo ironia para continuar nesse post, ok?

 

1. Ela não seria tão bonita quanto a Hermione dos filmes

Black Hermione Granger

Aposto que “a bruxa mais inteligente da sua idade” se importa muito com aparência, inclusive!

 

2. Hermione deixaria de ser a bruxa mais brilhante de sua idade

Black Hermione Granger

Porque toda a habilidade que ela tem iria embora com o acréscimo de melanina em sua pele!

 

3. E não seria tão estudiosa

Black Hermione Granger

Uma das características mais fortes na personagem se perderia por causa da cor de sua pele!

 

4. Ela não saberia conjurar feitiços

Black Hermione Granger

Claro que o maior impedimento pra isso ela já superou: o fato de ter nascido trouxa! Mas a pele negra pode acabar com tantas habilidades, né?

 

5. E as poções que ela faria seriam um fracasso

Black Hermione Granger

Harry e Rony que se virem quando eles precisarem de uma polissuco!

 

6. Suas relações afetivas mudariam, começando pelo gato. Hermione nem teria o Bichento.

Black Hermione Granger

~ Isso é tão absurdo e surreal que não consigo ironizar! ~

 

7. Ela não seria a melhor amiga do Harry

Black Hermione Granger

Mulher negra é objeto, não amiga, namorada, parceira etc.

 

8. E não formaria uma família feliz com o Rony!

Black Hermione Granger

Onde já se viu? Uma mulher negra em um relacionamento feliz e saudável!

 

9. E ela não gostaria tanto de beber cerveja amanteigada nos bares de Hogsmeade com os amigos

Black Hermione Granger

Obviamente, os gostos característicos da personagem mudam junto com a cor!

 

10. E o “Golden Trio” não seria mais o mesmo

Her 4

Harry. Check. Rony. Check. Hermione. Chec… Ah, não! Ela é negra!

Enfim… Para uma jovem que originalmente já precisa combater preconceito por não ter nascido nos padrões que a elite bruxa espera, a cor da pele dela é tão importante para a composição da personagem, quanto o fato de que Dumbledore é gay seria determinante em sua vida como grande bruxo estudioso!

Para nós, espectadores da saga, a cor da pele da Hermione vira o jogo em um quesito: Representatividade importa!
 

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