Mulheres históricas: Simone de Beauvoir

Colagem feita com exclusividade por Sarah Assaf
“Chegara agora a minha vez de ser a ovelha negra”

A escritora Simone de Beauvoir é uma figura extremamente importante para a luta feminista. Não só ela, como pessoa, mas toda a sua obra que apresenta seus pensamentos e posturas revolucionárias. Ela era totalmente fora dos padrões convencionais da época – ela questionou todo os absurdos impostos sobre o gênero feminino, como o ideal patriarcal esperado de que sejamos sempre “belas, recatadas e do lar”. Afinal, se nós em pleno século XXI enfrentamos obstáculos, perigos e dificuldades por ser mulher, nos anos 20 era ainda pior! Na época, as mulheres não tinham valor nenhum na sociedade, no mercado de trabalho e no meio acadêmico.

Um resumo breve sobre sua vida: Simone nasceu no dia 9 de janeiro de 1908 (capricorniana, lógico), em uma família da alta burguesia francesa. Diferente de muitas mulheres da sua época, ela teve o privilégio de ter bons livros e bons estudos sempre por perto, incentivada pelo próprio pai.

Enquanto crescia, Simone se fechou nos livros e não era lá muito sociável. Algumas das amizades mais importantes da sua vida foi da sua BFF Zaza (Elizabeth Le Coin), que conheceu no Cour Désir, uma escola católica para meninas que frequentou com sua irmã na adolescência. Alguns anos depois, Simone se aproximou de Jacques Champigneulle, que teve um papel de tutor intelectual. Ele a apresentou a poetas e pintores importantes da época.

Decidida a ser escritora com 15 anos, Simone negou-se a casar, ser dona de casa e a ter filhos e foi para o meio acadêmico estudar matemática, literatura, línguas e filosofia. Porém, sua amiga Zaza não teve a mesma sorte: morreu aos vinte anos de idade por ter se negado ao casamento. Essa perda foi absolutamente dolorosa para Simone. Anos mais tarde, em 1958, Simone reuniu suas experiências e histórias vividas nos primeiros anos da juventude para criticar a opressão moral e religiosa imposta sobre as mulheres de sua geração no livro ‘Memórias de uma moça bem comportada’. Além da frase que abre o post, outra frase conhecida do livro mostra nossa Simoníssima sapateando na educação patriarcal:

A arbitrariedade das ordens e das proibições com as quais me confrontava denunciava-lhes a inconsistência.

Quando estudava filosofia em Sorbonne, conheceu os intelectuais René Maheu, Maurice Merleau-Ponty e Jean-Paul Sartre. Eles formaram o grupinho blindado de intelectuais cool da época. Com apenas 21 aninhos ela se tornou a pessoa mais jovem a ser aprovada no Agrégation em filosofia. No exame final,o júri discutiu sobre a possibilidade de dar a Sartre ou a Beauvoir o primeiro lugar na competição, que acabaram decidindo por Sartre (boo-hoo!).

Simone e Sartre tiveram um longo e aberto relacionamento. Sentados em um banco fora do Louvre, fizeram um contrato: combinaram de não se casar, de não ter filhos e de se dedicarem inteiramente à filosofia. Era um ideal de relação que rejeitava qualquer amarra que os afastasse da atividade de pensar e naturalmente da escrita. Foi um escândalo. A partir dessa relação de liberdade, Simone teve tempo para escrever, viajar, lutar por causas políticas, mergulhar na academia e de ter também muitos amantes. O casal foi definitivamente um ícone. Casal XX, né?

Das suas obras, ‘O Segundo Sexo’ de 1949 é a mais famosa e uma das mais importantes, pois moldou muito o movimento feminista intelectual. O livro analisa o papel designado à mulher dentro da sociedade, apontando a hierarquia social do masculino sobre o feminino. Ela diz: “A humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele: ela não é considerada um ser autônomo”. No livro, Simone também indaga o significado de ser mulher. Daí vem sua famosa frase “Ninguém nasce mulher, torna-se”, seguida da explicação:

Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado, que qualificam de feminino.

Simone também tem obras importantíssimas como ‘Privilégios’, de 1955, em que provoca as pessoas privilegiadas a pensarem sua própria situação de privilégio, propondo esfregar os olhos do egoísmo confortável ao trabalhar a universalidade do pensamento. Também publicou ‘A Velhice’ em 1970, onde trata do envelhecimento além do efeito biológico, mas cultural. De novo, a intelectual cutuca a sociedade pondo uma lente sobre a desumanização da velhice e suposta não-vida sexual das mulheres idosas. Porque nenhuma obra de Beauvoir passa despercebida e indiferente pela sociedade. Ela se mantém relevante e seus livros são uma boa companhia para qualquer mulher. Além de suas obras filosóficas e de caráter político, Simone também escreveu romances. Leia ‘A convidada’, de 1943, ou ‘Os Mandarins’, de 1954.

Para saber um pouco mais sobre essa mulher maravilhosa, o documentário ‘Simone de Beauvoir, uma mulher atual’ está completo no YouTube, legendado em português. Aproveite e viva Simone!
 

 
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Colagem digital feita com exclusividade por Sarah Assaf
 

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Rolando os olhos eternamente

Um artigo recente do Motherlode, blog do The New York Times, explicou afinal por que as garotas adolescentes tem aquela reação típica de rolar os olhos durante uma conversa.

 
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Rolar os olhos é uma arte, uma maneira incrível de expressar qualquer divergência ou oposição pessoal na fala da outra pessoa. Normalmente quem é alvo do #rolleyes se sente ofendidíssimo. E, muitas vezes, essa é a intenção. Mas nem sempre é assim.

Adolescentes –foco do artigo da psicóloga Lisa Damour– odeiam receber ordens ou mesmo sugestões, e resistem a elas até mesmo quando concordam. Por exemplo, uma garota vai sair de casa e está frio. Ela vai pegar seu casaco quando sua mãe diz pra ela não esquecer de por uma blusa de frio. Tcha-nam! Rolleyes! Essa atitude é pra mostrar que “sim, mãe, eu já ia fazer isso. Dãr”.

 
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A busca pela autonomia é algo frequente e crescente entre os adolescentes. Por isso que receber ordens é algo totalmente irritante. Por exemplo, quando os pais dizem que a garota só pode sair de casa depois de lavar a louça. Ela sabe que não tem como lutar contra essa imposição, então a única coisa que resta é manifestar seu desagrado ROLANDO OS OLHOS. É como se ela mostrasse uma maturidade e senso de independência ao fazer isso, ao invés de ter um chilique, por exemplo.

 
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Mas o rolar de olhos também pode surgir quando tocamos naquele ponto sensível da pessoa. Por exemplo, como quando nossos pais ou amigos perguntam se a gente tem novidades daquela super amizade que se afastou da gente. O que acontece? ROLLEYES! Um jeito automático de manifestar aquele desgosto, mágoa ou raiva guardada que vale mais que mil palavras.

 
rolleyes-kim
 
A real é que a gente leva esse rolar de olhos da adolescência até a vida adulta. Como quando alguém fala algo que a gente não SU-POR-TA, como uma posição política ou brincadeira machista/racista/gordofóbica/etc. Ou quando queremos ser sarcásticas de propósito com alguém que não gostamos ou que estamos tretando. Ou quando estamos CANSADAS de uma situação uó, mas que não há nada a ser feito. Quando que, pra não armar um barraco, o que nos resta é rolar os olhos (mesmo que disfarçadamente).

 
rolleyes-lana
 

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