Hoje vi uma ~~notícia linda~~ de que o dólar atingiu o maior valor desde 2004. Bem agora que eu estou planejando ir para a Tailândia. Todo mundo diz que lá é super barato, mas o dólar tá fazendo o favor de estragar. Mas este post não é para falar sobre isso. Na verdade, tudo isso me fez lembrar de uma viagem que fiz no ano passado. No mês de julho, tive que viajar para Cuiabá a trabalho e me deparei com um final de semana livre. Tentei convencer meu namorado na época a ir para lá me encontrar, mas ele não ia poder por causa do trabalho.
Em Cuiabá, me deparei com: refrigerante sendo servido no saquinho plástico porque lá não pode levar a garrafa de vidro embora, estrelas cadentes, capivaras na estrada, lindas plantações de algodão, Mirante da Chapada, Boca do inferno e inferninho. Também fui a um maravilhoso rodizio de peixes em que provei pacu, pirarucu, jacaré, arraia, peixe grelhado, à milanesa, purê de batata com maçã verde. Lá tinha a maior concentração de carros brancos (além dos táxis), catracas e cobradores nos pontos de ônibus e as pessoas e serviços mais atenciosos de tudo quanto é lugar que já visitei. Que surpresa ótima esse Centro-Oeste. Como um ipê amarelo no meio da estrada. Em vez de ficar ilhada no hotel vendo Netflix travado, fiz a única coisa que poderia fazer: me joguei.
Sábado no Pantanal
Como estava sozinha, fui até uma agência de viagens indicada por um amigo (Interativa Pantanal) para ver se eles ofereciam algum pacote. Escolhi passar um dia no Pantanal, porque, né? É o Pantanal, gente! Eu sou do Rio, moro em São Paulo, quando que ia ter essa chance de novo? O passeio incluía transporte de van até a entrada da Transpantaneira, passeio de barco por lá, almoço e volta. Não lembro quanto paguei na época, mas o preço hoje no site tá R$ 75.
Na van conheci duas meninas engenheiras de Vitória, Alice e Gabriela, e mais uma inglesa, Ruth, que tava viajando a América Latina sozinha (aliás, devo contar essa história fantástica num próximo post). A escolha não poderia ter sido mais acertada e logo vi que a preocupação de que fossem me achar #foreveralone – que durou apenas 1 minuto no hotel mas que confesso que existiu – era uma grandissíssississima bobagem.
Chegamos na Transpantaneira umas nove e pouco, dez horas. Tiramos foto na porta de entrada da estrada de terra que adentra o pantanal. Na porta, uma recepção de filhotes de jacaré. Nos km seguintes vimos jacarés de boca aberta que pareciam rir. Mas o motorista explicou que eles não estavam rindo nem chocados com meu lindo look verde e vermelho… Isso é só algo que eles aparentemente fazem para regular a temperatura do corpo. “Choveu muito e o rio esta demorando pra baixar, mas normalmente nesta época já costuma ter mais de mil jacarés juntos. Em todo o pantanal, estima-se que tenha 3.5 milhões de jacarés”, disse o motorista animadinho. Me senti um pouco mal lembrando da carne de jacaré do rodízio. “Eles que são servidos no rodízio?”. “Não, tem dois grandes produtores de jacarés em cativeiro, com uns 100 mil cada, que abastecem restaurantes e produtores de bolsas e calcados”. Ufa… Não, pera.
O Pantanal é imenso! Tem 250 mil km², o equivalente a Bélgica, Holanda e mais outro país aí juntos. Sendo que 140 mil km² ficam no Brasil e o resto na Bolívia e no Paraguai. E aqui é um dos poucos lugares em que você pode ver uma ema atravessando a estrada de terra. O carro se aproximou, ela se assustou e correu como louca. Uma das cenas mais engraçadas que vi recentemente. Claro que fiquei o resto da semana com o “canto da ema” na cabeça.
Não cheguei a ver nenhuma onça, troféu da região, pois o número delas diminuiu bastante por causa da ocupação do homem. Mas vimos outros bichos. Um pássaro conhecido como cafézinho. Pequeno e marrom e preto. Além de pescadores no meio da água a poucos metros dos jacarés de boaça pescando. O mais lindo foi um trio de araras azuis pousado numa árvore que depois deu um rasante por cima da van. Mais um veado fêmea e um ninho de Tuiuiu.
Um hotel serviu de ponto base e fizemos um passeio de barco com um guia mega figura, depois almoçamos, ficamos na piscina, pescamos piranha e jogamos para os jacarés e depois voltamos. Cheguei em Cuiabá por volta das 19h a tempo de ir a um show do Caetano Veloso que estava rolando na cidade.
Domingo na Chapada dos Guimarães
Como fui a trabalho, visitei algumas cidades próximas de Cuiabá e na estrada passei pela Chapada. A vista dos morros alaranjados me impressionou demais de tão lindo e fiquei indignada com o fato de já ter ouvido falar mais do Grand Canyon do que daqui. Foda-se o Halloween, viva a cultura nacional! Gente, ces não tão ligadas! É muito lindo.
Descobri que rolava uma trilha por sete cachoeiras na Chapada, mas a cia de turismo só fazia o passeio às quintas-feiras (VAI ENTENDER…). O motorista querido da van que me levou pro Pantanal me indicou uma guia para fazer o passeio pelas cachoeiras que me indicou a maravilhosa Micheli, uma moça super do bem que além de ser guia da Chapada dos Guimarães também é super entusiasta das marionetes e que me contou toda a história dessa arte no Brasil (aparentemente, o movimento é mais forte no nordeste e no centro-oeste. Queria ter escrito este texto antes para lembrar de tudo). O passeio das cachoeiras só pode ser feito com guias porque tem umas galera aí que sujam tudo, já morreram e tal e aí restringiram o acesso.
A cidade da Chapada fica uns km de Cuiabá, mas rola um ônibus de uns R$ 12. Peguei um táxi até a rodoviária e achei o ônibus facilmente. Ele estava fazendo a curva para ir embora e o seguinte só partiria duas horas mais tarde. Corri feito condenada e alcancei o ônibus. Lá dentro, o trajeto de uma hora foi regado por deleites musicais da região.
Encontrei a Micheli na cidadezinha e logo partimos para a entrada do parque. Ela disse que eu não sou a única a ir sozinha e que os guias da região já estão acostumados com isso. O normal é indicar guias mulheres para esses casos. A trilha foi tranquila, sensacional e indico para todo mundo que curte natureza. Passamos pela cachoeria 7 de setembro, cachoeira do pulo (linda e com prainha aconchegante), Véu de noiva, Cachoeira Degrau, Cachoeira Prainha e Cachoeira das andorinhas. Achei as duas últimas as mais legais. O passeio custou uns R$ 120 (inclui carro até a entrada), mas porque eu tava sozinha. Se for em grupo sai mais barato para cada um.
Hoje vi uma ~~notícia linda~~ de que o dólar atingiu o maior valor desde 2004. Bem agora que eu estou planejando ir para a Tailândia. Todo mundo diz que lá é super barato, mas o dólar tá fazendo o favor de estragar. Mas este post não é para falar sobre isso. Na verdade, tudo isso me fez lembrar de uma viagem que fiz no ano passado. No mês de julho, tive que viajar para Cuiabá a trabalho e me deparei com um final de semana livre. Tentei convencer meu namorado na época a ir para lá me encontrar, mas ele não ia poder por causa do trabalho.
Em Cuiabá, me deparei com: refrigerante sendo servido no saquinho plástico porque lá não pode levar a garrafa de vidro embora, estrelas cadentes, capivaras na estrada, lindas plantações de algodão, Mirante da Chapada, Boca do inferno e inferninho. Também fui a um maravilhoso rodizio de peixes em que provei pacu, pirarucu, jacaré, arraia, peixe grelhado, à milanesa, purê de batata com maçã verde. Lá tinha a maior concentração de carros brancos (além dos táxis), catracas e cobradores nos pontos de ônibus e as pessoas e serviços mais atenciosos de tudo quanto é lugar que já visitei. Que surpresa ótima esse Centro-Oeste. Como um ipê amarelo no meio da estrada. Em vez de ficar ilhada no hotel vendo Netflix travado, fiz a única coisa que poderia fazer: me joguei.
Sábado no Pantanal
Como estava sozinha, fui até uma agência de viagens indicada por um amigo (Interativa Pantanal) para ver se eles ofereciam algum pacote. Escolhi passar um dia no Pantanal, porque, né? É o Pantanal, gente! Eu sou do Rio, moro em São Paulo, quando que ia ter essa chance de novo? O passeio incluía transporte de van até a entrada da Transpantaneira, passeio de barco por lá, almoço e volta. Não lembro quanto paguei na época, mas o preço hoje no site tá R$ 75.
Na van conheci duas meninas engenheiras de Vitória, Alice e Gabriela, e mais uma inglesa, Ruth, que tava viajando a América Latina sozinha (aliás, devo contar essa história fantástica num próximo post). A escolha não poderia ter sido mais acertada e logo vi que a preocupação de que fossem me achar #foreveralone – que durou apenas 1 minuto no hotel mas que confesso que existiu – era uma grandissíssississima bobagem.
Chegamos na Transpantaneira umas nove e pouco, dez horas. Tiramos foto na porta de entrada da estrada de terra que adentra o pantanal. Na porta, uma recepção de filhotes de jacaré. Nos km seguintes vimos jacarés de boca aberta que pareciam rir. Mas o motorista explicou que eles não estavam rindo nem chocados com meu lindo look verde e vermelho… Isso é só algo que eles aparentemente fazem para regular a temperatura do corpo. “Choveu muito e o rio esta demorando pra baixar, mas normalmente nesta época já costuma ter mais de mil jacarés juntos. Em todo o pantanal, estima-se que tenha 3.5 milhões de jacarés”, disse o motorista animadinho. Me senti um pouco mal lembrando da carne de jacaré do rodízio. “Eles que são servidos no rodízio?”. “Não, tem dois grandes produtores de jacarés em cativeiro, com uns 100 mil cada, que abastecem restaurantes e produtores de bolsas e calcados”. Ufa… Não, pera.
O Pantanal é imenso! Tem 250 mil km², o equivalente a Bélgica, Holanda e mais outro país aí juntos. Sendo que 140 mil km² ficam no Brasil e o resto na Bolívia e no Paraguai. E aqui é um dos poucos lugares em que você pode ver uma ema atravessando a estrada de terra. O carro se aproximou, ela se assustou e correu como louca. Uma das cenas mais engraçadas que vi recentemente. Claro que fiquei o resto da semana com o “canto da ema” na cabeça.
Não cheguei a ver nenhuma onça, troféu da região, pois o número delas diminuiu bastante por causa da ocupação do homem. Mas vimos outros bichos. Um pássaro conhecido como cafézinho. Pequeno e marrom e preto. Além de pescadores no meio da água a poucos metros dos jacarés de boaça pescando. O mais lindo foi um trio de araras azuis pousado numa árvore que depois deu um rasante por cima da van. Mais um veado fêmea e um ninho de Tuiuiu.
Um hotel serviu de ponto base e fizemos um passeio de barco com um guia mega figura, depois almoçamos, ficamos na piscina, pescamos piranha e jogamos para os jacarés e depois voltamos. Cheguei em Cuiabá por volta das 19h a tempo de ir a um show do Caetano Veloso que estava rolando na cidade.
Domingo na Chapada dos Guimarães
Como fui a trabalho, visitei algumas cidades próximas de Cuiabá e na estrada passei pela Chapada. A vista dos morros alaranjados me impressionou demais de tão lindo e fiquei indignada com o fato de já ter ouvido falar mais do Grand Canyon do que daqui. Foda-se o Halloween, viva a cultura nacional! Gente, ces não tão ligadas! É muito lindo.
Descobri que rolava uma trilha por sete cachoeiras na Chapada, mas a cia de turismo só fazia o passeio às quintas-feiras (VAI ENTENDER…). O motorista querido da van que me levou pro Pantanal me indicou uma guia para fazer o passeio pelas cachoeiras que me indicou a maravilhosa Micheli, uma moça super do bem que além de ser guia da Chapada dos Guimarães também é super entusiasta das marionetes e que me contou toda a história dessa arte no Brasil (aparentemente, o movimento é mais forte no nordeste e no centro-oeste. Queria ter escrito este texto antes para lembrar de tudo). O passeio das cachoeiras só pode ser feito com guias porque tem umas galera aí que sujam tudo, já morreram e tal e aí restringiram o acesso.
A cidade da Chapada fica uns km de Cuiabá, mas rola um ônibus de uns R$ 12. Peguei um táxi até a rodoviária e achei o ônibus facilmente. Ele estava fazendo a curva para ir embora e o seguinte só partiria duas horas mais tarde. Corri feito condenada e alcancei o ônibus. Lá dentro, o trajeto de uma hora foi regado por deleites musicais da região.
Encontrei a Micheli na cidadezinha e logo partimos para a entrada do parque. Ela disse que eu não sou a única a ir sozinha e que os guias da região já estão acostumados com isso. O normal é indicar guias mulheres para esses casos. A trilha foi tranquila, sensacional e indico para todo mundo que curte natureza. Passamos pela cachoeria 7 de setembro, cachoeira do pulo (linda e com prainha aconchegante), Véu de noiva, Cachoeira Degrau, Cachoeira Prainha e Cachoeira das andorinhas. Achei as duas últimas as mais legais. O passeio custou uns R$ 120 (inclui carro até a entrada), mas porque eu tava sozinha. Se for em grupo sai mais barato para cada um.
Hoje vi uma ~~notícia linda~~ de que o dólar atingiu o maior valor desde 2004. Bem agora que eu estou planejando ir para a Tailândia. Todo mundo diz que lá é super barato, mas o dólar tá fazendo o favor de estragar. Mas este post não é para falar sobre isso. Na verdade, tudo isso me fez lembrar de uma viagem que fiz no ano passado. No mês de julho, tive que viajar para Cuiabá a trabalho e me deparei com um final de semana livre. Tentei convencer meu namorado na época a ir para lá me encontrar, mas ele não ia poder por causa do trabalho.
[caption id="attachment_2474" align="aligncenter" width="700"] Comprei uma Coca-Cola geladíssima de garrafa e quando vi o cara tinha colocado nesse saquinho. “A garrafa é retornável, dona”[/caption]
Em Cuiabá, me deparei com: refrigerante sendo servido no saquinho plástico porque lá não pode levar a garrafa de vidro embora, estrelas cadentes, capivaras na estrada, lindas plantações de algodão, Mirante da Chapada, Boca do inferno e inferninho. Também fui a um maravilhoso rodizio de peixes em que provei pacu, pirarucu, jacaré, arraia, peixe grelhado, à milanesa, purê de batata com maçã verde. Lá tinha a maior concentração de carros brancos (além dos táxis), catracas e cobradores nos pontos de ônibus e as pessoas e serviços mais atenciosos de tudo quanto é lugar que já visitei. Que surpresa ótima esse Centro-Oeste. Como um ipê amarelo no meio da estrada. Em vez de ficar ilhada no hotel vendo Netflix travado, fiz a única coisa que poderia fazer: me joguei.
Sábado no Pantanal
[caption id="attachment_146" align="aligncenter" width="700"] Portal da entrada da Transpantaneira (dã), a 100 km de Cuiabá[/caption]
Como estava sozinha, fui até uma agência de viagens indicada por um amigo (Interativa Pantanal) para ver se eles ofereciam algum pacote. Escolhi passar um dia no Pantanal, porque, né? É o Pantanal, gente! Eu sou do Rio, moro em São Paulo, quando que ia ter essa chance de novo? O passeio incluía transporte de van até a entrada da Transpantaneira, passeio de barco por lá, almoço e volta. Não lembro quanto paguei na época, mas o preço hoje no site tá R$ 75.
Na van conheci duas meninas engenheiras de Vitória, Alice e Gabriela, e mais uma inglesa, Ruth, que tava viajando a América Latina sozinha (aliás, devo contar essa história fantástica num próximo post). A escolha não poderia ter sido mais acertada e logo vi que a preocupação de que fossem me achar #foreveralone – que durou apenas 1 minuto no hotel mas que confesso que existiu – era uma grandissíssississima bobagem.
[caption id="attachment_143" align="aligncenter" width="700"] Meu amigo jaca de boas pegando um sol[/caption]
Chegamos na Transpantaneira umas nove e pouco, dez horas. Tiramos foto na porta de entrada da estrada de terra que adentra o pantanal. Na porta, uma recepção de filhotes de jacaré. Nos km seguintes vimos jacarés de boca aberta que pareciam rir. Mas o motorista explicou que eles não estavam rindo nem chocados com meu lindo look verde e vermelho… Isso é só algo que eles aparentemente fazem para regular a temperatura do corpo. “Choveu muito e o rio esta demorando pra baixar, mas normalmente nesta época já costuma ter mais de mil jacarés juntos. Em todo o pantanal, estima-se que tenha 3.5 milhões de jacarés”, disse o motorista animadinho. Me senti um pouco mal lembrando da carne de jacaré do rodízio. “Eles que são servidos no rodízio?”. “Não, tem dois grandes produtores de jacarés em cativeiro, com uns 100 mil cada, que abastecem restaurantes e produtores de bolsas e calcados”. Ufa… Não, pera.
O Pantanal é imenso! Tem 250 mil km², o equivalente a Bélgica, Holanda e mais outro país aí juntos. Sendo que 140 mil km² ficam no Brasil e o resto na Bolívia e no Paraguai. E aqui é um dos poucos lugares em que você pode ver uma ema atravessando a estrada de terra. O carro se aproximou, ela se assustou e correu como louca. Uma das cenas mais engraçadas que vi recentemente. Claro que fiquei o resto da semana com o “canto da ema” na cabeça.
[caption id="attachment_147" align="aligncenter" width="700"] Peixinho: Guia bróder, guia amigo, que me fez passear de barco e voltar inteira, livre do perigo ~~rimou~~~[/caption]
Não cheguei a ver nenhuma onça, troféu da região, pois o número delas diminuiu bastante por causa da ocupação do homem. Mas vimos outros bichos. Um pássaro conhecido como cafézinho. Pequeno e marrom e preto. Além de pescadores no meio da água a poucos metros dos jacarés de boaça pescando. O mais lindo foi um trio de araras azuis pousado numa árvore que depois deu um rasante por cima da van. Mais um veado fêmea e um ninho de Tuiuiu.
[caption id="attachment_142" align="aligncenter" width="700"] Look do dia: Rodrigo Rasches, fotógrafo de pássaros[/caption]
Um hotel serviu de ponto base e fizemos um passeio de barco com um guia mega figura, depois almoçamos, ficamos na piscina, pescamos piranha e jogamos para os jacarés e depois voltamos. Cheguei em Cuiabá por volta das 19h a tempo de ir a um show do Caetano Veloso que estava rolando na cidade.
Domingo na Chapada dos Guimarães
[caption id="attachment_145" align="aligncenter" width="700"] Chapada dos Guimarães, o Grand Canyon brasileiro. Viva a cultura nacional![/caption]
Como fui a trabalho, visitei algumas cidades próximas de Cuiabá e na estrada passei pela Chapada. A vista dos morros alaranjados me impressionou demais de tão lindo e fiquei indignada com o fato de já ter ouvido falar mais do Grand Canyon do que daqui. Foda-se o Halloween, viva a cultura nacional! Gente, ces não tão ligadas! É muito lindo.
[caption id="attachment_144" align="aligncenter" width="700"] Mirante da Chapada. Ponto Geodésico[/caption]
[caption id="attachment_137" align="aligncenter" width="700"] Paredão e encontro de vales. Que mané Grand Canyon… Aqui era mar 150 milhões de anos atrás, me contaram[/caption]
[caption id="attachment_139" align="aligncenter" width="700"] A região da Chapada já foi mar há 1,5 milhão de anos? E no meio de uma trilha, encontrei essa pedra com fósseis de conchas. #IndiAnnaJones #LaraCroft obs: Não, eu não roubei a pedra. deixei lá pra outros visitantes tb encontrarem[/caption]
Descobri que rolava uma trilha por sete cachoeiras na Chapada, mas a cia de turismo só fazia o passeio às quintas-feiras (VAI ENTENDER…). O motorista querido da van que me levou pro Pantanal me indicou uma guia para fazer o passeio pelas cachoeiras que me indicou a maravilhosa Micheli, uma moça super do bem que além de ser guia da Chapada dos Guimarães também é super entusiasta das marionetes e que me contou toda a história dessa arte no Brasil (aparentemente, o movimento é mais forte no nordeste e no centro-oeste. Queria ter escrito este texto antes para lembrar de tudo). O passeio das cachoeiras só pode ser feito com guias porque tem umas galera aí que sujam tudo, já morreram e tal e aí restringiram o acesso.
[caption id="attachment_141" align="aligncenter" width="700"] Cachoeira do (ex-) Pulo ‘Saltava todo mundo, mas agora niguém salta mais, salta mais, salta mais’[/caption]
A cidade da Chapada fica uns km de Cuiabá, mas rola um ônibus de uns R$ 12. Peguei um táxi até a rodoviária e achei o ônibus facilmente. Ele estava fazendo a curva para ir embora e o seguinte só partiria duas horas mais tarde. Corri feito condenada e alcancei o ônibus. Lá dentro, o trajeto de uma hora foi regado por deleites musicais da região.
[caption id="attachment_140" align="aligncenter" width="700"] Chamava não-sei-o-que do Diabo. Aí veio os padre e mudou os nome tudo. Virou Véu de Noiva.[/caption]
Encontrei a Micheli na cidadezinha e logo partimos para a entrada do parque. Ela disse que eu não sou a única a ir sozinha e que os guias da região já estão acostumados com isso. O normal é indicar guias mulheres para esses casos. A trilha foi tranquila, sensacional e indico para todo mundo que curte natureza. Passamos pela cachoeria 7 de setembro, cachoeira do pulo (linda e com prainha aconchegante), Véu de noiva, Cachoeira Degrau, Cachoeira Prainha e Cachoeira das andorinhas. Achei as duas últimas as mais legais. O passeio custou uns R$ 120 (inclui carro até a entrada), mas porque eu tava sozinha. Se for em grupo sai mais barato para cada um.
[caption id="attachment_138" align="aligncenter" width="700"] Essa é a Cachoeira das Andorinhas, a última em que dá pra nadar no circuito das águas na Chapada dos Guimarães. Era conhecida como Cachoeira dos Malucos por causa dos alternativos que acapavam por aqui durantes meses lá nos anos 80, quando isso ainda era permitido. Foi graças a eles, me contou a guia, que ela não virou uma pequena hidrelétrica para abastecer fazendeiros da região. A base de madeira chegou a ser instalada, mas os caras revezaram no local durante meses para impedir a construção. Obrigada, hippies e pioneiros ecochatos![/caption]
[accordion]
[item title="QUER VIAJAR? SAIBA MAIS"]
Onde: Pantanal do Poconé, MT
Transporte: Avião + Carro
Hospedagem: Hotel
Custo: Entre 1000 e 1500 reais
[/item]
[/accordion]
Aline Lata e Helena Wolfenson se conheciam de vista em São Paulo. Mas 15 dias depois do rompimento da barragem de resíduos de minério da Samarco/Vale/BHP, em novembro do ano passado em Minas, elas pegaram carona com uma amiga em comum rumo à Mariana e subdistritos. A ideia inicial era ajudar os locais como pudessem, com trabalho voluntário e tirando fotos.
Juntos, pegaram uma rota alternativa até Bento – que estava fechada para o público – e visitaram a casa deles e de conhecidos pela primeira vez depois da tragédia. Eles perderam não só todos os bens, mas também um lugar de memória de gerações que nasceram e cresceram naquele vale rural, cercado de um minério precioso. Ainda sim, encararam com humor. “Eles falaram: ‘se a Samarco fodeu com a nossa vida, vamos jogar bola na lama!’. Tinha umas piadas, uma beleza, que foram fazendo tudo ter mais sentido, diferente de uma certa passividade que eu vinha vendo lá”, conta Helena.
Dessa experiência, Aline e Helena tiveram a ideia de fazer o documentário Rastro de Lama, que contará a história de personagens que vivem na região atingida. Editaram o material que fizeram na ocasião e fizeram um teaser.
O plano agora é conseguir mais dinheiro para voltar à região no próximo mês, coletar mais material e arcar com os custos de finalização do filme. Para isso, estão fazendo uma campanha de financiamento coletivo, que termina no dia 18 de março. É tudo ou nada! A meta é arrecadar 50 650 reais. Se não conseguirem juntar a grana, o dinheiro volta integralmente para os doadores. É possível doar qualquer valor, mas a partir de 25 reais, é possível receber algumas recompensas como fotos e livros de artistas que estão colaborando com o projeto. Por isso, pedimos sua ajuda para ajudar esse projeto tão importante encabeçado por duas mulheres. Não podemos deixar que o maior crime ambiental do país seja esquecido.
A ideia é levantar as questões que rodeiam o caso, como a exploração do minério no país afeta a história de pessoas que têm relação direta com essa esfera da economia, até as responsabilidades que deveriam ser cumpridas pela empresa, a fiscalização de obras, obrigatoriedade de planos de emergência e a parte que cabe aos governos Estadual e Federal. Ricardo e Marlon, e outros habitantes do subdistrito, vivem com a promessa da construção de uma Nova Bento Rodrigues. Que cidade será essa? Que futuro os espera? Será essa promessa cumprida? “O documentário precisa existir, para acompanhar de perto essas respostas e não deixar que essa promessa seja abandonada”, afirma a diretora Helena Wolfenson.
Ovelha – Qual o diferencial desse filme?
Aline Lata – Acho que o que diferença desse filme para outros que estão sendo feitos é a história do Marlon e do Ricardo, e a relação deles com a tragédia, a experiência deles é única, mas também se torna universal, quando se trata da relação entre grandes corporações com muito poder e pessoas que não tem voz na sociedade.
Helena – Acho que a nossa história parte muito de um ponto de vista subjetivo. Tanto do que nos tocou profundamente lá, o encontro com os meninos, quanto da história deles em si.
Ovelha – Sentiram alguma dificuldade/receio sendo mulheres lá? Ou viram alguma vantagem nisso?
Helena – Eu senti ser mulher em varias situações, portas se abrindo, fechando, abrindo por linhas tortas. Isso é muito presente sempre no Brasil, ainda mais no interior e sendo fotógrafa.
rodizio de peixes em que provei pacu, pirarucu, jacaré, arraia, peixe grelhado, à milanesa, purê de batata com maçã verde. Lá tinha a maior concentração de carros brancos (além dos táxis), catracas e cobradores nos pontos de ônibus e as pessoas e serviços mais atenciosos de tudo quanto é lugar que já visitei. Que surpresa ótima esse Centro-Oeste. Como um ipê amarelo no meio da estrada. Em vez de ficar ilhada no hotel vendo Netflix travado, fiz a única coisa que poderia fazer: me joguei.
Sábado no Pantanal
Como estava sozinha, fui até uma agência de viagens indicada por um amigo (Interativa Pantanal) para ver se eles ofereciam algum pacote. Escolhi passar um dia no Pantanal, porque, né? É o Pantanal, gente! Eu sou do Rio, moro em São Paulo, quando que ia ter essa chance de novo? O passeio incluía transporte de van até a entrada da Transpantaneira, passeio de barco por lá, almoço e volta. Não lembro quanto paguei na época, mas o preço hoje no site tá R$ 75.
Na van conheci duas meninas engenheiras de Vitória, Alice e Gabriela, e mais uma inglesa, Ruth, que tava viajando a América Latina sozinha (aliás, devo contar essa história fantástica num próximo post). A escolha não poderia ter sido mais acertada e logo vi que a preocupação de que fossem me achar #foreveralone – que durou apenas 1 minuto no hotel mas que confesso que existiu – era uma grandissíssississima bobagem.
Chegamos na Transpantaneira umas nove e pouco, dez horas. Tiramos foto na porta de entrada da estrada de terra que adentra o pantanal. Na porta, uma recepção de filhotes de jacaré. Nos km seguintes vimos jacarés de boca aberta que pareciam rir. Mas o motorista explicou que eles não estavam rindo nem chocados com meu lindo look verde e vermelho… Isso é só algo que eles aparentemente fazem para regular a temperatura do corpo. “Choveu muito e o rio esta demorando pra baixar, mas normalmente nesta época já costuma ter mais de mil jacarés juntos. Em todo o pantanal, estima-se que tenha 3.5 milhões de jacarés”, disse o motorista animadinho. Me senti um pouco mal lembrando da carne de jacaré do rodízio. “Eles que são servidos no rodízio?”. “Não, tem dois grandes produtores de jacarés em cativeiro, com uns 100 mil cada, que abastecem restaurantes e produtores de bolsas e calcados”. Ufa… Não, pera.
O Pantanal é imenso! Tem 250 mil km², o equivalente a Bélgica, Holanda e mais outro país aí juntos. Sendo que 140 mil km² ficam no Brasil e o resto na Bolívia e no Paraguai. E aqui é um dos poucos lugares em que você pode ver uma ema atravessando a estrada de terra. O carro se aproximou, ela se assustou e correu como louca. Uma das cenas mais engraçadas que vi recentemente. Claro que fiquei o resto da semana com o “canto da ema” na cabeça.
Não cheguei a ver nenhuma onça, troféu da região, pois o número delas diminuiu bastante por causa da ocupação do homem. Mas vimos outros bichos. Um pássaro conhecido como cafézinho. Pequeno e marrom e preto. Além de pescadores no meio da água a poucos metros dos jacarés de boaça pescando. O mais lindo foi um trio de araras azuis pousado numa árvore que depois deu um rasante por cima da van. Mais um veado fêmea e um ninho de Tuiuiu.
Um hotel serviu de ponto base e fizemos um passeio de barco com um guia mega figura, depois almoçamos, ficamos na piscina, pescamos piranha e jogamos para os jacarés e depois voltamos. Cheguei em Cuiabá por volta das 19h a tempo de ir a um show do Caetano Veloso que estava rolando na cidade.
Domingo na Chapada dos Guimarães
Como fui a trabalho, visitei algumas cidades próximas de Cuiabá e na estrada passei pela Chapada. A vista dos morros alaranjados me impressionou demais de tão lindo e fiquei indignada com o fato de já ter ouvido falar mais do Grand Canyon do que daqui. Foda-se o Halloween, viva a cultura nacional! Gente, ces não tão ligadas! É muito lindo.
Descobri que rolava uma trilha por sete cachoeiras na Chapada, mas a cia de turismo só fazia o passeio às quintas-feiras (VAI ENTENDER…). O motorista querido da van que me levou pro Pantanal me indicou uma guia para fazer o passeio pelas cachoeiras que me indicou a maravilhosa Micheli, uma moça super do bem que além de ser guia da Chapada dos Guimarães também é super entusiasta das marionetes e que me contou toda a história dessa arte no Brasil (aparentemente, o movimento é mais forte no nordeste e no centro-oeste. Queria ter escrito este texto antes para lembrar de tudo). O passeio das cachoeiras só pode ser feito com guias porque tem umas galera aí que sujam tudo, já morreram e tal e aí restringiram o acesso.
A cidade da Chapada fica uns km de Cuiabá, mas rola um ônibus de uns R$ 12. Peguei um táxi até a rodoviária e achei o ônibus facilmente. Ele estava fazendo a curva para ir embora e o seguinte só partiria duas horas mais tarde. Corri feito condenada e alcancei o ônibus. Lá dentro, o trajeto de uma hora foi regado por deleites musicais da região.
Encontrei a Micheli na cidadezinha e logo partimos para a entrada do parque. Ela disse que eu não sou a única a ir sozinha e que os guias da região já estão acostumados com isso. O normal é indicar guias mulheres para esses casos. A trilha foi tranquila, sensacional e indico para todo mundo que curte natureza. Passamos pela cachoeria 7 de setembro, cachoeira do pulo (linda e com prainha aconchegante), Véu de noiva, Cachoeira Degrau, Cachoeira Prainha e Cachoeira das andorinhas. Achei as duas últimas as mais legais. O passeio custou uns R$ 120 (inclui carro até a entrada), mas porque eu tava sozinha. Se for em grupo sai mais barato para cada um.