Assista: Strolling

A contemporaneidade do tema e a necessidade de pessoas negras na Europa de se verem representadas lotou a noite de projeção de “Strolling” na Semana de Cinema Feminista de Berlim, que começou no dia 8 de março. O filme da diretora jamaicana-britânica Cecile Emeke gerou um desconforto necessário no público europeu e branco.

O documentário foi montado com episódios de séries feitas por Emeke, em que pessoas negras – imigrantes ou descendentes de imigrantes – falam sobre temas como pós-colonialismo, racismo e identidade, enquanto caminham por suas cidades na Itália, Inglaterra, Holanda, França e Bélgica. A querida Bárbara Paes já falou sobre a talentosa Emeke e suas séries aqui, caso você queira saber mais sobre os diferentes trabalhos da diretora.

Emeke não aparece na série, nem no filme. O interlocutor fala com a câmera, enquanto a cidade ao fundo segue seu ritmo como se os ignorasse. Todos são muito eloquentes e vão direto ao ponto: os europeus exploraram países africanos durante séculos, escravizaram e mataram diversos povos, mas agora não conseguem lidar com os descendentes daqueles que deixaram seus países forçadamente para sobreviver.

Eu queria saber o que eles fariam, se estivessem no lugar dos nossos pais, que vieram pra cá querendo algo melhor pra gente. Eles provavelmente fariam a mesma coisa!

É o que diz uma das mulheres italianas que aparece também na série “Passeggiando” (strolling, em italiano). A mesma diz que se considera italiana, respira a cultura e o idioma, mas, por ser negra, é tratada como estrangeira e se sente atacada pelos discursos atuais anti-imigração.

A questão da identidade é bastante recorrente em “Strolling”. O caso da italiana é o mesmo de outros. O de sempre ser visto como alguém de fora, mesmo que os gestos e idioma já os aproxime mais do país em que cresceram (ou inclusive nasceram) do que do país de seus descendentes. E na Europa isso é muito comum, não só entre negros, mas entre turcos, árabes, latinos…

[caption id="attachment_14392" align="aligncenter" width="800"] A diretora Cecile Emeke esteve em Berlim para divulgar seu trabalho[/caption]

Na Alemanha, as gerações mais jovens de turcos ainda sofrem com o preconceito, mesmo que tenham nascido e vivido toda sua vida na cidade mais alemã possível. E sofrem por viver em um limite de identidades que não é nem turca, nem alemã. Por essa e por outras, achei ótimo o filme ter sido exibido em Berlim. Mesmo nos círculos não conservadores e de pessoas envolvidas em temas sociais, é difícil se ter uma noção do que é ser descendente de não europeus aqui. Uma coisa é ser imigrante europeu na Alemanha, outra é ser imigrante do leste europeu e outra coisa bem diferente é ser imigrante africano.

Aqui, como nos países em que Emeke fez as entrevistas, pessoas negras são categorizadas rapidamente como estrangeiros. Uma das mulheres entrevistadas pela diretora britânica na Bélgica é americana e vive em Bruxelas. Por ser negra, muitos a perguntam diretamente “de qual país da África você vem?”. Ao que ela responde ser dos Estados Unidos, há pessoas que ainda insistem: “mas de onde vem a sua família? De que país da África eles vêm?”.

Isso mostra a liberdade que os brancos sentem em especular e fazer perguntas ridículas como essas, mesmo sem ter a intenção de ofender. Ou revela uma falta de noção sobre a história do colonialismo e escravidão nas Américas que geraram uma miscigenação forçada entre negros, brancos e indígenas. Ou ainda pior: desvenda o olhar estereotipado que se tem ao redor do mundo sobre como deve ser a aparência norte-americana e europeia, pois, como diz uma das garotas entrevistas na França, “muitas pessoas nem sabem que existem franceses negros”.

“Strolling” é um documentário super necessário e não só em países anteriormente colonizadores. Em lugares, como os Estados Unidos e Brasil, em que a população negra tem uma história de exploração, violência e preconceito, esse tapa na cara que a diretora nos dá também não seria má ideia. 

Se você ficou interessada e quiser ver as sérias de Cecile Emeke, elas estão disponíveis no canal da diretora no YouTube.

Escrito por
Mais de Débora Backes

Poderosas e sem vergonha no pole dance

“Ah, é aquilo que as strippers fazem?”

Foi o que o professor do curso de alemão indagou Andressa ao ouvir que a estudante de Química Industrial da UFRJ praticava pole dance como hobby. Envergonhada, diante dos colegas que expressavam seu espanto com caras e bocas, imaginando o que a garota devia fazer pendurada num poste, Andressa tentou explicar que aquilo era um esporte como outro qualquer. “Tem até campeonatos mundiais. Até na Alemanha…”, argumentou. Hoje confessa que talvez tivesse tido outra reação diante da turma que, ao ouvir as palavras “pole dance”, já pensou ter uma colega que trabalhava em um strip club. “Eu sempre tentava mostrar que não era só uma dança sensual, que era esporte também. Isso foi um erro, eu acho. Temos que acabar com esse preconceito de que a parte sexy é algo que denigre a imagem da mulher”.

 

 
Na minha cabeça, e na de muitas pessoas, o pole dance sempre foi uma prática ligada à sensualidade. Sempre achei isso lindo, exatamente porque as mulheres que praticam sempre me pareceram tão seguras e empoderadas… Mas claro que nem todo mundo vê a sensualidade do pole dance como algo positivo. Muito pelo contrário, e é esse preconceito, como o que Andressa sofreu em frente do curso de alemão, que está prejudicando o pole dance como é conhecido.  Para não lidarem com a “vergonha” de serem associados com strip clubs, se criou entre as/os praticantes de pole uma forte corrente que tenta negar as raízes sexy e influências das strippers – justamente as mulheres que fizeram a prática/dança/esporte (como se preferir chamar) popular.

 

 
A australiana e pole dancer Magan Joan publicou recentemente um texto no site da Peacock Polewear, em que questiona todo esse slut shamming na própria comunidade de pole dancers e, como argumento, defende o uso de salto altos para dançar. “Você já ouviu falar que o pole fitness descende do pole dance indiano ou chinês? Se sim, você provavelmente foi enganado. A maioria dos estúdios de pole dance foram criados por strippers. Na Austrália a maior parte deles era (de strippers), o que provavelmente é a razão para a grande e magnifica comunidade de pole sexy (no país)”.

Se você ainda não deu um Google em “australian pole dance” esse é o momento. Elas ahaaazam, principalmente no quesito sensualidade. No Miss Pole Australia, as competidoras não têm medo de rebolar o popozão, tirar a roupa e abusar do seu lado sexy nas coreografias, como mostra Michelle Shimmy, advogada e uma das mais famosas pole dancers do país. Junto com sua irmã, Maddie Sparkle, Shimmy criou a Pole Dance Academy, em Sidney. No site da escola, elas descrevem seu estúdio como um lugar onde todas podem se sentir confortáveis e sexys. Para elas diversão e sensualidade estão diretamente ligados. Assim como para muitas outras praticantes dessa linha mais picante, digamos assim.

 

 
Existem diferentes tipos de pole dance. A carioca Carol Martins, estudante de Psicologia da UFRJ e professora de pole dance, conta que começou no pole fitness há dois anos e meio, um tipo de pole que foca mais nos movimentos difíceis, na força corporal e na aparência física. É diferente do pole contemporâneo (ou pole art), que tem elementos da dança contemporânea, e está ainda mais distante do pole exotic, que é o que se popularizou com as strippers.

 

O preconceito contra o salto alto e o short de paetê

Foi dentro do pole fitness que se criou essa linha que tenta eliminar os movimentos extremamente sexys da prática, para que ela se torne um esporte e seja levada a sério. Por isso, no pole fitness, não se usa salto alto, nem shorts mega curtos ou chamativos. Também não se rebola estilo Nicki Minaj ou Valesca Popozuda. Essa preocupação com o “não ser sexy” é questionada por Megan Joan, em seu texto, e também por Carol. “Ao invés de tentar naturalizar esse lugar da stripper, que é o que a gente devia estar buscando, a gente está estigmatizando mais ainda essa profissão. Eu mesma, quando comecei, falava pras pessoas ‘eu faço pole dance, mas eu não sou stripper não, tá?’. Eu já chegava na defensiva, porque estava imersa em um meio em que era necessário desconstruir essa imagem da stripper o tempo todo. Depois eu fui ver que eu estava muito presa nesse discurso engessado. Por que, afinal das contas, qual é o problema em ser stripper?”. (Breve parêntese: esse texto não é sobre a prática do strip-tease, mas como foi mencionada muitas vezes, senti que deveria me manifestar e compartilhar da opinião de Carol: se uma mulher se sente sexy o suficiente, segura o suficiente e QUER trabalhar tirando a roupinha, então por que não deixar ela fazer isso em paz? Bora parar de condenar essa profissão…)

O início desse slut shamming entre a comunidade pole dance não veio exclusivamente de quem pratica, mas de quem, como os professores e colegas de Andressa, olham para as pole dancers como se elas fossem mulheres prontas para tirar a roupa, fazer movimentos sensuais e ficar à disposição dos olhares masculinos. E esse julgamento vem de todos os lados.

 

 
Carol e Andressa já sofreram muito com comentários de familiares, colegas de faculdade e semi-conhecidos quando ficam sabendo que as duas cariocas são pole dancers. “Já conheci gente que perguntava se eu tinha começado a dançar pra agradar meu namorado ou caras em baladas que perguntavam se eu podia fazer uma apresentação particular pra eles. Muito absurdo!”, relata Andressa. Além disso, sempre escutam críticas por postar suas fotos e vídeos das aulas de pole no Facebook. “Já me perguntaram se eu não tinha medo das pessoas acharem que eu era prostituta! Ou perguntam como meu namorado “deixa” eu fazer isso”, conta Carol, também obviamente indignada.

A reposta das duas paras tantos comentários absurdos é simples. Elas enchem o peito e revelam o motivo que as levou ao pole dance: se sentir bem consigo mesmas, para dançar, se divertir, estar bem com seus corpos. Ou seja, ambas praticam o esporte/a dança exclusivamente por elas mesmas. “E não pra ficar dançando pra macho!”, como brinca Andressa.

Essa convicção no discurso veio com o tempo e com a experiência. Hoje, Carol é professora em um estúdio de pole dance no Rio de Janeiro e conta que muitas de suas alunas (mulheres de todas as idades e jeitos) chegam ali com o objetivo de dançar para os maridos/namorados/parceiros, mas que isso vai mudando com o tempo. Conforme elas vão criando confiança em seus corpos e em seu lado mais safadinho.

 

Meu corpo forte e lindo

Sempre vi nas minhas amigas que praticam pole dance muita empolgação com o esporte e segurança e si mesmas. Imagino também que seja bem difícil se pendurar num poste de cabeça pra baixo sem ter confiança no próprio corpo e paixão pelo que faz.

E o pole dance é all about it. É sobre você deixar seus medos de lado. É sobre deixar sua zona de conforto e se encarar em posições, roupas e movimentos que talvez não fizesse na frente dos outros ou nunca tivesse pensado ser capaz de fazer. Acho que pole dance também é um pouco sobre o “ligar o foda-se e ser feliz”, não se importando com os olhares alheios.

Um exemplo de mulher confiante com sua aparência, dançando pole dance e sendo sexy as hell, é a britânica Emma Haslam, que deixou os jurados do Britain’s Got Talent de boca aberta. Emma entra no palco usando uma malha colada, cavada nas laterais da barriga, e se refere a si mesma como uma “big lady” que quer mostrar as pessoas que é boa no que faz. O fato de ser uma “big lady” não parece ser um problema para Emma em nenhum momento no palco.  E talvez não seja na vida real também. Talvez por causa do pole dance? Posso acreditar que o fato de praticá-lo ajudou Emma Haslam, assim como para muitas outras mulheres, a fazer as pazes com sua aparência.

 

 
Em Carol, o pole dance também teve esse efeito positivo: “Ajuda muito com a autoestima, porque você fica se sentindo poderosa!”. Por ter movimentos muito difíceis, cada vez que uma iniciante consegue executar um deles, naquele momento, ela se sente a pessoa mais foda do universo. E com certeza, ela está sendo muito foda ao fazer os giros, escalar o poste e se coordenar com as coreografias. “Você consegue fazer todas aquelas coisas difíceis, então você vê que teu corpo é capaz. E gente não dissocia muito o corpo com o psicológico, então o empoderamento tá ligado com o fato de se ter um corpo capaz. Isso faz você ver que é capaz também de outras coisas”, observa Carol.

Mas não só a força do corpo faz a mulher se sentir poderosa. Todo o contato que a prática proporciona com a sensualidade abre várias portas para a percepção do próprio corpo como lindo e sexy.

“Eu não tenho a auto estima das mais elevadas e sempre tive vergonha do meu corpo. Conforme foram passando as aulas eu fui me soltando cada vez mais. Você não precisa ser magra, atlética, etc pra fazer pole dance”, conta a estilista de 25 anos, Carô Inoue. Boa forma ou idade não são importantes para fazer pole dance. A designer Thais Erre, também ilustradora do Ovelha, conta que no estúdio onde faz pole dance há mulheres de todas as idades e tipos de corpo. “E a gente acaba se deparando com a nossa própria imagem em meio a muitas outras possíveis, e todas lindas, saudáveis, se exercitando e conseguindo fazer coisas muito difíceis e legais”, relata Thais.

 

 
O pole dance é um esporte/uma dança em que você é obrigada a encarar seu próprio corpo, com seus defeitos e qualidades. E conhece-lo talvez de outra forma. Para Thais, o fato de ter que se encarar em roupas curtas e em posições não usuais fez toda a diferença na aceitação de seu corpinho: “Como a gente faz as aulas usando muito pouca roupa, só um top e um shortinho que ao longo do tempo você percebe que quanto mais curto mais fácil de executar certos movimentos, você acaba sendo “obrigada” a se ver semi-nua constantemente, e em posições que nem sempre são as que você gostaria de ver em uma foto. Isso fez toda a diferença pra mim, minha auto confiança aumentou muito e hoje em dia eu digo com toda a certeza que gosto muito do meu corpo, aprendi a gostar dele do jeitinho que ele é”.

Depois de ouvir tantos relatos das poderosíssimas praticantes de pole dance, me deu até vontade de começar a fazer aulas de uma vez. Só falta perder o medo de não se quebrar com os primeiros movimentos (confesso que não sou muito coordenada). Quem quiser um pouco de inspiração para me acompanhar nessa empreitada, aqui estão alguns links de outras feras no pole.

A Carô Inoue recomendou o pole art de Bendy Kate e Oona Kivelä que é outra pegada do que as das australianas do início do post.

 

Bendy Kate

 

Oona Kivelä

 
Outra fera mundialmente conhecida é a ucraniana Anastasia Sokolova que, inclusive, já esteve no Brasil, dando Workshops de pole dance.

 
Anastasia Sokolova_Instagram
 
No Brasil, ainda não temos muitos nomes específicos no pole dance, até pela diferença entre vertentes. Então mais uma motivação pra gente, né gurias?!
 

Ilustração feita com exclusividade por Thais Erre.

Leia mais
A contemporaneidade do tema e a necessidade de pessoas negras na Europa de se verem representadas lotou a noite de projeção de “Strolling” na Semana de Cinema Feminista de Berlim, que começou no dia 8 de março. O filme da diretora jamaicana-britânica Cecile Emeke gerou um desconforto necessário no público europeu e branco.

O documentário foi montado com episódios de séries feitas por Emeke, em que pessoas negras – imigrantes ou descendentes de imigrantes – falam sobre temas como pós-colonialismo, racismo e identidade, enquanto caminham por suas cidades na Itália, Inglaterra, Holanda, França e Bélgica. A querida Bárbara Paes já falou sobre a talentosa Emeke e suas séries aqui, caso você queira saber mais sobre os diferentes trabalhos da diretora.

Emeke não aparece na série, nem no filme. O interlocutor fala com a câmera, enquanto a cidade ao fundo segue seu ritmo como se os ignorasse. Todos são muito eloquentes e vão direto ao ponto: os europeus exploraram países africanos durante séculos, escravizaram e mataram diversos povos, mas agora não conseguem lidar com os descendentes daqueles que deixaram seus países forçadamente para sobreviver.

Eu queria saber o que eles fariam, se estivessem no lugar dos nossos pais, que vieram pra cá querendo algo melhor pra gente. Eles provavelmente fariam a mesma coisa!

É o que diz uma das mulheres italianas que aparece também na série “Passeggiando” (strolling, em italiano). A mesma diz que se considera italiana, respira a cultura e o idioma, mas, por ser negra, é tratada como estrangeira e se sente atacada pelos discursos atuais anti-imigração.

A questão da identidade é bastante recorrente em “Strolling”. O caso da italiana é o mesmo de outros. O de sempre ser visto como alguém de fora, mesmo que os gestos e idioma já os aproxime mais do país em que cresceram (ou inclusive nasceram) do que do país de seus descendentes. E na Europa isso é muito comum, não só entre negros, mas entre turcos, árabes, latinos…

Na Alemanha, as gerações mais jovens de turcos ainda sofrem com o preconceito, mesmo que tenham nascido e vivido toda sua vida na cidade mais alemã possível. E sofrem por viver em um limite de identidades que não é nem turca, nem alemã. Por essa e por outras, achei ótimo o filme ter sido exibido em Berlim. Mesmo nos círculos não conservadores e de pessoas envolvidas em temas sociais, é difícil se ter uma noção do que é ser descendente de não europeus aqui. Uma coisa é ser imigrante europeu na Alemanha, outra é ser imigrante do leste europeu e outra coisa bem diferente é ser imigrante africano.

Aqui, como nos países em que Emeke fez as entrevistas, pessoas negras são categorizadas rapidamente como estrangeiros. Uma das mulheres entrevistadas pela diretora britânica na Bélgica é americana e vive em Bruxelas. Por ser negra, muitos a perguntam diretamente “de qual país da África você vem?”. Ao que ela responde ser dos Estados Unidos, há pessoas que ainda insistem: “mas de onde vem a sua família? De que país da África eles vêm?”.

Isso mostra a liberdade que os brancos sentem em especular e fazer perguntas ridículas como essas, mesmo sem ter a intenção de ofender. Ou revela uma falta de noção sobre a história do colonialismo e escravidão nas Américas que geraram uma miscigenação forçada entre negros, brancos e indígenas. Ou ainda pior: desvenda o olhar estereotipado que se tem ao redor do mundo sobre como deve ser a aparência norte-americana e europeia, pois, como diz uma das garotas entrevistas na França, “muitas pessoas nem sabem que existem franceses negros”.

“Strolling” é um documentário super necessário e não só em países anteriormente colonizadores. Em lugares, como os Estados Unidos e Brasil, em que a população negra tem uma história de exploração, violência e preconceito, esse tapa na cara que a diretora nos dá também não seria má ideia. 

Se você ficou interessada e quiser ver as sérias de Cecile Emeke, elas estão disponíveis no canal da diretora no YouTube.

" />