♪ Mulheres do jazz ♪

Ilustração feita com exclusividade por Janis Souza
Divas instrumentistas e cantoras desse estilo maravilhoso

Quando algumas pessoas pensam em “grandes nomes do jazz”, logo citam Miles Davis, Chet Baker, Louis Armstrong, Duke Ellington, John Coltrane etc. Quando pedimos para nomearem mulheres do jazz, também logo falam das cantoras Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Nina Simone, por exemplo. Mas sabiam que algumas mulheres também tocam instrumentos? Que coisa louca né rs! Pianistas, guitarristas, trompetistas, bateristas, saxofonistas…

Foi ao ouvir esse programa produzido por Margaret Howze para a NPR que me inspirei em fazer essa playlist.

O piano foi um dos primeiros instrumentos que as mulheres tocavam no jazz, segundo a musicologista Ingrid Monson. Nos anos 1920 e 30, houve um número crescente de mulheres pianistas de jazz – Sweet Emma Barrett, Billie Pierce, Jeanette Kimball e Lovie Austin, entre elas.

Quando o bebop surgiu em meados do anos 40, vários músicos começaram a fazer jam sessions e foi aí que mulheres começaram a liderar alguns grupos de jazz. Algumas mais famosas são Barbara Carroll, Hazel Scott, Nellie Lutcher, Hadda Brooks, e Marian McPartland.

Essa playlist traz algumas das mulheres que mais curto ouvir. Se sentirem falta de alguma, por favor, digam nos comentários e sigam as playlists da Ovelha no Spotify ;)

Tags relacionadas
, ,
Mais de Letícia Mendes

Quem é Ana Cristina Cesar?

A Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) homenageia em cada edição um autor brasileiro. Em 14 anos de Flip, apenas duas mulheres foram lembradas: a famosa Clarice Lispector (em 2005) e a não tão famosa Ana Cristina Cesar (agora em 2016).

É inevitável, então, que as pessoas digam “quem é Ana Cristina Cesar?”. E isso não é assim tão fácil de responder.

ana-c-cesar

Eu soube da existência de Ana C., como ela é conhecida, em 2010. Foi quando estreou em São Paulo a peça de teatro “Um navio no espaço ou Ana Cristina Cesar”, dirigida por Paulo José e estrelada por Ana Kutner.

A sinopse dizia que se tratava de devaneios da poeta carioca antes dela pular do oitavo andar do seu prédio em Copacabana, aos 31 anos.

Essa informação me chocou e, após ver a peça, fui logo procurar livros dela e só achei em sebos “A teus pés”, originalmente publicado pela editora Brasiliense em 1982, um ano antes de seu suicídio.

Procurei mais por ela na internet e foi aí que decorei “Noite carioca”. Esse poema está no livro “Inéditos e dispersos” (1985), organizado pelo poeta Armando Freitas Filho, amigo de Ana C.:

Diálogo de surdos, não: amistoso no frio.
Atravanco na contramão. Suspiros no
contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta
do mundo: essa que não tem nenhum segredo.

Ana Cristina Cruz Cesar estudou Letras na PUC-RJ, de 1971 a 1975, e fez parte do movimento da poesia marginal ou geração mimeógrafo.

Em 1979 lançou, de forma independente, seu 1º livro de poesia, “Cenas de abril”. Seguem-se “Correspondência completa” e “Luvas de pelica”, publicado em 1980.

Ana C. também recebeu o título de Master of Arts em Theory and Practice of Literary Translation, em 1980 na Inglaterra, e traduziu as escritoras Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield.

Em 2013, a Companhia das Letras publicou o volume “Poética” e, por causa da Flip 2016, há vários relançamentos e novos livros em torno da poeta.

Destaco: a fotobiografia “Inconfissões”, organizada por Eucanaã Ferraz.

1467208276_625449_1467208808_sumario_normal_recorte1

O acervo pessoal da autora está sob tutela do Instituto Moreira Salles. No site do IMS, aliás, há muitos textos, fotos e áudios de Ana C., vale a pena dar uma olhada.

E muitas poetas brasileiras parecem guardar um pouco de Ana C. em seus livros. Precisamos saber mais de Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques, Annita Costa Malufe, Angélica Freitas, Masé Lemos, Laura Erber, Laura Liuzzi, Marília Garcia…

Ler Ana Cristina Cesar é como ler o diário de uma amiga. É ler provocações e questionamentos sobre o corpo, a alma, a depressão, o sexo, a amizade. Mas quem é Ana Cristina Cesar? Acho que só lendo sua obra é que dá para entender um pouquinho do que ela foi.

Leia mais