Afropunk: o movimento que liberta

Cabelos do Afropunk. Fotos por Awol Erizku.

Entre o preto e branco e tons neutros que a gente sempre vê a cada edição do São Paulo Fashion Week, neste ano um público específico chamava atenção nos corredores do evento de moda. Estou falando das fashionistas negras, é claro.

E não foi só porque as mulheres negras têm tomado seu lugar na moda, ocupando espaços nos quais há alguns anos elas não estavam. Como se isso já não incomodasse o suficiente, o AfroPunk começou a dar as caras pelo SPFW – lá ainda denominado como “Street Style” – e também  pelas ruas do Brasil. Ainda pequeno, ainda tímido, mas o suficiente para destacar cabelos coloridos há quilômetros de distância em meio a mesmice.

O movimento pela beleza natural tem impulsionado mulheres negras não só a iniciar transições capilares e encontrar sua identidade por meio disso, como também passar a conhecer melhor seus interesses, e aderir ao que se identificam, e, principalmente, perder o medo das tantas regras que ouvimos com relação à moda, beleza e nossa cor. E o AfroPunk é um desses movimentos que não só nos encoraja, como também influencia muito além da moda.

Fazendo jus às duas palavras que compõe o nome, o movimento agrega a atitude punk e alternativa de se rebelar contras padrões comportamentais e estéticos, e ocupar espaços. Isso sem perder a identidade trazendo influências étnicas da moda africana, sem um pingo de embranquecimento.

A história

O movimento surgiu em meados dos anos 90, da dificuldade de James Spooner em curtir seu som favorito, o punk rock, por causa do cenário racista da época, que impedia de frequentar shows e festivais. Isso porque, ironicamente, foram os negros que inventaram o gênero.

Cansado de ser excluído desses ambientes, Spooner se mudou da Califórnia para Nova York, onde finalmente se encaixou em algum movimento, um grupo de pessoas que também foram excluídas do cenário punk, mas que criaram seu próprio espaço para continuar causando com os preconceituosos e fazendo o som que gostavam.

Não demorou muito para esta galera se juntar e colocar a mão na massa para tornar sua história pública. Em 2003 o documentário AfroPunk foi lançado, onde Spooner contava suas aflições de infância e como se encontrou no movimento no Brooklyn, além de outros fãs de punk e músicos negros falando sobre a música, cor e identidade. O movimento disponibiliza o documentário completo no Youtube.

O filme ajudou a empoderar jovens excluídos no mundo todo, e fazê-los perceber que não são estranhos àquela cultura, mas sim responsáveis por mantê-la viva, por isso logo o site AfroPunk foi posto no ar, e é atualizado diariamente com moda, música, identidade e outros assuntos culturais.

O movimento cresceu e tomou maiores proporções, por isso o Festival AfroPunk acontece desde 2005, reunindo um line-up de artistas negros que tocam punk e outros estilos (já passaram por lá  SZA, Janelle Monáe, Suicidal Tendencies, THEEsatisfaction e The Cannabinoids ft Erykah Badu), além de claro, muita expressão em moda.

 

A próxima edição está marcada para acontecer em Paris, nos dias 22 e 23 de agosto, com um line-up lindão, que até conta com dois membros da Família Smith. Ainda não há previsão de data ou line-up para a edição americana.

AfroPunk e a Moda

O Festival AfroPunk foi classificado pelo New York Times como “o festival mais multicultural nos EUA”, por causa do espaço para diversidade não só na música, mas para os estilos que desfilam por lá. Ali ninguém se vestiu para seguir tendência ou estereótipo de cor, mas também ninguém quer evitar de causar. Os cabelos coloridos são muito vistos entre a multidão, além de claro, black powers, dreads e tranças.

As jaquetas de couro e o preto clássico do punk rock aparecem misturados à cores de estampas chamativas e sneakers super descolados e confortáveis. Os acessórios também chamam atenção, por lá aparecem muitos turbantes e piercings.

Pelas fotos de outras edições do Festival, ou mesmo ao procurar o termo AfroPunk na internet, já que ele já está associado a este estilo específico, é possível perceber que mesmo que as influências sejam parecidas cada pessoa é extremamente diferentes umas das outras, cada uma demonstrando confiança e personalidade de forma individual com seu estilo.

O Festival AfroPunk é um lugar sem julgamentos, um espaço onde aquele pessoal, pelo menos por um final de semana, pode ficar sem se preocupar com o quê vão achar de tanta misturas de estilo e de sua personalidade. Ao contrário das passarelas brasileiras, ainda super ocupada por modelos naquele padrãozão que a gente já conhece, por isso é de se admirar a coragem e é claro, a execução das musas AfroPunk que apareceram pelo SPFW, sem se importar com os olhares.

Enquanto a gente torce para o AfroPunk desembarcar no Brasil, vamos conferir alguns looks da edição do ano passado do Festival para se inspirar ou somente babar em tanta mulher linda e estilosa. As fotos foram divulgadas no FFW.

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Mais de Karoline Gomes

O conto de fadas que queremos ler

Depois de Mulan, Merida, Elsa e outras personagens construídas para mostrar a importância da representatividade e quebrar estereótipos, finalmente temos uma colaboração brasileira.  Já estamos apaixonadas por Cínthia e Isthar, que são “A Princesa e a Costureira”.

O livro conta a história da linda princesa Cíntia que, às vésperas de seu tradicional casamento com o príncipe do reino vizinho, resolve atender ao seu coração e correr atrás da pessoa por quem estava apaixonada: a costureira Isthar. De quebra, o livro ainda estampa uma garota negra e de cabelo crespo, que, por um acaso (ou não) é a princesa, não a costureira.

A psicologa Janaína Leslão escreveu a história de amor de Cínthia e Isthar em 2009, pensando em colaborar para a fala LGBT para adolescentes. Mas foi justamente isso que impediu que o livro fosse publicado por tanto tempo. Janaína ouviu “nãos” de 20 editoras, até que, em 2014, a editora Metanóia ajudou “A Princesa e a Costureira” a acontecer.

Porém, Janaína ainda precisava de dinheiro para a ilustração do livro, então, decidiu recorrer ao financiamento coletivo na internet. Este foi o primeiro sinal de sucesso que o livro faria. Em menos de uma semana, a meta foi atingida e ainda rendeu para um próximo livro!

Mas, por enquanto, a expectativa na web está no título “A Princesa e a Costureira”. O post sobre a pré-venda no Facebook já tem mais de 1,7 milhão de visualizações e muitos comentários animados (vamos ignorar os haters e continuar comemorando?).

A data prevista para lançamento oficial é 26 de dezembro.  Acho que dá para esperar até um pouco depois do Natal para presentear as adolescentes da família (e a você mesma), não é mesmo?

 

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as mulheres negras têm tomado seu lugar na moda, ocupando espaços nos quais há alguns anos elas não estavam. Como se isso já não incomodasse o suficiente, o AfroPunk começou a dar as caras pelo SPFW – lá ainda denominado como “Street Style” – e também  pelas ruas do Brasil. Ainda pequeno, ainda tímido, mas o suficiente para destacar cabelos coloridos há quilômetros de distância em meio a mesmice.

O movimento pela beleza natural tem impulsionado mulheres negras não só a iniciar transições capilares e encontrar sua identidade por meio disso, como também passar a conhecer melhor seus interesses, e aderir ao que se identificam, e, principalmente, perder o medo das tantas regras que ouvimos com relação à moda, beleza e nossa cor. E o AfroPunk é um desses movimentos que não só nos encoraja, como também influencia muito além da moda.

Fazendo jus às duas palavras que compõe o nome, o movimento agrega a atitude punk e alternativa de se rebelar contras padrões comportamentais e estéticos, e ocupar espaços. Isso sem perder a identidade trazendo influências étnicas da moda africana, sem um pingo de embranquecimento.

A história

O movimento surgiu em meados dos anos 90, da dificuldade de James Spooner em curtir seu som favorito, o punk rock, por causa do cenário racista da época, que impedia de frequentar shows e festivais. Isso porque, ironicamente, foram os negros que inventaram o gênero.

Cansado de ser excluído desses ambientes, Spooner se mudou da Califórnia para Nova York, onde finalmente se encaixou em algum movimento, um grupo de pessoas que também foram excluídas do cenário punk, mas que criaram seu próprio espaço para continuar causando com os preconceituosos e fazendo o som que gostavam.

Não demorou muito para esta galera se juntar e colocar a mão na massa para tornar sua história pública. Em 2003 o documentário AfroPunk foi lançado, onde Spooner contava suas aflições de infância e como se encontrou no movimento no Brooklyn, além de outros fãs de punk e músicos negros falando sobre a música, cor e identidade. O movimento disponibiliza o documentário completo no Youtube.

O filme ajudou a empoderar jovens excluídos no mundo todo, e fazê-los perceber que não são estranhos àquela cultura, mas sim responsáveis por mantê-la viva, por isso logo o site AfroPunk foi posto no ar, e é atualizado diariamente com moda, música, identidade e outros assuntos culturais.

O movimento cresceu e tomou maiores proporções, por isso o Festival AfroPunk acontece desde 2005, reunindo um line-up de artistas negros que tocam punk e outros estilos (já passaram por lá  SZA, Janelle Monáe, Suicidal Tendencies, THEEsatisfaction e The Cannabinoids ft Erykah Badu), além de claro, muita expressão em moda.

 

A próxima edição está marcada para acontecer em Paris, nos dias 22 e 23 de agosto, com um line-up lindão, que até conta com dois membros da Família Smith. Ainda não há previsão de data ou line-up para a edição americana.

AfroPunk e a Moda

O Festival AfroPunk foi classificado pelo New York Times como “o festival mais multicultural nos EUA”, por causa do espaço para diversidade não só na música, mas para os estilos que desfilam por lá. Ali ninguém se vestiu para seguir tendência ou estereótipo de cor, mas também ninguém quer evitar de causar. Os cabelos coloridos são muito vistos entre a multidão, além de claro, black powers, dreads e tranças.

As jaquetas de couro e o preto clássico do punk rock aparecem misturados à cores de estampas chamativas e sneakers super descolados e confortáveis. Os acessórios também chamam atenção, por lá aparecem muitos turbantes e piercings.

Pelas fotos de outras edições do Festival, ou mesmo ao procurar o termo AfroPunk na internet, já que ele já está associado a este estilo específico, é possível perceber que mesmo que as influências sejam parecidas cada pessoa é extremamente diferentes umas das outras, cada uma demonstrando confiança e personalidade de forma individual com seu estilo.

O Festival AfroPunk é um lugar sem julgamentos, um espaço onde aquele pessoal, pelo menos por um final de semana, pode ficar sem se preocupar com o quê vão achar de tanta misturas de estilo e de sua personalidade. Ao contrário das passarelas brasileiras, ainda super ocupada por modelos naquele padrãozão que a gente já conhece, por isso é de se admirar a coragem e é claro, a execução das musas AfroPunk que apareceram pelo SPFW, sem se importar com os olhares.

Enquanto a gente torce para o AfroPunk desembarcar no Brasil, vamos conferir alguns looks da edição do ano passado do Festival para se inspirar ou somente babar em tanta mulher linda e estilosa. As fotos foram divulgadas no FFW.

 

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