Ouça: Pietá

O Pietá é um trio formado pelos músicos cariocas Frederico Demarca, Rafael Lorga e pela cantora natalense Juliana Linhares. Eles se conheceram na faculdade de teatro, descobriram a musicalidade alheia e resolveram se unir.

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Mas nada disso importa se você ainda não conhece a música deles. Dá o play aqui antes de continuar lendo e ouça a voz pouco avassaladora dessa moça:
 

Quem é do Rio e tem uma vida, tem chances maiores de já ter ouvido falar da banda. Primeiro, porque eles moram lá, dã. E segundo porque, vira e mexe, fazem shows na cidade. Em jardins, em palquinhos, aqueles tipos de shows gostosinhos que encontramos por aí. Como eu não tinha vida quando morava no Rio,[Brincadeira, tinha sim, só quis dar uma carga dramática] a sonoridade deles chegou até mim graças a um amigo querido. Mas meu encanto veio mesmo quando vi um show ao vivo entre um ou outro bloco de carnaval. Cantavam e bailavam em cima de uma marquise no bairro de Santa Teresa.

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Não sei se hoje é ‘noite de maré cheia’ por pura preguiça de pesquisar isso na internet. Aliás, nem sei como descobre isso… Mas sei que escolhi falar dessa banda delícia nesta data por um motivo empolgante: é a data de lançamento do “Leve o Que Quiser”, também conhecido como primeiro disco deles. E que só ficou de pé graças a 318 apoiadores de um financiamento coletivo. A versão física do álbum só chega em outubro. Mas, por enquanto, você pode fazer ouvir aqui:

É violão, é batuque, é performance, é brasilidade, gente. (rs)

Não à toa, por serem atores, os shows deles sempre têm uma conversa com o teatro ou alguma interação audiovisual. Um bule que despeja grãos de arroz em uma xícara ou um porco armado que se sacode ao som de “Neguinho” pouco antes de tirar a máscara e se cobrir de sangue:

 

 
Conversamos um pouquinho com a vocalista Juliana:

Ovelha. Por que o nome Pietá?

Juliana – A galera começou a cobrar um nome. Da boca de um saiu Pietá, que gente agarrou e já imergiu, como quem batiza uma criança quando nasce. Recebemos um nome e fomos amadurecendo o filho com o tempo. Deixando crescer meio correndo descalço no mato, meio embaixo da asa, meio livre, meio pedaço da gente. Achamos que Pietá é uma coisa para cada um. É piedade, para os italianos, é Maria com o filho no colo para os cristãos, já nos deparamos até com a definição “uma potência que aspira à transcendência” do filósofo Negri. Para todos, é indiscutivelmente uma imagem poética e forte. As Pietás foram representadas por vários artistas ao longo dos séculos. Essa é a nossa representação.

Ovelha. Quais as referências da banda?

Ju – Muitos movimentos artísticos nos inspiram. Ariane Mnouchkine e o Theatre du Soleil, a Anne Bogart, a Marina Abramovich, os grupos de teatro brasileiros como Galpão e Cia dos atores, os artistas de rua, entres muitos outros. Além disso, a prática diária e individual de cada um, dentro e fora dos nossos coletivos (Arvorá, Miúda e Volante), sempre apostando numa construção colaborativa onde todos são responsáveis pela criação. Na música, nossa influência é principalmente brasileira. Os cantos do nosso país, as formas de contá-lo, das raízes ao que está por vir. Os músicos que escutamos desde bebês até os vários novos grupos e bandas contemporâneas e parceiras que tem feito muita música boa. Tem um gostinho de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Adriana Calcanhoto, João Bosco, Gal Costa, Novos Baianos, Luiz Gonzaga, Chico César, Lenine, Adoniran Barbosa, Noel Rosa, Cartola, Elis Regina, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Djavan, Claudio Nucci, Guinga, etc, etc, etc, etc… Os blocos de carnaval, as rodas de samba, as noitadas de forró… E principalmente, os vários músicos e parceiros que estão sempre por perto, como André Muato, Joana Queiroz, Marcelo Muller, Ayran Nicodemo, Marcelo Fedrá, Ilessi, Coletivo Chama, Elvis Marlon, Beto Lemos, Geraldo Junior, Jefferson Gonçalves, Mohandas, Renascimento, toda a Etnohaus, Júlia Vargas, Chico Chico, Novíssimos, Khrystal, Natasha Llerena, Letuce, e toda uma galera boa e animada que tem nos feito ter mais vontade de seguir remando. A gente pega tudo isso e joga no liquidificador.

Uma foto publicada por Pietá (@pieta_) em

Ovelha. Como escolheram o repertório do disco?

Ju – Fizemos shows durante 3 anos antes de gravar o disco. Fomos lapidando o repertório, conhecendo músicos, testando sonoridades, abandonando idéias e criando outras. O processo se deu de forma muito natural e intuitiva. Durante esse trajeto o cd foi se formando. Algumas músicas sempre fizeram parte desse álbum, indiscutivelmente. Outras, no entanto, estão na manga, mas não fazem parte. E juntando tudo isso às músicas e ideias que surgiram de última hora, encontramos um caminho no repertório, uma história, uma dramaturgia.

Ovelha.Conta um pouquinho do processo de gravação?

Ju – O processo de gravação foi extremamente prazeroso. Afeto e pesquisa andaram lado a lado. Muitos questionamentos, muitas dúvidas, algumas certezas e um semestre de pura emoção. Gravar é um processo de muita intimidade, de muita exposição e foi muito novo pra mim. Você vive ali instantes de pura entrega, de insegurança e de força. De descobrir a si e de entender o trabalho, o que se quer colocar nele, que garga, que mensagem. E de aprender a se desapegar das exigências com a própria execução, né… o que pra mim é bem difícil, rs. Mas é só o primeiro! Os momentos de arrepio no estúdio dizem muito sobre o trabalho. A equipe foi estimulante, do início ao fim. Um grupo enorme de profissionais competentes, criadores, dedicados e divertidos. E parece que essa alegria contamina a sonoridade do disco. Pietá sempre foi isso, o primeiro cd não poderia ser diferente.

Ovelha. O que vamos encontrar no cd?

Ju – Música brasileira e um bando de jovens mergulhando de cabeça na poesia. De resto, só ouvindo.

[caption id="attachment_6627" align="aligncenter" width="640"]arte de Lucas Canavarro arte da capa do cd por Lucas Canavarro[/caption]

Ovelha. Qual sua música favorita do álbum?

Ju – Olhe, isso é bem difícil de dizer. rs Acho que há fases. Eu sempre amei “A vingança de Cunhã”, mas com o disco veio “Matador”… Amo o resultado e a força de “Justino”, com Beto Lemos e Carlos Malta… “Leve o que quiser”, não dá pra não ficar tomada com o encontro que rolou. Mas acho que no fim das contas volto à Vingança. O coro final que foi feito por parceiros e amigos da música, além do meu irmão que também participou, me emociona muitíssimo. É ouvir e lembrar daquela roda de gente querida vibrando energia boa pelo nosso trabalho. Me renova cada vez que eu ouço.

Ovelha. Contaí uma coisa que a gente não sabe

Ju – Rola uma surpresinha que não tá no encarte. Vamos ouvindo… risos.

Ovelha. O que você quer levar?

Ju – Eu quero levar tudo o que eu quiser. Ter liberdade pra escolher. Levar o mundo inteiro. Levar de mim também o que eu já fui e o que sou agora.

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A banda fará três shows de lançamento na cidade do Rio de Janeiro: 6 e 7 de outubro no Espaço Sesc (Copacabana) e 13 de outubro no projeto A.Nota, no Oi Futuro Ipanema. Ainda farão o show de lançamento em Natal (terra de Juliana), no dia 19 de novembro, no teatro Riachuelo!

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Mais de Anna Crô

Elas que me fizeram gostar de Justin Bieber

Há uns meses eu venho querendo escrever este post sobre um guilty pleasure que começou ano passado: estou gostando das músicas do Justin Bieber. Hoje, enfim, tomei coragem depois de assistir a este vídeo maravilhoso da maravilhosa Jout Jout que resume bem esse momento e que me fez perceber que não estou sozinha.

 

 
Tudo começou quando meu amigo Nathan chegou um dia em casa ouvindo uma música muito boa. Era Where Are U Now. Meu choque foi tremendo quando descobrimos se tratar de uma música do rapaz que tanto rechaçamos. Daí em diante, foi um caminho sem volta. Depois veio What Do You Mean e o estrago se consagrou com o lançamento de Sorry.

Mas agora que parei para analisar a situação, percebi um elo entre todas as músicas que me fizeram gostar do Justin Bieber: mulheres.

Pra falar a verdade, meu primeiro indício de que poderia gostar das músicas aconteceu com a música Beauty and The Beat.

E quem aparece no clipe? Nicki Minaj.


 
Tudo bem que ele canta basicamente que quer desfilar com a moça por aí, a boa e velha objetificação. A Nick também vacila dizendo em determinado verso que vai ter que tomar cuidado com a Selena e talz. Rivalidade feminina: zZzZzzzZZZz. Ainda assim, a batida me pegou.

Depois teve Where Are U Now.


 
Dessa vez, na parceria com Diplo e Skrillex, ele canta as sofrências de um omi abandonado. Que na verdade a gente nem sabe se foi abandonado, né? Pode ser só aquela história de cara legal que acha que só porque foi legal, a mulher tem que dar algo em troca.

Eu te dei atenção
Quando ninguém dava
Te dei a minha camisa
O que você está dizendo?
Para te manter aquecida
Te mostrei o jogo que todo mundo estava jogando
Sem dúvida
E eu estava de joelhos
Quando ninguém estava orando, oh Senhor

Onde está você agora que eu preciso de você?

 
Onde ela está agora? Provavelmente tá lá curtindo com a mina da música de Hotline Bling, do Drake. Hehe.

 
Mas aí, ele veio e lançou What Do You Mean e ganhou selinho feminista de aprovação ao perguntar pra gata o que ela quer dizer. Em entrevista sobre o significado da música, ele disse: “As meninas são muitas vezes apenas flip-floppy. Elas dizem uma coisa e querem dizer outra. Então, o que você quer dizer? Eu realmente não sei, é por isso que eu estou perguntado.”

Mas a cereja do bolo pra mim realmente veio com o lançamento do clipe de Sorry. Foi uma música que foi crescendo em mim. Ouvi a primeira vez e achei ok. Aí eu vi o clipe.

Minha relação com a música Sorry:

 

Depois de ver o clipe:


 
O clipe é estrelado e coreografado pela musa Parris Goebel e tem a galera dos grupos de dança ReQuest e Royal Family, da Nova Zelândia. Pq Justin arrasou? Pq ele chamou essas mulheres maravilhosas e ele NEM APARECE NO CLIPE!! Depois de ver essas moças dançando, a música ganha uma proporção animalesca que te faz querer dançar e ser fodona igual a elas. Elas não são objeto, elas são sujeito. E usam o corpo pelo talento que tem, não pela aparência. Elas são donas do próprio corpo. Peça quantas desculpas quiser, queridinho, tamos aqui com as amigas curtindo de boas. Parris também dirigiu o clipe, então não tem nada de male gaze por ali.

Um detalhe que descobri lendo uma matéria da Rolling Stones gringa: ela tem 23 anos. Ela tem um estúdio de dança fodástico chamado Palace e batizou o estilo de movimentos de Polyswagg. Repita essa palavra 3x na frente do espelho enquanto rebola até o chão. Dentre outros artistas para quem ela já fez coreografia estão Nick Minaj, Janet Jackson e J.Lo.

 

 

Este vídeo é de um ensaio *___*


 
No final do ano passado, o Justin fez a Beyoncé e lançou vários clipes das músicas do disco novo Purpose de uma vez. A ideia do projeto é que ele reencontrou o propósito na vida depois de ter sido um babaca durante muito tempo. Ele disse:

Eu podia sentir a energia das pessoas, e não me importar, também. Tipo, eu não dava a mínima se alguém gostava de mim ou não. E aí que as coisas começaram a ir mal, porque eu estava tão envolvido em ‘eu’, ‘eu, ‘eu’, ‘eu’, ‘eu’…. Algumas vezes, você sente que ‘cara, eu não quero mais fazer isso’. Sinto que perdi meu propósito por um tempo

 

 

E Parris Goeble disse:

Eu me sinto muito, muito diferente. Eu me sinto completamente oposta. Eu me sinto muito livre e indestrutível, que nada pode me parar e me machucar. Eu só fico mais confiante e feroz … Eu sou um tipo que intimida. As pessoas ficam com medo de mim. (…)Para mim, a história que eu conto quando eu estou dançando é que sou o azarão, que não tem sido fácil, mas que eu sou uma jovem mulher confiante, bem sucedida, que faz e está seguindo os sonhos.

 

 
E a Parris coreografou a porra toda.

E claro, o Buzzfeed foi lá e fez um teste para você descobrir qual dançarina você é.

Nunca mais farei compras do mesmo jeito


 

Morta com a coreografia que começa no minuto 2!

*POST ATUALIZADO por motivos de:

Acho que você vai gostar de ver esta versão do clipe sem música

E ouvir essa outra versão em axé

Justin Bieber – Sorry (M.Billy Axé Remix) by maestrobilly on hearthis.at

E, quem sabe, aprender a coreografia

 


Pra você que também babou, siga a Parris Goebel por aí!
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Quem é do Rio e tem uma vida, tem chances maiores de já ter ouvido falar da banda. Primeiro, porque eles moram lá, dã. E segundo porque, vira e mexe, fazem shows na cidade. Em jardins, em palquinhos, aqueles tipos de shows gostosinhos que encontramos por aí. Como eu não tinha vida quando morava no Rio,[Brincadeira, tinha sim, só quis dar uma carga dramática] a sonoridade deles chegou até mim graças a um amigo querido. Mas meu encanto veio mesmo quando vi um show ao vivo entre um ou outro bloco de carnaval. Cantavam e bailavam em cima de uma marquise no bairro de Santa Teresa.

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Não sei se hoje é ‘noite de maré cheia’ por pura preguiça de pesquisar isso na internet. Aliás, nem sei como descobre isso… Mas sei que escolhi falar dessa banda delícia nesta data por um motivo empolgante: é a data de lançamento do “Leve o Que Quiser”, também conhecido como primeiro disco deles. E que só ficou de pé graças a 318 apoiadores de um financiamento coletivo. A versão física do álbum só chega em outubro. Mas, por enquanto, você pode fazer ouvir aqui:

É violão, é batuque, é performance, é brasilidade, gente. (rs)

Não à toa, por serem atores, os shows deles sempre têm uma conversa com o teatro ou alguma interação audiovisual. Um bule que despeja grãos de arroz em uma xícara ou um porco armado que se sacode ao som de “Neguinho” pouco antes de tirar a máscara e se cobrir de sangue:

 

 
Conversamos um pouquinho com a vocalista Juliana:

Ovelha. Por que o nome Pietá?

Juliana – A galera começou a cobrar um nome. Da boca de um saiu Pietá, que gente agarrou e já imergiu, como quem batiza uma criança quando nasce. Recebemos um nome e fomos amadurecendo o filho com o tempo. Deixando crescer meio correndo descalço no mato, meio embaixo da asa, meio livre, meio pedaço da gente. Achamos que Pietá é uma coisa para cada um. É piedade, para os italianos, é Maria com o filho no colo para os cristãos, já nos deparamos até com a definição “uma potência que aspira à transcendência” do filósofo Negri. Para todos, é indiscutivelmente uma imagem poética e forte. As Pietás foram representadas por vários artistas ao longo dos séculos. Essa é a nossa representação.

Ovelha. Quais as referências da banda?

Ju – Muitos movimentos artísticos nos inspiram. Ariane Mnouchkine e o Theatre du Soleil, a Anne Bogart, a Marina Abramovich, os grupos de teatro brasileiros como Galpão e Cia dos atores, os artistas de rua, entres muitos outros. Além disso, a prática diária e individual de cada um, dentro e fora dos nossos coletivos (Arvorá, Miúda e Volante), sempre apostando numa construção colaborativa onde todos são responsáveis pela criação. Na música, nossa influência é principalmente brasileira. Os cantos do nosso país, as formas de contá-lo, das raízes ao que está por vir. Os músicos que escutamos desde bebês até os vários novos grupos e bandas contemporâneas e parceiras que tem feito muita música boa. Tem um gostinho de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Adriana Calcanhoto, João Bosco, Gal Costa, Novos Baianos, Luiz Gonzaga, Chico César, Lenine, Adoniran Barbosa, Noel Rosa, Cartola, Elis Regina, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Djavan, Claudio Nucci, Guinga, etc, etc, etc, etc… Os blocos de carnaval, as rodas de samba, as noitadas de forró… E principalmente, os vários músicos e parceiros que estão sempre por perto, como André Muato, Joana Queiroz, Marcelo Muller, Ayran Nicodemo, Marcelo Fedrá, Ilessi, Coletivo Chama, Elvis Marlon, Beto Lemos, Geraldo Junior, Jefferson Gonçalves, Mohandas, Renascimento, toda a Etnohaus, Júlia Vargas, Chico Chico, Novíssimos, Khrystal, Natasha Llerena, Letuce, e toda uma galera boa e animada que tem nos feito ter mais vontade de seguir remando. A gente pega tudo isso e joga no liquidificador.

Uma foto publicada por Pietá (@pieta_) em

Ovelha. Como escolheram o repertório do disco?

Ju – Fizemos shows durante 3 anos antes de gravar o disco. Fomos lapidando o repertório, conhecendo músicos, testando sonoridades, abandonando idéias e criando outras. O processo se deu de forma muito natural e intuitiva. Durante esse trajeto o cd foi se formando. Algumas músicas sempre fizeram parte desse álbum, indiscutivelmente. Outras, no entanto, estão na manga, mas não fazem parte. E juntando tudo isso às músicas e ideias que surgiram de última hora, encontramos um caminho no repertório, uma história, uma dramaturgia.

Ovelha.Conta um pouquinho do processo de gravação?

Ju – O processo de gravação foi extremamente prazeroso. Afeto e pesquisa andaram lado a lado. Muitos questionamentos, muitas dúvidas, algumas certezas e um semestre de pura emoção. Gravar é um processo de muita intimidade, de muita exposição e foi muito novo pra mim. Você vive ali instantes de pura entrega, de insegurança e de força. De descobrir a si e de entender o trabalho, o que se quer colocar nele, que garga, que mensagem. E de aprender a se desapegar das exigências com a própria execução, né… o que pra mim é bem difícil, rs. Mas é só o primeiro! Os momentos de arrepio no estúdio dizem muito sobre o trabalho. A equipe foi estimulante, do início ao fim. Um grupo enorme de profissionais competentes, criadores, dedicados e divertidos. E parece que essa alegria contamina a sonoridade do disco. Pietá sempre foi isso, o primeiro cd não poderia ser diferente.

Ovelha. O que vamos encontrar no cd?

Ju – Música brasileira e um bando de jovens mergulhando de cabeça na poesia. De resto, só ouvindo.

Ovelha. Qual sua música favorita do álbum?

Ju – Olhe, isso é bem difícil de dizer. rs Acho que há fases. Eu sempre amei “A vingança de Cunhã”, mas com o disco veio “Matador”… Amo o resultado e a força de “Justino”, com Beto Lemos e Carlos Malta… “Leve o que quiser”, não dá pra não ficar tomada com o encontro que rolou. Mas acho que no fim das contas volto à Vingança. O coro final que foi feito por parceiros e amigos da música, além do meu irmão que também participou, me emociona muitíssimo. É ouvir e lembrar daquela roda de gente querida vibrando energia boa pelo nosso trabalho. Me renova cada vez que eu ouço.

Ovelha. Contaí uma coisa que a gente não sabe

Ju – Rola uma surpresinha que não tá no encarte. Vamos ouvindo… risos.

Ovelha. O que você quer levar?

Ju – Eu quero levar tudo o que eu quiser. Ter liberdade pra escolher. Levar o mundo inteiro. Levar de mim também o que eu já fui e o que sou agora.

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A banda fará três shows de lançamento na cidade do Rio de Janeiro: 6 e 7 de outubro no Espaço Sesc (Copacabana) e 13 de outubro no projeto A.Nota, no Oi Futuro Ipanema. Ainda farão o show de lançamento em Natal (terra de Juliana), no dia 19 de novembro, no teatro Riachuelo!

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