Chegamos na casa de Joana*, já naquela ansiedade de quem sabe o que vem a seguir. Ela me levou pro quarto. Deitei seu corpo na cama, beijando seu pescoço. Uns amassos a mais e umas roupas a menos, ela diz
apaga a luz.
Como assim, apaga a luz?
tô feia, não me sinto confortável.
Joana é uma das mulheres mais maravilhosas que eu já conheci. Inteligente, independente, estilosa, linda de qualquer ângulo e em todos os detalhes. E eu ia transar com ela de luz apagada porque aparentemente eu era a única pessoa naquele quarto que enxergava tudo isso.
Ser bissexual e mulher é uma experiência muito complexa e surpreendente. Das vivências que tive, a que mais me marcou foi a oportunidade de enxergar as mulheres com quem eu me relacionei como um reflexo daquilo que eu mesma sou. Claro que é possível notar isso sendo lésbica, mas a bissexualidade acaba permitindo que a gente perceba as discrepâncias quando nos relacionamos com gêneros diferentes. E infelizmente elas são assustadoras.
Nos meus relacionamentos com homens, a socialização masculina era bastante evidente. Dava pra perceber que eles sempre tentavam se mostrar fortes, independentes, pragmáticos. Mas se eles falhavam em assinalar todos os quadradinhos da ficha de Cabra Macho™ essa falha não impedia que eles se relacionassem e também não fazia com que eles tivessem um mau juízo de si mesmos. Vida que segue, bola pra frente, na maior parte das vezes ninguém vê essa ausência da performance do machão como um defeito. Se ele chora, é sensível. Se não é fortão, é porque é inteligente. Se é gordo, tem um super senso de humor. Para as mulheres, não é bem assim. Lembra daquela pesquisa que diz que o maior medo dos homens quando encontram uma mulher que conheceram pela internet é de que ela seja gorda? Pras minas, o maior medo é de que o cara seja um assassino.
Prioridades, né.
Voltando à Joana: ela era uma pessoa muito mais fascinante do que a grande maioria dos homens com quem eu já saí. E ela se achava feia. Esquisita. Praticamente não saía de casa sem maquiagem, não gostava de tirar foto. Era, como grande parte das mulheres, extremamente preocupada com seu peso, embora não parecesse estar cinco quilos acima do que é considerado ideal. E isso me doía de um jeito horrível — em parte porque rasga a gente por dentro ver uma pessoa querida com baixa autoestima. Em parte porque… bom, porque eu sabia que já fui, sou, ou serei a Joana de alguém.
Num relacionamento, seja ele qual for, a gente devagarzinho vai notando os traumas, as feridas, os pontos mais sensíveis de quem a gente gosta. A diferença, quando você é mulher e se relaciona com mulheres, é que você percebe um monte desses machucados como resultantes de um contínuo e inescrupuloso esmagamento sistemático da nossa autoestima. Desde que somos pequenas, somos criadas para acreditar que nunca estamos bonitas e nunca somos suficientes. E somos diariamente bombardeadas com mensagens que continuam reiterando essa perspectiva apodrecida de nós mesmas — e alterando a nossa percepção acerca de como deveríamos ser.
Nenhum dos homens com quem me relacionei me pediu pra apagar a luz — e uma boa parte deles não tinha um corpo padrãozinho. Nenhum tinha vergonha do seu cabelo, das espinhas no rosto, do formato dos genitais. Isso sequer era assunto com eles. E isso não é um problema, isso é ótimo. Só me dói que não seja assim com as mulheres. Me dói que não seja assim com a Joana. Me dói que não seja assim comigo.
Chegamos na casa de Joana*, já naquela ansiedade de quem sabe o que vem a seguir. Ela me levou pro quarto. Deitei seu corpo na cama, beijando seu pescoço. Uns amassos a mais e umas roupas a menos, ela diz
apaga a luz.
Como assim, apaga a luz?
tô feia, não me sinto confortável.
Joana é uma das mulheres mais maravilhosas que eu já conheci. Inteligente, independente, estilosa, linda de qualquer ângulo e em todos os detalhes. E eu ia transar com ela de luz apagada porque aparentemente eu era a única pessoa naquele quarto que enxergava tudo isso.
Ser bissexual e mulher é uma experiência muito complexa e surpreendente. Das vivências que tive, a que mais me marcou foi a oportunidade de enxergar as mulheres com quem eu me relacionei como um reflexo daquilo que eu mesma sou. Claro que é possível notar isso sendo lésbica, mas a bissexualidade acaba permitindo que a gente perceba as discrepâncias quando nos relacionamos com gêneros diferentes. E infelizmente elas são assustadoras.
Nos meus relacionamentos com homens, a socialização masculina era bastante evidente. Dava pra perceber que eles sempre tentavam se mostrar fortes, independentes, pragmáticos. Mas se eles falhavam em assinalar todos os quadradinhos da ficha de Cabra Macho™ essa falha não impedia que eles se relacionassem e também não fazia com que eles tivessem um mau juízo de si mesmos. Vida que segue, bola pra frente, na maior parte das vezes ninguém vê essa ausência da performance do machão como um defeito. Se ele chora, é sensível. Se não é fortão, é porque é inteligente. Se é gordo, tem um super senso de humor. Para as mulheres, não é bem assim. Lembra daquela pesquisa que diz que o maior medo dos homens quando encontram uma mulher que conheceram pela internet é de que ela seja gorda? Pras minas, o maior medo é de que o cara seja um assassino.
Prioridades, né.
Voltando à Joana: ela era uma pessoa muito mais fascinante do que a grande maioria dos homens com quem eu já saí. E ela se achava feia. Esquisita. Praticamente não saía de casa sem maquiagem, não gostava de tirar foto. Era, como grande parte das mulheres, extremamente preocupada com seu peso, embora não parecesse estar cinco quilos acima do que é considerado ideal. E isso me doía de um jeito horrível — em parte porque rasga a gente por dentro ver uma pessoa querida com baixa autoestima. Em parte porque… bom, porque eu sabia que já fui, sou, ou serei a Joana de alguém.
Num relacionamento, seja ele qual for, a gente devagarzinho vai notando os traumas, as feridas, os pontos mais sensíveis de quem a gente gosta. A diferença, quando você é mulher e se relaciona com mulheres, é que você percebe um monte desses machucados como resultantes de um contínuo e inescrupuloso esmagamento sistemático da nossa autoestima. Desde que somos pequenas, somos criadas para acreditar que nunca estamos bonitas e nunca somos suficientes. E somos diariamente bombardeadas com mensagens que continuam reiterando essa perspectiva apodrecida de nós mesmas — e alterando a nossa percepção acerca de como deveríamos ser.
Nenhum dos homens com quem me relacionei me pediu pra apagar a luz — e uma boa parte deles não tinha um corpo padrãozinho. Nenhum tinha vergonha do seu cabelo, das espinhas no rosto, do formato dos genitais. Isso sequer era assunto com eles. E isso não é um problema, isso é ótimo. Só me dói que não seja assim com as mulheres. Me dói que não seja assim com a Joana. Me dói que não seja assim comigo.
Ilustração feita com exclusividade por Thais Cortez a.k.a. Emily
Chegamos na casa de Joana*, já naquela ansiedade de quem sabe o que vem a seguir. Ela me levou pro quarto. Deitei seu corpo na cama, beijando seu pescoço. Uns amassos a mais e umas roupas a menos, ela diz
apaga a luz.
Como assim, apaga a luz?
tô feia, não me sinto confortável.
Joana é uma das mulheres mais maravilhosas que eu já conheci. Inteligente, independente, estilosa, linda de qualquer ângulo e em todos os detalhes. E eu ia transar com ela de luz apagada porque aparentemente eu era a única pessoa naquele quarto que enxergava tudo isso.
Ser bissexual e mulher é uma experiência muito complexa e surpreendente. Das vivências que tive, a que mais me marcou foi a oportunidade de enxergar as mulheres com quem eu me relacionei como um reflexo daquilo que eu mesma sou. Claro que é possível notar isso sendo lésbica, mas a bissexualidade acaba permitindo que a gente perceba as discrepâncias quando nos relacionamos com gêneros diferentes. E infelizmente elas são assustadoras.
Nos meus relacionamentos com homens, a socialização masculina era bastante evidente. Dava pra perceber que eles sempre tentavam se mostrar fortes, independentes, pragmáticos. Mas se eles falhavam em assinalar todos os quadradinhos da ficha de Cabra Macho™ essa falha não impedia que eles se relacionassem e também não fazia com que eles tivessem um mau juízo de si mesmos. Vida que segue, bola pra frente, na maior parte das vezes ninguém vê essa ausência da performance do machão como um defeito. Se ele chora, é sensível. Se não é fortão, é porque é inteligente. Se é gordo, tem um super senso de humor. Para as mulheres, não é bem assim. Lembra daquela pesquisa que diz que o maior medo dos homens quando encontram uma mulher que conheceram pela internet é de que ela seja gorda? Pras minas, o maior medo é de que o cara seja um assassino.
Prioridades, né.
Voltando à Joana: ela era uma pessoa muito mais fascinante do que a grande maioria dos homens com quem eu já saí. E ela se achava feia. Esquisita. Praticamente não saía de casa sem maquiagem, não gostava de tirar foto. Era, como grande parte das mulheres, extremamente preocupada com seu peso, embora não parecesse estar cinco quilos acima do que é considerado ideal. E isso me doía de um jeito horrível — em parte porque rasga a gente por dentro ver uma pessoa querida com baixa autoestima. Em parte porque… bom, porque eu sabia que já fui, sou, ou serei a Joana de alguém.
Num relacionamento, seja ele qual for, a gente devagarzinho vai notando os traumas, as feridas, os pontos mais sensíveis de quem a gente gosta. A diferença, quando você é mulher e se relaciona com mulheres, é que você percebe um monte desses machucados como resultantes de um contínuo e inescrupuloso esmagamento sistemático da nossa autoestima. Desde que somos pequenas, somos criadas para acreditar que nunca estamos bonitas e nunca somos suficientes. E somos diariamente bombardeadas com mensagens que continuam reiterando essa perspectiva apodrecida de nós mesmas — e alterando a nossa percepção acerca de como deveríamos ser.
Nenhum dos homens com quem me relacionei me pediu pra apagar a luz — e uma boa parte deles não tinha um corpo padrãozinho. Nenhum tinha vergonha do seu cabelo, das espinhas no rosto, do formato dos genitais. Isso sequer era assunto com eles. E isso não é um problema, isso é ótimo. Só me dói que não seja assim com as mulheres. Me dói que não seja assim com a Joana. Me dói que não seja assim comigo.
Ser modelo alternativa virou praticamente sinônimo de ser Suicide Girl: branca, magra, tatuadinha e cabelo colorido. Então segue a listinha de modelos alternativas que realmente quebram padrões pra você seguir e se inspirar:
1: Tess Holliday
Famosíssima, a musa plus size feminista deu na cara do mundo nos últimos dois anos, fazendo campanhas fenomenais. Ela criou um projeto incrível chamado Eff Your Beauty Standards (no Instagram, @effyourbeautystandards), um manifesto body positive.
Stefania já trabalhou para gente incrível como a Dita Von Teese. Ela anda experimentando bastante com projetos diferentes, que você pode encontrar na segunda conta do Instagram dela, @stefania_raw. A habilidade que ela tem com expressão facial é algo de outro mundo.
Ruiva maravilhosa de Osasco com quem eu já tive o prazer de trabalhar várias vezes. A gata tem muita naturalidade e uma pegada meio moleca. Ela também ama gatinhos e é bissexual! ❤ #bipride
Mais uma do time das ruivas, Freshie é uma modelo americana que curte trabalhar dos dois lados da câmera. Ela tem vários ensaios experimentais sensacionais. Também participou do projeto Illusions of the Body, da fotógrafa Gracie Hagen, que mexe com as diferentes perspectivas do corpo.
Dona de um cabelo que é o puro creme do poder, Jessa vive na Filadélfia. Já posou pra fotógrafos incríveis e divulga na sua conta outras garotas negras maravilhosas.
A Galda é Suicide Girl, ok. Mas ela é muito curvilínea, não é uma garota magra — e por causa disso, recebe frequentes ataques na sua própria conta e na do SG. A inglesa tem um guarda roupas arrasador e suas lingeries são de matar (especialmente de inveja, já que aqui no Brasil a gente ainda não tem peças tão lindas em tamanhos maiores).
A Jacque é uma das minas mais figura que eu já conheci. Uma pessoa super querida, divertida e talentosíssima. Ela se expressa como poucas e tem uma habilidade incrível pra posar.
Rant é uma pessoa que prefere ser tratada por pronomes neutros. Se foca em projetos mais artísticos e é fã de modificações corporais. Pura agregação de valor ao camarote genderfuck.
Mozão da Stefania ❤ Aliás, elas fazem trabalhos juntas. Nem preciso dizer que ficam sensacionais. A mulher é uma deusa e soma representatividade. Também tem uma conta pra trampos mais experimentais: @sayhellojess_raw
Boa parte do trampo da Cam Damage é ela mesma que faz. Isso porque ela e o boy experimentam muito com BDSM, shibari e toda a vibe fetichista. Dá pra gastar horas nos tumblrs deles.
O universo gostou tanto do que fez, que fez duas vezes. Elas são gêmeas. O lacre é duplo, amiga. Elas tem um blog, Instagram e estão nesse artigo da Afropunk. Também já participaram de alguns clipes de artistas brasileiros, como MC Flow.
Fãs de moças carecas, chegou sua vez. Diretamente da ZN na pegada 90’s, Priscila é dessas que mastiga macho folgado no café da manhã. E todo mundo que anda por São Paulo já viu um tag dela.
A gata ficou famosíssima por um motivo curioso: ela tem vitiligo, que se espalhou por seu corpo de forma curiosamente simétrica. Junte essa aparência totalmente única com campanhas publicitárias de marcas mais edgy e voilà: Winnie Harlow.
Por fim, um jabazinho básico: quem quiser conhecer também meu trabalho como alt model, meu instagram é @deboranis ;) Estou em fotos junto com a Jacque e a Priscila. Espero que vocês tenham curtido!
Chegamos na casa de Joana*, já naquela ansiedade de quem sabe o que vem a seguir. Ela me levou pro quarto. Deitei seu corpo na cama, beijando seu pescoço. Uns amassos a mais e umas roupas a menos, ela diz
apaga a luz.
Como assim, apaga a luz?
tô feia, não me sinto confortável.
Joana é uma das mulheres mais maravilhosas que eu já conheci. Inteligente, independente, estilosa, linda de qualquer ângulo e em todos os detalhes. E eu ia transar com ela de luz apagada porque aparentemente eu era a única pessoa naquele quarto que enxergava tudo isso.
Ser bissexual e mulher é uma experiência muito complexa e surpreendente. Das vivências que tive, a que mais me marcou foi a oportunidade de enxergar as mulheres com quem eu me relacionei como um reflexo daquilo que eu mesma sou. Claro que é possível notar isso sendo lésbica, mas a bissexualidade acaba permitindo que a gente perceba as discrepâncias quando nos relacionamos com gêneros diferentes. E infelizmente elas são assustadoras.
Nos meus relacionamentos com homens, a socialização masculina era bastante evidente. Dava pra perceber que eles sempre tentavam se mostrar fortes, independentes, pragmáticos. Mas se eles falhavam em assinalar todos os quadradinhos da ficha de Cabra Macho™ essa falha não impedia que eles se relacionassem e também não fazia com que eles tivessem um mau juízo de si mesmos. Vida que segue, bola pra frente, na maior parte das vezes ninguém vê essa ausência da performance do machão como um defeito. Se ele chora, é sensível. Se não é fortão, é porque é inteligente. Se é gordo, tem um super senso de humor. Para as mulheres, não é bem assim. Lembra daquela pesquisa que diz que o maior medo dos homens quando encontram uma mulher que conheceram pela internet é de que ela seja gorda? Pras minas, o maior medo é de que o cara seja um assassino.
Prioridades, né.
Voltando à Joana: ela era uma pessoa muito mais fascinante do que a grande maioria dos homens com quem eu já saí. E ela se achava feia. Esquisita. Praticamente não saía de casa sem maquiagem, não gostava de tirar foto. Era, como grande parte das mulheres, extremamente preocupada com seu peso, embora não parecesse estar cinco quilos acima do que é considerado ideal. E isso me doía de um jeito horrível — em parte porque rasga a gente por dentro ver uma pessoa querida com baixa autoestima. Em parte porque… bom, porque eu sabia que já fui, sou, ou serei a Joana de alguém.
Num relacionamento, seja ele qual for, a gente devagarzinho vai notando os traumas, as feridas, os pontos mais sensíveis de quem a gente gosta. A diferença, quando você é mulher e se relaciona com mulheres, é que você percebe um monte desses machucados como resultantes de um contínuo e inescrupuloso esmagamento sistemático da nossa autoestima. Desde que somos pequenas, somos criadas para acreditar que nunca estamos bonitas e nunca somos suficientes. E somos diariamente bombardeadas com mensagens que continuam reiterando essa perspectiva apodrecida de nós mesmas — e alterando a nossa percepção acerca de como deveríamos ser.
Nenhum dos homens com quem me relacionei me pediu pra apagar a luz — e uma boa parte deles não tinha um corpo padrãozinho. Nenhum tinha vergonha do seu cabelo, das espinhas no rosto, do formato dos genitais. Isso sequer era assunto com eles. E isso não é um problema, isso é ótimo. Só me dói que não seja assim com as mulheres. Me dói que não seja assim com a Joana. Me dói que não seja assim comigo.