Sou gorda sim… e daí?

Ilustração por Fernanda Ozilak

Já estabelecemos que ser mulher não é nada fácil, com todas as dificuldades e normas que a sociedade nos impõe durante toda a vida… ser mulher E gorda então, amiga, é para as fortes.

Em um mundo em que o ~padrão~ de beleza vigente são as mulheres usando manequim 36-38, fica bem difícil para a gorda não se sentir um peixe fora d’água: pouco representadas pela mídia, com poucas opções bacanas para se vestir e sujeitas ao olhar duro da crítica alheia, nós gordas temos que fazer um enorme esforço para não termos a autoestima arremessada ao chão.

Sim, sou gorda. Por muito tempo foi difícil admitir isso, sempre usava um eufemismo para designar minha forma física – fofinha, acima do peso, com sobrepeso, não-magra. Falar “gorda” é considerado, no mundo dito feminino, um dos maiores xingamentos possíveis. Mau-caráter? Pff, pior se for gorda. Mentirosa? Ah, se tiver com o corpo bem esguio não tem problema. Ainda tem o clássico “não acredito que ele me trocou por aquela gorda”. Sem contar as MIL piadinhas super engraçadas sobre “gordice” e relacionados. Gente, me diz… qual o medo de ser gorda?

Cresci numa casa onde meu pai só me disse uma vez que eu estava bonita: aconteceu após uma crise séria onde perdi mais de 10kg por não conseguir comer. Para ele não importou como aquilo aconteceu – aliás, ele nem quis saber o que houve – e hoje em dia isso é um padrão.

Desde cedo, aprendemos que ser bonita começa com ser magra. Dietas mirabolantes, distúrbios alimentares, jejuns desnecessários: não importa como você vai atingir seu peso ideal desde que o faça imediatamente! Não importa se você tem um cabelo maravilhoso, olhos de gazela, uma boca de fazer a Angelina Jolie sentir inveja: se você é gorda, você automaticamente é feia aos duros olhos da mídia. E isso é muito errado, muito injusto e muito cruel.

Não preciso dizer que, tendo meu corpo criticado a vida toda, a minha autoestima nunca foi das melhores. Faz poucos anos que comecei a questionar se um dia eu realmente me sentiria bonita. Ou ainda, se eu um dia me daria valor mesmo não tendo o corpo das revistas.

Minha revolução pessoal começou aos poucos, com pequenos passos. De repente, comprei um vestido. No calor, usei shorts para ir à faculdade. Troquei a calça jeans folgada por uma legging justinha. Mas o grande marco foi cortar o cabelo “joãozinho”, que sempre foi um tabu pra mim, afinal, só meninas muito magras poderiam se dar o direito de usar esse corte – me disse uma amiga e TODAS as revistas de beleza que pude encontrar. Aí explodi, quem diz se eu posso ou não fazer algo sou somente EU mesma! Pra que eu precisava da aprovação de terceiros para satisfazer minhas vontades?

Com esse empurrão, percebi que essa história de esperar para ser feliz só quando se chega no peso ideal é uma grande besteira. Vamos ser sinceras? Pode ser que esse dia NUNCA chegue. E aí? Você vai ficar a vida toda esperando emagrecer pra realmente se ver como a pessoa bonita que você é?

A vida é agora, você é bonita hoje.
 

Ilustração por Fernanda Ozilak

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