Além de Frida Kahlo

Acontece até o dia 10 de janeiro de 2016 a exposição “Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México”, no Instituto Tomie Ohtake, em SP.

Frida Kahlo, como eu imagino que todas nós sabemos, foi uma pintora mexicana, que viveu de 1907 a 1954, e que sofreu um acidente horrível na adolescência. Felizmente, ela sobreviveu, começou a pintar, entrou para o Partido Comunista e conheceu Diego Rivera. É uma história belíssima a de Frida (você pode assistir a esse documentário para saber mais sobre ela).

Adorei a exposição. Acho que está bem completa, levando em conta que Frida só tem 143 trabalhos. Mas o que mais me chamou a atenção foram as obras de suas companheiras surrealistas. Como diz o panfleto da mostra, “muitas delas reconhecidas no passado como ‘esposas’ desse ou daquele artista. Aqui, elas são protagonistas: criam aproximações, promovem eventos, trocam correspondências, desafiam lugares-comuns, escapam de qualquer submissão e, claro, produzem obras de arte de vigor inquestionável.” <3

Abaixo, escolhi algumas das mulheres surrealistas que mais amei ter conhecido:

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Alice Rahon
nasceu na França em 1904 e descobriu a cultura mexicana por intermédio de Frida Kahlo, que viajou a Paris em 1938. Alice, que era poeta surrealista na Europa, fugiu da guerra e se estabeleceu definitivamente no México como pintora. Ela concebeu um balé cósmico para o qual escreveu o roteiro e desenhou uma série de marionetes articuladas. Para saber mais.

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Bridget Tichenor foi editora da revista “Vogue” em Nova York, e o interesse pelo desenho de vestuário manifesta-se em suas pinturas. Ela se divorciou de seu segundo marido e se mudou para o México no início de 1950, onde morreu em 1990. Quem apresentou o México a ela foi seu primo Edward James, colecionador britânico de arte surrealista. Em 1958, ela participou do Primeiro Salão de Arte Feminina no México, junto com Leonora Carrington, Alice Rahon, Remedios Varo, e outras mulheres pintoras de sua época.

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Jacqueline Lamba era uma pintora francesa e segunda mulher de André Breton. Eles se separaram em 1943 e Lamba se casou com David Hare, escultor americano. Dizem que ela teve um affair com Frida Kahlo. Na foto acima, Jacqueline Lamba ao lado de André Breton, Diego Rivera e León Trotsky no México em 1938. Para saber mais.

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Com suas reportagens para a revista “Mujeres”, Kati Horna contribuiu para difundir a obra daquelas que se destacavam no mundo das artes e da cultura. Além de retratista das amigas surrealistas, a fotógrafa húngara ficou famosa por fazer os mais bonitos registros da Guerra Civil Espanhola.

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Além de pintora e escultora, Leonora Carrington criou cenografias e textos para teatro inspirados em seus próprios contos. Nascida na Inglaterra, viveu por um bom tempo na Cidade do México. Mas antes de morar lá, ela passou três anos em Paris, acompanhando o seu então namorado e também artista, Max Ernst, morto pelos nazistas.

lola

Lola Álvarez Bravo era fotógrafa, mas fez incursões no cinema, tendo iniciado a produção de um filme sobre a dupla identidade de Frida Kahlo. Também fundou a Galeria de Arte Contemporânea, que abriu espaço para a primeira exposição individual de Frida. Álvarez Bravo é provavelmente mais conhecida pelas fotografias que tirou na década de 1940 de sua amiga Frida. Durante 50 anos ela fotografou uma ampla variedade de temas, fazendo imagens documentais da vida cotidiana nas aldeias do México. Ela tirou fotos até ficar cega aos 79 anos.

A suíça Lucienne Bloch era muralista, por influência de Diego Rivera, mas também fotografou bastante Frida Kahlo. Lucienne acompanhou Frida e Diego durante a estadia do casal em Detroit, Michigan, nos EUA. Frida odiava o país e não estava mais produzindo, então as duas montaram um estúdio no apartamento que se assemelhava a uma escola de artes. Para saber mais.

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Além de pintora, María Izquierdo colaborou como crítica de arte para o jornal “Novedades”. Sua primeira exposição foi no Palácio de Belas Artes da Cidade do México, cuja introdução do catálogo foi escrita por Diego Rivera. Em 1930, foi a primeira mexicana a ter uma mostra individual em Nova York. Para saber mais.

remedios

Nascida na Espanha, Remedios Varo foi uma pintora, que também desenhava máscaras e trajes para peças teatrais. Durante a Guerra Civil Espanhola, Remedios mudou-se para Paris onde foi influenciada pelo movimento surrealista. Ela foi forçada a exilar-se da capital francesa durante a ocupação nazista e mudou-se para a Cidade do México em fins de 1941. Morreu lá em 1963 de ataque cardíaco. Clique para ver as obras de Varo.
 
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Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México
Até 10 de janeiro de 2016
Instituto Tomie Ohtake, São Paulo – SP
Ingressos: ingresse.com / contato@ingresse.com / (11) 3004.6111.

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Lola Versus Frances Ha

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Um dos filmes mais comentados e elogiados do ano passado tem uma história bem simples: uma garota nova-iorquina só se ferra na batalha diária da vida. Frances Ha, personagem-título, passa por situações extremamente constrangedoras, como fazer um “bate e volta” deprimente a Paris, e outras que poderiam ser constrangedoras, mas são fofas, tipo dançar descontroladamente no meio da rua. “Às vezes é bom fazer o que você deve fazer quando você tem que fazer”, diz Frances. “Amiga, me dá um abraço”, você pensa ao ver o filme. Veja uma das cenas mais lindinhas.

O que eu fui descobrir só essas semanas graças ao Netflix é que a belíssima-atriz-musa-amiga da Lena Dunham, Greta Gerwig, lançou em 2012 um filme parecidíssimo com “Frances Ha”. “Lola Versus” nem chegou a estrear nos cinemas brasileiros muito menos chamou a atenção da crítica gringa por ter uma vibe meio “Sessão da Tarde”. Porém, ao ler a sinopse, eu senti que precisava dar uma conferida nisso aí. Lola, personagem-título, tem 29 anos e está prestes a se casar com Luke, que é interpretado pelo muso Joel Kinnaman (o Holder, da série “The Killing”), quando ele entra em pânico e resolve terminar tudo.

Perto da fotografia em preto e branco de “Frances Ha”, “Lola Versus” é meio que colorido demais. Conforme uma amiga me ajudou a observar, as duas personagens se veem de repente livres de seus relacionamentos para conhecerem o mundo. Frances é a garota solitária, rejeitada até pela melhor amiga blasé; Lola é a disputada por todos os homens que aparecem em cena e até pela amiga-grude, afetada demais da conta.

Frances Ha” é mais realista. Frances paga aluguel, visita a família no Natal e sofre para viver de sua arte, o ballet. “Lola Versus” é mais piegas. Lola está sempre com maquiagem, cabelo e figurino perfeitos, seu apartamento é belezinha de catálogo, faz doutorado em literatura, e tudo isso sustentado pelo trabalho como garçonete.

É bizarro como dois filmes diferentes possam se complementar tanto. Parece até que a Greta Gerwig ficou tão decepcionada com o papel da Lola que ajudou o diretor e roteirista Noah Baumbach a fazer de “Frances Ha” um puta filme – e ela colaborou de verdade com o roteiro. Enfim, deixei bem claro quem é minha favorita, mas confesso que dei uma chorada com os dramas das duas personagens. E mal posso esperar para ver “The Humbling“, o novo filme da nossa musa ao lado de Al Pacino, ainda sem data de estreia no Brasil.

Leia mais
você pode assistir a esse documentário para saber mais sobre ela).

Adorei a exposição. Acho que está bem completa, levando em conta que Frida só tem 143 trabalhos. Mas o que mais me chamou a atenção foram as obras de suas companheiras surrealistas. Como diz o panfleto da mostra, “muitas delas reconhecidas no passado como ‘esposas’ desse ou daquele artista. Aqui, elas são protagonistas: criam aproximações, promovem eventos, trocam correspondências, desafiam lugares-comuns, escapam de qualquer submissão e, claro, produzem obras de arte de vigor inquestionável.” <3

Abaixo, escolhi algumas das mulheres surrealistas que mais amei ter conhecido:

alice+rahon
Alice Rahon
nasceu na França em 1904 e descobriu a cultura mexicana por intermédio de Frida Kahlo, que viajou a Paris em 1938. Alice, que era poeta surrealista na Europa, fugiu da guerra e se estabeleceu definitivamente no México como pintora. Ela concebeu um balé cósmico para o qual escreveu o roteiro e desenhou uma série de marionetes articuladas. Para saber mais.

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Bridget Tichenor foi editora da revista “Vogue” em Nova York, e o interesse pelo desenho de vestuário manifesta-se em suas pinturas. Ela se divorciou de seu segundo marido e se mudou para o México no início de 1950, onde morreu em 1990. Quem apresentou o México a ela foi seu primo Edward James, colecionador britânico de arte surrealista. Em 1958, ela participou do Primeiro Salão de Arte Feminina no México, junto com Leonora Carrington, Alice Rahon, Remedios Varo, e outras mulheres pintoras de sua época.

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Jacqueline Lamba era uma pintora francesa e segunda mulher de André Breton. Eles se separaram em 1943 e Lamba se casou com David Hare, escultor americano. Dizem que ela teve um affair com Frida Kahlo. Na foto acima, Jacqueline Lamba ao lado de André Breton, Diego Rivera e León Trotsky no México em 1938. Para saber mais.

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Com suas reportagens para a revista “Mujeres”, Kati Horna contribuiu para difundir a obra daquelas que se destacavam no mundo das artes e da cultura. Além de retratista das amigas surrealistas, a fotógrafa húngara ficou famosa por fazer os mais bonitos registros da Guerra Civil Espanhola.

leonora

Além de pintora e escultora, Leonora Carrington criou cenografias e textos para teatro inspirados em seus próprios contos. Nascida na Inglaterra, viveu por um bom tempo na Cidade do México. Mas antes de morar lá, ela passou três anos em Paris, acompanhando o seu então namorado e também artista, Max Ernst, morto pelos nazistas.

lola

Lola Álvarez Bravo era fotógrafa, mas fez incursões no cinema, tendo iniciado a produção de um filme sobre a dupla identidade de Frida Kahlo. Também fundou a Galeria de Arte Contemporânea, que abriu espaço para a primeira exposição individual de Frida. Álvarez Bravo é provavelmente mais conhecida pelas fotografias que tirou na década de 1940 de sua amiga Frida. Durante 50 anos ela fotografou uma ampla variedade de temas, fazendo imagens documentais da vida cotidiana nas aldeias do México. Ela tirou fotos até ficar cega aos 79 anos.

A suíça Lucienne Bloch era muralista, por influência de Diego Rivera, mas também fotografou bastante Frida Kahlo. Lucienne acompanhou Frida e Diego durante a estadia do casal em Detroit, Michigan, nos EUA. Frida odiava o país e não estava mais produzindo, então as duas montaram um estúdio no apartamento que se assemelhava a uma escola de artes. Para saber mais.

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Além de pintora, María Izquierdo colaborou como crítica de arte para o jornal “Novedades”. Sua primeira exposição foi no Palácio de Belas Artes da Cidade do México, cuja introdução do catálogo foi escrita por Diego Rivera. Em 1930, foi a primeira mexicana a ter uma mostra individual em Nova York. Para saber mais.

remedios

Nascida na Espanha, Remedios Varo foi uma pintora, que também desenhava máscaras e trajes para peças teatrais. Durante a Guerra Civil Espanhola, Remedios mudou-se para Paris onde foi influenciada pelo movimento surrealista. Ela foi forçada a exilar-se da capital francesa durante a ocupação nazista e mudou-se para a Cidade do México em fins de 1941. Morreu lá em 1963 de ataque cardíaco. Clique para ver as obras de Varo.
 

Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México
Até 10 de janeiro de 2016
Instituto Tomie Ohtake, São Paulo – SP
Ingressos: ingresse.com / contato@ingresse.com / (11) 3004.6111.

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