Chloë Sevigny dirige filme sobre gatinha

A atriz e designer Chloë Sevigny, nossa musa suprema, está estreando como diretora de cinema!

Ela exibirá seu curta-metragem, intitulado “Kitty”, no dia 20 de maio durante a 55ª Semana da Crítica do Festival de Cannes.

O filme é baseado em um conto do escritor americano Paul Bowles (clique aqui para ler, em inglês), e fala sobre uma garota que se transforma lentamente em uma gatinha (tipo “A metamorfose”, de Kafka, mas de um modo visualmente mais bonito).

Em entrevista ao The Cut, Chloë comentou sobre “Kitty”:

Eu escolhi a história porque tinha um elemento de realismo mágico que é algo que eu sempre gostei de assistir em filmes

“É também sobre a transformação e a relação entre uma menina e sua mãe. Apenas um monte de temas que soam verdadeiros para mim”, conta.

“Kitty” é estrelado por Ione Skye (a adolescente de “Say anything”, clássico de 1989, lembram?), Lee Meriwether, e a pequenina estreante Edie Yvonne.

Enquanto não sai o trailer, ficamos com o belíssimo pôster do filme, que foi divulgado pela própria Chloë no Instagram:

 

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Quem é Ana Cristina Cesar?

A Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) homenageia em cada edição um autor brasileiro. Em 14 anos de Flip, apenas duas mulheres foram lembradas: a famosa Clarice Lispector (em 2005) e a não tão famosa Ana Cristina Cesar (agora em 2016).

É inevitável, então, que as pessoas digam “quem é Ana Cristina Cesar?”. E isso não é assim tão fácil de responder.

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Eu soube da existência de Ana C., como ela é conhecida, em 2010. Foi quando estreou em São Paulo a peça de teatro “Um navio no espaço ou Ana Cristina Cesar”, dirigida por Paulo José e estrelada por Ana Kutner.

A sinopse dizia que se tratava de devaneios da poeta carioca antes dela pular do oitavo andar do seu prédio em Copacabana, aos 31 anos.

Essa informação me chocou e, após ver a peça, fui logo procurar livros dela e só achei em sebos “A teus pés”, originalmente publicado pela editora Brasiliense em 1982, um ano antes de seu suicídio.

Procurei mais por ela na internet e foi aí que decorei “Noite carioca”. Esse poema está no livro “Inéditos e dispersos” (1985), organizado pelo poeta Armando Freitas Filho, amigo de Ana C.:

Diálogo de surdos, não: amistoso no frio.
Atravanco na contramão. Suspiros no
contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta
do mundo: essa que não tem nenhum segredo.

Ana Cristina Cruz Cesar estudou Letras na PUC-RJ, de 1971 a 1975, e fez parte do movimento da poesia marginal ou geração mimeógrafo.

Em 1979 lançou, de forma independente, seu 1º livro de poesia, “Cenas de abril”. Seguem-se “Correspondência completa” e “Luvas de pelica”, publicado em 1980.

Ana C. também recebeu o título de Master of Arts em Theory and Practice of Literary Translation, em 1980 na Inglaterra, e traduziu as escritoras Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield.

Em 2013, a Companhia das Letras publicou o volume “Poética” e, por causa da Flip 2016, há vários relançamentos e novos livros em torno da poeta.

Destaco: a fotobiografia “Inconfissões”, organizada por Eucanaã Ferraz.

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O acervo pessoal da autora está sob tutela do Instituto Moreira Salles. No site do IMS, aliás, há muitos textos, fotos e áudios de Ana C., vale a pena dar uma olhada.

E muitas poetas brasileiras parecem guardar um pouco de Ana C. em seus livros. Precisamos saber mais de Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques, Annita Costa Malufe, Angélica Freitas, Masé Lemos, Laura Erber, Laura Liuzzi, Marília Garcia…

Ler Ana Cristina Cesar é como ler o diário de uma amiga. É ler provocações e questionamentos sobre o corpo, a alma, a depressão, o sexo, a amizade. Mas quem é Ana Cristina Cesar? Acho que só lendo sua obra é que dá para entender um pouquinho do que ela foi.

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nossa musa suprema, está estreando como diretora de cinema!

Ela exibirá seu curta-metragem, intitulado “Kitty”, no dia 20 de maio durante a 55ª Semana da Crítica do Festival de Cannes.

O filme é baseado em um conto do escritor americano Paul Bowles (clique aqui para ler, em inglês), e fala sobre uma garota que se transforma lentamente em uma gatinha (tipo “A metamorfose”, de Kafka, mas de um modo visualmente mais bonito).

Em entrevista ao The Cut, Chloë comentou sobre “Kitty”:

Eu escolhi a história porque tinha um elemento de realismo mágico que é algo que eu sempre gostei de assistir em filmes

“É também sobre a transformação e a relação entre uma menina e sua mãe. Apenas um monte de temas que soam verdadeiros para mim”, conta.

“Kitty” é estrelado por Ione Skye (a adolescente de “Say anything”, clássico de 1989, lembram?), Lee Meriwether, e a pequenina estreante Edie Yvonne.

Enquanto não sai o trailer, ficamos com o belíssimo pôster do filme, que foi divulgado pela própria Chloë no Instagram:

 

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