Mulheres jornalistas contra o assédio

Mais uma vez as mulheres mostraram que não irão se calar diante de assédios justificados como “brincadeirinhas”. Muito menos no exercício de sua profissão. Ontem à noite, um grupo de mulheres jornalistas lançou um vídeo com relatos de assédios sofridos durante o trabalho. O vídeo de quase dois minutos faz parte da campanha Jornalistas Contra O Assédio, uma ação em solidariedade à repórter do portal iG assediada pelo cantor Biel.

Depois de ouvir frases machistas como “se te pego, te quebro no meio” e ser chamada de “gostosinha” durante entrevista com o MC sobre seu novo álbum, a repórter foi demitida da redação. Sim, isso mesmo. Como se já não bastasse o abalo emocional, a jornalista perdeu seu emprego pelo simples fato de tomar coragem e denunciar machinho misógino que se considera super star na Delegacia da Mulher de São Paulo.

Para provar que a repórter do iG não está sozinha e revelar o machismo presente nas redações, jornalistas criaram a fanpage no Facebook “Jornalistas Contra o Assédio”. No vídeo divulgado ontem à noite na página, são muitas as declarações bizarras de entrevistados e colegas de trabalho que as profissionais relatam ter escutado. Não são só declarações de cunho sexual ou referentes à aparência física, mas também frases que subestimavam sua competência profissional. “Ali eu escutei que as mulheres faziam as matérias mais lights, de comportamento, previsão do tempo, de bichinhos. E os homens faziam as matérias mais aprofundadas, de política e economia”, relata uma das jornalistas no vídeo.

Até o término desse texto, o vídeo já havia sido compartilhado 965 vezes. Muitos dos compartilhamentos contém relatos de outras profissionais escutaram coisas absurdas. Para quem pensava que o jornalismo é um lugar de gente cool, de mente aberta e sem preconceitos, essas histórias são um tapa na cara. Mas é um tapa na cara pra acordar essa gente e mostrar que se mexeu com uma, mexeu com todas!

Escrito por
Mais de Débora Backes

Ouça: Laura Mvula

Laura Mvula é uma mulher negra poderosa e orgulhosa de suas origens. E isso se reflete nas suas letras, sua melodia e na estética de seus clipes.

A cantora britânica de ascendência caribenha tem estilo único, voz suave e sinuosa. Em seus dois álbuns, ela traz músicas animadas, com misturas incomuns de ritmos, e algumas músicas que lembram uma prece cantada, como que em um coral – talvez uma marca por ter crescido em uma família muito religiosa em Birmingham.

Em Sing to Moon (2013), álbum que alavancou sua carreira, Laura Mvula apresenta uma combinação um tanto estranha de orquestrações e melodias ondulantes. Minha música favorita dele é Green Garden, que já apresentamos pra vocês aqui na lista de Ouça Mulheres Negras de 2014.

É mais uma baladinha, com ritmos infantis, como de uma brincadeira.

Outra muito boa, de melodia mais dramática, é a que dá nome ao seu primeiro álbum. Nessa versão ao vivo, ela canta acompanhada pelo som de um arpa e um violoncelo, que dão o tom necessário para uma atmosfera que a música quer construir.

Em uma entrevista ao jornal Guardian, antes de lançar seu segundo álbum em 2016, The Dreaming Room, Laura revelou que, praticamente desde o início de sua carreira, vinha sofrendo de ataques de ansiedade.

O desencadeador foi a separação dos pais, depois veio a pressão de fazer a turnê do primeiro álbum, depois um divórcio. Laura chegou ao ponto de precisar que alguém estivesse sempre com ela o tempo todo, inclusive nos momentos em que compunha suas canções.

Mas ela conseguiu. Mesmo com os frequentes ataques de pânico, terminou seu segundo álbum, outro sucesso. Nele está a minha música preferida dela: Overcome (muito apropriado o título), em parceria com Nile Rodgers. É impossível não se arrepiar com esse clipe!

Outra imperdível dela é Phenomenal Woman. A letra é empoderadora e achei super simbólico ver o vídeo dessa música sendo protagonizado especialmente por mulheres negras. Em todos os clipes que vi de Laura Mvula, ela convida dançarinos negros, mas neste, a presença dessas mulheres mostrando todo seu poder deu um significado a mais à letra.

Para escutar mais músicas dessa mulher, acesse seu canal no Spotify ou no SoundCloud. Também a siga aqui:

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“Jornalistas Contra o Assédio”. No vídeo divulgado ontem à noite na página, são muitas as declarações bizarras de entrevistados e colegas de trabalho que as profissionais relatam ter escutado. Não são só declarações de cunho sexual ou referentes à aparência física, mas também frases que subestimavam sua competência profissional. “Ali eu escutei que as mulheres faziam as matérias mais lights, de comportamento, previsão do tempo, de bichinhos. E os homens faziam as matérias mais aprofundadas, de política e economia”, relata uma das jornalistas no vídeo.

Até o término desse texto, o vídeo já havia sido compartilhado 965 vezes. Muitos dos compartilhamentos contém relatos de outras profissionais escutaram coisas absurdas. Para quem pensava que o jornalismo é um lugar de gente cool, de mente aberta e sem preconceitos, essas histórias são um tapa na cara. Mas é um tapa na cara pra acordar essa gente e mostrar que se mexeu com uma, mexeu com todas!

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“Jornalistas Contra o Assédio”. No vídeo divulgado ontem à noite na página, são muitas as declarações bizarras de entrevistados e colegas de trabalho que as profissionais relatam ter escutado. Não são só declarações de cunho sexual ou referentes à aparência física, mas também frases que subestimavam sua competência profissional. “Ali eu escutei que as mulheres faziam as matérias mais lights, de comportamento, previsão do tempo, de bichinhos. E os homens faziam as matérias mais aprofundadas, de política e economia”, relata uma das jornalistas no vídeo.

Até o término desse texto, o vídeo já havia sido compartilhado 965 vezes. Muitos dos compartilhamentos contém relatos de outras profissionais escutaram coisas absurdas. Para quem pensava que o jornalismo é um lugar de gente cool, de mente aberta e sem preconceitos, essas histórias são um tapa na cara. Mas é um tapa na cara pra acordar essa gente e mostrar que se mexeu com uma, mexeu com todas!

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