Assista: Embrace

Afinal é uma questão de utilidade pública!

Se você é negra, branca, amarela ou purpurinada. De cabelo crespo, encaracolado, misto ou liso. Magra, baixa, gorda, alta, sardenta ou bronzeada. Do tipo medrosa ou destemida. Baladeira ou sedentária. Hetero ou não. Modelo ou cientista. Que usa maquiagem, creme antienvelhecimento e anticelulite, óculos, vestido, saia com a bochecha do bumbum de fora, salto alto, tênis, tudo isso, mais um pouco, ou nada disso. Não importa. Se você é mulher, saiba que “Embrace” não é só um documentário, mas um presente feito para você.

Desde que você se entende por gente, quantas vezes já odiou o seu corpo? Quantas vezes já se sentiu inadequada por não ter (ou seguir) o padrão de beleza criado pela mídia e engajado pela sociedade? “Embrace”, no inglês, verbo transitivo que não só significa abraçar, mas também dar suporte a uma causa ou aceitar algo voluntariamente, e nesse caso, a causa merecedora de dedicação e suporte é o seu corpo. Ou pelo menos, deveria ser.

Combinando sua experiência pessoal com a certeza de que precisamos ter uma relação mais saudável (lê-se amorosa) com nosso corpo, a fotógrafa e ativista australiana, criadora do The Body Image Movement, Taryn Brumfitt elaborou essa jóia rara, sensível e extremamente necessária que é “Embrace”!

Após ter três filhos, a insatisfação com o próprio corpo levou Taryn a malhar ensandecidamente para participar de um concurso de Body Builder. Ao alcançar o objetivo, ela percebeu que não só ela continuava infeliz com seu corpo, mas outras mulheres do concurso também sentiam o mesmo. Meses depois, vivendo uma vida mais leve e de permissão ao próprio corpo, ela fez uma postagem despretensiosa traçando seu perfil de antes e depois (a versão body builder sarada e bronzeada versus a versão rosada, flácida e sublime) numa rede social. O post viralizou e lhe rendeu milhares de entrevistas para os mais diversos meios de comunicação em todo o mundo.

[caption id="attachment_15388" align="alignnone" width="700"] O “antes” e o “depois” de Taryn Brumfitt[/caption]

A necessidade de entender o porquê de tantas mulheres no mundo estarem em eterna guerra com seus corpos a motivou a filmar “Embrace”. Foram dois anos de produção, viajando pelo mundo e entrevistando desde mulheres aleatórias nas ruas até personalidades famosas para debater os índices envolvendo a questão do corpo e auto imagem, os fatores que colaboram com o problema, e, claro, buscando soluções!

Em mais de 100 entrevistas realizadas, um dado comum (e triste) registrado foi que a grande maioria das mulheres descreveu seu corpo como algo nojento. De todas as maravilhas que nosso corpo é capaz de fazer e dos adjetivos que podemos usar para descrevê-lo, essa foi a palavra escolhida por elas.

Pessoalmente, acho que a beleza e delicadeza de “Embrace” está no fato de que toda e qualquer mulher que assisti-lo provavelmente se sentirá conectada com o que ele representa. E ah, não se enganem! Falei muito sobre como ele é um presente para nós, mulheres, que já viveram alguma situação de angústia, agressão e/ou julgamento por causa do nosso corpo, mas vale a pena os homens assistirem também! Especialmente aqueles que acham que peito, bunda e vagina têm um tamanho único ideal.

Aclamado pela crítica, “Embrace” está disponível no Netflix, e deve ser assistido e reassistido, e divulgado, e assistido de novo! Até que alcance toda humanidade. É uma questão de utilidade pública! Chega de se envergonhar e travar batalhas infindáveis contra o nosso corpo. Vamos abraçá-lo!

Chegou até aqui e continua na dúvida se vale a pena? Dá o play nesse trailer e prepara o lencinho porque é de emocionar!

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Escrito por
Mais de Marcia Tojal

Amo/Sou: Greta Gerwig

Toda vez que assisto algum filme ou entrevista da Greta Gerwig fico me perguntando se existe alguém capaz de não se apaixonar por essa mulher. Musa do Mumblecore (movimento artístico do cinema independente nova-iorquino), Greta faz o estilo “gente como a gente”, apesar da leve timidez, demonstra em suas aparições públicas muita simpatia e espontaneidade, é inteligente, engraçada, super-hiper-mega-master-power-plus talentosa, e, co-escreveu e estrelou “Frances Ha” – essa referência final por si só já deveria servir para entendermos a potência dessa artista.

Atriz, roteirista, e agora diretora, onde ela toca deixa uma marquinha especial que tem sua cara e jeito. Faz o espectador se aproximar com carinho de cada personagem que incorpora, e deixa saudades quando o filme acaba. Seus roteiros sempre carregados de sensibilidade e humor são atemporais – embora, nós dos 20 e poucos, muito perto dos 30, com certeza tenhamos uma identificação extra em relação a eles.


Greta Gerwig tem apenas 34 anos, mas já ganhou o mundo. Foi premiada no Athena Film Festival de 2011, e indicada a diversos outros prêmios por seu trabalho como atriz. Estrelou filmes como “Mistress America”, “Para Roma, Com Amor”, “Descobrindo o Amor”, “A Casa do Diabo”, co-escreveu três longas, e escreveu e dirigiu “Lady Bird”. Essa sua estreia como diretora deu o que falar, e seu filme que não só foi super aclamado pela crítica americana como se tornou o mais avaliado da história do Rotten Tomatoes – o recorde anterior era de Toy Story 2.


O filme, segundo ela própria, não é uma autobiografia ainda que tenha algumas referências sobre sua vida, e conta a história de Christine “Lady Bird” McPherson, uma adolescente em seu último ano escolar que deseja mudar-se para Nova York ao mesmo tempo que tem que lidar com questões comuns da sua idade, a relação com a mãe, a pressão para entrar para faculdade, e a “necessidade” de decidir seu futuro. O longa deve estrear por aqui só em abril, mas já é uma das apostas para o Oscar 2018.

Ainda que Greta esteja no topo, a sensação que dá é que ela só está começando a mostrar o que tem para oferecer para o mercado audiovisual. Agora é aguardar ansiosamente por suas próximas facetas e façanhas!

TE AMAMOS, GRETA!

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