Jogue: Alien: Isolation

8 jogabilidade
10 visual
10 narrativa
10 som
10 representatividade
9.6

Você pode ter curiosidade de jogar Alien: Isolation por ser fã da série cinematográfica. Ou por amar um belo jogo de terror. Mas pra mim, Alien: Isolation tem mais um ótimo e importante motivo para ser jogado: sua protagonista é, sem dúvida, uma das mais poderosas da era dos games.

 

Tá de parabéns

O game sensacional teve êxito em transmitir o clima de terror sci-fi do filme original de 1979. O cuidado do estúdio Creative Assembly se mostra nos detalhes que fazem referência e homenagem aos longas dos anos 80 e 90. Por isso, para quem assistiu aos filmes, Alien: Isolation é um jogo obrigatório. O game não só traz de volta parte do elenco original (Sigourney Weaver, bitches!) como conta com efeitos sonoros e músicas iguais aos dos filmes, sem contar que já no início do jogo percebemos que a nave tem seu design interior idêntico à Nostromo.

Claro que tudo isso não vale picas se o jogo em si for uma porcaria. Mas não é o caso. Alien: Isolation é, sozinho, um poderoso jogo de terror, daqueles que te dão frio na espinha com medo de virar a próxima esquina ou abrir uma porta. Tem suspense, ação, surpresas, sustos, esconderijos, escuridão e silêncios… Tudo para o deleite de quem gosta de títulos como Dead Space e Resident Evil.

 

Ripley, poderosíssima

Já houveram muitos jogos baseados na franquia Alien, mas poquíssimos deles se concentraram na heroína dos filmes. Ellen Ripley é uma personagem que possui as características certas que a fazem ser tão fabulosa: ela esperta, sabe manter o foco em situações complicadas e é durona sem deixar seu lado humano. Ripley é uma trabalhadora que só está ali para fazer seu trabalho e sobreviver, uma característica tão humana que não há como não se identificar. Representatividade é isso. Quando nós, mulheres, podemos dizer que nos identificamos com uma protagonista poderosa é algo simplesmente sublime.

Voltando ao jogo: a história se passa entre os dois primeiros filmes. Nós controlamos Ripley Junior (como gosto de chamar a Amanda) que, como sua mãe, é uma eficiente engenheira espacial que não se ilude sobre a natureza das megacorporações que regem a vida no século XXII. Logo no início percebemos que Ripley Junior manja dos paranauês, já tendo trabalhado em diversos outros jobs complicados pelo espaço à serviço da empresa. De início nossa heroína aparenta ter uma postura indiferente e blasé. Porém, um fio de esperança é o que a leva até a estação espacial Sevastopol: uma pista do paradeiro da sua mãe desaparecida. Ali ela entra em muita confusão e ainda dá de cara (várias e várias vezes) com a criatura que deu chá de sumiço na Ripley mãe.

 

Guerreira munida de inteligência e habilidade

Amanda é uma sobrevivente (he-ey). Não importa o quão terrível seja a situação – e acredite, são tantas que até parece piada -, ela usa sua inteligência e habilidades com frieza e concentração necessárias difíceis de se ter. O Alien que a persegue pela estação espacial, os humanos sobreviventes que matam quem encontrarem pela frente no maior estilo “cada um por si” e os andróides medonhos que estão constantemente à sua procura fazem de Sevastapol a estação espacial mais hostil das galáxias – que também não facilita, pois está caindo aos pedaços. Mas Ripley Junior persevera. Ela faz o que precisa ser feito: hackeia sistemas, faz o reparo de ferramentas, constrói os mais diversos gadgets e ajuda outros sobreviventes, põe o povo na linha e faz o que a maioria da tripulação masculina sobrevivente não tem coragem de fazer.

As habilidades técnicas da Amanda Ripley são totalmente coerentes com a personagem e cenário. É o que faz ela sobreviver. E é também o que a faz tão impressionantemente humana (se bem que se fosse eu não conseguiria passar da primeira porta).

 

O futuro das mulheres na indústria dos games?

O espaço e a representatividade da mulher na indústria dos games tem sido um tópico quentíssimo nos últimos dois anos (obrigada, Anita Sarkeesian). Há cada vez mais pedidos por melhores personagens femininos (especialmente protagonistas) e criticas à jogos que representam as mulheres de forma pobre ou objetificada.

Amanda não é sexualizada, não tem um uniforme com decote à mostra, nem um corpo totalmente idealizado para fetiche masculino, como vemos o que rola com tantas outras personagens femininas em outros games. Ela também não existe para fazer dupla com um personagem masculino, muito menos precisa viver uma situação romântica para validar sua existência. Alien: Isolation é sua história. E podemos dizer que finalmente, depois de 35 anos, Ellen Ripley teve uma sucessora à altura. Espero que este jogo abra o caminho para outras protagonistas mulheres em games de terror e ação assim como Ellen Ripley ajudou outras mulheres do cinema protagonizarem filmes de ação. Que venha o efeito Ripley!

Abaixo, fechamos com o vídeo do Youtuber ultrabrilliant, que mostra a beleza nos detalhes gráficos do jogo que podem passar totalmente despercebidos enquanto sofremos com medo do encontro com o Alien.

 
Sobre esta resenha: a Ovelha não é um site especializado em games. Nosso review não tem a pretensão de avaliar cada parte técnica do game. Nosso foco é mostrar um jogo divertido e original cuja representatividade feminina em seu contexto é positiva.

Mais de Nina Grando

Sobre as indelicadezas perante o diferente

Hoje meu dia começou com um cara da Sabesp interfonando no meu apartamento para ver o relógio da água. Reclamou que outra moradora foi mal-educada com ele por não deixá-lo entrar. Na saída, já com o pé pra fora do prédio, ele diz:

Só uma curiosidade: sua mão assim é acidente ou de nascença?

Ele nunca mais vai me ver na vida. Nunca mais. É esse o tipo de pergunta que se faz a uma pessoa que acabou de conhecer e que muito provavelmente não verá mais? Será que a pessoa acha mesmo que perguntar isso é o mesmo que perguntar as horas, ou se vai chover? Eu ainda me surpreendo com a falta de tato das pessoas.

Quando isso acontece eu congelo, fico sem graça, respondo um fraco “ah, nasci assim” e começo a me sentir horrível. Porque não importa o quão legal eu possa ser, não importa o cabelo colorido, as tatuagens, nada. Parece que o que fica é o estranho e bizarro fato de eu ser deficiente. As pessoas não sabem lidar com isso. Eu não as culpo. Eu tenho meus 28 anos e tento lidar com isso todos os dias.

E por isso mesmo, por eu ser uma mulher adulta e quase trintona que ainda se sente grilada com esse tipo de pergunta vindo de estranhos, que as pessoas precisam saber que isso não é assunto para conversa, principalmente quando você acaba de conhecer a pessoa.

Mas não pára por aí! Porque se essas indelicadezas acontecessem só com estranhos, já seria ruim. Mas tem coisa pior: quando a falta de noção vem das pessoas que você ama.

Eu tinha amizade com uma amiga do meu ex-namorado, mas que acabamos ficando muito próximas. A gente vivia se vendo pra tomar cerveja e conversar. Até um dia que ela, bêbada, me disse:

Quando o Joãozinho me contou que estava namorando você, eu perguntei pra ele: “Uau, ela é muito gata! Mas me conta, como é transar com uma deficiente?”

OU SEJA, não só a pessoa diminuiu a nova namorada do amigo à sua deficiência como ela ainda resolveu compartilhar esse fato com a mesma, anos de amizade depois.

Essas escrotices são mais comuns do que se possa imaginar. Você com certeza já deve ter cometido alguma gafe com algum amigo oprimido socialmente ou que está passando por alguma doença.

 

 
Todos nós somos seres humanos queremos ser amados, causar uma boa impressão, ser levados a sério, ser respeitados. E nós sofremos com nossos problemas todos os dias. Tem dias que nos reduzimos à nossa diferença sem precisar da “ajuda” de ninguém. Se você, ser perfeito, já fica com sua autoestima balançada algumas vezes, imagina a pessoa que convive com uma diferença.

Uma querida amiga escreveu em seu perfil do Facebook um desabafo que ilustra bem o que quero dizer e como se sentem as pessoas que tem alguma doença ou deficiência visível:

 
dermatite-j
 
Escrevi isso não somente como desabafo, mas também para utilidade pública. Pra quem ler pensar duas, três, ou quantas vezes for necessário antes de fazer um comentário sobre aquela característica da pessoa que te é tão diferente. Até que a pessoa chegue à lúcida conclusão de que na verdade não é pra falar nada.

Vou deixar alguns links que achei pela internet que também dão aquele toque amigo de como falar com pessoas que são deficientes, passando por uma doença ou que simplesmente tem algo na sua aparência fora do ideal social da perfeição. Obrigada, de nada.
 


 
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ultrabrilliant, que mostra a beleza nos detalhes gráficos do jogo que podem passar totalmente despercebidos enquanto sofremos com medo do encontro com o Alien.

 
Sobre esta resenha: a Ovelha não é um site especializado em games. Nosso review não tem a pretensão de avaliar cada parte técnica do game. Nosso foco é mostrar um jogo divertido e original cuja representatividade feminina em seu contexto é positiva.

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ultrabrilliant, que mostra a beleza nos detalhes gráficos do jogo que podem passar totalmente despercebidos enquanto sofremos com medo do encontro com o Alien.

 
Sobre esta resenha: a Ovelha não é um site especializado em games. Nosso review não tem a pretensão de avaliar cada parte técnica do game. Nosso foco é mostrar um jogo divertido e original cuja representatividade feminina em seu contexto é positiva.

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