Sabe aquele tipo de personagem cheio de mistérios e questionamentos sobre caráter, que além de nos fazer pensar e repensar sobre nossas vidas, ainda nos obrigam a torcer por eles e a amá-los? A fórmula do anti-herói tem sido reproduzida pela televisão americana, e vendido muito; alguns exemplos são Dexter, Walter White, Frank Underwood, Tony Soprano…
Além do perfil de anti-herói, muito charme e caráter questionáveis, todos esses personagens citados têm algo a mais em comum: todos homens e brancos, que é outra fórmula repetida na televisão, mas desse detalhe a gente já cansou.
Desafio mesmo é tentar alavancar um anti-herói AND mulher, esse perfil normalmente não é bem recebido, pois o público costuma caprichar nos julgamentos para o gênero feminino e tende a perdoar e idolatrar muito mais os homens.
Logo, a primeira fórmula para uma anti-heroína de sucesso, é fazer com que ela não se importe nenhum pouquinho com a opinião alheia na trama, para que isso se reflita em seus espectadores.
A série How to Get Away With Murder, não só apostou neste tipo de personagem, como escalou uma atriz que a coloca a prova, e testa todos os limites do espectador ao assistir. Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos de idade, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal, ou como ela prefere chamar disciplina:
Piloto
A trama gira em torno de Annalise e de cinco de seus alunos que foram escolhidos para o disputado time que trabalha com ela em seu escritório instalado em casa e nos tribunais, ajudando a ganhar casos.
A cada episódio os estudantes se surpreendem e aprendem novas técnicas com a constante transição da advogada entre um estado completamente emocional e outro completamente racional que ela usa de forma intensa e convincente nos tribunais para ganhar diferentes processos com inteligência, e muitas vezes passando dos limites da ética.
Ela se engaja em causas por diversos motivos, sendo algum deles: fidelidade a seus clientes e amigos, outras vezes por pura sensibilidade e desejo de justiça e defesa de inocentes, e outras por ego, por não aceitar perder.
Apesar de soluções brilhantes de diversas batalhas nos tribunais, o maior desafio para Annalise e seus alunos se concentra em dois assassinatos nos quais a trama gira em torno, e podem estar ligados. O primeiro tendo acontecido no passado, em relação ao período em que se passa o episódio piloto, e o segundo apresentado num tempo futuro da trama, com a identidade do morto revelada somente no fim deste episódio, e que envolve o grupo de alunos destaque da professora.
Anti-heroína e humana
Com um roteiro bem amarrado, a série consegue explorar essa instabilidade emocional de Annalise também em sua vida pessoal, nos fazendo repensar qualquer definição pré construída da personagem que tenhamos feito até a primeira fase da primeira temporada, com mais detalhes sobre seu passado difícil sendo revelados na segunda parte.
Annalise fala abertamente de inseguranças com relação a maternidade, e ao relacionamento com seu marido Sam Keating, principalmente quando se sente ameaçada pela preferência dos homens por mulheres brancas e dentro dos padrões de beleza. Mas ela não se permite ficar na posição de vítima, menos ainda ficar sozinha, de modo que sempre coloca sua satisfação sexual em primeiro lugar, mantendo uma relação conturbada com um amante.
Algumas passagens que emocionam e quebram a ideia de calculista e fria de Annalise, são os momentos íntimos dela diante do espelho, quando saem perucas, maquiagem e roupas chiques e entram sua pele e cabelo naturais, uma mulher real que se constrói todos os dias para fortalecer sua imagem de poder e respeito diante dos colegas de trabalho.
É impressionante como a forma como ela se veste e se porta ajuda a construir a personagem. Eu não acreditava em um choro de Annalise até assistir as cenas de “vulnerabilidade”. O escritor da série, Peter Nowalk, contou que a própria Viola deu a ideia de mostrar a advogada sem peruca.
E o fato de mesmo uma persona tão forte quanto ela, que muitas vezes usa da sensualidade para conseguir o que quer, precisar também desses escudos, a torna muito mais humana, e abre espaço para reflexão da necessidade disso tudo ainda estar tão latente.
O fato de que Annalise tem momentos com sua beleza natural e isso ser mostrado na televisão mesmo com a necessidade da construção de uma personagem forte, também ajuda na sua humanização. É muito fácil colocar uma mulher, principalmente a mulher negra, indo dormir e acordando penteada e maquiada em todas as cenas, quero ver mostrar sua realidade para que outras possam se identificar.
Outras relações
Além da construção brilhante da Annalise Keating por Viola Davis, a série tem outros personagens interessantes, como a estudante perfeccionista Michaela Pratt, e a quieta Laurel Castillo, além da misteriosa dupla de ajudantes da advogada, Frank Delfino e Bonnie Winterbottom e o aluno que sofreu preconceito na renomada faculdade da Filadélfia por ter entrado pela lista de espera, Wes Gibbins, vivido por Alfie Enoch (rostinho conhecido da saga Harry Potter), e que se vê enfrentando muitas mudanças em seu relacionamento com a professora, que as vezes é profissional, as vezes é forçado por circunstâncias da trama, e as vezes parece até um pouco materno da parte dela.
How To Get Away With Murder também atraiu audiência da comunidade LGBT por causa do relacionamento entre Connor e Oliver, e seus altos e baixos.
O poder de Shonda
Não é pra menos que How To Get Away With Murder tem uma representatividade tão forte com o destaque de Annalise, Shonda Rimes responsável por criar Scandal e Grey’s Anatomy é a produtora dessa série. Apesar de não escrever o roteiro, ela assume a missão de levar personagens empoderadoras para a televisão americana, o que segundo ela não é diversificar, mas sim normalizar este mercado.
No Brasil o canal Sony passou a transmitir a série todas as quintas-feiras às 21h30.
Sabe aquele tipo de personagem cheio de mistérios e questionamentos sobre caráter, que além de nos fazer pensar e repensar sobre nossas vidas, ainda nos obrigam a torcer por eles e a amá-los? A fórmula do anti-herói tem sido reproduzida pela televisão americana, e vendido muito; alguns exemplos são Dexter, Walter White, Frank Underwood, Tony Soprano…
Além do perfil de anti-herói, muito charme e caráter questionáveis, todos esses personagens citados têm algo a mais em comum: todos homens e brancos, que é outra fórmula repetida na televisão, mas desse detalhe a gente já cansou.
Desafio mesmo é tentar alavancar um anti-herói AND mulher, esse perfil normalmente não é bem recebido, pois o público costuma caprichar nos julgamentos para o gênero feminino e tende a perdoar e idolatrar muito mais os homens.
Logo, a primeira fórmula para uma anti-heroína de sucesso, é fazer com que ela não se importe nenhum pouquinho com a opinião alheia na trama, para que isso se reflita em seus espectadores.
A série How to Get Away With Murder, não só apostou neste tipo de personagem, como escalou uma atriz que a coloca a prova, e testa todos os limites do espectador ao assistir. Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos de idade, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal, ou como ela prefere chamar disciplina:
Piloto
A trama gira em torno de Annalise e de cinco de seus alunos que foram escolhidos para o disputado time que trabalha com ela em seu escritório instalado em casa e nos tribunais, ajudando a ganhar casos.
A cada episódio os estudantes se surpreendem e aprendem novas técnicas com a constante transição da advogada entre um estado completamente emocional e outro completamente racional que ela usa de forma intensa e convincente nos tribunais para ganhar diferentes processos com inteligência, e muitas vezes passando dos limites da ética.
Ela se engaja em causas por diversos motivos, sendo algum deles: fidelidade a seus clientes e amigos, outras vezes por pura sensibilidade e desejo de justiça e defesa de inocentes, e outras por ego, por não aceitar perder.
Apesar de soluções brilhantes de diversas batalhas nos tribunais, o maior desafio para Annalise e seus alunos se concentra em dois assassinatos nos quais a trama gira em torno, e podem estar ligados. O primeiro tendo acontecido no passado, em relação ao período em que se passa o episódio piloto, e o segundo apresentado num tempo futuro da trama, com a identidade do morto revelada somente no fim deste episódio, e que envolve o grupo de alunos destaque da professora.
Anti-heroína e humana
Com um roteiro bem amarrado, a série consegue explorar essa instabilidade emocional de Annalise também em sua vida pessoal, nos fazendo repensar qualquer definição pré construída da personagem que tenhamos feito até a primeira fase da primeira temporada, com mais detalhes sobre seu passado difícil sendo revelados na segunda parte.
Annalise fala abertamente de inseguranças com relação a maternidade, e ao relacionamento com seu marido Sam Keating, principalmente quando se sente ameaçada pela preferência dos homens por mulheres brancas e dentro dos padrões de beleza. Mas ela não se permite ficar na posição de vítima, menos ainda ficar sozinha, de modo que sempre coloca sua satisfação sexual em primeiro lugar, mantendo uma relação conturbada com um amante.
Algumas passagens que emocionam e quebram a ideia de calculista e fria de Annalise, são os momentos íntimos dela diante do espelho, quando saem perucas, maquiagem e roupas chiques e entram sua pele e cabelo naturais, uma mulher real que se constrói todos os dias para fortalecer sua imagem de poder e respeito diante dos colegas de trabalho.
É impressionante como a forma como ela se veste e se porta ajuda a construir a personagem. Eu não acreditava em um choro de Annalise até assistir as cenas de “vulnerabilidade”. O escritor da série, Peter Nowalk, contou que a própria Viola deu a ideia de mostrar a advogada sem peruca.
E o fato de mesmo uma persona tão forte quanto ela, que muitas vezes usa da sensualidade para conseguir o que quer, precisar também desses escudos, a torna muito mais humana, e abre espaço para reflexão da necessidade disso tudo ainda estar tão latente.
O fato de que Annalise tem momentos com sua beleza natural e isso ser mostrado na televisão mesmo com a necessidade da construção de uma personagem forte, também ajuda na sua humanização. É muito fácil colocar uma mulher, principalmente a mulher negra, indo dormir e acordando penteada e maquiada em todas as cenas, quero ver mostrar sua realidade para que outras possam se identificar.
Outras relações
Além da construção brilhante da Annalise Keating por Viola Davis, a série tem outros personagens interessantes, como a estudante perfeccionista Michaela Pratt, e a quieta Laurel Castillo, além da misteriosa dupla de ajudantes da advogada, Frank Delfino e Bonnie Winterbottom e o aluno que sofreu preconceito na renomada faculdade da Filadélfia por ter entrado pela lista de espera, Wes Gibbins, vivido por Alfie Enoch (rostinho conhecido da saga Harry Potter), e que se vê enfrentando muitas mudanças em seu relacionamento com a professora, que as vezes é profissional, as vezes é forçado por circunstâncias da trama, e as vezes parece até um pouco materno da parte dela.
How To Get Away With Murder também atraiu audiência da comunidade LGBT por causa do relacionamento entre Connor e Oliver, e seus altos e baixos.
O poder de Shonda
Não é pra menos que How To Get Away With Murder tem uma representatividade tão forte com o destaque de Annalise, Shonda Rimes responsável por criar Scandal e Grey’s Anatomy é a produtora dessa série. Apesar de não escrever o roteiro, ela assume a missão de levar personagens empoderadoras para a televisão americana, o que segundo ela não é diversificar, mas sim normalizar este mercado.
No Brasil o canal Sony passou a transmitir a série todas as quintas-feiras às 21h30.
Sabe aquele tipo de personagem cheio de mistérios e questionamentos sobre caráter, que além de nos fazer pensar e repensar sobre nossas vidas, ainda nos obrigam a torcer por eles e a amá-los? A fórmula do anti-herói tem sido reproduzida pela televisão americana, e vendido muito; alguns exemplos são Dexter, Walter White, Frank Underwood, Tony Soprano…
Além do perfil de anti-herói, muito charme e caráter questionáveis, todos esses personagens citados têm algo a mais em comum: todos homens e brancos, que é outra fórmula repetida na televisão, mas desse detalhe a gente já cansou.
Desafio mesmo é tentar alavancar um anti-herói AND mulher, esse perfil normalmente não é bem recebido, pois o público costuma caprichar nos julgamentos para o gênero feminino e tende a perdoar e idolatrar muito mais os homens.
Logo, a primeira fórmula para uma anti-heroína de sucesso, é fazer com que ela não se importe nenhum pouquinho com a opinião alheia na trama, para que isso se reflita em seus espectadores.
[caption id="attachment_3301" align="aligncenter" width="300"] “Eu sou quem eu sou. Se você não gosta, eu não ligo”[/caption]
A série How to Get Away With Murder, não só apostou neste tipo de personagem, como escalou uma atriz que a coloca a prova, e testa todos os limites do espectador ao assistir. Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos de idade, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal, ou como ela prefere chamar disciplina:
[caption id="attachment_3296" align="aligncenter" width="500"] “Como sair impune de um assassinato”[/caption]
Piloto
A trama gira em torno de Annalise e de cinco de seus alunos que foram escolhidos para o disputado time que trabalha com ela em seu escritório instalado em casa e nos tribunais, ajudando a ganhar casos.
A cada episódio os estudantes se surpreendem e aprendem novas técnicas com a constante transição da advogada entre um estado completamente emocional e outro completamente racional que ela usa de forma intensa e convincente nos tribunais para ganhar diferentes processos com inteligência, e muitas vezes passando dos limites da ética.
Ela se engaja em causas por diversos motivos, sendo algum deles: fidelidade a seus clientes e amigos, outras vezes por pura sensibilidade e desejo de justiça e defesa de inocentes, e outras por ego, por não aceitar perder.
[caption id="attachment_3300" align="aligncenter" width="500"] “Você chama de loucura, eu chamo de ganhar”[/caption]
Apesar de soluções brilhantes de diversas batalhas nos tribunais, o maior desafio para Annalise e seus alunos se concentra em dois assassinatos nos quais a trama gira em torno, e podem estar ligados. O primeiro tendo acontecido no passado, em relação ao período em que se passa o episódio piloto, e o segundo apresentado num tempo futuro da trama, com a identidade do morto revelada somente no fim deste episódio, e que envolve o grupo de alunos destaque da professora.
Anti-heroína e humana
Com um roteiro bem amarrado, a série consegue explorar essa instabilidade emocional de Annalise também em sua vida pessoal, nos fazendo repensar qualquer definição pré construída da personagem que tenhamos feito até a primeira fase da primeira temporada, com mais detalhes sobre seu passado difícil sendo revelados na segunda parte.
Annalise fala abertamente de inseguranças com relação a maternidade, e ao relacionamento com seu marido Sam Keating, principalmente quando se sente ameaçada pela preferência dos homens por mulheres brancas e dentro dos padrões de beleza. Mas ela não se permite ficar na posição de vítima, menos ainda ficar sozinha, de modo que sempre coloca sua satisfação sexual em primeiro lugar, mantendo uma relação conturbada com um amante.
Algumas passagens que emocionam e quebram a ideia de calculista e fria de Annalise, são os momentos íntimos dela diante do espelho, quando saem perucas, maquiagem e roupas chiques e entram sua pele e cabelo naturais, uma mulher real que se constrói todos os dias para fortalecer sua imagem de poder e respeito diante dos colegas de trabalho.
[caption id="attachment_3303" align="aligncenter" width="800"] Viola Davis em cena de How To Get Away With Murder[/caption]
É impressionante como a forma como ela se veste e se porta ajuda a construir a personagem. Eu não acreditava em um choro de Annalise até assistir as cenas de “vulnerabilidade”. O escritor da série, Peter Nowalk, contou que a própria Viola deu a ideia de mostrar a advogada sem peruca.
E o fato de mesmo uma persona tão forte quanto ela, que muitas vezes usa da sensualidade para conseguir o que quer, precisar também desses escudos, a torna muito mais humana, e abre espaço para reflexão da necessidade disso tudo ainda estar tão latente.
O fato de que Annalise tem momentos com sua beleza natural e isso ser mostrado na televisão mesmo com a necessidade da construção de uma personagem forte, também ajuda na sua humanização. É muito fácil colocar uma mulher, principalmente a mulher negra, indo dormir e acordando penteada e maquiada em todas as cenas, quero ver mostrar sua realidade para que outras possam se identificar.
Outras relações
Além da construção brilhante da Annalise Keating por Viola Davis, a série tem outros personagens interessantes, como a estudante perfeccionista Michaela Pratt, e a quieta Laurel Castillo, além da misteriosa dupla de ajudantes da advogada, Frank Delfino e Bonnie Winterbottom e o aluno que sofreu preconceito na renomada faculdade da Filadélfia por ter entrado pela lista de espera, Wes Gibbins, vivido por Alfie Enoch (rostinho conhecido da saga Harry Potter), e que se vê enfrentando muitas mudanças em seu relacionamento com a professora, que as vezes é profissional, as vezes é forçado por circunstâncias da trama, e as vezes parece até um pouco materno da parte dela.
[caption id="attachment_3319" align="aligncenter" width="700"] Cena de How to get away with murder[/caption]
How To Get Away With Murder também atraiu audiência da comunidade LGBT por causa do relacionamento entre Connor e Oliver, e seus altos e baixos.
O poder de Shonda
Não é pra menos que How To Get Away With Murder tem uma representatividade tão forte com o destaque de Annalise, Shonda Rimes responsável por criar Scandal e Grey’s Anatomy é a produtora dessa série. Apesar de não escrever o roteiro, ela assume a missão de levar personagens empoderadoras para a televisão americana, o que segundo ela não é diversificar, mas sim normalizar este mercado.
No Brasil o canal Sony passou a transmitir a série todas as quintas-feiras às 21h30.
Há anos as mulheres negras têm sido excluídas dos editoriais e passarelas de moda e beleza, e consequentemente é muito difícil encontrarmos inspirações que de fato traduzam o que procuramos e que não nos tirem nossa identidade.
Para piorar a visão da mulher negra dentro do mundo fashion, em consequência do domínio de estilistas brancos nas passarelas e no comando das marcas, e é claro, o fato de tudo ser vendido dentro dos padrões eurocêntricos cultivados pela sociedade como o que é bonito e aceitável, a nossa cor e nosso cabelo são cada vez mais excluídos. Modelos brancas representam as mulheres brancas, em tutoriais de cabelo e maquiagem, mas pouco há para as negras, e quando há, com pouco destaque.
Um exemplo de como a pele negra é naturalmente menosprezada aconteceu esta semana, a Revista americana Cosmopolitan, decidiu listar tendências aceitáveis e não aceitáveis em 2015, chamando as primeiras de “Hello, gorgeous” (que seria “Olá, maravilhosa”) e “To die” (que seria uma tendência “para morrer”). “Coincidentemente”, todas as tendências listadas no lado negativo da lista, eram usadas por mulheres negras.
Mesmo no Brasil, onde se clama tolerância e diversidade, as modelos mais famosas internacionalmente são brancas. Claro que tivemos bons exemplos de representatividade nas passarelas, Naomi Campbell, Alek Wek e Tyra Banks são incrivelmente bem sucedidas e referências desde os anos 90, quando começaram a trabalhar. E no Brasil, as gêmeas brasileiras Suzane e Suzana Massena têm conquistado cada vez mais espaço nas passarelas. Ao contrário das mais velhas, elas não alisaram ou rasparam o cabelo para desfilar.
Mas ainda não dá para ter uma visão positiva, considerando o tanto a caminhar e barreiras de preconceito a se quebrar, desde os ateliês e desfiles, até as revistas e marcas de roupas que falham na pesquisa sobre referências africanas e vendem se apropriando de cultura. A maioria sem usar mulheres negras para estampar os editoriais, sejam eles temáticos, sejam eles “mistos”.
Ainda bem não nos deixamos ser reduzidas em meio a cultura. Para as mulheres negras, se a moda não as representa, elas representam a todas as outras com a moda delas.
Depois de descobrir, aceitar e me identificar com minhas raízes, comecei a procurar outras referências, e percebi que não eram só minhas. São mulheres jovens, mas comprometidas com sua identidade, corpo e mensagens que querem passar, para inúmeros seguidores que também se inspiram nelas. Elas têm usado a moda como seu espaço de trabalho, passando por cima de regras sobre cabelo ou “cores que combinam com seu tom de pele”, e sem pedir licença.
Para elas não precisa ter corpo, cor, nem cabelo de modelo para ter seu lugar no mercado da moda, elas desfilam, inspiram e também comandam! E é claro que tanto poder assim merece uma lista de inspiração:
De parecidas com as Olsen, só o fato de serem gêmeas. TK Wonder e Cipriana Quan são nascidas no Brooklyn, Nova York, Estados Unidos e ficaram conhecidas na internet por seus estilos autênticos, que seguem tendências sem perder personalidade e referências afro em estampas e cortes. Elas servem cores vibrantes, sobriedade, ou estampas étnicas, sempre com combinações incríveis e muita atitude em todos os looks.
E as meninas são ocupadas, TK é produtora musical e co-fundadora do Urban Bush Babes. Já Cipriana ganhou o título de “Vogue’s Best Dressed 2015” por causa de seu estilo pessoal.
Ela mesma, a irmã da musa da música Beyoncé, que você já deve ter ouvido falar por causa do casamento super elegante e inovador ou por ter brigado feio com o cunhado Jay-Z no ano passado.
Nós da Ovelha preferimos lembrar dela pela incrível artista que ela é, cantando, dançando e se apresentando de um jeito só dela, esbanjando personalidade e talento… Além de seu estilo, é claro, cheio de cores e estampas bem alegres, tudo sem perder a elegância de uma mulher adulta.
Sou muito fã da Beyoncé, mas confesso que quando o assunto é moda, eu pesquiso por Solange na família Knowles.
Todo mundo conhece a Bad Girl Riri como ela mesma se apelida por suas músicas e voz marcantes, mas já listamos os grandes feitos dessa mulher ultimamente? Ela é diretora criativa da Puma, tem uma linha de produtos da Mac inspirados em sua beleza AND, é a primeira mulher negra a estampar uma campanha de cosméticos da marca Dior. Esse ano Rihanna ainda estreia dublagem e trilha sonora do filme Home da DreamWorks, o que não tem muito a ver com moda em si, mas nos anima bastante!
Riri saiu de Barbados para fazer tudo isso sem perder um pingo da sua pose confiante, personalidade forte e misturando com a meiguice de sua beleza natural.
Se você não conhece o estilo da brasileira Magá Moura, corre pra procurar! Ela chama atenção com essas tranças sempre coloridas, mas devemos destacar também o estilo cheio de personalidade, um esportivo misturado com peças elegantes e cores vibrantes, e sempre de tênis!
Essa vai chegar de sneakers, quebrando as regras do salto alto e arrasando! Magá empresta esta imagem linda dela para fazer campanha para a Nike Brasil e representar outras marcas.
Para quem gosta das tranças coloridas e chamativas, mas prefere manter um visual mais romântico e girlie, a Amina Mucciolo não só vende o material para as tranças em sua loja online Studio Mucci, como também te inspira com as fotos dela!
Menos é muito mais para esta moça, nada fica muito básico com esta postura e composições de looks que ela posta em seu perfil no Instagram, onde mais de 15 mil seguidores acompanham suas selfies cheias de atitude todos os dias.
Ela é estudante de direito, e blogueira de moda. Seus looks servem de inspiração para quem gosta de elegância, conforto, maturidade e sem deixar de ser sexy, porque nem precisa.
2014 foi o ano de Lupita, atriz mexicana de origem queniana. Ela ganhou o Oscar de melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em 12 Anos de Escravidão, e muitos outros premiadores de cinema, além do título de Mulher Mais Linda do Mundo pela People e Mulher do Ano pela Glamour Award.
E não foram só os prêmios que marcaram, foi a resistência de Lupita diante de tantas críticas, principalmente com relação aos prêmios de beleza. E ela responde até hoje servindo de inspiração com vestidos de gala maravilhosos nos tapetes vermelhos e ensaios de moda deslumbrantes.
Vamos encerrar então este post cheio de mulheres poderosas com o encontro de Lupita Nyong’o e sua ícone de beleza Alek Wek, que eu citei lá no comecinho:
ela assume a missão de levar personagens empoderadoras para a televisão americana, o que segundo ela não é diversificar, mas sim normalizar este mercado.
No Brasil o canal Sony passou a transmitir a série todas as quintas-feiras às 21h30.