Belle de Jour (não é sobre o filme)

Auto-retrato da fotógrafa Julia Rodrigues

Este post é para apresentar o novo projeto “Belle de Jour“, que a fotógrafa Julia Rodrigues idealizou para a Ovelha. Desses encontros maravilhosos da vida que a gente tá muito feliz de trazer para vocês. O nome do projeto é livremente emprestado do filme do Luis Buñuel e estrelado pela Catherine Deneuve, uma singela dona de casa que decide passar as tardes fazendo algo diferente. (Ia ser Bela da Ju, mas a gente achou cafona e também tem o fato de ninguém ser dela, como vocês vão entender mais abaixo). No caso do projeto, a ideia é trazer a cada mês um ensaio com uma anônima, acompanhado de um texto escrito pela fotografada. Uma pessoa que por algum motivo deixou a Julia curiosa, com vontade de fotografar. Leia abaixo um trecho do papo que a gente teve com ela para entender um pouco melhor o que é esse projeto.

 

Ovelha – Como surgiu a ideia do projeto?

JuliaSempre que tenho uma ideia para um ensaio de trabalho, chamo alguma amiga para testar luz. Mas aconteceu algo engraçado. Esses testes, sem produção nem nada, começaram a resultar em fotos super legais. Amigas que muitas vezes nunca tinham posado profissionalmente estavam arrasando nas fotos. Comecei a pensar o quanto seria legar criar ensaios para essas meninas de acordo com a personalidade delas.
 

Por que mulheres e não homens?

Acho que é questão de gosto. Eu me sinto muito mais a vontade em dirigir mulheres. Gosto de descobrir a delicadeza, a força de cada uma e trabalhar isso. Também gosto de pensar que essa coleção de personagens que eu vou encontrando em cada uma delas também podem ser pequenas facetas da minha identidade. Eu gostaria, talvez, de ser mais segura ou delicada ou misteriosa ou badass, meio do jeito que eu fotografo essas mulheres.
 

Por que anônimas?

Porque de foto de celebridade o mundo já ta cheio, né? Tem tanta gente interessante dando sopa por aí…

 
[caption id="attachment_4810" align="aligncenter" width="1024"]Julia realmente fotografa mulheres anônimas interessantíssimas, como Luna e Judith. Julia fotografa mulheres anônimas interessantíssimas, como Luna e Judith[/caption]  

Fala um pouco da sua relação com retratos.
O que você gosta nesse tipo de foto?

É uma relação muito doida essa entre a fotógrafo e a personagem – acho que fui ficando meio viciada nela. É um momento meio tenso. Eu como fotógrafa tenho que convencer uma pessoa a se sentir confortável na minha presença, aceitar minha direção, não travar e ser o mais natural possível. Eu sempre fico nervosa antes de fazer um retrato. Mas parece que baixa algum espírito doido e na hora do clique eu fico calma e segura.

 
[caption id="attachment_4803" align="aligncenter" width="682"]Julia Rodrigues já fotografou Fernando Haddad Julia Rodrigues já fotografou Fernando Haddad[/caption]  

Não acredito. Me conta uma vez que você ficou nervosa.

Haha. Ok. Fiquei bem nervosa quando fui fazer um retrato da Adèle Exarchopoulos [atriz do filme Azul é a Cor Mais Quente], porque não falava a língua dela e tinha 5 minutos pra fazer a foto. Também fiquei tensa com o Luís Fernando Veríssimo. Me disseram que ele é super tímido e que odeia tirar foto – a pior coisa que se pode falar para um fotógrafo antes de um retrato. Mas, de vez em quando rola uma sintonia boa e é meio que mágico. Me comunico com uma pessoa que eu provavelmente nunca vi antes por olhares, movimento de mãos e frases curtas. Quando a foto acaba essa ligação se dissipa quase que instantaneamente. O resultado disso tudo é um retrato, daquele exato momento de compreensão mútua. E ele existe pra sempre. Sei lá, foto é foda (rs).

 
[caption id="attachment_4801" align="aligncenter" width="683"]Julia Rodrigues fotografou em 2013 a atriz Adele Exarchopoulos Retrato da atriz Adele Exarchopoulos por Julia Rodrigues [/caption]  
[caption id="attachment_4805" align="aligncenter" width="683"]Julia Rodrigues fotografou Luis Fernando Verissimo, para a a Azul Magazine Julia Rodrigues fotografou Luis Fernando Verissimo, para a a Azul Magazine[/caption]  

O que espera alcançar com esse projeto?

Não sei se é o caso de alcançar alguma coisa, acho que é mais pelo processo mesmo. Chamar uma mulher “comum”, pedir pra ela contar a sua historia pessoal, ou inventar alguma história qualquer e tentar tirar daí uma essência e criar com ela uma série de retratos. Para mim, o interessante é conseguir fazer isso de um jeito satisfatório. Não só pela plástica das imagens, mas pelo desafio de fazê-las e as dar de presente pra essa pessoa que me deixou curiosa por algum motivo. Pela ideia que me passou dela mesma, seja ela uma uma personagem fictícia ou não. Acho que é um jeito de empoderar essas meninas e mulheres incríveis com quem a gente tá sempre topando por aí. Mostrar que todo mundo é sensacional… #

 
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Siga a Julia Rodrigues! Todo o mês teremos uma Belle de Jour inspiradora retratada pela fotógrafa, então fique de olho nas novidades da Ovelha (;

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Mais de Anna Crô

A vez dos pais

É curioso ver como a questão de gênero é encarada de jeitos tão diferentes em cada país. Enquanto aqui no Brasil… ainda ouvimos muito marmanjo dizendo que quem cuida dos filhos é a mulher e também muita mulher dizendo que “o marido é um máximo, ajuda muito em casa, ele até troca fralda de vez em quando”. {Gata, ele não está fazendo nada mais do que a obrigação. Não precisa encher a bola}

… Lá na Suécia acabou de ser aprovado um aumento de 30 dias na licença-paternidade. Isso significa que agora o pessoal de lá têm direito a três meses de licença remunerada. E esse benefício é amplamente utilizado, por cerca de 90% dos homens com filhos. Os dias de afastamento podem ser usados até a criança completar 8 anos e são acumulados para cada filho que nasce ou é adotado. {achei legal grifar porque achei interessante}

Enquanto tirava licença paternidade, o fotógrafo sueco Johan Bävman decidiu documentar outros homens na mesma situação. O resultado foi esse ensaio fofo que ele batizou de Pais Suecos (Swedish Dads). Em uma entrevista na gringa, ele disse que, durante essa época, tinha dificuldade de encontrar qualquer coisa que fosse escrita para ele como pai. “Então eu tive a ideia de  documentar pais durante a licença paternidade, de ouvir por que eles queriam estar em casa com seus filhos e o que eles esperavam aprender disso”, disse Johan.

Para quem não sabe, aqui no Brasil a licença paternidade garantida pela legislação trabalhista é de míseros 5 dias. Algumas cidades já vêm tentando aumentar esse prazo para 15 dias, mas a regra ainda é essa. Alguns projetos de lei para estender essa licença tramitam no Congresso a passos lentos. Um deles para 15 dias (parado no Senado), outro para 30 (travado na Câmara).

No setor privado, algumas empresas garantem por conta própria esse benefício ampliado. Mas isso ainda é coisa fina e só se encontra nas de setores endinheirados. Na farmacêutica Pfizer, por exemplo, a licença é de 10 dias. Lá fora, encontra-se casos mais incríveis como o da Virgin: homens e mulheres que trabalhem nos escritórios da empresa em Londres ou Genebra há mais de quatro anos, podem tirar até 1 ano de licença RE-MU-NE-RA-DA. Quem trabalha há menos de dois anos também pode tirar, mas só ganha 25% do salário. Tudo bem que só cerca de 2% da empresa se encaixa nos requisitos, mas não deixa de ser notável.

Todas essas ações tem impacto, mas o mais importante é a mudança na mentalidade. Na Suécia, já se entende que a criação dos filhos é uma responsabilidade de ambos os pais. Não à toa, o país é considerado um dos países mais igualitários em questões de gênero pelo Fórum Econômico Mundial.

Por aqui, a ONG Instituto Papai trabalha para com objetivo de equiparar a licença paternidade com a licença maternidade. Em uma entrevista à EBC, Ricardo Castro, coordenador geral do instituto, disse que a disparidade entre as licenças causa a falsa impressão de que as mulheres são as únicas cuidadoras das crianças. “Buscamos garantias legais para o homem estar mais tempo em casa”. Além disso, Ricardo ressalta a necessidade da licença-paternidade se estender a outras formações de famílias, como o pai solteiro e o casal homossexual.

Cade vez mais as empresas, mesmo por aqui, têm se preocupado – pelo menos no discurso – com o bem estar dos funcionários. E isso não quer dizer que elas sejam boazinhas, apenas faz parte da estratégia delas para reter funcionários. Se a pessoa quer mais direitos e benefícios, precisa pedir pro RH da empresa. Pode não acontecer nada, mas vai que…
 

Informações via Revista Você SA, Agência Câmara de Notícias e EBC

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Julia Rodrigues idealizou para a Ovelha. Desses encontros maravilhosos da vida que a gente tá muito feliz de trazer para vocês. O nome do projeto é livremente emprestado do filme do Luis Buñuel e estrelado pela Catherine Deneuve, uma singela dona de casa que decide passar as tardes fazendo algo diferente. (Ia ser Bela da Ju, mas a gente achou cafona e também tem o fato de ninguém ser dela, como vocês vão entender mais abaixo). No caso do projeto, a ideia é trazer a cada mês um ensaio com uma anônima, acompanhado de um texto escrito pela fotografada. Uma pessoa que por algum motivo deixou a Julia curiosa, com vontade de fotografar. Leia abaixo um trecho do papo que a gente teve com ela para entender um pouco melhor o que é esse projeto.

 

Ovelha – Como surgiu a ideia do projeto?

JuliaSempre que tenho uma ideia para um ensaio de trabalho, chamo alguma amiga para testar luz. Mas aconteceu algo engraçado. Esses testes, sem produção nem nada, começaram a resultar em fotos super legais. Amigas que muitas vezes nunca tinham posado profissionalmente estavam arrasando nas fotos. Comecei a pensar o quanto seria legar criar ensaios para essas meninas de acordo com a personalidade delas.
 

Por que mulheres e não homens?

Acho que é questão de gosto. Eu me sinto muito mais a vontade em dirigir mulheres. Gosto de descobrir a delicadeza, a força de cada uma e trabalhar isso. Também gosto de pensar que essa coleção de personagens que eu vou encontrando em cada uma delas também podem ser pequenas facetas da minha identidade. Eu gostaria, talvez, de ser mais segura ou delicada ou misteriosa ou badass, meio do jeito que eu fotografo essas mulheres.
 

Por que anônimas?

Porque de foto de celebridade o mundo já ta cheio, né? Tem tanta gente interessante dando sopa por aí…

 

 

Fala um pouco da sua relação com retratos.
O que você gosta nesse tipo de foto?

É uma relação muito doida essa entre a fotógrafo e a personagem – acho que fui ficando meio viciada nela. É um momento meio tenso. Eu como fotógrafa tenho que convencer uma pessoa a se sentir confortável na minha presença, aceitar minha direção, não travar e ser o mais natural possível. Eu sempre fico nervosa antes de fazer um retrato. Mas parece que baixa algum espírito doido e na hora do clique eu fico calma e segura.

 

 

Não acredito. Me conta uma vez que você ficou nervosa.

Haha. Ok. Fiquei bem nervosa quando fui fazer um retrato da Adèle Exarchopoulos [atriz do filme Azul é a Cor Mais Quente], porque não falava a língua dela e tinha 5 minutos pra fazer a foto. Também fiquei tensa com o Luís Fernando Veríssimo. Me disseram que ele é super tímido e que odeia tirar foto – a pior coisa que se pode falar para um fotógrafo antes de um retrato. Mas, de vez em quando rola uma sintonia boa e é meio que mágico. Me comunico com uma pessoa que eu provavelmente nunca vi antes por olhares, movimento de mãos e frases curtas. Quando a foto acaba essa ligação se dissipa quase que instantaneamente. O resultado disso tudo é um retrato, daquele exato momento de compreensão mútua. E ele existe pra sempre. Sei lá, foto é foda (rs).

 

 

 

O que espera alcançar com esse projeto?

Não sei se é o caso de alcançar alguma coisa, acho que é mais pelo processo mesmo. Chamar uma mulher “comum”, pedir pra ela contar a sua historia pessoal, ou inventar alguma história qualquer e tentar tirar daí uma essência e criar com ela uma série de retratos. Para mim, o interessante é conseguir fazer isso de um jeito satisfatório. Não só pela plástica das imagens, mas pelo desafio de fazê-las e as dar de presente pra essa pessoa que me deixou curiosa por algum motivo. Pela ideia que me passou dela mesma, seja ela uma uma personagem fictícia ou não. Acho que é um jeito de empoderar essas meninas e mulheres incríveis com quem a gente tá sempre topando por aí. Mostrar que todo mundo é sensacional… #

 

Siga a Julia Rodrigues! Todo o mês teremos uma Belle de Jour inspiradora retratada pela fotógrafa, então fique de olho nas novidades da Ovelha (;

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