Identidades multiculturais em Berlim

Em abril deste ano, a Amelia Umuhire lançou uma websérie chamada Polyglot, que retrata a vida de jovens poliglotas em Berlim.

A Amelia notou que na mídia alemã as pessoas negras só aparecem de forma marginalizada, então o Polyglot é muito centrado em explorar melhor e mais profundamente a vida de pessoas em Berlim que cresceram com mais de uma cultura.

Dá uma olhada no trailer:
 

 
Uma das atrizes da websérie é a poeta, atriz e rapper, Amanda Mukasonga, também conhecida como Babiche Papaya. Ela também é irmã da Amelia Umuhire. As duas nasceram em Ruanda, cresceram em uma cidadezinha no oeste alemão e se mudaram para Berlim em 2013. Elas falam alemão, inglês, francês e kinyarwanda (uma das línguas mais faladas de Ruanda).

 
polyglot
 
Nesta entrevista que as duas irmãs deram pra NPR Berlin, a Babiche Papaya conta que se ela estivesse atuando em um programa de TV, sua personagem não seria tão real e profunda. No primeiro episódio da série, acompanhamos a Babiche em sua busca por um apartamento barato:
 

 
Ao longo da websérie vamos conhecer mais personagens poliglotas! Se você quer conhecer mais sobre o projeto, dá uma olhada nesse link do OkayAfrica. Não esquece também de acompanhar o Facebook do projeto.

Mais de Bárbara Paes

Eu penso em todas nós todos os dias

Passei as últimas semanas pensando na Rayzza Ribeiro. Ela tinha 21 anos, era negra e feminista. Foi a um show de metal em uma das escolas ocupadas de Cabo Frio. Ela foi torturada, assassinada e seu corpo foi queimado. O irmão da Rayzza reconheceu o corpo pelas tatuagens, já que ele estava desfigurado e carbonizado. Também fiquei muitos dias pensando na adolescente de 16 anos que foi estuprada por 33 homens. Eu não consigo desligar essa frase: “adolescente de 16 anos é estuprada por 33 homens”.

No começo desse ano, a Isadora, estudante da UFRRJ, sofreu violência sexual em um dos alojamentos da universidade. Denunciou, abriu processo, fez escândalo. Foi estigmatizada, criticada, culpabilizada, julgada. Na quinta retrasada, a Isadora cometeu suicídio. Esses dias eu li que a Comissão Holandesa de Eutanásia autorizou que uma mulher de 20 anos se submetesse à eutanásia. Ela havia sido abusada dos 5 aos 15 anos e sofria de estresse pós-traumático, anorexia severa, depressão crônica e alucinações. Penso nelas duas toda hora. Na segunda passada, passei o dia todo pensando na minha amiga que foi assediada no Metrô de São Paulo. Quando ela tentou denunciar, o funcionário do Metrô perguntou se ela “tinha certeza” do que tinha acontecido. 

De manhã, de frente pro espelho ou no caminho pro ponto de ônibus, o inevitável cálculo: “qual a probabilidade de eu ser estuprada hoje”? Um cara me chama de “morena gostosa” na rua. Eu mando ele ir se foder. Ele revida. Anda atrás de mim por segundos que duraram horas, me chamando de “cadela preta”. Assim mesmo. Seis da tarde em Pinheiros.

Qual é a estatística mesmo? Uma em cada cinco? Eu e quatro amigas entramos no carro pra ir pro sítio: “vai acontecer com pelo menos uma de nós um dia, talvez até já tenha acontecido”. A cada dia que esse terror não se concretiza, é um misto de alívio com “não foi hoje, mas pode ser amanhã”. Recomeço a calcular. Não é como se houvesse uma saída óbvia pra nada disso.

Caminhando pra casa percebo que me condicionei a sempre andar muito rápido. “Sempre fui meio acelerada”. Sempre mesmo? O espaço público é hostil a mulheres como eu. O espaço público é hostil a qualquer mulher. Lembro que o espaço privado também é. Penso na amiga que apanhou do namorado; na menina que veio me contar esses dias que um amigo meu a havia assediado; na amiga que foi estuprada pelo colega de curso.

Eu penso em todas nós todos os dias. Compulsivamente.

 

Ilustração feita com exclusividade por Malu Risi.
 

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Amelia Umuhire lançou uma websérie chamada Polyglot, que retrata a vida de jovens poliglotas em Berlim.

A Amelia notou que na mídia alemã as pessoas negras só aparecem de forma marginalizada, então o Polyglot é muito centrado em explorar melhor e mais profundamente a vida de pessoas em Berlim que cresceram com mais de uma cultura.

Dá uma olhada no trailer:
 

 
Uma das atrizes da websérie é a poeta, atriz e rapper, Amanda Mukasonga, também conhecida como Babiche Papaya. Ela também é irmã da Amelia Umuhire. As duas nasceram em Ruanda, cresceram em uma cidadezinha no oeste alemão e se mudaram para Berlim em 2013. Elas falam alemão, inglês, francês e kinyarwanda (uma das línguas mais faladas de Ruanda).

 
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Nesta entrevista que as duas irmãs deram pra NPR Berlin, a Babiche Papaya conta que se ela estivesse atuando em um programa de TV, sua personagem não seria tão real e profunda. No primeiro episódio da série, acompanhamos a Babiche em sua busca por um apartamento barato:
 

 
Ao longo da websérie vamos conhecer mais personagens poliglotas! Se você quer conhecer mais sobre o projeto, dá uma olhada nesse link do OkayAfrica. Não esquece também de acompanhar o Facebook do projeto.

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