Box braids e a reafirmação de identidade

Ilustração feita com exclusividade por LoveLove6

“Porque você fez isso no cabelo? Você quer ser negra?”. A pergunta foi feita por um amigo da família, em pleno almoço de Natal, e fez com que as atenções na mesa se voltassem para mim, pois todos realmente esperavam entender meu novo cabelo.

Há dias eu estava respondendo perguntas inconvenientes, uma pessoa até havia cheirado a minha cabeça para tirar uma dúvida crucial: “será que fede?”.

Apesar do constrangimento, me dei o trabalho de responder: “eu sou negra”. É que eu pensei que o assunto se encerraria com esta afirmação, mas, aparentemente, haviam mais argumentos contra isso. “Eu lembro que sua mãe cuidava do seu cabelo quando você era pequena. Depois você alisou e ficou parecendo uma mocinha comportada. E, agora que estávamos nos acostumando com aquele outro cabelo (ele estava se referindo ao meu black power, meu cabelo natural), você vai e faz isso”.
 

A photo posted by Karoline Gomes (@karolinegms) on

“Bitch, don’t kill my vibe” – meu afro natural

  
Isso que o colega inconveniente estava apontando eram minhas box braids (ou tranças sintéticas), que eu fiz dias antes do Natal. É possível utilizar as tranças por até três meses e eu fiz em dezembro pensando em aproveitá-las durante o verão para facilitar com os cuidados em época na praia, piscina e em viagens. Depois desse período, voltei a utilizar meu cabelo afro natural, como antes.
 

Minhas box braids ♡

 
As tranças foram popularizadas no Brasil lá pelos anos 90, época em que eram conhecidas como “tranças canecalon” e também se usava muito a trança nagô. Mas na verdade, canecalon é o nome de uma das muitas marcas que fabricam o cabelo sintético utilizado para trançar. No meu caso, escolhi um tipo mais leve, chamado jumbo.

As braids são muito bonitas e estilosas sim, por isso ajudam também a elevar a auto-estima e a tornar o período da transição capilar mais fácil de se lidar. Não é a toa que, com o aumento de mulheres negras aderindo a transição, a técnica voltou a ser procurada em salões especializados.

Mas é claro que as box braids significam muito mais do que um método facilitador de cuidados para o cabelo. Esta técnica para trançar nasceu da cultura africana e foi passada e aperfeiçoada de geração em geração.

Ao trançar o cabelo, uma mulher negra assume ainda mais seus traços, completamente ciente das questões da ancestralidade e da representação de suas raízes. E, para mim particularmente, as box braids me obrigaram a reforçar minha identidade e a reviver a estranheza que as pessoas tiveram quando assumi meu cabelo natural, há pouco mais de um ano.

Percebi que eu mesma havia encontrado conforto quando as pessoas mais próximas de mim, como familiares e amigos, haviam parado de me julgar e questionar minha escolha de assumir uma herança afro que eu passei a vida escondendo.

No primeiros meses pós big chop, ouvi muitas críticas, desencorajamento, xingamentos e até pedidos para voltar a alisar o cabelo. Mas logo tudo isso passou. Não sei se começaram a falar pelas minhas costas, não sei se simplesmente aceitaram o fato de que eu não alisaria mais ou talvez tenha sido o que o cara inconveniente apontou: estavam todos se acostumando com minha “nova” aparência.

Toda vez que eu volto para a cidadezinha onde eu morava, ainda percebo e me incomodo com os olhares de desaprovação pelas ruas (mesmo ainda encontrando gente racista e preconceituosa em São Paulo, por aqui a aceitação das pessoas é bem maior). Mas, uma vez que na casa da minha família os insultos tinham acabado, por mim estava tudo bem. Melhor ainda quando minha mãe pôde se sentir segura para começar a transição dela!

Mas ter colocado as tranças me fez perceber que não, não estava tudo bem. Que as pessoas aceitam sua negritude desde que não as ofenda, desde que lhes sejam agradáveis aos olhos.

 

As tranças das brancas

Assim como quando assumi meu cabelo, o período em que utilizei as box braids me fez perceber o quanto eu tinha que justificar escolhas que deveriam ser naturais para mim. Eu não estava fazendo nada de errado em mostrar minha negritude e adaptar uma herança cultural à minha aparência para me sentir empoderada e por todos os outros motivos.

Ainda assim, tais motivos tinham que ser listados quando mais de uma pessoa me perguntava porque eu havia escolhido trançar o meu cabelo, assim como já tive que justificar a minha escolha de largar o alisamento.

Eu entendo e vivi na pele a necessidade de alisar, clarear a pele e buscar qualquer alternativa de branqueamento só para me sentir aceita. Por isso, tento compreender, conversar e encorajar outras pessoas negras a se aceitarem, ao mesmo tempo que sempre tento me mostrar forte diante das ofensas e desaprovação vinda dos brancos, mostrando resistência.

Este é um tipo de postura e responsabilidade que eu assumi por escolha própria, afinal, eu não sou obrigada a ficar me justificando. Sei que posso usar meu black, tranças ou alisar o cabelo como e quando eu quiser. Mas devo confessar que as vezes tudo isso cansa, principalmente quando se nota que todo este esforço mal dá resultados e que ainda existem padrões que são mais aceitos e respeitados.

Não quero entrar em detalhes quanto a apropriação cultural (outro assunto que me cansa de tanto debate, questionamento e discussões sem rumo), mas de fato é doloroso notar que, enquanto eu recebia ofensas, uma mulher branca era destaque na mídia por ter o mesmo penteado que eu.

[caption id="attachment_10464" align="aligncenter" width="690"]garotas brancas são consideradas estilosas por usarem box braids garotas brancas são consideradas estilosas por usarem box braids[/caption]

Mas não precisei ir muito longe para sentir essa diferenciação na pele. Uma prima branca que trançou o cabelo dias depois de mim e estava na mesma comemoração da Natal recebeu reações completamente diferentes. Para todos o cabelo dela era “hippie, estiloso, moderno, diferente”, enquanto eu cheguei até a ser perguntada se estava usando drogas para aderir a um penteado tão ~rebelde~.

Sim. Eu e ela estávamos usando o M-E-S-M-O tipo de trança.

Como em toda conversa sobre apropriação cultural, eu sempre explico que não posso proibir ninguém de aderir a nenhum tipo de cultura afro-brasileira ou africana de raiz. Sei também que minha prima entende a importância do penteado e que ela, particularmente, estava passando por momentos difíceis na transição capilar, o que a levou a aderir às braids.

Mas é um fato inegável e difícil de ignorar que, quando mulheres brancas utilizam as braids e outros elementos, elas não têm que se justificar. A sociedade reage como um fator de moda e estética e fica tudo certo.

Acho que, no fundo, toda essa conversa machuca e cansa, pois tudo o que eu queria é poder ser negra em paz, como as mulheres brancas podem ser.
 

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Ilustração feita com exclusividade por LoveLove6.

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O que importa é o que Beyoncé representa

Toda vez que uma conversa sobre a Beyoncé começa – seja em um coletivo, seja pessoalmente com alguma amiga feminista -, eu já sinto um aperto no peito, um cansaço em relação ao assunto. Simplesmente, porque o que entra em debate é somente o famigerado “feminismo de Beyoncé” e não o que ela faz como mulher ou mesmo o que ela representa como negra.

Essas falas sobre a cantora vêm carregadas de julgamentos e discursos decorados sobre suas falhas de caráter ou comportamento desde o início da carreira até os dias de hoje, quando a palavra “feminist” é estampada com orgulho em seus shows.

 
feminist
 
Muitas vezes, acabo só fazendo gestos positivos com a cabeça pois, sim, concordo com a necessidade da problematização de um ícone tão grande para as mulheres e entendo todo o questionamento imposto nesses discursos sobre ela, mas também porque acabo me cansando de tentar levar um recorte racial e social para o debate e ser ignorada.

Eu acreditava que isso acontecia, pois Beyoncé se tornou um símbolo tão forte e inalcançável, assumindo o perfil de diva – ou deusa – que a indústria e a mídia atribuem a ela. Ou ainda por causa do processo de embranquecimento pelo qual ela passa e que também é alimentado pela mídia. Será que as pessoas não a viam como uma mulher negra? Seria tão difícil assim imaginá-la nesse alto nível que mantém em seu trabalho por causa de sua cor?

 
angel gif
 
Mas, depois de participar de outras conversas sobre representatividade, entendi que o embranquecimento pode atingir a Beyoncé assim como atingiu a mim (“mera mortal”) e também a maioria das mulheres negras. Aprendi, na prática, que não havia compreensão sobre esse tópico nos debates, assim como não havia em relação a outros com relação a Beyoncé e outras mulheres negras.

Foi assim que percebi que existe um feminismo característico de mulheres brancas, que, achando que há igualdade racial, nos exclui e não entende a importância de um ambiente interseccional.

E de repente, não só há mulheres negras se declarando feministas e militando como lhe cabe, como também há esta grande representação que é a Beyoncé. E eu percebi o quanto a imagem de uma mulher negra em destaque – bem sucedida como também é endeusada incomoda.

 
palco
 
É quase como se as feministas brancas esperassem que, como a maioria das mulheres negras, Beyoncé permanecesse na periferia, escondida e não à mostra, se marginalizando para que pudessem problematizar de longe, sem se envolver de verdade. Mas o que ela fez foi conquistar um poder imensurável e influenciar outras mulheres.

Quando se analisa Beyoncé de um ponto de vista feminista, é preciso considerar muito mais do que ela diz que é feminismo ou empoderamento. É preciso ir além e pensar no que ela representa.

Para mim, como mulher negra, assistir a uma apresentação com a voz e movimentos fortes e firmes de Beyoncé a frente de um grupo de dançarinos ou de uma banda composta só por mulheres, como líder do palco inteiro e não como merca antagonista, já seria suficientemente poderoso.

Então, ela declara sua própria independência, se liberta da administração do seu pai, que abusava de seu trabalho com a tradicional desculpa patriarcal de ser o responsável por administrar os negócios da família. 

Mas Beyoncé canta sobre relacionamentos amorosos heteronormativos, dependentes, muitas vezes abusivos, violentos, problemáticos… Eu não esperaria menos de uma mulher negra, que, se não passou por isso na pele, ao menos esteve inserida num ambiente em que, na maioria das vezes, somos vistas, até por homens negros, como objetos sexuais e trocadas por mulheres brancas na hora do compromisso ficar sério. Já ouviu falar na solidão da mulher negra?

Um dos momentos em que eu mais sacudo a cabeça sem paciência para debater, é quando problematizam o amor de Beyoncé por seu marido Jay-Z. “Onde já se viu, uma feminista assumir o nome do homem e ainda usá-lo como título de sua turnê de sucesso?”

E ela não para: canta sobre o quanto gosta de fazer sexo com ele e grava clipe se casando da forma mais tradicional possível. Podemos criticar toda a tradição matrimonial, que é patriarcal e opressora, mas não sem antes saber se você estaria disposta a compreender o quanto aquele vídeo é revolucionário para uma mulher negra, sempre exposta a rejeição. Num mundo onde histórias como as de Nina Simone e Tina Turner – ou até um exemplo mais atual como o de Rihanna, que foi agredida pelo ex – se repetem facilmente nos lares de periferias, considere o que significa ver uma outra se casando em um relacionamento saudável e responsável. Ué, mas preta não é pra casamento!

 

 
A vontade de desqualificar a militância de Bey é tão grande que já cansei de ouvir argumentos em tom de acusação sobre o seu alisamento capilar e uso de perucas. Não que as mudanças constantes ou a química usada pelas americanas não sejam preocupantes para ela e claro que esse é um assunto delicado para mim… Espera aí: eu passei por uma transição capilar, mas também já alisei meu cabelo e sei bem o que é isso.

Será que a pessoa que usa esse argumento não está se importando mais em me fazer ficar “contra” a Beyoncé de alguma forma e menos com a pressão do alisamento nas mulheres negras de forma universal? Só consigo acreditar que sim, uma vez que esses apontamentos só questionam a negritude de Beyoncé e colocam a culpa de seu embranquecimento nela mesma e não na sociedade racista e eurocêntrica em que estamos inseridas.

Escrevi este texto para propor uma reflexão sobre o empoderamento e afirmação de identidade que Beyoncé estimula, sim, em mulheres negras e sobre a necessidade de reconsiderar a cobrança sobre ela e sobre todas nós. Mas, este poderia ser também um convite para uma reflexão interseccional, tão necessária na nossa militância.

Beyoncé me empodera e também me representa, pois eu também estou sujeita a receber críticas e sofrer com um feminismo branco e padronizado. Assim como fazem com ela, você também poderia analisar meu trabalho e a forma como expresso minha identidade, pois eu também erro, também acerto e também cresço na minha militância todos os dias.

Por fim, é isto que me impressiona na Bey: Apesar da construção e cultivo constante dessa figura inalcançável em torno da estrela, sabe-se também que ela está sujeita a erros. Ela tropeça, tem medo, reergue-se e melhora… Como todas nós, todos os dias.

Longe de mim querer colocar Beyoncé no alto desse pedestal em que até ela mesma pisa e livrá-la de qualquer problematização, mas quero deixar bem clara a importância de se poder assimilar a imagem de uma mulher negra a esse tal pedestal. Então all hail Queen B!

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sua mãe cuidava do seu cabelo quando você era pequena. Depois você alisou e ficou parecendo uma mocinha comportada. E, agora que estávamos nos acostumando com aquele outro cabelo (ele estava se referindo ao meu black power, meu cabelo natural), você vai e faz isso”.
 

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“Bitch, don’t kill my vibe” – meu afro natural

  
Isso que o colega inconveniente estava apontando eram minhas box braids (ou tranças sintéticas), que eu fiz dias antes do Natal. É possível utilizar as tranças por até três meses e eu fiz em dezembro pensando em aproveitá-las durante o verão para facilitar com os cuidados em época na praia, piscina e em viagens. Depois desse período, voltei a utilizar meu cabelo afro natural, como antes.
 

Minhas box braids ♡

 
As tranças foram popularizadas no Brasil lá pelos anos 90, época em que eram conhecidas como “tranças canecalon” e também se usava muito a trança nagô. Mas na verdade, canecalon é o nome de uma das muitas marcas que fabricam o cabelo sintético utilizado para trançar. No meu caso, escolhi um tipo mais leve, chamado jumbo.

As braids são muito bonitas e estilosas sim, por isso ajudam também a elevar a auto-estima e a tornar o período da transição capilar mais fácil de se lidar. Não é a toa que, com o aumento de mulheres negras aderindo a transição, a técnica voltou a ser procurada em salões especializados.

Mas é claro que as box braids significam muito mais do que um método facilitador de cuidados para o cabelo. Esta técnica para trançar nasceu da cultura africana e foi passada e aperfeiçoada de geração em geração.

Ao trançar o cabelo, uma mulher negra assume ainda mais seus traços, completamente ciente das questões da ancestralidade e da representação de suas raízes. E, para mim particularmente, as box braids me obrigaram a reforçar minha identidade e a reviver a estranheza que as pessoas tiveram quando assumi meu cabelo natural, há pouco mais de um ano.

Percebi que eu mesma havia encontrado conforto quando as pessoas mais próximas de mim, como familiares e amigos, haviam parado de me julgar e questionar minha escolha de assumir uma herança afro que eu passei a vida escondendo.

No primeiros meses pós big chop, ouvi muitas críticas, desencorajamento, xingamentos e até pedidos para voltar a alisar o cabelo. Mas logo tudo isso passou. Não sei se começaram a falar pelas minhas costas, não sei se simplesmente aceitaram o fato de que eu não alisaria mais ou talvez tenha sido o que o cara inconveniente apontou: estavam todos se acostumando com minha “nova” aparência.

Toda vez que eu volto para a cidadezinha onde eu morava, ainda percebo e me incomodo com os olhares de desaprovação pelas ruas (mesmo ainda encontrando gente racista e preconceituosa em São Paulo, por aqui a aceitação das pessoas é bem maior). Mas, uma vez que na casa da minha família os insultos tinham acabado, por mim estava tudo bem. Melhor ainda quando minha mãe pôde se sentir segura para começar a transição dela!

Mas ter colocado as tranças me fez perceber que não, não estava tudo bem. Que as pessoas aceitam sua negritude desde que não as ofenda, desde que lhes sejam agradáveis aos olhos.

 

As tranças das brancas

Assim como quando assumi meu cabelo, o período em que utilizei as box braids me fez perceber o quanto eu tinha que justificar escolhas que deveriam ser naturais para mim. Eu não estava fazendo nada de errado em mostrar minha negritude e adaptar uma herança cultural à minha aparência para me sentir empoderada e por todos os outros motivos.

Ainda assim, tais motivos tinham que ser listados quando mais de uma pessoa me perguntava porque eu havia escolhido trançar o meu cabelo, assim como já tive que justificar a minha escolha de largar o alisamento.

Eu entendo e vivi na pele a necessidade de alisar, clarear a pele e buscar qualquer alternativa de branqueamento só para me sentir aceita. Por isso, tento compreender, conversar e encorajar outras pessoas negras a se aceitarem, ao mesmo tempo que sempre tento me mostrar forte diante das ofensas e desaprovação vinda dos brancos, mostrando resistência.

Este é um tipo de postura e responsabilidade que eu assumi por escolha própria, afinal, eu não sou obrigada a ficar me justificando. Sei que posso usar meu black, tranças ou alisar o cabelo como e quando eu quiser. Mas devo confessar que as vezes tudo isso cansa, principalmente quando se nota que todo este esforço mal dá resultados e que ainda existem padrões que são mais aceitos e respeitados.

Não quero entrar em detalhes quanto a apropriação cultural (outro assunto que me cansa de tanto debate, questionamento e discussões sem rumo), mas de fato é doloroso notar que, enquanto eu recebia ofensas, uma mulher branca era destaque na mídia por ter o mesmo penteado que eu.

Mas não precisei ir muito longe para sentir essa diferenciação na pele. Uma prima branca que trançou o cabelo dias depois de mim e estava na mesma comemoração da Natal recebeu reações completamente diferentes. Para todos o cabelo dela era “hippie, estiloso, moderno, diferente”, enquanto eu cheguei até a ser perguntada se estava usando drogas para aderir a um penteado tão ~rebelde~.

Sim. Eu e ela estávamos usando o M-E-S-M-O tipo de trança.

Como em toda conversa sobre apropriação cultural, eu sempre explico que não posso proibir ninguém de aderir a nenhum tipo de cultura afro-brasileira ou africana de raiz. Sei também que minha prima entende a importância do penteado e que ela, particularmente, estava passando por momentos difíceis na transição capilar, o que a levou a aderir às braids.

Mas é um fato inegável e difícil de ignorar que, quando mulheres brancas utilizam as braids e outros elementos, elas não têm que se justificar. A sociedade reage como um fator de moda e estética e fica tudo certo.

Acho que, no fundo, toda essa conversa machuca e cansa, pois tudo o que eu queria é poder ser negra em paz, como as mulheres brancas podem ser.
 

A photo posted by Karoline Gomes (@karolinegms) on


 
Ilustração feita com exclusividade por LoveLove6.

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