Guia Ovelha para ver anime hoje em dia

Little Witch Academia
Tem muito mais além de Naruto e Pokémon

Esse texto é para você que, depois de anos escondendo suas touquinhas, mangás velhos e projetos de cosplay no armário, resolveu voltar ao mundo dos desenhos japoneses.

Só que os anos passaram e é difícil saber até mesmo por onde recomeçar. O que faz sucesso hoje em dia? Como saber quando sai os episódios novos? E como funcionam as temporadas? O anime de Naruto realmente acabou? Não se preocupe que a Ovelha está aqui para sanar suas dúvidas!
 

 

Começando pelo básico: o que mudou nesses últimos anos no mundo dos animes?

Bastante coisa. Ao contrário dos boatos de uma suposta “morte” dos animes, a indústria não parou de crescer e o número de lançamentos por ano chega a ser assustador. Novos estúdios surgiram, novos nomes apareceram, novos formatos e ideias foram tomando conta e hoje posso afirmar que nunca se produziram tantos animes como agora.

Sem falar que o número de mulheres trabalhando na indústria também não para de crescer e cada vez mais estão conseguindo cargos criativos e contando suas próprias histórias. Parte delas foram responsáveis pelos animes de maior sucesso dessa década, com Yuri!! on Ice sendo o exemplo mais recente. Inclusive já publicamos um post falando sobre algumas das diretoras japonesas que vocês devem ficar de olho.

Agora é hora de explicar alguns termos que os fãs usam para ajudar quem está chegando de paraquedas:


 

Temporada

O calendário de lançamentos de animes no Japão se divide em quatro temporadas – janeiro, abril, julho e outubro -, cada uma com 3 meses de duração e que acompanha uma estação do ano. As temporadas mais esperadas costumam ser a da primavera e do outono japonês (abril e outubro, respectivamente), por conterem as estreias com mais hype (e marketing).

Cada temporada costuma trazer de 40 até 60 estreias (!!!), dentre séries para TV, séries curtas, webséries, filmes e OVAs (episódios especiais lançados diretamente em DVD). Maior parte dos lançamentos também só se estenderão àquela temporada somente, o que nos leva a…
 

Cour [クール (kuuru)]

O termo usado na televisão japonesa para definir o período de três meses de exibição de uma série. Quando dizemos que um anime tem um 1 cour, significa que ele será exibido somente durante uma temporada, com uma média de 11 a 13 episódios. Se o anime tem 2 cours, ele será exibido durante duas temporadas e por aí vai.

A maioria dos animes lançados possuem apenas 1 cour, com poucos durando mais de uma temporada seguida. Os famosos animes “infinitos” de outrora se resumem hoje a desenhos voltados para o público infantil, como Pokémon e Youkai Watch.

 

Como eu descubro o que raios vai sair numa temporada?

Sites como MyAnimeList e Anichart mantém listas atualizadas sobre as estreias de cada temporada, juntando informações como datas de lançamento, staff, dubladores e trailers. No Brasil, temos blogs como Genkidama e Rukh no Teikoku que lançam seus guias antes do início de cada temporada.

 

Onde eu assisto isso tudo?

A maioria diferença da década passada para hoje é que foram criados serviços oficiais de streaming em todo o mundo, incluindo o Brasil. Eles podem não ser perfeitos, nem ter todos os animes possíveis, mas é bom não ter somente a pirataria como forma de assistir o que sai de novo no Japão. Também é uma forma de mostrar seu apoio a indústria de animes (๑•̀ㅂ•́)و✧


 

Aqui vai a lista dos serviços streaming disponíveis oficialmente no nosso país:

 

Crunchyroll

Site: http://www.crunchyroll.com/
Assinatura: Gratuito – US$4,99/mês

O serviço mais antigo no Brasil voltado somente para animes e doramas, com um catálogo de mais de 150 animes disponíveis. Se você quer acompanhar os lançamentos da temporada, esse é o site certo. O Crunchyroll disponibiliza o episódio com legendas em português poucas horas depois que o episódio é exibido no Japão.

Se você não liga pra isso, não tem problema, pois você pode criar uma conta gratuita e ter acesso a todo o catálogo e os episódios novos são disponibilizados depois de uma semana. O único contratempo é que no modo gratuito você tem que assistir propagandas durante o episódio.
 
 

Netflix

Site: https://www.netflix.com
Assinatura: R$19,90 – R$27,90 – R$37,90

Não preciso falar muito deste aqui porque você já deve ter uma conta lá (ou usa a de alguém). O catálogo de animes do Netflix possui as obras mais populares para o público geral, embora eles tenham tentado diversificar o conteúdo deles.  Além de que anunciaram de que pretendem lançar seus próprios animes no futuro.

O maior problema é que quando, se trata de temporada, eles só disponibilizam o anime depois que já foi exibido no Japão, o que significa que pode levar meses até uma série ser lançada lá.
 
 

Hidive

Site: https://www.hidive.com/
Assinatura: Gratuito – US$3,99/mês

O mais recente de todos os serviços mencionados aqui, tanto que só descobri que existia quando resolvi escrever esse texto. O catálogo deles é promissor, porém não conheço bem o sistema de lançamentos… Os lançamentos da temporada que não são adquiridos pelo Crunchyroll costumam vir pra cá. Pena que o catálogo para quem tem uma conta gratuita é bem pequeno.
 
 

Amazon Prime

Site: https://www.primevideo.com
Assinatura: US$2,99 (nos primeiros seis meses) – US$5,99

Outro peso pesado da indústria de entretenimento que também tem está de olho nos animes novos sendo lançados no Japão. Nos Estados Unidos, lançaram um serviço exclusivo para desenhos japoneses chamado de Anime Strike, já no resto do mundo…. enquanto eu consigo ver que eles de fato tem um catálogo de animes recentes e antigos no site, não consegui descobrir o tamanho do acervo disponível para brasileiros. Bem, os animes que consegui assistir por lá tem os mesmos benefícios de todo o conteúdo do Amazon Prime.

 

O que assistir?

Aí vem a parte difícil, porque no meio de tantos lançamentos fica complicado decidir o que assistir sem cair na armadilha de começar a ver um anime ruim. Você pode tentar o método de “assistir-tudo-que-sai-e-decidir-depois” ou seguir as recomendações de blogs e amigas. Para ajudar, aqui vão as minhas recomendações para os lançamentos de 2017 e onde assisti-los:
 

Little Witch Academia (Netflix)

Akko tem sido fascinada por magia desde o momento em que viu o seu primeiro show de mágica. Agora, ela está na Escola de Magia Luna Nova, uma famosa escola de magia da Europa. Entretanto, ao contrário do que esperava, as lições de magia são sérias, conservativas e nem um pouco excitantes. Akko as tem achado extremamente entediantes e exatamente o contrário do que esperava. Um dia, algo que pode destruir a escola acaba acontecendo, e caberá à Akko salvar o dia!
 

 

Re:Creators (Amazon Prime)

Os seres humanos criaram muitas histórias. Alegria, tristeza, raiva, emoção profunda. As histórias agitam nossas emoções e nos fascinam. No entanto, estes são apenas os pensamentos dos espectadores. Mas, e se os personagens da história tiverem “intenções”? E para eles, somos existências divinas para trazer suas histórias ao mundo? Nosso mundo mudou. Liberada a punição sobre o reino dos deuses. Em Re:CREATORS, todo mundo se torna um Criador.
 

 

Kobayashi-san Chi no Maidragon (Crunchyroll)

Kobayashi vive sozinha em um apartamento, até que um dia, Tooru apareceu e elas acabaram morando juntas. Tooru pensa em seres humanos como inferiores e tolos, mas tendo sido salva por Kobayashi-san ela faz tudo o que pode para pagar a dívida e ajudá-la com várias coisas, embora nem tudo correr conforme o planejado. Uma comédia de um cotidiano mítico sobre uma senhora que trabalha duro em um escritório trabalhando vivendo com menina dragão.
 

 

ACCA: 13-ku Kansatsu-ka (Crunchyroll)

O reino de Dowa, que é subdividido em 13 estados, está comemorando o seu aniversário do monarca 99th. Estes 13 estados têm muitas agências que são controladas pela organização gigante conhecida como ACCA. Na ACCA, Jean Otis é o segundo em comando da agência de inspeção. Sua agência tem dez pessoas colocadas em cada um dos 13 estados, com um escritório central na capital. Eles mantêm registro de todas as atividades da ACCA em todo o reino, e mantêm dados sobre o escritório de cada estado do ACCA fluindo em direção ao escritório central. Jean também muitas vezes tem viagens de negócios da capital para os outros distritos para verificar a situação e pessoal lá.
 

 

Ballroom e Youkoso (Amazon Prime)

Fujita percorreu o ensino médio sem rumo, incapaz de encontrar amigos ou qualquer coisa que possa chamar sua atenção. Então, um dia, ele é atacado por uma gangue e salvo por um homem misterioso. Mas não é um mestre do karatê, é um instrutor de dança de salão! Relutantemente, Fujita faz algumas aulas de iniciantes, apenas para encontrar sua inspiração… uma fascinante adolescente prodígio em dança chamada Shizuku. É o primeiro passo de Fujita no mundo da dança competitiva de alta classe!
 

 

Princess Principal (Hidive)

Cinco meninas vivem em Londres do século XIX, uma cidade dentro do Reino de Albion dividida em leste e oeste por um grande muro. As meninas são espiãs matriculadas como estudantes na prestigiada escola Queen’s Mayfair. Elas fazem uso de suas habilidades individuais para permanecer ativo no mundo secreto de disfarce, espionagem, infiltração e perseguições de carro.
 

 

Mahou tsukai no Yome / The Ancient Magus Bride (Crunchyroll)

Hatori Chise tem apenas 16 anos, mas ela já perdeu muito mais do que o esperado. Um dia, um misterioso mago aparece diante dela, oferecendo uma oportunidade que pode trazer a luz que desesperadamente busca, ou afogá-la em sombras ainda mais profundas.
 

 

Kujira no Kora wa Sajou ni Utau (Netflix)

Em um mundo coberto de areia, a população vive em cidades moveis que vagam pelo deserto. Chakuro e seus amigos que nunca viram ninguém do mundo exterior, mas seus destinos mudam completamente quando cruzam uma cidade desabitada e encontram uma garota quase morta.
 

 

E aí? Prontas para virar a noite vendo desenhos japoneses? (ノ^ヮ^)ノ*:・゚✧

 


Sinopses retiradas dos sites Anbient, Crunchyroll e Wikipedia.
 

Mais de Patrícia Machado

Um anime agridoce: Shirobako

Uma das vantagens da animação como forma de storytelling é que ela pode criar uma suspensão de realidade muito maior do que em obras feitas com pessoas de carne e osso. Tanto que os animes conquistaram gerações com histórias envolvendo garotas mágicas, robôs com sentimentos, mundos de fantasia ou guerras intergalácticas. No entanto, existe todo um segmento no Japão de animes que tentam retratar o apelo do mundo real – a maioria deles classificamos como ‘slice of life’ – e SHIROBAKO é uma das pérolas do gênero.

Quando chegamos nos 20 e poucos anos, uma das primeiras porradas da vida dá é de que nada é simples. Mesmo para os que tem sorte e conseguem sair da adolescência sabendo o que querem fazer da vida, como atingir seus objetivos já é algo difícil. Para quem é jogado no mundo adulto sem um sonho específico, descobrir o que se deseja fazer no futuro enquanto procura estabilidade financeira e emocional é igualmente complicado.

O que eu quero fazer? Qual meu sonho? Como eu chego lá? Será que sou boa o suficiente para isso? Estou satisfeita com o que eu estou fazendo agora? E amanhã? Não existe um manual ou uma resposta única para as decisões que podemos tomar.

Dilemas como esse são abordados em SHIROBAKO, o que talvez seja o motivo para que o anime conquistasse o coração de muita gente.

O anime começa durante o ensino médio. Cinco amigas fazem parte do clube de animação do colégio e sonham em trabalhar com animes um dia. Elas se esforçam durante semanas para produzir uma animação caseira para a feira escolar, enquanto discutem sobre o que fazer após se formarem, o apoio da família ou não. Não parece diferente de outros animes sobre amadurecimento que se passam na época escolar…

Até que pulamos dois anos no futuro e achamos nossas protagonistas penando com as dificuldades da vida adulta.

Aoi Miyamori é produtora assistente num estúdio de animação mediano e trabalha tanto que nem tem certeza mais do que realmente deseja fazer. Sakaki Shizuka quer se tornar dubladora em um mercado saturado e não conseguiu um trabalho de destaque até então. Imai Midori é uma universitária que deseja virar roteirista de animes, mas não sabe nem por onde começar. Toudou Misa conseguiu um emprego como animadora 3D, mas suas chances de trabalhar com animes são bem pequenas. Yasuhara Ema é uma animadora novata no mesmo estúdio que Aoi trabalha, mas que vive preocupada com seu progresso artístico enquanto tenta cumprir as puxadas deadlines.

O principal apelo de SHIROBAKO é por ser um anime sobre como se faz anime.

Acompanhamos a rotina do estúdio fictício Musahino Animation durante a produção de um anime original e uma adaptação de mangá. É apresentado todo o processo, desde a criação do storyboard, o desenho dos quadros, edição, efeitos sonoros, dublagens e tudo mais. Conseguem explicar de forma didática e sem usar muitos jargões, deixando claro a importância que cada parte tem no resultado final.
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Assim como também os problemas que podem acontecer durante a produção de um anime. E, acredite, são muitos. Tem certos momentos a produção de cada episódio parece resultado de nada menos que um milagre.

Trabalhar fazendo animes não é uma tarefa fácil. É uma indústria que se baseia em prazos curtos, pouco dinheiro e que sofre com trabalhadores sobrecarregados e mal pagos. Como se isso não fosse desesperador o suficiente, a produção de animes não para de crescer a cada ano. Em 2014 atingiram o recorde, com 422 animações produzidas só para a TV.

Inclusive, esse anime pode assustar num primeiro momento devido a quantidade grande de personagens. São tantos que durante os primeiros episódios aparecem placas com o nome e função de cada um. Por sorte os designs de cada personagem são bem distintos e não é difícil reconhecê-los.

No entanto, SHIROBAKO brilha de verdade é com seus personagens. E ganha ainda mais destaque por ter um núcleo de protagonistas femininas adultas com dilemas reais. Um dos momentos mais tocantes do anime é quando Ema está sofrendo porque sabe que precisa desenhar melhor e mais rápido, caso queira continuar trabalhando no futuro. Porém encontra-se no meio de um bloqueio criativo graças a uma cena difícil. Ela recebe ajuda de uma outra animadora, sua veterana, que a ensina lições valiosas (que acredito que valem para qualquer um que trabalha na indústria criativa).

Na verdade, em quase todos os momentos em que uma das personagens enfrenta uma crise, elas são ajudadas por outras mulheres.

O machismo na indústria também não passa despercebido. Acredito que esse detalhe tenha sido adicionado pela roteirista do anime, Michiko Yotoke (que também escreveu o belíssimo Princess Tutu), que trabalha no campo há décadas.

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Numa indústria tão complicada e cheia de obstáculos, produzindo obras de qualidade duvidosa, talvez o maior desafio que nossas personagens enfrentem seja como continuar lá. Todos os personagens, ou a maioria deles, parecem ser movidos por um otimismo necessário em um mercado de trabalho cruel. SHIROBAKO não esconde os problemas que afetam o mundo dos animes, mas segue em frente desejando fazer melhor.

Apesar disso, minha maior crítica ao anime é o com o design das personagens. Os homens – muitos baseados em pessoas de verdade, como o diretor que é baseado no próprio diretor de verdade do anime – tem diversos tipos de corpos, gordos e magros. Já as mulheres, apesar de serem bem construídas, quando se trata das aparências parecem cópias uma das outras, tirando diferenças de vestiário e cabelo. Claramente optaram por um design que agradasse o público masculino. E, apesar do anime não conter nenhum tipo de fanservice sexual, uma parte considerável do merchandising faz uso do visual fofo das protagonistas.

No fim das contas, SHIROBAKO é recomendado para todas aquelas que já sentiram as dúvidas e angústias da vida adulta. Principalmente se escolheu algo da área artística. É um anime que vira para todas as profissionais que já olharam para a carreira que escolheram e questionaram se realmente vale o esforço de fazer o que ama. O anime responde isso aos poucos, de forma dolorida em alguns momentos, e com um otimismo que faz falta: sim, vale a pena.

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SHIROBAKO está disponível oficialmente no Brasil através do Crunchyroll, uma plataforma de streaming de animes e doramas.

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