Negras nos quadrinhos: as irmãs Gibbs

As escritoras de Los Angeles Shawnee’ e Shawnelle Gibs foram discretamente criando uma marca na produção de histórias atemporais para de animações e quadrinhos, centradas em protagonistas mulheres e corajosas.

No dia 25 de fevereiro estreou um crowdfund do Kickstarter para seu último projeto, “A invenção de E.J. Whitaker”, uma história sobre as aventuras de uma jovem negra estadunidense e inventora cuja última criação, uma máquina voadora, causa um certo rebuliço na virada do século 20.

 
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Embora seus trabalhos em tempo integral sejam como produtoras televisiva para canais como NBC, Food Network e National Geographic Channel, as jovens gêmeas passaram a maior parte da década contando diversas histórias em quadrinhos e animações independentes. Com “A invenção de E.J. Whitaker”, elas esperam engajar uma nova audiência de futuros criadores. Shawnee’ disse:

Shawnelle e eu conseguimos achar uma maneira de trabalhar um pouco com ficção científica e magia em quase todas nossas histórias, provavelmente porque éramos crianças muito imaginativas. Em um de nossos primeiros desenhos animados, contamos histórias sobre meninas negras pilotando naves espaciais, Adotados por aliens, e agora com EJ Whitaker, estamos contando a história de uma jovem mulher que poderia construir uma.

 
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Centrada em dois protagonistas afro americanos, era importante para as irmãs que  ‘E.J. Whitaker’ tivessem o foco tanto no feminino como masculino. Shawnelle disse:

Ás vezes, num esforço para empoderar meninas, estamos deixando os meninos de lado. Queremos contar a história de uma dupla – homem e mulher –  corajosa e ousada que superam suas diferenças criativas e de personalidade para ajudar a mudar o mundo

O objetivo das irmãs é que este seja apenas o começo para a história de “A invenção de E.J Whitaker“. Shawnee’ disse:

Esperamos que a nossa primeira edição transforme-se em uma série de livros sobre a nossa jovem heroína e seus aliados. Eu acho que neste país, tendemos a nos concentrar sobre a história dos afro-americanos durante a escravidão e a era dos Direitos Civis e muitas vezes ignoram a riqueza de histórias entre esses períodos. 1900 foi um momento tão importante para nós como um povo -e na América como um todo – que é essencial este período ser redescoberto de uma nova maneira.

A campanha Kickstarter para “A Invenção de E.J. Whitaker” começou dia 25 de fevereiro, com ilustrações feitas por alguns dos colaboradores favoritos das irmãs Gibbs: Mark Hernandez, Hasani McIntosh e Earl Womack. Starline Hodge, do Candi Comics, criou o emblema do projeto.

Para mais informações, visite: ejwhitaker.com
 
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  • Texto publicado originalmente no Black Girl Nerds, traduzido por Fabi Oda.
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    Escrito por
    Mais de Fabi Oda

    Leia: A esposa de Paul Auster

    Ao mascarar um machismo e retirar o protagonismo da própria escritora, o título acima reduz Siri Hustvedt à condição de esposa, companheira, coadjuvante. A grosso modo, é sobre essa frase e suas implicações a abordagem do livro O mundo em chamas, lançado em 2014 pela Companhia das Letras.

    A autora Siri Hustvedt é filha de imigrantes noruegueses. Nascida em Minnesota, EUA,  mudou-se para Nova Iorque para graduar-se na Universidade de Columbia e saiu de lá com um doutorado em literatura. Multidisciplinar, publicou poesias e romances além de ensaios de filosofia, psicanálise e artigos sobre neurociência. Em 2014, foi nomeada para o Man Booker Prize e ganhou o Prêmio Los Angeles Time Book Award for Fiction no ano seguinte.

    O livro O mundo em chamas, tanto o objeto real como o fictício e metalinguístico produzido pelo personagem I.V Hess, é uma coletânea post-mortem de entrevistas, depoimentos e trechos de diários da artista Harriet Burden.

    Harriet Burden, ou Harry para os íntimos, é uma mulher mais velha, viúva, intelectual, ávida leitora, veste-se com chapéus e cores vivas, ostenta cabelos longos e cacheados, com a altura de um jogador de basquete. Com personalidade avassaladora, é objeto de repulsa da crítica especializada, chamada de histérica, neurótica, louca e bruxa. Frequentemente lembrada como excelente anfitriã de jantares, mas nunca teve seu trabalho artístico levado a sério, ela percebe cada vez mais o peso (o sobrenome Burden significa fardo em inglês) dos rótulos castradores utilizados para classificar seu trabalho e sua personalidade.

    capa_O mundo em chamas

    Harriet nunca teve suas obras reconhecidas pela comunidade artística e por anos viveu à sombra de seu marido marchand Felix Lord. Amargurada e impotente, se vê em um meio cada vez mais narcisístico e surdo, no qual é impossível argumentar ou apresentar algum tipo de contraponto. Porém, quando seu marido morre, ela vê a possibilidade de se reinventar, criando uma série de instalações plásticas, mascarando sua identidade atrás do nome de três artistas masculinos relativamente conhecidos.

    O projeto, chamado de Mascaramentos, procura não só evidenciar a misoginia no círculo artístico como também discutir os conceitos de apropriação e percepção de gênero, raça e sexualidade, incitando o espectador a refletir sobre sua própria identidade.

    Mascaramentos foi a solução encontrada para expressar-se, mas mais do que isso, era uma vingança, um grande tapa na cara do mundo. Burden queria rir de todos ao apontar a mesquinhez e machismo da sociedade e sabia que máscaras frequentemente eram mais reveladoras que a face real.

    De fato, o experimento é um grande sucesso, mas começa a apresentar falhas quando o terceiro e último artista-fachada, Rune (sem sobrenome, como a Madonna) nega a autoria real da obra e recebe todos os louros do sucesso da instalação Por baixo. Sua tão desejada vingança não previa as variáveis do ego e as segundas intenções de suas máscaras.

    Com isso fica mais claro o motivo da montagem de documentos do livro ficcional O mundo em chamas. I.V Hess tenta dar luz à carreira de Harriet Burden e esclarecer as autorias de Mascaramentos e sua relevância.

    Passado e presente entrelaçam além da conjugação de verbos através da narrativa dos diários-alfabéticos da artista, mais temáticos do que cronológicos, remontando suas memórias de infância, traumas e vivências. Além dos diários, há depoimentos de seus filhos, Maisie e Ethan, de seu namorado e alguns de seus principais colaboradores. Os diversos gêneros textuais deixam o quebra-cabeça narrativo mais instigante e sua montagem é processual e prazerosa.

    A compilação documental acronológica que traça a trajetória artística de Harriet Bruden deixa claro que O mundo em chamas não é apenas uma fábula feminista, mas também um complexo emaranhado de narrativas que dão corpo a uma personagem aterrorizada por memórias e ranços de seus traumas. A montagem de diversos depoimentos sobre Harry cria uma personagem multifacetada, entendendo a percepção do objeto pelo seu receptor como essencial para sua compreensão e talvez a única possível.

    O enredo – familiar demais para Siri Hustvedt, “esposa do escritor Paul Auster” – é o retrato de diversas artistas e escritoras de nossa realidade, como a artista Margaret Keane, a escritora italiana Elena Ferrante (Letícia Mendes escreveu sobre o assunto aqui), a escultora Camille Claudel e Gerda Taro, fotógrafa que criou o personagem de Robert Capa junto com Andre Friedmann.

    Porém, diversos críticos literários não captaram a ironia do romance e insiste em elogios condescendentes como “Harriet Burden parece um herói vindo dos romances de Phillip Roth ou Saul Bellow” ou “Siri Hustvedt parece se valer dos artísticos narrativos usados pelo marido para criar a tênue linha entre o concreto e o delírio”. É evidente que Harriet Burden ainda é necessária, essencial para reivindicarmos nossa própria autoria.

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    crowdfund do Kickstarter para seu último projeto, “A invenção de E.J. Whitaker”, uma história sobre as aventuras de uma jovem negra estadunidense e inventora cuja última criação, uma máquina voadora, causa um certo rebuliço na virada do século 20.

     
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    Embora seus trabalhos em tempo integral sejam como produtoras televisiva para canais como NBC, Food Network e National Geographic Channel, as jovens gêmeas passaram a maior parte da década contando diversas histórias em quadrinhos e animações independentes. Com “A invenção de E.J. Whitaker”, elas esperam engajar uma nova audiência de futuros criadores. Shawnee’ disse:

    Shawnelle e eu conseguimos achar uma maneira de trabalhar um pouco com ficção científica e magia em quase todas nossas histórias, provavelmente porque éramos crianças muito imaginativas. Em um de nossos primeiros desenhos animados, contamos histórias sobre meninas negras pilotando naves espaciais, Adotados por aliens, e agora com EJ Whitaker, estamos contando a história de uma jovem mulher que poderia construir uma.

     
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    Centrada em dois protagonistas afro americanos, era importante para as irmãs que  ‘E.J. Whitaker’ tivessem o foco tanto no feminino como masculino. Shawnelle disse:

    Ás vezes, num esforço para empoderar meninas, estamos deixando os meninos de lado. Queremos contar a história de uma dupla – homem e mulher –  corajosa e ousada que superam suas diferenças criativas e de personalidade para ajudar a mudar o mundo

    O objetivo das irmãs é que este seja apenas o começo para a história de “A invenção de E.J Whitaker“. Shawnee’ disse:

    Esperamos que a nossa primeira edição transforme-se em uma série de livros sobre a nossa jovem heroína e seus aliados. Eu acho que neste país, tendemos a nos concentrar sobre a história dos afro-americanos durante a escravidão e a era dos Direitos Civis e muitas vezes ignoram a riqueza de histórias entre esses períodos. 1900 foi um momento tão importante para nós como um povo -e na América como um todo – que é essencial este período ser redescoberto de uma nova maneira.

    A campanha Kickstarter para “A Invenção de E.J. Whitaker” começou dia 25 de fevereiro, com ilustrações feitas por alguns dos colaboradores favoritos das irmãs Gibbs: Mark Hernandez, Hasani McIntosh e Earl Womack. Starline Hodge, do Candi Comics, criou o emblema do projeto.

    Para mais informações, visite: ejwhitaker.com
     

  • Texto publicado originalmente no Black Girl Nerds, traduzido por Fabi Oda.
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