O conto de fadas que queremos ler

Depois de Mulan, Merida, Elsa e outras personagens construídas para mostrar a importância da representatividade e quebrar estereótipos, finalmente temos uma colaboração brasileira.  Já estamos apaixonadas por Cínthia e Isthar, que são “A Princesa e a Costureira”.

O livro conta a história da linda princesa Cíntia que, às vésperas de seu tradicional casamento com o príncipe do reino vizinho, resolve atender ao seu coração e correr atrás da pessoa por quem estava apaixonada: a costureira Isthar. De quebra, o livro ainda estampa uma garota negra e de cabelo crespo, que, por um acaso (ou não) é a princesa, não a costureira.

A psicologa Janaína Leslão escreveu a história de amor de Cínthia e Isthar em 2009, pensando em colaborar para a fala LGBT para adolescentes. Mas foi justamente isso que impediu que o livro fosse publicado por tanto tempo. Janaína ouviu “nãos” de 20 editoras, até que, em 2014, a editora Metanóia ajudou “A Princesa e a Costureira” a acontecer.

Porém, Janaína ainda precisava de dinheiro para a ilustração do livro, então, decidiu recorrer ao financiamento coletivo na internet. Este foi o primeiro sinal de sucesso que o livro faria. Em menos de uma semana, a meta foi atingida e ainda rendeu para um próximo livro!

Mas, por enquanto, a expectativa na web está no título “A Princesa e a Costureira”. O post sobre a pré-venda no Facebook já tem mais de 1,7 milhão de visualizações e muitos comentários animados (vamos ignorar os haters e continuar comemorando?).

A data prevista para lançamento oficial é 26 de dezembro.  Acho que dá para esperar até um pouco depois do Natal para presentear as adolescentes da família (e a você mesma), não é mesmo?

 

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Minha anti-heroína favorita

Sabe aquele tipo de personagem cheio de mistérios e questionamentos sobre caráter, que além de nos fazer pensar e repensar sobre nossas vidas, ainda nos obrigam a torcer por eles e a amá-los? A fórmula do anti-herói tem sido reproduzida pela televisão americana, e vendido muito; alguns exemplos são Dexter, Walter White, Frank Underwood, Tony Soprano

Além do perfil de anti-herói, muito charme e caráter questionáveis, todos esses personagens citados têm algo a mais em comum: todos homens e brancos, que é outra fórmula repetida na televisão, mas desse detalhe a gente já cansou.

Desafio mesmo é tentar alavancar um anti-herói AND mulher, esse perfil normalmente não é bem recebido, pois o público costuma caprichar nos julgamentos para o gênero feminino e tende a perdoar e idolatrar muito mais os homens.

Logo, a primeira fórmula para uma anti-heroína de sucesso, é fazer com que ela não se importe nenhum pouquinho com a opinião alheia na trama, para que isso se reflita em seus espectadores.

A série How to Get Away With Murder, não só apostou neste tipo de personagem, como escalou uma atriz que a coloca a prova, e testa todos os limites do espectador ao assistir. Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos de idade, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal, ou como ela prefere chamar disciplina:

 

Piloto

A trama gira em torno de Annalise e de cinco de seus alunos que foram escolhidos para o disputado time que trabalha com ela em seu escritório instalado em casa e nos tribunais, ajudando a ganhar casos.

A cada episódio os estudantes se surpreendem e aprendem novas técnicas com a constante transição da advogada entre um estado completamente emocional e outro completamente racional que ela usa de forma intensa e convincente nos tribunais para ganhar diferentes processos com inteligência, e muitas vezes passando dos limites da ética.

Ela se engaja em causas por diversos motivos, sendo algum deles: fidelidade a seus clientes e amigos, outras vezes por pura sensibilidade e desejo de justiça e defesa de inocentes, e outras por ego, por não aceitar perder.

Apesar de soluções brilhantes de diversas batalhas nos tribunais, o maior desafio para Annalise e seus alunos se concentra em dois assassinatos nos quais a trama gira em torno, e podem estar ligados. O primeiro tendo acontecido no passado, em relação ao período em que se passa o episódio piloto, e o segundo apresentado num tempo futuro da trama, com a identidade do morto revelada somente no fim deste episódio, e que envolve o grupo de alunos destaque da professora.

 

Anti-heroína e humana

Com um roteiro bem amarrado, a série consegue explorar essa instabilidade emocional de Annalise também em sua vida pessoal, nos fazendo repensar qualquer definição pré construída da personagem que tenhamos feito até a primeira fase da primeira temporada, com mais detalhes sobre seu passado difícil sendo revelados na segunda parte.

Annalise fala abertamente de inseguranças com relação a maternidade, e ao relacionamento com seu marido Sam Keating, principalmente quando se sente ameaçada pela preferência dos homens por mulheres brancas e dentro dos padrões de beleza. Mas ela não se permite ficar na posição de vítima, menos ainda ficar sozinha, de modo que sempre coloca sua satisfação sexual em primeiro lugar, mantendo uma relação conturbada com um amante.

Algumas passagens que emocionam e quebram a ideia de calculista e fria de Annalise, são os momentos íntimos dela diante do espelho, quando saem perucas, maquiagem e roupas chiques e entram sua pele e cabelo naturais, uma mulher real que se constrói todos os dias para fortalecer sua imagem de poder e respeito diante dos colegas de trabalho.

 

É impressionante como a forma como ela se veste e se porta ajuda a construir a personagem. Eu não acreditava em um choro de Annalise até assistir as cenas de “vulnerabilidade”. O escritor da série, Peter Nowalk, contou que a própria Viola deu a ideia de mostrar a advogada sem peruca.

E o fato de mesmo uma persona tão forte quanto ela, que muitas vezes usa da sensualidade para conseguir o que quer, precisar também desses escudos, a torna muito mais humana, e abre espaço para reflexão da necessidade disso tudo ainda estar tão latente.

O fato de que Annalise tem momentos com sua beleza natural e isso ser mostrado na televisão mesmo com a necessidade da construção de uma personagem forte, também ajuda na sua humanização. É muito fácil colocar uma mulher, principalmente a mulher negra, indo dormir e acordando penteada e maquiada em todas as cenas, quero ver mostrar sua realidade para que outras possam se identificar.

 

Outras relações

Além da construção brilhante da Annalise Keating por Viola Davis, a série tem outros personagens interessantes, como a estudante perfeccionista Michaela Pratt, e a quieta Laurel Castillo, além da misteriosa dupla de ajudantes da advogada, Frank DelfinoBonnie Winterbottom e o aluno que sofreu preconceito na renomada faculdade da Filadélfia por ter entrado pela lista de espera, Wes Gibbins, vivido por Alfie Enoch (rostinho conhecido da saga Harry Potter), e que se vê enfrentando muitas mudanças em seu relacionamento com a professora, que as vezes é profissional, as vezes é forçado por circunstâncias da trama, e as vezes parece até um pouco materno da parte dela.

How To Get Away With Murder também atraiu audiência da comunidade LGBT por causa do relacionamento entre Connor e Oliver, e seus altos e baixos.

 

O poder de Shonda

Não é pra menos que How To Get Away With Murder tem uma representatividade tão forte com o destaque de Annalise, Shonda Rimes responsável por criar Scandal e Grey’s Anatomy é a produtora dessa série. Apesar de não escrever o roteiro, ela assume a missão de levar personagens empoderadoras para a televisão americana, o que segundo ela não é diversificar, mas sim normalizar este mercado.

No Brasil o canal Sony passou a transmitir a série todas as quintas-feiras às 21h30.

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mostrar a importância da representatividade e quebrar estereótipos, finalmente temos uma colaboração brasileira.  Já estamos apaixonadas por Cínthia e Isthar, que são “A Princesa e a Costureira”.

O livro conta a história da linda princesa Cíntia que, às vésperas de seu tradicional casamento com o príncipe do reino vizinho, resolve atender ao seu coração e correr atrás da pessoa por quem estava apaixonada: a costureira Isthar. De quebra, o livro ainda estampa uma garota negra e de cabelo crespo, que, por um acaso (ou não) é a princesa, não a costureira.

A psicologa Janaína Leslão escreveu a história de amor de Cínthia e Isthar em 2009, pensando em colaborar para a fala LGBT para adolescentes. Mas foi justamente isso que impediu que o livro fosse publicado por tanto tempo. Janaína ouviu “nãos” de 20 editoras, até que, em 2014, a editora Metanóia ajudou “A Princesa e a Costureira” a acontecer.

Porém, Janaína ainda precisava de dinheiro para a ilustração do livro, então, decidiu recorrer ao financiamento coletivo na internet. Este foi o primeiro sinal de sucesso que o livro faria. Em menos de uma semana, a meta foi atingida e ainda rendeu para um próximo livro!

Mas, por enquanto, a expectativa na web está no título “A Princesa e a Costureira”. O post sobre a pré-venda no Facebook já tem mais de 1,7 milhão de visualizações e muitos comentários animados (vamos ignorar os haters e continuar comemorando?).

A data prevista para lançamento oficial é 26 de dezembro.  Acho que dá para esperar até um pouco depois do Natal para presentear as adolescentes da família (e a você mesma), não é mesmo?

 

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