Game Review: Life is Strange ♡

Life is Strange é um daqueles jogos em série que são lançados por capítulos. Não sei se você já teve experiência com esse tipo de jogo, minha primeira experiência foi em 2013 com o The Walking Dead, é uma aventura gráfica, na real. A ação é reduzida e a história é mais envolvente, é como se você tivesse dentro de um filme e pudesse fazer as escolhas que ramificariam em finais diferentes. É uma experiência muito interessante, principalmente quando os gráficos são incríveis, como é o caso do The Walking Dead ou Wolf Among Us, excelentes.

 
[caption id="attachment_4412" align="aligncenter" width="1024"]Max, a personagem principal, dentro de seu quarto na universidade Max, a personagem principal, dentro de seu quarto na universidade[/caption]  
Life is Strange também tem um gráfico bem bonito, mas a jogabilidade é bem inferior aos jogos citados, infelizmente. Infelizmente porque é um jogo que traz uma representatividade feminina sem estereótipos pra mulher gamer, não é um jogo que tem uma mulher sexualizada, ou agressiva, Max, a personagem principal, é uma adolescente tímida e anti-social, como muitas de nós.

 
[infobox maintitle="SPOILER ALERT!" subtitle="Vou contar um pouco do mote do jogo, se você não gosta de saber nada sobre plots, pule para a próxima seção (depois da próxima foto)!" bg="red" color="black" opacity="on" space="30" link="no link"]  
Max nasceu em Arcadia, a cidade onde se passa o jogo, e com 13 anos ela se muda com a família para Seattle, deixando sua melhor amiga Chloe para trás, sem fazer nenhum tipo de comunicação. Cinco anos depois, já com 18 anos, Max resolve voltar para Arcadia para fazer faculdade de fotografia, sua paixão.

Configura-se então aquele plot de escola e cultura americana que nós somos muito bem introduzidos mas que é um pouco batido, tem a menina popular, a casta, a revoltada, a anti social, etc. Eu sei que essa cultura é uma realidade, mas quando a gente vai usar de ficção em alguma coisa, eu gostaria de ver uma realidade menos desigual, com recorte de raça, principalmente.

É claro que Max encontra sua amiga de infância, e como na sessão da tarde brasileira, elas passam por altas aventuras, hahaha. Principalmente quando Max descobre que consegue controlar o tempo, e aqui eu sugiro uma trilha sonora pra ler o resto do post. HAHA.

 
[caption id="attachment_4410" align="aligncenter" width="1024"]Boladona dos poderes, de causar inveja à Cher Boladona dos poderes, de causar inveja à Cher[/caption]  
O jogo é muito mais do que ficção científica. Na minha reles opinião, é um jogo sobre amizade e sororidade, sobre escolhas também. É um jogo intrigante, uma surpresa boa por saber que cada vez mais jogos direcionados ao público feminino estão sendo feitos. A trilha sonora é boa, claro que nada comparado à trilha de Gone Home (tem no Steam e recomendo muitíssimo), haha, mas é legal sim.

Fiquei um pouco decepcionada com o baixíssimo grau de dificuldade, ações e desafios no jogo, essa é a minha maior crítica ao Life is Strange, tem um plot incrível que poderiam ter explorado uma jogabilidade muito maior e melhor.

 
[caption id="attachment_4411" align="aligncenter" width="1024"]Max e Chloe (BFFs, risos) Max e Chloe (BFFs, risos)[/caption]  
O jogo acabou de lançar seu terceiro capítulo na semana passada, joguei e achei bem melhor que o segundo capítulo, que foi um pouco caído. Comprei o combo com os 5 episódios na PSN por 15$ (quinze doleta). No Steam cada capítulo sai por R$10,50 ou R$37 se comprar o pacote. Se você já jogou, me fala se gostou! Ou, se quiser fazer algum comentário, deixa aqui embaixo, ou me segue no twitter, @cruishrcredo! Beixotas ♡!

Minha nota pra esse jogo é 6, passou de ano, mas ficou na média. Hahaha.

Mais de Bárbara Gondar

Misandria Robótica: Ex Machina

 

 
Posso começar pela nota? Porque esse filme é excelente. Posso dizer que é pelo menos 8,5. Tenho certeza de que muitas pessoas que escreveram uma resenha sobre o Ex Machina focaram na produção impecável e cenário completamente possível. Mas, muito provavelmente, tenha faltado um ponto de vista sobre violência contra mulher. Uma vez feminista, não tive como não imprimir uma crítica à misoginia que existe no cenário atual e no filme. Seguida de uma bela duma misandria muito bem aplicada.

O filme é incrível por diversos pontos, vou por partes. Vou contar o mote entre um tópico e outro e já deixo avisado, pode conter spoilers, especialmente a partir do tópico ~ Google, Facebook, Dados.

 

 

Robôs e Teste de Turing

Tudo começa quando Caleb, um programador duma grande empresa de ferramenta de buscas, é sorteado para passar um curto período de tempo na casa do criador da tal empresa. O cara, enaltecido tanto pelos empregados quanto pela sociedade, vive completamente isolado e é tido como um gênio desde criança.

Ao chegar (deboas de helicóptero, diga-se de passagem) na casa do empresário, Caleb se depara com um personagem fora do que ele havia imaginado. Apesar de brilhante, o inventor, Nathan, é extremamente arrogante e visivelmente alcoólatra.

Por saber que vai ter que aturá-lo por pouco tempo, Caleb se esforça para aproveitar a genialidade de Nathan ao máximo: sua última invenção foi um tipo de inteligência artificial tão incrível que ele precisava fazer um Teste de Turing. E foi pra isso que Caleb foi recrutado.

 

 

Filosofia

Caleb então conhece Ava, a robô. Por causa do teste, eles ficam juntos durante horas e o programador acaba se envolvendo. Há bastante filosofia sobre as sinapses de pensamento e o que torna humano o ser humano. As dicusssões do filme perpassam também por signos linguísticos, semiótica. O roteiro e os diálogos são extremamente bem escritos e realmente interessantes. Ava consegue fazer piadas com pequenas informações que Caleb transmite a ela e Caleb e Nathan têm uma conversa muito interessante sobre as relações humanas e como elas se dão.

Creio que a própria personalidade dúbia do Nathan seja interessante porque estamos acostumados a maniqueísmos – principalmente no mundo do faz-de-contas. Já o Nathan tem essa aura do gênio-escroto com a qual a gente não sabe lidar direito, mesmo no mundo real. Acredito que esse tipo de personalidade seja identificada por pessoas que tiveram relacionamentos abusivos com ~ pessoas incríveis ~ mas que no círculo menor sejam irreconhecíveis e opressoras.

 

 

Google, Facebook e Dados

Bom, estamos falando sobre definições de consciência e, em certo momento, Nathan revela a Caleb que coleta e armazena em padrões os dados de sua empresa de ferramenta de buscas. E mais, que o governo o autoriza a utilizar não apenas esses dados, como também a ter acesso a TODAS as câmeras e microfones de smartphones e computadores para coletar expressões faciais correspondentes às conversas, as reações.

Sim, há uma crítica enorme sobre os algoritmos de busca do Google, sobre a coleta de dados do Facebook e, graças ao querido (e exilado) Snowden, sabemos que tudo isso é realmente possível e que está realmente sendo feito. A diferença é que isso ainda não está sendo aplicado em robôs… ou já está???? (m-e-d-o)

 

 

Misoginia / Empatia

O que acontece é que o Nathan monta (e desmonta) robôs-mulheres para seu bel prazer, seja para satisfazê-lo sexualmente ou para serví-lo. Elas são meros brinquedos, trancafiadas, que ele ativa ou desativa de acordo com a evolução das escolhas de personalidade aplicadas. As que não se comportam da maneira que ele quer, acabam sendo desativadas. E isso é misógino pra caralho. (Soa familiar? Se a resposta for sim, leia este texto) Não vou evoluir para esse lado, mas pessoalmente me pareceu uma crítica muito clara a esse tipo de relacionamento abusivo.

 
giphy-4
 
Quando Ava descobre que outras mulheres robôs estavam encarceradas, decide então usar toda sua capacidade e armazenamento de dados para se ver livre dessa situação, com ajuda de uma amigue. <3

 
Ex-Machina-1
 

 

Misandria (aqui tem bastante spoiler, do final inclusive)

O que achei lindo nesse momento foi que o filme consegue quebrar a ideia do amor romântico e do homem que acha que deve chegar num cavalo branco para salvar uma mulher de um relacionamento abusivo. A ideia de que toda história precisa de uma história de amor, na minha opinião, é completamente equivocada.

Spoiler:

Depois de mil reviravoltas e conflitos, Ava foge e simplesmente deixa Caleb – seu suposto herói – preso dentro da casa. Por que ela faz isso? Por achar que ele seria mais um homem a tentar subjulgá-la? Talvez por achar que ele não acredita que eles sejam equiparáveis – nem intelectualmente, nem biologicamente? Não importa. Esse não é o ponto. É a vontade dela. E isso, caras amigas, é extremamente atual e real. Nada de ficção nessa moral da história.

O que chamei de misandria, nada mais é do que a vontade e ação de uma mulher que vai contra as de um homem. Acredito que isso deveria se chamar ~ escolha ~ ou ~ reação ~ apenas. Mas não, sempre que tem uma mulher no meio, acabamos sendo enquadradas em alguma categoria específica. Por que diabos chamar de “literatura feminina”, o que deveria ser apenas “literatura”, por exemplo? ENFIM, DESABAFO ~

 
1
 
Analogias à parte, o filme é extremamente bem feito, trilha sonora incrível, direção de arte impecável, roteiro inteligente e atuações foderosas. Nota 8,5, já falei.

Coincidência ou não, acredito em internalização muito mais do que eu gostaria: deletei minha conta no Facebook esta semana, hahaha! Se tive qualquer comentário ou se você acha que eu viajei completamente na minha analogia a relacionamentos abusivos, me diga. Pode deixar aqui na página ou no Twitter, @crusihcredo! :)

Pra finalizar, uma propaganda gratuita:

Duck Duck Go – uma ferramenta de busca que não te rastreia. É uma ótima dica para quem, como eu, estiver convencida de que o lucro está acima de qualquer experiência antropológica e que as ferramentas de busca aliadas a propaganda interferem sim na condução de pensamento e consumo.

 

Leia mais
The Walking Dead ou Wolf Among Us, excelentes.

 

 
Life is Strange também tem um gráfico bem bonito, mas a jogabilidade é bem inferior aos jogos citados, infelizmente. Infelizmente porque é um jogo que traz uma representatividade feminina sem estereótipos pra mulher gamer, não é um jogo que tem uma mulher sexualizada, ou agressiva, Max, a personagem principal, é uma adolescente tímida e anti-social, como muitas de nós.

 

 
Max nasceu em Arcadia, a cidade onde se passa o jogo, e com 13 anos ela se muda com a família para Seattle, deixando sua melhor amiga Chloe para trás, sem fazer nenhum tipo de comunicação. Cinco anos depois, já com 18 anos, Max resolve voltar para Arcadia para fazer faculdade de fotografia, sua paixão.

Configura-se então aquele plot de escola e cultura americana que nós somos muito bem introduzidos mas que é um pouco batido, tem a menina popular, a casta, a revoltada, a anti social, etc. Eu sei que essa cultura é uma realidade, mas quando a gente vai usar de ficção em alguma coisa, eu gostaria de ver uma realidade menos desigual, com recorte de raça, principalmente.

É claro que Max encontra sua amiga de infância, e como na sessão da tarde brasileira, elas passam por altas aventuras, hahaha. Principalmente quando Max descobre que consegue controlar o tempo, e aqui eu sugiro uma trilha sonora pra ler o resto do post. HAHA.

 

 
O jogo é muito mais do que ficção científica. Na minha reles opinião, é um jogo sobre amizade e sororidade, sobre escolhas também. É um jogo intrigante, uma surpresa boa por saber que cada vez mais jogos direcionados ao público feminino estão sendo feitos. A trilha sonora é boa, claro que nada comparado à trilha de Gone Home (tem no Steam e recomendo muitíssimo), haha, mas é legal sim.

Fiquei um pouco decepcionada com o baixíssimo grau de dificuldade, ações e desafios no jogo, essa é a minha maior crítica ao Life is Strange, tem um plot incrível que poderiam ter explorado uma jogabilidade muito maior e melhor.

 

 
O jogo acabou de lançar seu terceiro capítulo na semana passada, joguei e achei bem melhor que o segundo capítulo, que foi um pouco caído. Comprei o combo com os 5 episódios na PSN por 15$ (quinze doleta). No Steam cada capítulo sai por R$10,50 ou R$37 se comprar o pacote. Se você já jogou, me fala se gostou! Ou, se quiser fazer algum comentário, deixa aqui embaixo, ou me segue no twitter, @cruishrcredo! Beixotas ♡!

Minha nota pra esse jogo é 6, passou de ano, mas ficou na média. Hahaha.

" />