Por mais mulheres na programação

Tem muita menina por aí que adoraria estudar computação, aprender mais sobre programação e trabalhar com tecnologia, mas a participação feminina no mercado de TI ainda é super pequena. Pra ter uma ideia, dos 7.339 formados em ciências da computação em 2010, apenas 1091 (14,8%) eram programadoras, segundo o Inep. Em 2015, de um total de 330 ingressantes do curso de Computação da USP, apenas 38 eram mulheres.

Muitas vezes, essa disparidade é encarada de forma naturalizada, como se homens fossem biologicamente mais aptos a se envolverem com tecnologia. Mas sabemos que essa é uma realidade que foi construída socialmente. Muitas das pioneiras da computação eram mulheres, e por muito tempo o número de mulheres estudando o assunto crescia mais rápido que o número de homens. Nesse artigo da NPR, entendemos que na década de 80, ao mesmo tempo em que a participação das mulheres no campo da computação começou a diminuir, os computadores passaram a ser comercializados mais amplamente, sendo promovidos como brinquedos “para meninos”.

 
dados
 
Hoje em dia, filmes e séries continuam a retratar o mercado de TI como um espaço quase que exclusivamente masculino. Além da falta de referências femininas nas áreas de exatas, vivemos em um cenário em que poucas escolas incentivam suas alunas a programarem. Isso tudo acaba invisibilizando a existência de mulheres programadoras e inibindo que mais meninas se envolvam com a área.

 
conhece prog
 
Considerando o quão importante é a programação para o empoderamento feminino, surge o Minas Programam, uma iniciativa que quer ajudar a desconstruir a noção de que os homens são mais aptos a programar. O projeto vai promover um curso de formação básica para mulheres que queiram saber mais sobre programação, mas não sabem por onde começar.

No dia 1º de agosto, às 17h, vai rolar o Debate #MinasProgramam, uma conversa com mulheres incríveis que trabalham com tecnologia. Vai ser um espaço para compartilhar experiências, falar de desigualdade de gênero, e construir coletivamente o curso de programação que acontecerá durante o segundo semestre.

Se você tá com vontade de aprender a programar ou quer saber mais sobre mulheres e tecnologia, você pode acompanhar o Minas Programam pelo Facebook e pelo Twitter.

Mais de Bárbara Paes

Un’ruly: sobre a beleza de mulheres negras

Antonia Opiah é uma cineasta nigeriana-americana que produz vídeos incríveis sobre a relação da mulher negra com beleza e cabelo.

Por muito tempo, a Antonia trabalhou com marketing digital para empresas, mas um dia, ela resolveu se mudar para Paris e criar seu próprio site de lifestyle para mulheres negras, o Un’ruly. Lá, a Antonia escreve um pouco de tudo, sobre música, sobre cultura, sobre arte, sobre movimento negro, sobre Black Lives Matter.

O Un’ruly também tem uma seção super legal chamada working girl, onde Antonia entrevista com mulheres negras com as mais diversas profissões: cantoras, professoras, musicistas, designers, escritoras, estilistas, consultoras, atrizes. Foi através do Un’ruly que a Antonia desenvolveu os projetos “You Can Touch My Hair”, “Pretty” e “On the Street”.
 

 

You Can Touch My Hair

O trabalho da Antonia ficou conhecido em 2013, quando a cineasta lançou um curta-metragem chamado You Can Touch My Hair, onde mulheres negras discutem como seus cabelos estão sempre submetidos a um tipo de atenção que nem sempre é positiva.

 

 

 

Pretty

Em janeiro deste ano, a Antonia lançou uma websérie chamada Pretty. Em “Pretty” mulheres negras de cidades como Londres, Paris, Milão e Nova York falam sobre o que elas acham que significa ser bonita e sobre a relação da mulher negra com os ideais de beleza.

 

 

 
Pretty já tem 16 episódios e a Antonia posta vídeos novos toda semana!

 

 
Na reportagem abaixo, ela fala um pouco mais do projeto, contando que recentemente esteve em Casablanca e em Tel Aviv para gravar episódios. Uma das pessoas que ela entrevistou em Tel Aviv é a Yityish Aynaw, a primeira Miss negra de Israel.

 

 
No primeiro episódio da série, gravado em Paris, as entrevistadas falam sobre o que é considerado bonito ou não na cidade onde elas vivem. Elas contam que pouco a pouco, com o aumento a imigração, a mulher negra passa a ser incluída na noção de beleza francesa, mas também contam que a representação ainda é insuficiente e que ainda rola muita exotificação da mulher negra.

 

 

 

On the Street

A Antonia também tem uma série chamada “On the Street”, onde ela mostra o estilo e cabelo de mulheres negras na rua.

 

 
São vídeos super curtinhos (de um minuto no máximo), em que as entrevistadas falam um pouco do seu visual e das suas escolhas capilares.

 

 
No vídeo abaixo, a Christina conta um pouquinho das suas box braids:

 

 

Siga a Antonia Opiah e seu projeto Un’ruly: Youtube / Facebook 

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sabemos que essa é uma realidade que foi construída socialmente. Muitas das pioneiras da computação eram mulheres, e por muito tempo o número de mulheres estudando o assunto crescia mais rápido que o número de homens. Nesse artigo da NPR, entendemos que na década de 80, ao mesmo tempo em que a participação das mulheres no campo da computação começou a diminuir, os computadores passaram a ser comercializados mais amplamente, sendo promovidos como brinquedos “para meninos”.

 
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Hoje em dia, filmes e séries continuam a retratar o mercado de TI como um espaço quase que exclusivamente masculino. Além da falta de referências femininas nas áreas de exatas, vivemos em um cenário em que poucas escolas incentivam suas alunas a programarem. Isso tudo acaba invisibilizando a existência de mulheres programadoras e inibindo que mais meninas se envolvam com a área.

 
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Considerando o quão importante é a programação para o empoderamento feminino, surge o Minas Programam, uma iniciativa que quer ajudar a desconstruir a noção de que os homens são mais aptos a programar. O projeto vai promover um curso de formação básica para mulheres que queiram saber mais sobre programação, mas não sabem por onde começar.

No dia 1º de agosto, às 17h, vai rolar o Debate #MinasProgramam, uma conversa com mulheres incríveis que trabalham com tecnologia. Vai ser um espaço para compartilhar experiências, falar de desigualdade de gênero, e construir coletivamente o curso de programação que acontecerá durante o segundo semestre.

Se você tá com vontade de aprender a programar ou quer saber mais sobre mulheres e tecnologia, você pode acompanhar o Minas Programam pelo Facebook e pelo Twitter.

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