Para iniciar esse ano, vamos fazer uma breve retrospectiva dos melhores filmes e séries que vimos em 2015:
// LIVRE
A trama é autobiográfica: Cheryl Strayed teve uma infância relativamente difícil e sofre com a morte prematura de sua mãe por causa de um câncer. Depois de alguns anos lidando com esse sentimento, decide fazer a trilha Pacific Crest Trail como um ato simbólico de ressurreição e empoderamento pessoal. A atuação de Reese está arrebatadora. Não é à toa que foi indicada em mais de 15 prêmios diferentes. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// GAROTAS
Karidja Touré, de 21 anos, interpreta Marieme, uma garota de 16 que mora na periferia de Paris com os irmãos e a mãe que mal fica em casa por conta do trabalho de faxineira. O pai nem aparece na história. O irmão mais velho é violento e a agride por qualquer motivo. Ao saber que não conseguirá ingressar no curso técnico por causa das notas baixas, ela fica puta da vida e é aí que ela conhece Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// OLMO E A GAIVOTA
Uma mistura de documentário e ficção, o filme conta a história de uma atriz que descobre a gravidez quando está prestes a entrar em cartaz com o espetáculo “A Gaivota”, de Tchekov. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?
O documentário se propõe a contar todos os fatos da vida da cantora de blues Nina Simone, começando com suas aulas de piano na infância, até como teve que se reerguer para terminar sua carreira de forma digna nos seus últimos anos de vida. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// EX MACHINA
Uma vez feminista, não tive como não imprimir uma crítica à misoginia que existe no cenário atual e no filme. Seguida de uma bela duma misandria muito bem aplicada. O filme é incrível por diversos pontos, vou por partes. Vou contar o mote entre um tópico e outro e já deixo avisado, pode conter spoilers, especialmente a partir do tópico ~ Google, Facebook, Dados. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA
Charlize Theron brilhou no papel de Furiosa, a personagem mais importante a lutar ao lado de Max. Ela rouba a cena ao tentar salvar as mulheres feitas escravas por Immortan Joe para que todas sejam livres em outro lugar.
// DEAR WHITE PEOPLE
Porque Selma recebeu indicações ao Oscar (poucas, menos do que merecia), e “Dear White People” foi completamente ignorado pela academia? Não seria por falta de qualidade técnica, pois a fotografia do filme é boa, a edição muito bem alinhada, roteiro bem amarrado e bom ritmo de trama, além de apresentar boas atuações de seus protagonistas. Além disso, ambos os títulos falam de questões sociais, militância negra e representatividade. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// VICTORIA
O filme todo foi feito em apenas UM TAKE. O filme levou duas horas e meia sem intervalos para os atores, diretor ou equipe técnica. Antes de assisti-lo, não conseguia imaginar como isso seria possível, mas é realmente assim: tudo acontece em sequência e parece muito real (claro que tudo foi filmado em um bairro só de Berlim). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// PARCEIRAS ETERNAS
É um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// QUE HORAS ELA VOLTA?
O filme conta a história da empregada doméstica Val (Casé), que se muda para São Paulo, deixando sua filha pequena Jéssica (Márdila) em Pernambuco, para trabalhar na casa de uma família classe média-alta. Anos depois, Jéssica decide vir morar na capital paulista com a mãe porque sonha em passar no vestibular da FAU-USP. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// THE UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT
A série lida com problemas reais fazendo críticas extremamente pungentes em um humor político e necessário. Há recorte de classe e raça o tempo inteiro e críticas acerca do machismo, xenofobia, mídia sensacionalista, classe alta estadunidense e o poder do homem branco que não é questionado em absolutamente nada e em momento algum, são de uma sensibilidade única. O espectador é bombardeado com piadas irônicas acerca da temática minorias e isso é sem dúvida o que as feministas estavam esperando há algum tempo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// ORPHAN BLACK
Sarah é uma mulher que está ali nos seus vinte e tantos anos e a vida não tem sido muito gentil com ela (quem sempre?). Ela tem uma filha que não vê há quase um ano, se envolveu com um cara errado, está sempre sem grana fazendo bicos ilegais, mas quer consertar tudo isso para poder criar a filha a qualquer custo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// BROAD CITY
Criada por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, que interpretam elas mesmas, a série conta as aventuras e desventuras de duas melhores amigas em seus 20 e poucos anos morando em Nova York, sem grana, cheias de problemas, mas sempre juntas e felizes. A série é apadrinhada pela nossa queridíssima ninja feminista Amy Poehler. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// HOW TO GET AWAY WITH MURDER
Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// JESSICA JONES
A série é ótima como entretenimento: tem uma história atrativa e bem construída, uma protagonista que conquista apesar de não ser “certinha”, ritmo ágil. Mas sua relevância vai além do mundo televisivo. Sem ser didática e apelar para clichês, ela traz à luz um tema necessário que pouco foi abordado na TV, no caso dos abusos psicológicos, e retrata de forma humana o estupro, que vira e mexe é usado como mero recurso para chocar, sem acrescentar em nada à trajetória da personagem. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
Feliz Ano Novo, ovelhitas!
Esperamos que 2016 seja maravilhoso para todas!
Para iniciar esse ano, vamos fazer uma breve retrospectiva dos melhores filmes e séries que vimos em 2015:
// LIVRE
A trama é autobiográfica: Cheryl Strayed teve uma infância relativamente difícil e sofre com a morte prematura de sua mãe por causa de um câncer. Depois de alguns anos lidando com esse sentimento, decide fazer a trilha Pacific Crest Trail como um ato simbólico de ressurreição e empoderamento pessoal. A atuação de Reese está arrebatadora. Não é à toa que foi indicada em mais de 15 prêmios diferentes. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// GAROTAS
Karidja Touré, de 21 anos, interpreta Marieme, uma garota de 16 que mora na periferia de Paris com os irmãos e a mãe que mal fica em casa por conta do trabalho de faxineira. O pai nem aparece na história. O irmão mais velho é violento e a agride por qualquer motivo. Ao saber que não conseguirá ingressar no curso técnico por causa das notas baixas, ela fica puta da vida e é aí que ela conhece Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// OLMO E A GAIVOTA
Uma mistura de documentário e ficção, o filme conta a história de uma atriz que descobre a gravidez quando está prestes a entrar em cartaz com o espetáculo “A Gaivota”, de Tchekov. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?
O documentário se propõe a contar todos os fatos da vida da cantora de blues Nina Simone, começando com suas aulas de piano na infância, até como teve que se reerguer para terminar sua carreira de forma digna nos seus últimos anos de vida. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// EX MACHINA
Uma vez feminista, não tive como não imprimir uma crítica à misoginia que existe no cenário atual e no filme. Seguida de uma bela duma misandria muito bem aplicada. O filme é incrível por diversos pontos, vou por partes. Vou contar o mote entre um tópico e outro e já deixo avisado, pode conter spoilers, especialmente a partir do tópico ~ Google, Facebook, Dados. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA
Charlize Theron brilhou no papel de Furiosa, a personagem mais importante a lutar ao lado de Max. Ela rouba a cena ao tentar salvar as mulheres feitas escravas por Immortan Joe para que todas sejam livres em outro lugar.
// DEAR WHITE PEOPLE
Porque Selma recebeu indicações ao Oscar (poucas, menos do que merecia), e “Dear White People” foi completamente ignorado pela academia? Não seria por falta de qualidade técnica, pois a fotografia do filme é boa, a edição muito bem alinhada, roteiro bem amarrado e bom ritmo de trama, além de apresentar boas atuações de seus protagonistas. Além disso, ambos os títulos falam de questões sociais, militância negra e representatividade. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// VICTORIA
O filme todo foi feito em apenas UM TAKE. O filme levou duas horas e meia sem intervalos para os atores, diretor ou equipe técnica. Antes de assisti-lo, não conseguia imaginar como isso seria possível, mas é realmente assim: tudo acontece em sequência e parece muito real (claro que tudo foi filmado em um bairro só de Berlim). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// PARCEIRAS ETERNAS
É um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// QUE HORAS ELA VOLTA?
O filme conta a história da empregada doméstica Val (Casé), que se muda para São Paulo, deixando sua filha pequena Jéssica (Márdila) em Pernambuco, para trabalhar na casa de uma família classe média-alta. Anos depois, Jéssica decide vir morar na capital paulista com a mãe porque sonha em passar no vestibular da FAU-USP. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// THE UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT
A série lida com problemas reais fazendo críticas extremamente pungentes em um humor político e necessário. Há recorte de classe e raça o tempo inteiro e críticas acerca do machismo, xenofobia, mídia sensacionalista, classe alta estadunidense e o poder do homem branco que não é questionado em absolutamente nada e em momento algum, são de uma sensibilidade única. O espectador é bombardeado com piadas irônicas acerca da temática minorias e isso é sem dúvida o que as feministas estavam esperando há algum tempo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// ORPHAN BLACK
Sarah é uma mulher que está ali nos seus vinte e tantos anos e a vida não tem sido muito gentil com ela (quem sempre?). Ela tem uma filha que não vê há quase um ano, se envolveu com um cara errado, está sempre sem grana fazendo bicos ilegais, mas quer consertar tudo isso para poder criar a filha a qualquer custo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// BROAD CITY
Criada por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, que interpretam elas mesmas, a série conta as aventuras e desventuras de duas melhores amigas em seus 20 e poucos anos morando em Nova York, sem grana, cheias de problemas, mas sempre juntas e felizes. A série é apadrinhada pela nossa queridíssima ninja feminista Amy Poehler. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// HOW TO GET AWAY WITH MURDER
Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// JESSICA JONES
A série é ótima como entretenimento: tem uma história atrativa e bem construída, uma protagonista que conquista apesar de não ser “certinha”, ritmo ágil. Mas sua relevância vai além do mundo televisivo. Sem ser didática e apelar para clichês, ela traz à luz um tema necessário que pouco foi abordado na TV, no caso dos abusos psicológicos, e retrata de forma humana o estupro, que vira e mexe é usado como mero recurso para chocar, sem acrescentar em nada à trajetória da personagem. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
Para iniciar esse ano, vamos fazer uma breve retrospectiva dos melhores filmes e séries que vimos em 2015:
// LIVRE
A trama é autobiográfica: Cheryl Strayed teve uma infância relativamente difícil e sofre com a morte prematura de sua mãe por causa de um câncer. Depois de alguns anos lidando com esse sentimento, decide fazer a trilha Pacific Crest Trail como um ato simbólico de ressurreição e empoderamento pessoal. A atuação de Reese está arrebatadora. Não é à toa que foi indicada em mais de 15 prêmios diferentes. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// GAROTAS
Karidja Touré, de 21 anos, interpreta Marieme, uma garota de 16 que mora na periferia de Paris com os irmãos e a mãe que mal fica em casa por conta do trabalho de faxineira. O pai nem aparece na história. O irmão mais velho é violento e a agride por qualquer motivo. Ao saber que não conseguirá ingressar no curso técnico por causa das notas baixas, ela fica puta da vida e é aí que ela conhece Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// OLMO E A GAIVOTA
Uma mistura de documentário e ficção, o filme conta a história de uma atriz que descobre a gravidez quando está prestes a entrar em cartaz com o espetáculo “A Gaivota”, de Tchekov. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?
O documentário se propõe a contar todos os fatos da vida da cantora de blues Nina Simone, começando com suas aulas de piano na infância, até como teve que se reerguer para terminar sua carreira de forma digna nos seus últimos anos de vida. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// EX MACHINA
Uma vez feminista, não tive como não imprimir uma crítica à misoginia que existe no cenário atual e no filme. Seguida de uma bela duma misandria muito bem aplicada. O filme é incrível por diversos pontos, vou por partes. Vou contar o mote entre um tópico e outro e já deixo avisado, pode conter spoilers, especialmente a partir do tópico ~ Google, Facebook, Dados. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA
Charlize Theron brilhou no papel de Furiosa, a personagem mais importante a lutar ao lado de Max. Ela rouba a cena ao tentar salvar as mulheres feitas escravas por Immortan Joe para que todas sejam livres em outro lugar.
// DEAR WHITE PEOPLE
Porque Selma recebeu indicações ao Oscar (poucas, menos do que merecia), e “Dear White People” foi completamente ignorado pela academia? Não seria por falta de qualidade técnica, pois a fotografia do filme é boa, a edição muito bem alinhada, roteiro bem amarrado e bom ritmo de trama, além de apresentar boas atuações de seus protagonistas. Além disso, ambos os títulos falam de questões sociais, militância negra e representatividade. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// VICTORIA
O filme todo foi feito em apenas UM TAKE. O filme levou duas horas e meia sem intervalos para os atores, diretor ou equipe técnica. Antes de assisti-lo, não conseguia imaginar como isso seria possível, mas é realmente assim: tudo acontece em sequência e parece muito real (claro que tudo foi filmado em um bairro só de Berlim). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// PARCEIRAS ETERNAS
É um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// QUE HORAS ELA VOLTA?
O filme conta a história da empregada doméstica Val (Casé), que se muda para São Paulo, deixando sua filha pequena Jéssica (Márdila) em Pernambuco, para trabalhar na casa de uma família classe média-alta. Anos depois, Jéssica decide vir morar na capital paulista com a mãe porque sonha em passar no vestibular da FAU-USP. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// THE UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT
A série lida com problemas reais fazendo críticas extremamente pungentes em um humor político e necessário. Há recorte de classe e raça o tempo inteiro e críticas acerca do machismo, xenofobia, mídia sensacionalista, classe alta estadunidense e o poder do homem branco que não é questionado em absolutamente nada e em momento algum, são de uma sensibilidade única. O espectador é bombardeado com piadas irônicas acerca da temática minorias e isso é sem dúvida o que as feministas estavam esperando há algum tempo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// ORPHAN BLACK
Sarah é uma mulher que está ali nos seus vinte e tantos anos e a vida não tem sido muito gentil com ela (quem sempre?). Ela tem uma filha que não vê há quase um ano, se envolveu com um cara errado, está sempre sem grana fazendo bicos ilegais, mas quer consertar tudo isso para poder criar a filha a qualquer custo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// BROAD CITY
Criada por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, que interpretam elas mesmas, a série conta as aventuras e desventuras de duas melhores amigas em seus 20 e poucos anos morando em Nova York, sem grana, cheias de problemas, mas sempre juntas e felizes. A série é apadrinhada pela nossa queridíssima ninja feminista Amy Poehler. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// HOW TO GET AWAY WITH MURDER
Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// JESSICA JONES
A série é ótima como entretenimento: tem uma história atrativa e bem construída, uma protagonista que conquista apesar de não ser “certinha”, ritmo ágil. Mas sua relevância vai além do mundo televisivo. Sem ser didática e apelar para clichês, ela traz à luz um tema necessário que pouco foi abordado na TV, no caso dos abusos psicológicos, e retrata de forma humana o estupro, que vira e mexe é usado como mero recurso para chocar, sem acrescentar em nada à trajetória da personagem. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
A Mag Magrela é uma grafiteira, de 30 anos, que nasceu em São Paulo. Para conhecer seus desenhos, é só olhar alguns muros da cidade e você encontrará figuras femininas, alaranjadas, te encarando em posições quase sempre desconfortáveis.
Como a própria Mag define, seu trabalho “faz dos muros poesia”. Neste sábado (8), a artista lança seu primeiro livro pelo selo Monstrobooks, com fotos de grafites e telas de sete anos de trabalho, no Instituto Chão, que fica na Vila Madalena, zona oeste de SP (saiba mais sobre o evento). Leia trechos da nossa conversa sobre sua história: Ovelha: Mag, você chegou a estudar desenho?
Mag Magrela: Eu sempre desenhei, como toda criança. Lembro da sensação que eu tinha, quando criança, de me realizar com as coisas que eu inventava. Eu pirava. E até hoje eu sou assim com o meu desenho. Só que na minha casa nunca teve essa ideia de ‘ó, você pode ser uma artista’. Aí eu fiz 3 anos de Administração na faculdade que meu pai trabalhava, então não pagava nada, ficava lá moscando até entrar em crise e falar ‘gente, o que eu tô fazendo da minha vida?’. Eu tinha uns 23 anos quando surtei e comecei a questionar ‘o que eu gosto de fazer? o que me realiza? puta, desenhar’. Fiz uma oficina de grafite com o Rui Amaral [um dos pioneiros do movimento do grafite brasileiro] e lá eu conheci uma galera. Com eles, comecei a ir pra rua e não parei mais. Foi autodidata mesmo. Já tentei fazer curso, mas querem me enquadrar e eu não quero desenhar igual a todo mundo.
E o meu desenho muda muito porque eu fui desenhando em casa, buscando movimento porque antes era mais duro. Antes eu fazia só homens, aí comecei a copiar meu corpo, o rosto, e de repente eu estava me fazendo. Eu digo que as mulheres são meu pedacinho. Cada uma me representa de um jeito que eu sou.
Ovelha: Já aconteceu de você se decepcionar com o seu grafite?
Mag: Já me frustrei de querer fazer uma coisa e não conseguir porque eu não tinha ideia de proporção. Daí ou você apaga e começa de novo ou você deixa assim e foda-se. Bem quando eu comecei a grafitar, eu ficava muito tempo no muro tentando entender a personagem. Mas eu sou bem desapegada. Às vezes eu acho que deveria ser mais dedicada. Ovelha: Como você escolhe o local onde você vai grafitar?
Mag: Eu sempre estou de olho nos muros. Quando frequento algum lugar, daí passo, olho e às vezes tenho que pedir autorização de alguém ou, às vezes, o muro tá lá abandonado. Mas o engraçado é que cada um olha a cidade de um jeito. Os grafiteiros e os fotógrafos, por exemplo, olham a cidade completamente diferente das outras pessoas. Eu olho para o lugar e penso ‘olha esse muro que delícia’ e já imagino o meu trabalho ali.
Ovelha: Você tem algum muro favorito ou já voltou para ver como está um desenho seu?
Mag: Não gosto de voltar pra ver, mas gosto muito de vários. Cada muro tem uma história diferente. Tem muro que passa a polícia, daí você tem que desenrolar e já se torna especial porque foi uma conquista. Tem um na Lapa que eu gostei muito de pintar, embaixo da ponte, perto do trem, que é do lado de uma delegacia de polícia. Quando eu estava terminando, os policiais vieram me rodeando, mas não me abordaram. Eles não sabem muito como agir, é engraçado. Ovelha: Algum desenho seu já foi apagado ou pichado?
Mag: Muitos grafites meus foram apagados bem na época do [prefeito Gilberto] Kassab por causa da Lei Cidade Limpa. Na verdade, aprendi até a desapegar por conta disso. Mas pichados só uma vez por uma molecada aqui na Vila Madalena. Geralmente tem esse respeito entre grafiteiro e pichador. Ninguém se atropela. É uma lei da rua bacana e a gente se entende dessa forma. Ovelha: Você se importa mais com o processo da obra ou com o resultado?
Mag: O momento que eu estou ali fazendo é muito foda. A gente não sabe o que vai acontecer. Eu tô de costas para o mundo. Tem que confiar. É uma entrega e você tem tanta liberdade. Você pode fazer sujeira e ninguém vai falar nada. É um momento muito mágico. Só quem está ali pintando entende. E também eu aprendi muito a criar sozinha porque eu pintava muito, no começo, com amigos e isso foi se desfazendo. E aí é outra brisa também porque você entra no seu mundinho.
Ovelha: Você se preocupa com a segurança quando está grafitando?
Mag: Você tem que saber onde está indo pintar. A gente que é mulher, quando está quente, infelizmente não posso ir com um shortinho e uma blusinha porque eu sei que vou sofrer, então vou com uma roupa mais larga para não chamar a atenção. Vou na Cracolândia e fico com um pouco de receio porque a galera tá muito louca. Mesmo assim eles piram no grafite. Nunca sofri nada porque estava pintando. Gente louca ou bandido da área ou polícia ou mauricinho, todo mundo chega e troca ideia na boa. Eu me sinto muito segura quando vou grafitar, como se estivesse com uma armadura porque sinto que a arte faz isso: conecta as pessoas. Ovelha: Como o grafite influencia sua relação com a cidade?
Mag: Minha vida sempre foi voltada pro centro da cidade, que era onde eu estudava e onde moravam minhas amigas, e Vila Madalena, que é onde eu moro. O grafite me fez conhecer todos os lugares da cidade. Ia pra zona leste, zona sul, ia pra favela, pros granfinos. Fui pra todo canto, pra fora do país, viajei. O grafite é aceito cada vez mais em todos os lugares e isso é do caralho pra mim. Ovelha: Quando você percebeu que estava desenhando mulheres mais que qualquer outra coisa?
Mag: É maluco isso porque, quando comecei, eu não queria fazer mulheres por não saber o que fazer com isso mesmo. Aí desenhando muito você vai se copiando, tendo seu corpo como referência, e acaba fazendo o que você mais vê na vida, que é você mesmo. Mas não sei exatamente quando foi isso. Talvez de 2009 para 2010. E elas começaram a ir para uma figura meio pesada, escura, meio retangular, mas meu trabalho muda o tempo inteiro. Ovelha: E elas parecem meio frágeis, tensas, muitas vezes sangrando.
Mag: É muito como eu me sinto. Às vezes eu estou muito encolhida, às vezes mais relaxada, então depende muito. Elas são como eu estou me sentindo naquele momento. Quando comecei a fazer ioga, faz pouco tempo, pirei tanto que comecei a fazer umas mulheres contorcidas. É muito reflexo de mim. O lance do sangue também é legal. Antes, eu fazia uns buraquinhos de bala de tiro nelas, mas não tinha sangue. Passei por um momento de separação, de relacionamento, e foi bem maluco pra minha cabeça. Aí eu fiz uma tela e sangrei nela. Aquilo foi um alívio pra mim, como se eu estivesse há muito tempo querendo pôr pra fora aquilo. Parecia que era eu sangrando.
Ovelha: E algumas têm vaginas disfarçadas, outras não.
Mag: Muitas pessoas acham que são flores e não deixam de ser, né. Em 2010, eu estava fazendo uma tela gigante e senti uma energia feminina que veio em mim, que eu comecei a me sentir mulher. Foi muito louco e pirei na tela. Desenhei dois planetas de bucetas, aí tem uma mulher em cima de um planetinha e um homem no outro. Aí pronto. As bucetas começaram a aparecer sempre no meu trabalho. Começou bem agressivo. Fiz uma tela que chama ‘cara de buceta’, que é uma mulher com uma buceta na cara, que era o jeito que eu estava me sentindo na época no meu relacionamento e achava que o cara só queria isso comigo. Comecei a questionar várias coisas de relação entre homem e mulher. Hoje em dia acho que ela vem com mais sutileza, para carimbar essa energia feminina, esse poder da libido, e de manipular os homens com o sexo. Quem já não fez isso?
Ovelha: Por que você usa azulejo no grafite?
Mag: Logo que eu voltei de Portugal, tive a brisa de usar esses caquinhos quebrados de azulejo na parede. Fui em 2012 pra lá e busquei a história dos meus avós. Meu vô era pedreiro e usava muito isso. Aí eu pirei e acho que ninguém tinha feito isso antes no grafite. Também fiz três telas com fundo de azulejo. Quero usar mais essa técnica porque fica muito elegante. É a mesma coisa da buceta que é sutil. A pessoa acha aquilo lindo, mas tem uma puta mensagem pesada ali. É uma coisa que eu saquei. Meu trabalho era muito bruto, agressivo. Hoje as pessoas gostam mais. Ovelha: E a relação da poesia com o seu desenho?
Mag: A palavra sempre foi muito forte pra mim. Quando eu tinha uns 13 anos, já gostava muito de escrever uns contos, e eu escrevia umas coisas tão pesadas na época. Mas não teve uma frequência. Parei de escrever e voltei há alguns anos em um blog, só pra mim. Mas eu gosto de dar um título pro desenho que não seja óbvio e tenha uma poesia nele e, às vezes, a poesia me traz o desenho.
A trama é autobiográfica: Cheryl Strayed teve uma infância relativamente difícil e sofre com a morte prematura de sua mãe por causa de um câncer. Depois de alguns anos lidando com esse sentimento, decide fazer a trilha Pacific Crest Trail como um ato simbólico de ressurreição e empoderamento pessoal. A atuação de Reese está arrebatadora. Não é à toa que foi indicada em mais de 15 prêmios diferentes. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// GAROTAS
Karidja Touré, de 21 anos, interpreta Marieme, uma garota de 16 que mora na periferia de Paris com os irmãos e a mãe que mal fica em casa por conta do trabalho de faxineira. O pai nem aparece na história. O irmão mais velho é violento e a agride por qualquer motivo. Ao saber que não conseguirá ingressar no curso técnico por causa das notas baixas, ela fica puta da vida e é aí que ela conhece Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// OLMO E A GAIVOTA
Uma mistura de documentário e ficção, o filme conta a história de uma atriz que descobre a gravidez quando está prestes a entrar em cartaz com o espetáculo “A Gaivota”, de Tchekov. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?
O documentário se propõe a contar todos os fatos da vida da cantora de blues Nina Simone, começando com suas aulas de piano na infância, até como teve que se reerguer para terminar sua carreira de forma digna nos seus últimos anos de vida. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// EX MACHINA
Uma vez feminista, não tive como não imprimir uma crítica à misoginia que existe no cenário atual e no filme. Seguida de uma bela duma misandria muito bem aplicada. O filme é incrível por diversos pontos, vou por partes. Vou contar o mote entre um tópico e outro e já deixo avisado, pode conter spoilers, especialmente a partir do tópico ~ Google, Facebook, Dados. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA
Charlize Theron brilhou no papel de Furiosa, a personagem mais importante a lutar ao lado de Max. Ela rouba a cena ao tentar salvar as mulheres feitas escravas por Immortan Joe para que todas sejam livres em outro lugar.
// DEAR WHITE PEOPLE
Porque Selma recebeu indicações ao Oscar (poucas, menos do que merecia), e “Dear White People” foi completamente ignorado pela academia? Não seria por falta de qualidade técnica, pois a fotografia do filme é boa, a edição muito bem alinhada, roteiro bem amarrado e bom ritmo de trama, além de apresentar boas atuações de seus protagonistas. Além disso, ambos os títulos falam de questões sociais, militância negra e representatividade. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// VICTORIA
O filme todo foi feito em apenas UM TAKE. O filme levou duas horas e meia sem intervalos para os atores, diretor ou equipe técnica. Antes de assisti-lo, não conseguia imaginar como isso seria possível, mas é realmente assim: tudo acontece em sequência e parece muito real (claro que tudo foi filmado em um bairro só de Berlim). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// PARCEIRAS ETERNAS
É um filme dirigido por Susanna Fogel sobre amizade nesse período estranho em que não somos mais jovens, mas também não temos a estabilidade que esperamos dos adultos (porque, na verdade, estamos à beira de descobrir que essa é a maior mentira desde o Papai Noel). DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// QUE HORAS ELA VOLTA?
O filme conta a história da empregada doméstica Val (Casé), que se muda para São Paulo, deixando sua filha pequena Jéssica (Márdila) em Pernambuco, para trabalhar na casa de uma família classe média-alta. Anos depois, Jéssica decide vir morar na capital paulista com a mãe porque sonha em passar no vestibular da FAU-USP. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// THE UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT
A série lida com problemas reais fazendo críticas extremamente pungentes em um humor político e necessário. Há recorte de classe e raça o tempo inteiro e críticas acerca do machismo, xenofobia, mídia sensacionalista, classe alta estadunidense e o poder do homem branco que não é questionado em absolutamente nada e em momento algum, são de uma sensibilidade única. O espectador é bombardeado com piadas irônicas acerca da temática minorias e isso é sem dúvida o que as feministas estavam esperando há algum tempo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// ORPHAN BLACK
Sarah é uma mulher que está ali nos seus vinte e tantos anos e a vida não tem sido muito gentil com ela (quem sempre?). Ela tem uma filha que não vê há quase um ano, se envolveu com um cara errado, está sempre sem grana fazendo bicos ilegais, mas quer consertar tudo isso para poder criar a filha a qualquer custo. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// BROAD CITY
Criada por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, que interpretam elas mesmas, a série conta as aventuras e desventuras de duas melhores amigas em seus 20 e poucos anos morando em Nova York, sem grana, cheias de problemas, mas sempre juntas e felizes. A série é apadrinhada pela nossa queridíssima ninja feminista Amy Poehler. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// HOW TO GET AWAY WITH MURDER
Experiente, Viola Davis só vive agora, aos 49 anos, a sua primeira protagonista, e o faz com maestria: Annalise Keating é uma mulher negra americana, advogada e professora de Direito Penal. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.
// JESSICA JONES
A série é ótima como entretenimento: tem uma história atrativa e bem construída, uma protagonista que conquista apesar de não ser “certinha”, ritmo ágil. Mas sua relevância vai além do mundo televisivo. Sem ser didática e apelar para clichês, ela traz à luz um tema necessário que pouco foi abordado na TV, no caso dos abusos psicológicos, e retrata de forma humana o estupro, que vira e mexe é usado como mero recurso para chocar, sem acrescentar em nada à trajetória da personagem. DÁ MAIS UMA LIDA AQUI.