Assista: Raw

A Ovelha já indicou Raw em um post em que recomendamos diversos filmes de terror dirigidos e protagonizados por mulheres, escrito pela Fabi Oda. Porém, com o Halloween chegando, acreditamos que Raw merece uma resenha só pra ele.


 

Sinopse

Justine – interpretada de forma genial e intensa por Garance Marillier – não questionou seu futuro como estudante de veterinária; muito em função de seus pais serem veterinários e terem cursado a mesma instituição, ou mesmo por ter sido criada desde pequena como vegetariana e assim é visível sua empatia com os animais – senão também, a imensa sensação de reconhecimento neles.

Todavia, o que Justine não esperava, era todo conforto na lembrança familiar ser logo arrebatado pela sua nova vida, sendo tal início marcado por um ritual de passagem que não escolheu fazer parte: o trote de faculdade obrigado à todos os calouros, dentre os abusos, todos deviam comer carne crua de coelho. Justine resiste, mas logo entende que precisa fazer parte, e cede.

Como consequência da ingestão, no mesmo dia ela adoece, e seu corpo entra num estado de alergia e contaminação alimentar intenso como efeito colateral, mas nesse processo é também despertada um desejo crescente por mais carne; logo, torna-se difícil diferenciar se ela passa por uma febre de repulsa, ou uma febre de abstinência. Por mais que tente resistir, a fome está instaurada e só há sossego quando é sanada, isso através da primeira vez que Justine experimenta a carne humana. Porém, o que ela agora começa à entender, é que a fome continua.

 

Direção feminina em gêneros de suspense e terror

Tão fascinante quanto o filme, é sua diretora Julia Ducournau. Em 2011, ela dirigiu um curta-metragem chamado “Junior” – também protagonizado por uma muito mais jovem Garance Marillier – sobre uma garota que começa à trocar de pele após ser picada por um inseto. Todas suas protagonistas são mulheres, e todas subvertem o estereótipo contido ao feminino em filmes de terror.

Ela explica seu fascínio pela carne como algo que herdou por ser filha de médicos (seu pai é dermatologista, e a mãe é ginecologista), sendo que busca na película uma forma de provocar reflexões sobre a falta de controle que temos biologicamente sobre nossos corpos, que possui autonomia biológica para tanto realizar mutações, ou mesmo responder ao instinto. Ainda, como tudo isso gera questões na construção identitária. Pois, o quanto eu sou meu corpo? Ou o quanto meu corpo sou eu?

Para a criação de “Raw”, Julia diz que sua maior motivação era criar uma personagem canibal no qual fosse possível a conexão e empatia, ou mesmo representá-la em estados tremendos de fragilidade ou delicadeza, mas mesmo assim não havendo escolha senão sucumbir aos seus desejos.

Fazendo um paralelo com o filme “Neon Demon”, lançado no mesmo ano e dirigido por Nicolas Winding Refn, é possível ver como o tema canibalismo na vivência feminina pela visão de um diretor homem é representada através de uma força sexual descontrolada, movido pela luxúria e prazeres da carne. Enquanto foi completamente muito mais instigante – e um alívio – poder ver o tema trazido por uma diretora mulher, pois em “Raw” a temática canibalismo é trazida através de uma jovem protagonista mulher lutando contra sua natureza instintiva, a monstruosidade inerente à todo indivíduo, e ainda, tudo aquilo que nos consome e que desejamos consumir.

Assim, discordo totalmente da opinião de que o canibalismo de Justine é movido por sua “entrada na sexualidade”, não, Justine é um ser sexual simplesmente por isso ser natural à sua condição humana. Precisamos parar de fetichizar a vivência de mulheres como se o sexo fosse sempre o principal ponto de guinada em seus arcos históricos. O sexo é apenas bode expiatório da personagem para sufocar seus verdadeiros anseios. O canibalismo é a entrada na construção de seu verdadeiro “eu”, é o início na jornada de sua verdadeira história.

Se trata da perda de inocência através de entender como o mundo também pode ser cruel, e como nós mesmos podemos ser criaturas com vontades monstruosas.

 

Mulher x Animal: relações de poder

Há vários momentos no qual é possível ver o corpo frágil e esquálido de Justine, em relação à corpos vigorosos de cavalos sendo estudados na universidade de veterinária. Esse paralelo é trazido à tona exatamente para revelar a natureza instintiva de ambos, mas como cada qual está igualmente enclausurados: seja pela moral, seja pela homem. Além disso, há pequenas discussões que tratam de abuso e consentimento por animais, além de toda a questão sobre o vegetarianismo/veganismo no filme, no qual me lembrou discursos feministas sobre a política sexual da carne, estruturas de poder e abolicionismo.

 

Raiva: descontrole na não-escolha

Desde quando os pais de Justine a deixam no campus da universidade, ela vivencia situações seguidas de violência vinda de terceiros. Seja física, verbal, ou emocional, e é como se ela não tivesse força para revidar, ou mesmo estivesse aprendendo à sobreviver nessa nova perspectiva. Ainda, principalmente homens são algozes dessas situações, e principalmente esses, são aqueles mortos e ingeridos; o que sustenta ainda mais a compreensão de que o canibalismo também surge como a única, incontrolável e instintiva forma de defesa da personagem contra tudo aquilo que há oprime.

 

Irmandade feminina: Justine e Alexia e Mãe

Há uma personagem essencial que percorre o viés da história inteira, e que compartilho bem pouco (ou quase nada) pois o arco de sua construção é simplesmente a cereja do bolo deste filme. Assim, só digo que há cenas emocionantes no qual a irmandade do feminino é simplesmente imensa, e principalmente a amizade entre mulheres é representada de forma subversiva, ao mesmo tempo amorosa e acalentadora.

Ainda, é incrível a força da mãe de Justine, que transborda à uma personalidade controladora e castradora, mas intensa e objetiva. Enquanto isso, o pai parece emasculado por todas essas presenças femininas e ainda servil, no final, esse cenário é algo que percorre todo o filme: o masculino sucumbindo à força do feminino.

Como mulher racializada, me incomoda e é preciso sim ser feita a crítica de que os únicos indivíduos racializados são coadjuvantes e em papéis duvidosos.

Porém, “Raw” é uma redenção à todo exploração feminina no gênero de terror. Julia Ducournau é um alento em seu ímpeto de propor obras com protagonistas mulheres complexas e humanas, em vivências plurais de suas decadências e desejos. E que esta seja a ponta do iceberg de um contemporâneo possível de cada vez mais vermos diretoras e protagonistas produzindo, interpretando e criando filmes que ampliem as vivências do feminino em muito além.
 

As animações de Min Liu

 

Min Liu é uma motion designer taiwandesa SENSACIONAL.

 

 

Dentre seus trabalhos, estão o clipe Bang da Anitta. Lembra daquelas pequenas animações do clipe?

Então minha gente Min Liu que fez.

 

 

MAAAS o trabalho mais cool dessa designerrr maravilhosa são seus gifs do projeto BLOODY DAIRY. São conjuntos de vários gifs que misturam idéias macabras em ações cotidianas. Acho que um gif vale mais que mil palavras, certo?

 





 

Aproveita e corre no site dela pra dar uma conferida em todos os gifs!
Siga Min Liu: Site / Behance / Instagram

 

Assista, ouça e conheça: Chavela Vargas

Chavela Vargas morreu em 5 de agosto de 2012 no México. Morreu depois de fazer o que mais gostava: cantar. Depois de seu último show, feito na Espanha, ela caiu doente e pediu à sua agente que se apressasse a voltar ao México. A morte se aproximasse e ela queria se deixar levar por ela em seu país.

A música e a solidão calada de seu falecimento definem bem, de certa forma, os 93 anos vividos por esse grande ícone da música tradicional mexicana e do movimento de mulheres lésbicas no México. A vida dessa cantora de rancheras que se atreveu a enfrentar padrões sociais é retratada lindamente em uma hora e meia de fotos antigas, entrevistas, imagens de shows e muitos outros materiais coletados pelas diretoras Catharine Gund e Daresha Kyi no seu filme documental “Chavela”.

Foto de Maj Lindström

Em uma época que mulheres mexicanas usavam vestidos floridos, tinham fala doce e eram muito submissas aos homens, Chavela se vestia com calças, camisas e ponchos e mantinha casos com diferentes mulheres, inclusive com nada mais nada menos do que com Frida Kahlo – sim, ela mesma. A cantora fez inclusive uma participação no filme “Frida”, em que canta “La Llorona”.

Frida Kahlo e Chavela Vargas (Aubin Pictures)

Isabel Vargas Lizano chegou à Cidade do México nos anos 30, ainda adolescente. Vinha de uma cidade pequena da Costa Rica, onde nasceu e já teve as primeiras dificuldades por sua aparência e identidade de gênero. Seus pais, um casal muito católico e tradicional, tinham vergonha da filha por não se comportar da forma feminina esperada. Por vezes, quando tinham visita, eles a escondiam no quarto tanto era o medo do julgamento alheio. Quando a separação veio, a pequena Isabel foi morar com tios que não a tratavam tão diferente dos pais.

Fugiu para o México, um país cheio de cultura e música que prometia tanto. “O México me recebeu, mas não foi com beijos e abraços, mas a tapas e pontapés. Como se dissesse ‘agora vou te fazer mulher’”, relembra a própria Chavela. Quando chegou, a adolescente começou a cantar nas ruas da Cidade do México. Ao longo dos anos começou a levar sua voz para bares e foi ganhando espaço na cena boêmia da cidade. Nos anos 50, ela já era um sucesso local.

Chavela se tornou cantora profissional muito em parte pela admiração do compositor José Alfredo Jiménez, seu amigo de festas e bebedeiras. Nessa época, a cantora já era conhecida por sua aparência rebelde: usava ponchos e calças; o cabelo estava sempre preso; os sapatos altos nem entravam em questão. De “Marimacho” ela era chamada muitas vezes por esse estilo masculino. Mas também foi esse estilo masculino que a fez ganhar respeito dentro da cena de música ranchera.

Foto de Ysunza

Além da forma de se vestir, Chavela também tinha que se comportar como os “típicos machos” mexicanos: carregava uma pistola consigo e “bebia mais do que os machos bebiam, ela tinha que se mostrar mais macho que os próprios homens”, descreve uma das entrevistadas no documentário. Em uma sociedade em que mulheres, e principalmente mulheres lésbicas, não eram respeitadas, a solução era se tornar quase que uma espécie de homem, como se fosse necessário negar a identidade feminina para se obter sucesso.

Toda essa pressão em cima de seu comportamento a levou a frequentar cada vez mais festas e a beber cada vez mais. O resultado foi um severo alcoolismo e um isolamento. Em um determinado momento, ela deixa a música e passa a se dedicar somente à bebida.

É por uma paixão a uma mulher que Chavela começa a esquecer das garrafas de tequila. Depois de 12 anos fora dos palcos, ela retorna com seu talento e com a garganta úmida apenas de água.

Seu renascimento acontece já na década de 1990, quando Chavela já tinha 70 anos e os tempos já eram outros. Sua aparência e orientação sexual já não eram problema tão grande (todas nós sabemos que mesmo em tempos diferentes, isso AINDA é um problema em muitos espaços sociais). É apenas nessa segunda fase de sua carreira que a cantora se assume abertamente como homossexual. No México dos anos 50, os (muitos) casos de Chavela com mulheres já estavam na boca do povo em forma de fofocas, mas a palavra “lésbica” ainda tinha um peso negativo e era quase que impronunciável.

Muitos definem a voz de Chavela como algo tão pesado e marcante que levava qualquer um facilmente às lágrimas. Uma das entrevistadas define sua voz como o tom perfeito para interpretar o canto desesperado e emocionado da música folclórica mexicana. De fato. Chavela parecia ter uma voz que vinha de um lugar fundo de sua mente e de seu ser. Parecia tomada de uma força incrível. Ela mesma diz que quando fazia pausas durante os versos não era porque havia se esquecido a letra, mas para se preparar para o verso que estava por vir.

Uma das definições que achei mais bonita sobre seu estilo de cantar é a dada por Pedro Almodóvar. O diretor usou muitas de suas músicas em seus filmes, como em “De Salto Alto” e “Kika”, e diz que chorava ouvindo suas canções. Almodóvar relembra que Chavela era uma cantora muito corpórea e orgânica, por isso, quando colocava sua música em uma cena, era como se a personagem continuasse falando através da voz de Chavela.

Muito provavelmente a força com que se deixava levar pelos seus cantos vinha dos anos de solidão e dificuldades que passou. Isso fica claro no documentário, assim como a importância dessa mulher única para gerações futuras de mulheres que não se sentem representadas por estereótipos femininos latino-americanos. Chavela Vargas abriu caminhos com sua voz: “eu canto para todas as mulheres do mundo, para as mães, as filhas, as irmãs, as esposas e as amantes”.

Assista: Cara Gente Branca

“Vocês realmente acharam que essa série é sobre vocês?”. Este é um dos slogans de divulgação de Cara Gente Branca, nova série original da Netflix. A julgar pelo nome, é de se esperar que as pessoas brancas acreditem que a história é sobre elas. Muitas na verdade acharam e, antes mesmo da primeira temporada ter sido lançada, a produção já sofria boicote de pessoas que se sentiram ofendidas somente pelo trailer.

Quando assisti ao filme que originou a série, eu não havia percebido isso – talvez por isso, nomeei minha review de “Um filme para as queridas pessoas brancas”, mesmo tendo sentido que a história, principalmente das personagens Sam e Coco falavam diretamente comigo. Mas a profundidade que a trama ganhou nesta nova versão deixa bem claro para qualquer um que Cara Gente Branca é, na verdade sobre pessoas negras.

Se você fizer questão de justificar o título, eu diria que é uma série sobre pessoas negras lutando por educação e qualidade de vida em sistema majoritariamente branco, representado pela universidade de Winchester. Todas as tramas, na série mais desenvolvidas, mostram diferentes camadas provocadas pelo racismo, por sua vez, provocado e mantido por pessoas brancas que têm forte dificuldades de assumir privilégios.

Logo, você pessoa branca deveria assistir essa série do mesmo modo que recomendei assistir ao filme: com um bloco de notas na mão. Reflita internamente, pondere seus próprios privilégios. Cara Gente Branca pode ser muito educativa para quem não tem consciência do quão o racismo é nocivo, até mesmo (ou principalmente) aqui no Brasil, embora a série seja de uma perspectiva african-american.

“Vocês realmente acharam que essa série é sobre vocês?”

Tendo feito minha recomendação para os brancos, sigo esta resenha para pessoas negras pois, acreditem, esta série é sobre nós. E faço isso com cuidado. Ao longo da temporada, reencontrei a mesma bomba de informações e questões raciais vagando pela minha cabeça que tive após assistir ao filme. Mas muito maior. Por isso, escrevo com calma, um pouco após cada episódio, para tentar não deixar nenhuma pauta trazida por Cara Gente Branca me escapar, pois todas elas merecem um debate profundo.

Assim como no longa, a história é um tapa na cara para quem acredita no fim do racismo. Demonstrando que o problema é real e não somente nos livros de história. Mantém o humor sarcástico e a fotografia impecável, mas, fora isso, acaba se diferenciando em termos de profundidade.

A série da Netflix tem muito mais tempo e espaço para explorar todas as questões dos quatro personagens centrais presentes no filme – Sam, Lionel, Troy e Coco. Se inicialmente eu havia me identificado com Sam e Coco e suas lutas estéticas e políticas para serem aceitas, – Sam como uma mulher negra mestiça e Coco com uma mulher negra de pele escura passando por embranquecimento – a versão em série da história provoca ainda mais identificação pois amplia as jornadas pessoais de cada um.

Pessoalmente, me identifiquei ainda mais com Lionel e sua dificuldade de se encaixar na tanto na comunidade branca quanto na comunidade negra, no caso dele, em função da homossexualidade – outro tópico urgente para uma série sobre pessoas negras. Lionel também trás o esforço para, como jornalista, contar histórias de negros de forma honesta, chamando atenção para questões raciais e, muitas vezes, falhando quando opiniões formadas por anos e anos de desigualdade entram no caminho.

A forma como Troy também precisa se ajustar a estereótipos para ser aceito, tudo sem largar sua negritude, também é mais aprofundada na série, muito embora demonstre os privilégios de quando este problema ocorre com um homem, se compararmos sua história com a de Coco.

É doloroso ver as lutas pessoais de Coco pois elas são as lutas de muitas mulheres negras. Sua procura por homens em meio a sua construção profissional na faculdade pode parecer uma pauta problemática para feministas brancas. Uma garota inteligente como ela deveria estar pensando no futuro sozinha. Ela não precisa de um homem, certo? Certo. Ela não precisa.

Mas, ao falar de solidão da mulher negra, é preciso ter em mente que muitas vezes não houveram relacionamentos sólidos, tampouco saudáveis, para construir um entendimento de que se pode viver bem sozinha. Além disso, é uma uma mulher negra bem educada nessa jornada pelo homem perfeito, logo, podemos acreditar que ela tem o poder de escolha de fazer esta procura, algo tão facilmente adaptado a narrativas com mulheres brancas como protagonistas – ou não estávamos todas querendo saber com quem Rory Gilmore ia ficar no final de Gilmore Girls, por exemplo?  

Se Cara Gente Branca fosse uma comédia romântica, Coco seria branca e seria normal vê-la buscando pelo cara perfeito. Mas Coco é uma mulher negra que é vista como fetiche para os homens, sejam eles brancos ou negros. Logo, sua vida amorosa não é nada fácil de ser contada.  

A série tem ainda mais dois personagens de destaque, um deles, um homem branco: Gabe. Quando notei que o namorado branco de Sam estaria mais presente na versão da Netflix, fiquei com um pé atrás: mais uma história sobre racismo que trás um homem branco como herói? Mas eis que o episódio sete provou que Gabe não estava ali para isto. Sua adição a história foi necessária para mostrar que amar uma pessoa negra não lhe dá conhecimento sobre nossas vivências, tampouco o imune de cometer racismo. Logo, a questão de relacionamentos interraciais está de volta na versão da série, porém, melhor explorada.

Por fim, mas não menos importante, Reggie cresceu do filme para a série para ser o centro da pauta “vidas negras importam”. O quinto episódio, do seu ponto de vista, expõe todas as camadas de medo, humilhação, dor e tristeza que o racismo pode provocar em uma pessoa negra. Tudo isso simbolizado por violência policial, já que não há maneira mais forte de expor tudo isso.

Reggie também pauta o cansaço físico e mental que o racismo provoca, principalmente para quem se propõe a lutar contra ele, mas, de modo geral, o quão é cansativo ter que viver pensando em cada passo que se dá em um ambiente racista.

Joelle para Reggie em Cara Gente Branca, da Netflix

A militância contra o racismo também é protagonista da série, pois todas estas questões pessoais e coletivas são estouradas em função de uma festa blackface, promovida pelos alunos brancos de Winchester, provocando diferentes grupos, coletivos e ativistas negros dentro da universidade a se unirem no máximo que puderem, apesar de suas diferentes visões, diferentes abordagens e maneiras de se manifestar contra o racismo no campus. Estas diferentes perspectivas demonstra que nenhuma militância é perfeita, que as pessoas negras merecem e precisam liderar debates e a própria luta. Que precisam de proteção, pois esta liderança e esta luta podem, literalmente, acabar com suas vidas.

Mas demonstra, principalmente, como, independente de suas origens (embora hajam privilégios em diferentes vivências, é claro) jovens negros ainda têm sua educação, progresso e até mesmo voz de fala nas mãos de superiores brancos. Não, isso não simboliza um final feliz. Mas, diferentemente do filme, a série pode ter mais temporadas de uma história que conta, além de nossos sofrimentos, nossas diferentes lutas, algo que precisa ser jogado para o mundo e discutido. 

Elza Soares is Now

“É como a Elza falou, os pensamentos das pessoas vão fazendo elas se encontrarem”, diz Elizabete Martins Campos no início da nossa conversa sobre seu documentário My Name is Now (Meu nome é agora, na tradução) sobre a deusa do samba Elza Soares. Elizabete explica depois o porquê de me dizer isso quando a perguntei sobre a ideia para o filme.

A diretora mineira, da cidade de Betim, estava sozinha nos Estados Unidos e andava pelas ruas sem agenda, sem compromissos pela primeira vez após muito tempo, quando se lembrou de uma frase de seu cineasta brasileiro preferido, Nelson Pereira dos Santos. Ele dizia que, nessas situações, o melhor era pedir um cigarro a um estranho como desculpa para uma conversa. Foi o que Elizabete fez. Pediu um cigarro a três estranhos e chegou a um grego com quem conversou sobre o Brasil. “Vocês brasileiros não conhecem o seu país”, lhe disse o tal grego. Ele acreditava que nosso país tem tanta criatividade, mas não a potencializa.

Elizabete pensou nisso e tudo ficou claro quando viu, pela primeira vez, a deusa do samba cantar. De acordo com Elizabete, Elza era exatamente isso: uma criatividade, uma força. A diferença é que naquela época, em 2008, Elza não tinha o reconhecimento que conquistou atualmente. “Eu fiquei encantada em como ela, com um palco enorme, sem figurino e sem uma grande produção, conseguia fazer a gente chorar, rir, se emocionar”, conta a diretora.

Foto de Paolo Giron

A perplexidade em Elizabete a fez imaginar em como seria um filme com essa força toda de Elza Soares. “Comecei a pensar que ela com uma câmera no rosto já era um filme”. Com isso na cabeça, a jornalista fez um documentário que foi se montando com a condução natural da protagonista.  Aquele formato de perguntas e respostas, tradicional de filmes documentais, foi deixado de lado pela diretora. Ela decidiu criar um conceito mais abstrato e menos linear, no qual a voz de Elza é a única que fala, que canta, que grita e se expressa.

Em My Name is Now, Elza aparece cantando hits clássicos e músicas inéditas feitas para o filme. O scat singing, uma marca da cantora, também aparece em muitas das cenas em que Elza está com o microfone nas mãos. Nelas, a cantora de samba parece se metamorfosear em um instrumento musical.

Além da música, foi no carnaval, no futebol e no samba que Elizabete buscou os elementos para revelar Elza como ela a via com seus próprios olhos: como um símbolo da identidade brasileira. “Eu tentei construir ela como um ícone de uma nação, um ícone de uma cultura, com os elementos que ela traz do samba, da mulher de periferia. É um retrato do Brasil que ela traz nela”, explica.

Com esse ideal em sua obra, Elizabete mostra a movimentação de Elza nesses diferentes elementos da cultura brasileira. Elza é de origem humilde, nasceu da favela, casou e teve seu primeiro filho ainda adolescente. Ela é a mulher da periferia que equilibrava a lata d’água na cabeça. Não é à toa que a música faz parte do repertório do filme.

O carnaval, esse elemento cultural que influencia e se deixa influenciar por Elza, marca o filme com a música Zelão de Sérgio Ricardo, interpretada pela cantora carioca. Tudo começa com aquelas cenas de desfiles, penas coloridas, samba e Elza com sua fantasia majestosa. A sequência foi feita com imagens de três diferentes locações de festas de carnaval, com sambistas, negros, mulheres, travestis, enfim, a diversidade do povo brasileiro se divertindo nessa festa nacional. “Eu falei pra equipe: olha, eu vejo a Elza em todas essas forças, então fomos procurar imagens que mostrassem isso”, conta Elizabete.

Combinado às imagens, a diretora pegou sons de berimbau, um grito da Elza aqui, um som scat singing ali e montou uma espécie de transe. De repente, a lua brilhante no céu acaba com o auê carnavalesco que dá lugar ao “todo mundo entendeu quando Zelão chorou, ninguém riu nem brincou e era carnaval”. Essa é a história de Elza metaforizada na história de uma das maiores festas brasileiras. “(No final dessa cena) está tudo muito triste, mas tu já viu não ter carnaval? Esse carnaval vai continuar”, conta Elizabete. Assim como o carnaval, a cantora sempre volta e volta mais forte, como quando conseguiu retomar sua vida após a morte de Garrinchinha, seu filho com o jogador de futebol Garrincha. “Ela é uma fênix!”. Define a diretora mineira – com razão.

O espelho de Elza

O filme tem várias cenas impressionantes, como essa do carnaval, ou quando Elza é massageada em sua cama por seu terapeuta com a música A Carne ao fundo. Mas acho que o que mais ficou na minha cabeça foi a performance com o espelho de maquiagem. Nela, Elza fala com a câmera, com batom e espelho na mão. A deusa do samba nos encara, e seu rosto marcado por uma vida dura e pelo talento musical expressa falas sem palavras.

Foto de Tatiana Tonucci

Sem rodeios e desbocada, Elza provoca e fala de racismo, de preconceito, de ser mulher, fazendo alusões a momentos de sua vida. “De que planeta você veio?”, nos pergunta Elza, como Ary Barroso a questionou em sua primeira aparição em um programa de calouros da Rádio Tupi. Mas a resposta que aquela jovem humilde deu à tentativa de chacota do apresentador na época não aparece no filme. A cantora prefere se focar no agora, não em tais experiências de seu passado. Elza Soares is now.

Essa personalidade de respostas afiadas enfrenta o público e nos deixa em uma posição de desconforto necessário. Pensei o tempo todo que ela poderia estar falando para os espectadores do filme. Ela poderia estar falando para qualquer um e essa é a sacada da cena do espelho que se repete várias vezes ao longo do documentário, como um fio condutor.

“Logo no começo, eu fui escrevendo as palavras que são, pra mim, os signos ‘Elza’ pra conversar com a minha equipe de produção de arte e uma palavra frequente era a palavra espelho”, diz Elizabete. A diretora gravou essa cena central perto do final da produção que levou cinco anos para ser concluída. Elizabete queria dar à cantora e sua amiga uma licença poética. “A preocupação maior não era fazer algo que fosse necessariamente aprovado por ela, mas que fosse feito junto com ela”. Após conversas sobre o rumo e o significado do trabalho para as duas, Elza se despiu brevemente do papel de cantora e vestiu o figurino de atriz para encarar a câmera.

A ideia de Elizabete era fazer de seu primeiro longa um laboratório, em que ela pudesse ter a liberdade de testar e de não se ater necessariamente a um roteiro. O repertório de Elza foi outro grande condutor, além da própria protagonista. E o resultado é uma produção artística que revela todo o rosto marcante da música brasileira.

Além da satisfação com seu lindo trabalho, a convivência com Elza foi outro presente à diretora. As duas passaram muito tempo juntas antes de completar as mais de 50 horas de gravação. Elas se conheceram em uma entrevista que Elizabete fazia para a emissora em que trabalhava na época e foram se aproximando. A ideia do filme veio quase que de ambas e, a partir daí, a relação estreitou. Elizabete acompanhava a cantora em suas turnês pelo país e o convívio as fez amigas. “Foi como conviver com uma sábia, que me deu essa oportunidade de pesquisá-la muito de perto e que confiou em mim”. A diretora passou a não se considerar mais uma documentarista, mas uma parceira e define: “Não foi só uma experiência de vida, mas uma experiência artística”.

O filme foi feito completamente de forma independente e exigiu muito da dedicação de Elizabete. Atualmente, a diretora está atrás de patrocinadores para fazer a distribuição e fazer com que sua obra chegue até nós, fãs e admiradores de Elza Soares e de bom cinema.

Assista: A Girl Like Her

O filme “A Girl Like Her” (sem título traduzido no Brasil) foi mais uma das boas surpresas no Netflix de sexta-feira à noite. Gravado como se fosse um documentário em uma escola de Ensino Médio americana, o longa de ficção nos faz encarar os diferentes lados do bullying: o da vítima, o da pessoa que o comete e os das pessoas do lado de fora (parentes, amigos, colegas que não sabem o que fazer pra ajudar).

Por tratar os pontos de vista – principalmente o da vítima e do agressor – como um documentário, o filme ganha uma força dramática, daquelas que te deixa tensa e até meio que ansiosa pela protagonista. Pelo menos eu fiquei.

As personagens principais são Jessica Burns, interpretada pela atriz Lexi Ainsworth, e Avery Keller, papel da atriz Hunter King. Elas têm 16 anos e são alunas da South Brookdale High. Pode-se dizer que, mesmo assim, as duas não frequentam exatamente a mesma escola.

Avery é a garota popular que, com seu grupo de amigas – seu “squad” – estabelece sua dominância pelo colégio. Quando o grupo está no banheiro se maquiando, por exemplo, ninguém mais pode entrar. Aquele é seu território, assim como a cafeteria e os corredores da escola. Jessica é o contrário: doce, tímida, de poucos amigos. Ela não domina nenhum território como as popular girls e aos poucos nem mesmo mais a si mesma – muito porque Avery não a deixa em paz.

A Girl Like Her 1

No início do filme, Jessica caminha do quarto até o banheiro de sua casa. Tudo é filmado de sua perspectiva por uma câmera escondida, que foi dada pelo seu melhor amigo Brian (Jimmy Bennett) para gravar os assédios de Avery (isso fica claro mais tarde no filme). Jessica se olha no espelho, abre a porta do armário e pega os comprimidos da mãe. Engole todos que pode e cai inconsciente no chão.

A tentativa de suicídio de Jessica Burns vira assunto pelas salas de aula da South Brookdale High. O acontecimento coincide com a chegada de um grupo de jornalistas que iria fazer uma reportagem sobre o cotidiano em uma das melhores escolas públicas dos Estados Unidos. A jornalista Amy (interpretada pela própria diretora do longa, Amy S. Weber) muda a direção da matéria e se foca em entender as motivações de Jessica. Os rumores entre os adolescentes sobre os bullyings contra Jessica a levam até Avery.

Uma pequena observação que fiz e que considero ser um problema em muitos desses casos: todo mundo sabia que Jessica estava sofrendo nas mãos da garota popular, mas ninguém quis se meter. Alguns não levaram a sério, outros talvez tivessem medo, mas ninguém hesitou em passar a fofoca adiante. Isso é o mesmo que acontece em casos de violência doméstica testemunhada por vizinhos ou abusos sexuais gravados e passados adiante. É toda uma sociedade mais baseada no comentar a vida alheia do que em ajudar…

A Girl Like Her 2

No que me pareceu uma tentativa de ganhar a confiança de Avery, a jornalista lhe oferece uma câmera. Com ela, a adolescente poderia mostrar seu ponto de vista de como era ser a garota mais popular da escola. Avery usa a câmera para falar não só da sua vida no colégio, mas dentro de casa – com sua mãe super intrometida e o pai desempregado.

Enquanto isso, Brian conta aos jornalistas que seis meses antes da tentativa de suicídio de Jessica ele lhe havia dado uma mini câmera. Com isso, talvez Jessica pudesse se proteger e provar que Avery era a causa de seu inferno em vida. O que segue depois desse momento é um turbilhão dos mais diferentes tipos de assédios verbais e psicológicos feitos por Avery a Jessica. Algo que realmente te faz pensar: essa garota tem mais problemas que a própria vítima. Não é possível que alguém seja capaz disso!

Pois bem, se não fosse, talvez “A Girl Like Her” não existisse. A diretora Amy S. Weber se inspirou em suas próprias experiências para fazer o filme. Experiência como vítima e como praticante do bullying. Em uma entrevista, ela conta que aos seis anos sofria bullying de um menino da escola. Quando mudou de colégio, ela criou um escudo de proteção como sendo a “valentona”, aquela que encarava e brigava com todo mundo, aquela de quem se tinha medo.

Diretora Amy S. Weber durante as filmagens de A Girl Like Her
Diretora Amy S. Weber durante as filmagens de ‘A Girl Like Her’

Com essa história e com seu filme, Amy quer mostrar que bullies não são maus sem motivos. Ao humanizar o monstro, por assim dizer, ela joga lenha na discussão para dizer que quem comete bullying talvez seja uma pessoa tão ou mais traumatizada que a vítima. Portanto, ambas devem ser tratadas, acompanhadas e auxiliadas.

Além de uma inspiração pessoal da diretora, outro fato interessante do longa é que os diálogos entre os atores teens foram todos improvisados. Também as entrevistas que aparecem no filme – como se fossem parte do documentário dos jornalistas – foram feitas com estudantes reais, e não atores. Amy queria atingir essa proximidade com o real, que um simples filme ficcional, muitas vezes, não consegue. Em um tema como bullying entre adolescentes, é a realidade o que mais importa.

Assista: “Tangerine”

É véspera de Natal e duas melhores amigas se encontram depois de algum tempo sem se ver. Uma delas acabara de sair de uma temporada de 28 dias na cadeia. Na esquina da Santa Monica Boulevard e Highland Avenue, em Los Angeles, elas sentem de frente uma pra outra em uma loja de Donuts. É nessa esquina vista da janela da Donut Time que a história das duas prostitutas transexuais Sin-Dee e Alexandra tem início. Elas se olham como cúmplices e fofocam. Sin-Dee confessa que tem algo para contar sobre seu namorado, o cafetão Chester, ao que Alexandra interrompe: “Ah, eu já sei! Você vai terminar com ele, né? Graças a Deus! Se é pra ele ficar te traindo assim…”. “Wait, wait, wait, WHAT?!”.

O filme do diretor Sean Baker, Tangerine foi o primeiro longa a ser filmado inteiramente com apenas com um iPhone. Graças a um aplicativo, o FiLMiC Pro, a imagem não perdeu quase nada em qualidade. Além disso, a câmara mais versátil do celular dá uma noção de realidade participante, que talvez um grande aparato cinematográfico não tivesse proporcionado.

A temática LGBTQueer do filme é o que faz dele um “must see” pra quem curte cinema alternativo: Alexandra e Sin-Dee (by the way, o nome é uma abreviação de Sin-Dee-Rella) são duas mulheres transexuais negras que se prostituem nas ruas de Los Angeles, por onde toda a trama acontece. Baker conheceu Kitana Kiki Rodriguez (Sin-Dee) e Mya Taylor (Alexandra) em um centro LGBT, enquanto fazia pesquisas para sua nova produção. O primeiro contato foi com Mya, que recebeu o convite para atuar pouco depois de conhecer Baker. O diretor sabia desde o início que queria contar uma história de dentro da comunidade LGBT de Los Angeles e que o seu elenco seria transgender.  Mya o apresentou a seu círculo das ruas e assim Baker conheceu Kiki. Um drama real da vida de Kiki, de quando ela foi traída pelo namorado, foi o que inspirou a trama de Tangerine.

Depois da revelação de Alexandra a Sin-Dee, a história se desenrola de forma desenfreada, como a personalidade da protagonista. Pelas ruas de Los Angeles, a personagem vai atrás da tal amante – uma “white fish, com vagina e tudo”, como descreve Alexandra (pelo que pesquisei, “fish” ou “peixe” parece ser um gíria para se referir pejorativamente a mulheres não transexuais. A linguagem cheia de gírias das duas também é algo marcante no filme).  Os passos decididos de Sin-Dee e sua melhor amiga são acompanhados por uma trilha eletrônica, por vezes intercalada com música clássica, que dá um ritmo frenético a narrativa.

Uma das cenas mais maravilindas do longo é quando Sin-Dee senta em um ponto de tram (tipo um bonde), nervosa, sem saber o que fazer. Ela morde os lábios e olha para as pessoas saindo e entrando do tram, embalada por uma música clássica. A trilha vai mudando conforme os pensamentos da personagem parecem ficar mais inquietos. Quando atinge o ápice da agitação, Sin-Dee larga um “fuck it!”. Se levanta e vai em direção à estação de metrô, com beats de música eletrônica ao fundo de seus passos largos.

Outros personagens desse submundo de Los Angeles surgem ao longo da trama para lhe dar sustento. Como a própria amante, que também era uma das prostitutas de Chester, e o taxista armênio Razmik, que esconde da família suas relações com prostitutas transexuais.

A comédia dramática que começa despretensiosa vai ganhando ares de análise social, mesmo que não muito aprofundada. Ao longo do super drama de Sin-Dee-Rella, o espectador enxerga sutilmente atos de preconceito e transfobia. Em uma das cenas, Alexandra está brigando com um cliente que se recusava a pagar depois do serviço feito. Uma policial, que já a conhecia, tenta apartar a briga a chamando pelo nome masculino de Alexander. É sutil, mas percebe-se uma negação da imagem dessas mulheres como de fato mulheres. Em entrevista ao The Guardian, Mya conta que em uma discussão com uma conhecida das ruas, a bitch, como ela mesmo descreve, a chamou de Jeremiah, seu nome antes de fazer a transição. Ouvir o nome a deixou furiosa e frustrada, reação diferente da que Alexandra tem no filme. Ao ouvir o nome Alexander saindo da boca da policial, ela apenas a ignora e continua a brigar com o cliente, como se ouvir aquele nome já fosse algo normal em sua vida como trans.

 
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Em uma cena de preconceito mais explícita, Sin-Dee se aproxima do carro de um suposto cliente. Para sua amarga surpresa, o carro estava cheio de jovens babacas que jogam um copo de xixi em sua cara. Além da humilhação, ela fica abalada em ter que ser vista em público sem sua peruca e outfit feminino, que precisa tirar para se limpar. Mas ela e a amiga tratam tudo de forma normal. Não choram nem demonstram grande indignação. Apenas tentam ajudar uma a outra em uma situação, na qual qualquer outro tipo de reação parece ser perda de tempo….

Não diria que o filme se centra em uma crítica social. Mas é nas sutilidades que ele traz essas temáticas, como a gritante normalidade que esses tipos de preconceitos tomaram. Interessante também é ver outra faceta da vida dessas personagens. Tangerine não é um filme que vai mostrar como é triste ser uma prostituta transexual em LA. Tampouco vai mostrar como é trabalhar nesse meio, lidando com drogas, violência, preconceito etc.

O longa não pretende ser documental, mesmo mantendo a fidelidade às histórias reais. Ele foca nos dramas de relacionamentos, amorosos ou de amizade, que podem ser comuns a nós (o namorado que traí, a amante, a melhor amiga que tenta te dissuadir de causar um grande drama). Essa similaridade e estranhamente com o drama alheio é talvez o que traz para o filme o ar de comédia.

 

Das ruas pro cinema

Depois que vi o filme fiquei curiosa para saber mais sobre a produção. Descobri que, incrivelmente, muitas das histórias no Tangerine são reais. Não só os preconceitos, a história com o namorado de Kiki que inspirou o filme, mas a vida das personagens.

Mya Taylor contou em entrevista para o The Guardian que, de fato, teve que se prostituir nas ruas de LA para sobreviver. Nascida no Texas e criada como Jeremiah, Mya foi obrigada a sair de casa depois de se declarar gay para a família. Ela se mudou com uma parente que, com problemas financeiros, fez a jovem ir para as ruas trabalhar. Isso a levou à prostituição.

Quando chegou em LA, Mya era moradora de rua e buscou ajuda no centro LGBT, onde conheceu o diretor Sean Baker. Depois de ter vários empregos rejeitados, provavelmente por preconceito a transexuais, o filme Tangerine deu à Mya a vida normal que ela desejava.

A amizade de Alexandra e Sin-Dee também é outra coisa real no longa. Mya e Kiki já eram grandes amigas quando estavam nas ruas de Los Angeles. Por isso, em frente às câmaras, não foi tão difícil fingir cumplicidade de best friends.

Assim como Mya, Kiki também mudou de vida com o sucesso do filme. Mesmo não conseguindo tirar um passaporte para divulgar Tangerine mundo a fora, ela saiu das ruas e já mora em um apartamento próprio. “Não estamos ricas, mas já estamos muito melhor que antes. Antes nós não tínhamos nada e agora sabemos como sobreviver. Mesmo tendo alguma coisa ou nada”, disse Mya ao The Guardian.

 
Crédito das imagens: Magnolia Pictures

Julie Ruin está de volta com álbum novo

Kathleen Hanna (Bikini Kills, Le Tigre, The Julie Ruin) é enérgica e poderosa, aquela pessoa incrível que você quer andar lado a lado e ainda aprender muita coisa.

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Kathleen Hanna encerrando um show no Primavera Sound, em Barcelona. Girl Power é pouco!

Mas no passado Kathleen passou por um processo de auto-conhecimento por questões que facilmente a deixavam confusa. Ela tinha 20 anos e muitas dúvidas: “Eu ainda sou aquela criança bagunçada que tinha muito medo? Sou realmente uma feminista? Sou uma pessoa doente ou uma pessoa boa? Sou uma pessoa forte que quer pular pra fora do palco ou uma pessoa tímida?”

Foi nessa busca por seus profundos sentimentos que Kathleen percebeu que estava na hora de tentar algo novo. Julie Ruin nasceu em 1997, como um projeto solo de Kathleen Hanna para Kathleen Hanna. “Não vou sentar aqui e escrever músicas para ajudar as outras pessoas. Eu vou escrever essas músicas para colocar meus sentimentos para fora, descobrir quem eu sou e tudo bem”.

Hit Reset” é o novo álbum de The Julie Ruin lançado agora em 8 de julho pela Hardly Art. O primeiro single “I decide” é forte e libertário. ♡

No novo vídeo, “I’m done” Kathleen Hanna vai a um karaokê e declara sobre como já está de saco cheio dos trolls da internet. Sim, Hanna! Você é mais forte que eles!

Mulheres jornalistas contra o assédio

Mais uma vez as mulheres mostraram que não irão se calar diante de assédios justificados como “brincadeirinhas”. Muito menos no exercício de sua profissão. Ontem à noite, um grupo de mulheres jornalistas lançou um vídeo com relatos de assédios sofridos durante o trabalho. O vídeo de quase dois minutos faz parte da campanha Jornalistas Contra O Assédio, uma ação em solidariedade à repórter do portal iG assediada pelo cantor Biel.

Depois de ouvir frases machistas como “se te pego, te quebro no meio” e ser chamada de “gostosinha” durante entrevista com o MC sobre seu novo álbum, a repórter foi demitida da redação. Sim, isso mesmo. Como se já não bastasse o abalo emocional, a jornalista perdeu seu emprego pelo simples fato de tomar coragem e denunciar machinho misógino que se considera super star na Delegacia da Mulher de São Paulo.

Para provar que a repórter do iG não está sozinha e revelar o machismo presente nas redações, jornalistas criaram a fanpage no Facebook “Jornalistas Contra o Assédio”. No vídeo divulgado ontem à noite na página, são muitas as declarações bizarras de entrevistados e colegas de trabalho que as profissionais relatam ter escutado. Não são só declarações de cunho sexual ou referentes à aparência física, mas também frases que subestimavam sua competência profissional. “Ali eu escutei que as mulheres faziam as matérias mais lights, de comportamento, previsão do tempo, de bichinhos. E os homens faziam as matérias mais aprofundadas, de política e economia”, relata uma das jornalistas no vídeo.

Até o término desse texto, o vídeo já havia sido compartilhado 965 vezes. Muitos dos compartilhamentos contém relatos de outras profissionais escutaram coisas absurdas. Para quem pensava que o jornalismo é um lugar de gente cool, de mente aberta e sem preconceitos, essas histórias são um tapa na cara. Mas é um tapa na cara pra acordar essa gente e mostrar que se mexeu com uma, mexeu com todas!

Um celular perdido com um segredo

A Normal Lost Phone é um jogo em que você pode colocar pra fora todo aquele seu talento reprimido de stalker.

Alguém perdeu um celular, aparentemente novo, e você teve a sorte (ou o azar…) de encontrá-lo. O telefone está desbloqueado e você pode fuçar livremente para descobrir o paradeiro do dono – ou simplesmente pelo prazer de stalkear a vida alheia.

O jogo foi criado pelo grupo europeu de animadores e desenvolvedores de games Accidental Queens e exibido durante o 5º Festival Internacional de VideoGames Independentes em Berlim, o A MAZE 2016.

Além do design bonitinho e até que bastante realista, o game tem a temática LGBT e queer como pano de fundo (Elizabeth Maler, uma das designers do jogo, me explicou o porquê da problemática de gênero em uma curta conversa que você lê no fim desse texto). Achei muito válida a ideia de trazer o tema à tona através do game, para que se possa refletir sobre o assunto de forma mais descontraída e natural. Foi uma bela sacada!

Joguei A Normal Lost Phone por alguns minutos no A MAZE, mas confesso que não consegui terminar tão rápido quanto imaginava. O objetivo do jogo é descobrir duas senhas necessárias para acessar o perfil do usuário no Love Birds, um dating app (tipo Tinder, Happn, Grindr). No celular, você pode acessar a lista de contatos, últimas mensagens (inclusive receber e enviar mensagens), galeria de fotos e calendário… Com eles, aos poucos, o jogador descobre que o telefone pertence a um garoto chamado Sam e, mais além, consegue saber o que foi acontecendo na vida de Sam desde que ele ganhou seu novo smartphone. Mas isso eu não vou contar!! Hihihi

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O jogo é bem divertido e mexe com a curiosidade (ainda mais se você é uma curiosa de carteirinha como eu). Eu cheguei a um ponto em que não queria mais largar o tal game porque queria muito saber o que tinha acontecido com o Sam. E foi realmente interessante perceber como um simples celular pode dizer tanto sobre a vida de alguém… Portanto, cuidem bem de seus telefones!

O Accidental Queens está planejando uma nova versão do jogo com algumas novidades: mais aplicativos, códigos para desvendar, músicas e mais sobre a história de Sam. E possivelmente uma versão em português! Elizabeth me contou que a versão teste teve boa receptividade no Brasil e, por isso, eles pretendem fazer uma tradução – até agora, A Normal Lost Phone está disponível em inglês, espanhol e francês.

No dia 17 de maio, dia internacional contra a homofobia, o grupo lançará uma campanha de financiamento coletivo. Para isso, eles estão fazendo uma pesquisa sobre o que as pessoas gostariam de ganhar como recompensa em troca da contribuição.  O questionário online também é uma forma de saber qual a receptividade do jogo no Brasil, para saber se vale a pena traduzi-lo para o português. Então, vamos ajudar e mostrar que queremos uma versão A Normal Lost Phone em nosso lindo idioma!

Para quem se interessou e quiser testar o jogo em casa, ele está disponível online.

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Segue a conversa que tive com Elizabeth Maler sobre a criação do jogo e do Accidental Queens:

Ovelha: Por que vocês decidiram trabalhar a temática LBGTQ no game A Normal Lost Phone?

Elizabeth: O projeto foi criado durante o Global Game Jam, um evento em que desenvolvedores se encontram e tentam montar o protótipo de um jogo em 48 horas. Depois que o tema “ritual” foi anunciado, nós (Elizabeth e outras duas meninas) começamos a pensar em um jogo com um celular perdido, em que você poderia explorar a identidade da pessoa. Nós queríamos fazer algo feminista. Queríamos também poder trabalhar por nossa conta, sem ter que lidar com algum troll, o que pode ser muito exaustivo para mulheres na área de games. Não é que haja muitas pessoas assim na indústria, mas há algumas… Então quando apresentamos a ideia para todo mundo no Game Jam para formar os times, decidimos dizer que iríamos fazer um game sobre a problemática de gênero. Nós achamos que seria uma boa maneira de ter certeza que não teríamos nenhum homofóbico ou misógino no grupo.

Ovelha: De onde vocês tiveram as ideias para montar a personalidade de Sam e sua história?

Elizabeth: Um amigo meu tinha acabado de me contar que era gay e que estava com medo de contar isso pros pais, que eram abertamente homofóbicos, e eu queria escrever algo sobre esse medo. Mas esse medo é a única ligação entre esse meu amigo e Sam. Outras partes da história de Sam e de sua personalidade foram inspiradas em outros amigos ou em pessoas da equipe de criação.

Ovelha: E por que vocês escolheram o nome Accidental Queens para o grupo desenvolvedor do jogo?

Elizabeth: O grupo é composto majoritariamente por mulheres, mas em francês, temos essa regra gramatical estúpida que diz que mesmo se o grupo for composto por 10 mil mulheres e apenas um homem, o adjetivo que se refere a esse grupo deve concordar com o gênero masculino… Acredito que seja o mesmo em português, como “são muito bonitos”, mesmo que seja um grupo 99% feminino. Bom, nós somos um grupo de maioria feminina e isso é raro na indústria de videogames. Por isso decidimos usar a palavra “queens” (rainhas, em inglês).  Os meninos do grupo também gostaram da ideia de não ter um nome masculino e agora são eles que têm que se adaptar com isso (o nome feminino). Accidental é principalmente pelo fato do protótipo que fizemos ter se tornado um grande sucesso. Isso não foi planejado. Nós não tínhamos a pretensão de ficar famosas com o jogo, foi apenas um feliz acidente!

#MulheresNoYoutube

Já falamos aqui sobre uma iniciativa super interessante que o Youtube criou para comemorar o mês da mulher chamada Youtube Spaces Women’s Program, destinada a empoderar mulheres tanto na frente como atrás das câmeras.

O programa selecionou vlogueiras influentes de diversos países para atuar como diretoras criativas e colaborar com a produção de diversas youtubers e estimular mais a participação feminina na plataforma.

No Brasil, essa tarefa ficou a cargo de Jout Jout e ela correu atrás de mulheres maravilhosas não para ensinar, mas para aprender e entender diversas vivências do feminismo e empoderamento feminino. Entre as colaboradores, Jout Jout fez vídeos com as minas lacradoras do Canal das Bee, Afro e Afins, Malena, Liliane Prata, Julia Petit entre outras.

O resultado foi uma lista de conteúdos riquíssimos, discutindo feminismo negro, mulheres em games, empoderamento e protagonismo feminino.

Um destaque para o vídeo fantástico com Nataly Neri, do canal Afros e Afins, no qual ela explica da maneira mais didática possível conceitos como feminismo negro, as raízes do feminismo branco e a apresentação de pautas exclusivamente brancas, deixando de lado minorias que são duplamente oprimidas. Enquanto as sufragistas do começo do século XIX reivindicavam o direito ao voto e a participação no processo político; as mulheres negras lidavam com outras problematizações: lutavam contra a hipersexualização de seus corpos e com outros mitos como o da Tia Anastácia, Mulata Exportação e o mito da mulher negra barraqueira.

 

 

Confira todos esses vídeos e outras produções de outras vlogueiras do programa ao redor do mundo clicando aqui. Para ver as produções nacionais, assista a playlist:

 

 

Duas diretoras e um rastro de lama

Aline Lata e Helena Wolfenson se conheciam de vista em São Paulo. Mas 15 dias depois do rompimento da barragem de resíduos de minério da Samarco/Vale/BHP, em novembro do ano passado em Minas, elas pegaram carona com uma amiga em comum rumo à Mariana e subdistritos. A ideia inicial era ajudar os locais como pudessem, com trabalho voluntário e tirando fotos.

Foto: Helena Wolfenson
Foto: Helena Wolfenson
Foto: Helena Wolfenson
Foto: Helena Wolfenson
Foto: Helena Wolfenson
Foto: Helena Wolfenson

E foi isso que elas fizeram. Ajudaram a resgatar animais e conversaram com as pessoas por lá. Dois deles foram Ricardo e Marlon, jovens moradores de Bento Rodrigues, primeiro subdistrito atingido pela onda de lama. Foi preciso esforço para conseguir que eles dessem entrevista “Para mim, foi melhor que ficar imaginando de longe porque personifiquei aquela coisa e conheci as pessoas que estavam vivendo ali”, diz Helena.

Juntos, pegaram uma rota alternativa até Bento – que estava fechada para o público – e visitaram a casa deles e de conhecidos pela primeira vez depois da tragédia. Eles perderam não só todos os bens, mas também um lugar de memória de gerações que nasceram e cresceram naquele vale rural, cercado de um minério precioso. Ainda sim, encararam com humor. “Eles falaram: ‘se a Samarco fodeu com a nossa vida, vamos jogar bola na lama!’. Tinha umas piadas, uma beleza, que foram fazendo tudo ter mais sentido, diferente de uma certa passividade que eu vinha vendo lá”, conta Helena.

Aline Lata fotografa um dos meninos | Foto: Helena Wolfenson
Aline Lata fotografa um dos meninos | Foto: Helena Wolfenson
Marlon e Ricardo olham sua cidade atingida pela lama | Foto: Helena Wolfenson
Marlon e Ricardo olham sua cidade atingida pela lama | Foto: Helena Wolfenson
Foto: Helena Wolfenson
Foto: Helena Wolfenson

Dessa experiência, Aline e Helena tiveram a ideia de fazer o documentário Rastro de Lama, que contará a história de personagens que vivem na região atingida. Editaram o material que fizeram na ocasião e fizeram um teaser.

O plano agora é conseguir mais dinheiro para voltar à região no próximo mês, coletar mais material e arcar com os custos de finalização do filme. Para isso, estão fazendo uma campanha de financiamento coletivo, que termina no dia 18 de março. É tudo ou nada! A meta é arrecadar 50 650 reais. Se não conseguirem juntar a grana, o dinheiro volta integralmente para os doadores. É possível doar qualquer valor, mas a partir de 25 reais, é possível receber algumas recompensas como fotos e livros de artistas que estão colaborando com o projeto. Por isso, pedimos sua ajuda para ajudar esse projeto tão importante encabeçado por duas mulheres. Não podemos deixar que o maior crime ambiental do país seja esquecido.

Foto: Aline Lata
Foto: Aline Lata
Marlon e Ricardo olham sua cidade atingida pela lama | Foto: Helena Wolfenson
Marlon e Ricardo olham sua cidade atingida pela lama | Foto: Helena Wolfenson

A ideia é levantar as questões que rodeiam o caso, como a exploração do minério no país afeta a história de pessoas que têm relação direta com essa esfera da economia, até as responsabilidades que deveriam ser cumpridas pela empresa, a fiscalização de obras, obrigatoriedade de planos de emergência e a parte que cabe aos governos Estadual e Federal. Ricardo e Marlon, e outros habitantes do subdistrito, vivem com a promessa da construção de uma Nova Bento Rodrigues. Que cidade será essa? Que futuro os espera? Será essa promessa cumprida? “O documentário precisa existir, para acompanhar de perto essas respostas e não deixar que essa promessa seja abandonada”, afirma a diretora Helena Wolfenson.

Foto: Aline Lata
Foto: Aline Lata
Foto: Aline Lata
Foto: Aline Lata
Ovelha – Qual o diferencial desse filme?

Aline Lata – Acho que o que diferença desse filme para outros que estão sendo feitos é a história do Marlon e do Ricardo, e a relação deles com a tragédia, a experiência deles é única, mas também se torna universal, quando se trata da relação entre grandes corporações com muito poder e pessoas que não tem voz na sociedade.
Helena – Acho que a nossa história parte muito de um ponto de vista subjetivo. Tanto do que nos tocou profundamente lá, o encontro com os meninos, quanto da história deles em si.

Ovelha – Sentiram alguma dificuldade/receio sendo mulheres lá? Ou viram alguma vantagem nisso?

Helena – Eu senti ser mulher em varias situações, portas se abrindo, fechando, abrindo por linhas tortas. Isso é muito presente sempre no Brasil, ainda mais no interior e sendo fotógrafa.

RASTRO DE LAMA

Mais informações sobre o crime

Samarco definiu antes de inspeções o que mostrar à PF, revelam escutas
18º corpo da tragédia de Minas é encontrado dentro de caminhão-pipa
-Acordo com governo só defende patrimônio de mineradoras, diz procurador

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Documentário Rastro de Lama

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Mês das Mulheres no YouTube

Visando as comemorações do dia da mulher, em 8 de março, o YouTube criou um programa global visando empoderar mulheres na frente e atrás das câmeras.

O YouTube Spaces Women’s Program realizou workshops e gravações em cenários construídos nos Espaços You Tube de Los Angelos, Tóquio, São Paulo, Londres, Nova Iorque e Berlim.

Jout Jout, Kumamiki, Anna Akana entre outras criadoras youtubers foram chamadas para atuar como diretoras criativas e colaborar com a produção de conteúdo de outras vloggers.

Confira os primeiros vídeos produzidos:

 

 

Jogue: Oxenfree

Oxenfree é um game que foi muito aguardado desde 2015. O jogo parece um filme adolescente geek dos anos 80 misturado com Poltergeist – e só essa premissa já é incrível. Os gráficos são maravilhosos, cenários incríveis que parecem pintados à mão. A trilha-sonora é uma delícia. E há também muito diálogo, com uma bela variedade de opções de interação como nos jogos da Telltale Games (famoso pela série game do The Walking Dead). Mas também temos o fator mais legal para nós, garotas: a protagonista é Alex, uma adolescente super divertida, destemida e inteligente.

Oxenfree é o primeiro jogo é da Night School Studios, e eles começaram com o pé direito. Eu paguei 37 reais no Steam e posso dizer que valeu cada centavo. O jogo começa apresentando um grupo de adolescentes que resolve passar um fim de semana acampando juntos. Nossa protagonista de cabelo azul, Alex, é acompanhada por seu melhor amigo Ren, e Jonas, seu enteado que acabara de conhecer. Também participam Nona, a garota por quem Ren está apaixonado, e Clarissa, uma garota popular e meio metida que namorou o irmão mais velho de Alex, Michael.

O plano da turma de beber até cair e relaxar na praia acaba mudando de figura quando eles vão de encontro a situações bizarras sobrenaturais que expõem suas vulnerabilidades. Toda essa problemática não veio do nada. Nossos amigos Ren e Alex tinham a intenção de provocar o lado obscuro daquele lugar paradisíaco, pois tinham ouvido que haviam coisas estranhas ali, dado a um trágico fato que se passou naquela região nos anos 50: o naufrágio de um submarino. Pra isso, Alex levou consigo um rádio para captar essas freqüências do além.

 
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Mesmo com toda a aura misteriosa, o jogo não te coloca em batalhas, tampouco te obriga a resolver enigmas complicados. Parece que você está vivendo uma história em quadrinhos, um Scott Pilgrim só que menos fantasioso e mais medonho. É uma narrativa ativa, em que você vai tomando decisões através das escolhas de diálogo que faz. Todas as conversas, aliás, são narradas por dubladores muito convincentes, que ajudam a dar carisma e personalidade para cada personagem. Por isso que, por mais que tenha todo um enredo sobrenatural, o jogo ainda se mantém divertido e sensível –pra não dizer fofo–, pois foca no relacionamento da Alex com seu passado e com as pessoas do grupo.

Achei o jogo bastante inovador na sua mecânica. Sua “arma” é o rádio, basicamente. É ele que te dá pistas, informações… e abre portais para outra dimensão. Além disso, os efeitos gráficos são responsáveis por toda a atmosfera cool e estranha do jogo, com glitches de arrepiar que lembram aqueles defeitos das antigas fitas VHS.

 
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Não dá pra contar muito sem acabar soltando spoilers (mas nada como Undertale, né). O que posso dizer é que o jogo faz jus ao seu potencial e todas as expectativas. Porém, devo dizer que fiquei bastante decepcionada com a forma que ele termina. É como se a Night School Studios tivesse pressa para lançar o game e por isso fez com que ele terminasse meio que de repente, com tanta coisa que poderia ser melhor explorada ou explicada. É uma pena. Dá aquela vontade de começar tudo de novo, porque ficamos com aquele vazio, aquela sensação de que não era pra acabar ainda. Mas isso não tira a delícia e a graça de jogar Oxenfree. Ainda acho que é um jogo que vale à pena. Especialmente se você curte jogos no estilo de Gone Home.

Ah, antes de terminar essa resenha: não me pergunte o que significa Oxenfree. Joguei o jogo inteiro na esperança de entender o título, mas foi em vão. Fazendo uma pesquisa rápida, acredito que o nome vem da frase “olly olly oxen free“, que é comumente falada por crianças em brincadeiras de esconde-esconde, pra dizer pro amiguinho que ele pode sair do esconderijo. Não tem muito sentido em inglês, talvez porque a origem da frase venha do alemão “alle, alle, auch sind frei”, algo como: “todos, todos, sejam também livres”.

Se bateu aquela curiosidade, aqui estão 13 minutos da preview do jogo. Não é exatamente como ficou na versão final, mas dá pra ter uma ideia de como começa. Cortesia do site Polygon (;

 

 

‘Mustang’ e mulheres oprimidas

“Mustang”, traduzido no Brasil como “Cinco graças” (título péssimo, aliás), é o primeiro longa-metragem da diretora turca Deniz Gamze Ergüven, de 37 anos, e concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro. É uma pena que ainda não tenha data de estreia no país, já que é um filme que merece muito ser visto.

Vamos lá. A história se passa em uma pequena cidade no interior da Turquia. No último dia de aula, as irmãs Sonay (Ilayda Akdogan), Ece (Elit Iscan), Selma (Tugba Sunguroglu), Nur (Doga Zeynep Doguslu) e Lale (Günes Sensoy) decidem aproveitar o dia bem ensolarado para voltarem para casa a pé. Brincam na praia, acompanhadas de alguns colegas meninos da escola, e entram no mar de uniforme mesmo.

Está tudo indo bem – oba, férias! – até que elas são recebidas em casa aos tapas pela avó e pelo tio, seus guardiões desde que elas perderem os pais. “O que houve de errado?”, elas se perguntam. Uma vizinha dedurou o “mau comportamento” e a “depravação” das meninas por terem andado por aí sozinhas com garotos.

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Aqui vale lembrar um pouco da realidade conservadora na Turquia, regida pela lei religiosa islâmica. O país é governado desde 2014 por Recep Tayyip Erdogan, um cara que já declarou que “mulheres e homens não podem ser tratados como iguais”, entre outras coisas absurdas contra os direitos das mulheres.

Ou seja, para as garotas não ficarem com má fama, a rotina delas muda drasticamente. As cinco são aprisionadas em casa, proibidas até de irem para a escola. Grades são colocadas ao redor de toda a casa. Elas são obrigadas a trocarem os shorts jeans curtinhos por túnicas largas, longas e com tons de marrom, e têm aulas apenas sobre como uma mocinha deve se comportar: aprendem a costurar, a arrumar a casa e a cozinhar para os futuros maridos.

Seus casamentos começam a serem arranjados e, como elas não podem opinar sobre mais nada, elas vão sendo oprimidas em muitos aspectos. Em uma das cenas, a irmã mais velha transa, mas não sangra no lençol para comprovar à família do marido que era virgem. Ela é levada às pressas ao hospital, usando o vestido de noiva ainda, onde um médico dirá que realmente o hímen dela ainda está lá.

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A cumplicidade entre elas só é abalada quando distanciadas pelos casamentos forçados. Ver meninas sendo vítimas de um tipo de humilhação que começa dentro da própria família, do tio machista e da avó que só conhece essa realidade opressora, é sufocante.

Porém, Deniz, a diretora, compensa as cenas mais angustiantes com a leveza e a beleza das pequenas alegrias que as meninas ainda conseguem conquistar. A cena em que elas fogem para assistirem a um jogo de futebol é de chorar de tão linda!

Há comparações sendo feitas entre “Mustang” e “As virgens suicidas” (1999), o primeiro longa dirigido por Sofia Coppola. Baseado na obra de Jeffrey Eugenides, o filme se passa numa cidade americana em 1974, onde cinco irmãs são alvo de pais extremamente repressores. No entanto, esses dois filmes são muito diferentes.

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Ao contrário do longa de Coppola, em que os meninos do bairro é que relatam como era “conviver” com as misteriosas e inatingíveis garotas loiras, a história de “Mustang” é contada pelo ponto de vista das próprias meninas, principalmente pelo da irmã mais nova, Lale (foto acima), que é a que mais se inconforma com cada injustiça cometida contra suas irmãs e a que planeja a fuga de casa.

Essa fuga almejada por Lale é também a fuga da abertura de precedentes. Se essa opressão das mulheres acontece hoje no interior da Turquia, e é vista como algo que deve ser aceitado, amanhã será em Istambul, e depois de amanhã em todos os lugares. Mas eu tenho certeza que Lale junto com outras Lales estarão lutando para que as mulheres sejam donas de si mesmas.

O filme não é só Lale, claro. Todas as cinco são protagonistas, cada uma com sua personalidade feminina, e muito – mas muito – fortes quando unidas. As atrizes estão incríveis, como se também fossem irmãs na vida real. Somos todas irmãs no fundo.

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Pussy Riot, ‘Chaika’ e corrupção na Rússia

Quatro anos após serem presas por cantarem, em uma catedral de Moscou, versos pedindo que a Virgem acabasse com Putin, as artistas e ativistas russas do grupo de punk rock Pussy Riot lançaram nesta quarta-feira (3) o clipe de “Chaika”, que você pode assistir acima ou clicando aqui.

“O clipe é inspirado na maior história política da Rússia – as recém-descobertas conexões criminosas sangrentas e a inacreditável corrupção do alto funcionário da aplicação da lei da Rússia – o Procurador Geral Yuri Chaika“, diz a nota oficial do grupo. Chaika, um dos políticos do mais alto escalão da hierarquia do país, é acusado de enriquecimento ilícito, mas é protegido pelo presidente Vladimir Putin, que tenta ofuscar a situação.

Aqui a matéria do “Guardian” sobre essa lama toda.

Com esse vídeo, as Pussy Riots exigem uma investigação imediata de Chaika e sua família, e de todos os altos funcionários em seu escritório.

No clipe, dirigido por Andrey Fenøčka e pela Nadya Tolokonnikova, elas vestem uniforme militar e torturam prisioneiros enquanto fazem coreografias. Os cenários são uma prisão e um salão usado para banquetes na extinta União Soviética. A música foi produzida por David Sitek, da banda TV on the Radio.

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Elas que me fizeram gostar de Justin Bieber

Há uns meses eu venho querendo escrever este post sobre um guilty pleasure que começou ano passado: estou gostando das músicas do Justin Bieber. Hoje, enfim, tomei coragem depois de assistir a este vídeo maravilhoso da maravilhosa Jout Jout que resume bem esse momento e que me fez perceber que não estou sozinha.

 

 
Tudo começou quando meu amigo Nathan chegou um dia em casa ouvindo uma música muito boa. Era Where Are U Now. Meu choque foi tremendo quando descobrimos se tratar de uma música do rapaz que tanto rechaçamos. Daí em diante, foi um caminho sem volta. Depois veio What Do You Mean e o estrago se consagrou com o lançamento de Sorry.

Mas agora que parei para analisar a situação, percebi um elo entre todas as músicas que me fizeram gostar do Justin Bieber: mulheres.

Pra falar a verdade, meu primeiro indício de que poderia gostar das músicas aconteceu com a música Beauty and The Beat.

E quem aparece no clipe? Nicki Minaj.


 
Tudo bem que ele canta basicamente que quer desfilar com a moça por aí, a boa e velha objetificação. A Nick também vacila dizendo em determinado verso que vai ter que tomar cuidado com a Selena e talz. Rivalidade feminina: zZzZzzzZZZz. Ainda assim, a batida me pegou.

Depois teve Where Are U Now.


 
Dessa vez, na parceria com Diplo e Skrillex, ele canta as sofrências de um omi abandonado. Que na verdade a gente nem sabe se foi abandonado, né? Pode ser só aquela história de cara legal que acha que só porque foi legal, a mulher tem que dar algo em troca.

Eu te dei atenção
Quando ninguém dava
Te dei a minha camisa
O que você está dizendo?
Para te manter aquecida
Te mostrei o jogo que todo mundo estava jogando
Sem dúvida
E eu estava de joelhos
Quando ninguém estava orando, oh Senhor

Onde está você agora que eu preciso de você?

 
Onde ela está agora? Provavelmente tá lá curtindo com a mina da música de Hotline Bling, do Drake. Hehe.

 
Mas aí, ele veio e lançou What Do You Mean e ganhou selinho feminista de aprovação ao perguntar pra gata o que ela quer dizer. Em entrevista sobre o significado da música, ele disse: “As meninas são muitas vezes apenas flip-floppy. Elas dizem uma coisa e querem dizer outra. Então, o que você quer dizer? Eu realmente não sei, é por isso que eu estou perguntado.”

Mas a cereja do bolo pra mim realmente veio com o lançamento do clipe de Sorry. Foi uma música que foi crescendo em mim. Ouvi a primeira vez e achei ok. Aí eu vi o clipe.

Minha relação com a música Sorry:

https://youtu.be/x9MvUdR6j3w

 

Depois de ver o clipe:


 
O clipe é estrelado e coreografado pela musa Parris Goebel e tem a galera dos grupos de dança ReQuest e Royal Family, da Nova Zelândia. Pq Justin arrasou? Pq ele chamou essas mulheres maravilhosas e ele NEM APARECE NO CLIPE!! Depois de ver essas moças dançando, a música ganha uma proporção animalesca que te faz querer dançar e ser fodona igual a elas. Elas não são objeto, elas são sujeito. E usam o corpo pelo talento que tem, não pela aparência. Elas são donas do próprio corpo. Peça quantas desculpas quiser, queridinho, tamos aqui com as amigas curtindo de boas. Parris também dirigiu o clipe, então não tem nada de male gaze por ali.

Um detalhe que descobri lendo uma matéria da Rolling Stones gringa: ela tem 23 anos. Ela tem um estúdio de dança fodástico chamado Palace e batizou o estilo de movimentos de Polyswagg. Repita essa palavra 3x na frente do espelho enquanto rebola até o chão. Dentre outros artistas para quem ela já fez coreografia estão Nick Minaj, Janet Jackson e J.Lo.

 

 

Este vídeo é de um ensaio *___*


 
No final do ano passado, o Justin fez a Beyoncé e lançou vários clipes das músicas do disco novo Purpose de uma vez. A ideia do projeto é que ele reencontrou o propósito na vida depois de ter sido um babaca durante muito tempo. Ele disse:

Eu podia sentir a energia das pessoas, e não me importar, também. Tipo, eu não dava a mínima se alguém gostava de mim ou não. E aí que as coisas começaram a ir mal, porque eu estava tão envolvido em ‘eu’, ‘eu, ‘eu’, ‘eu’, ‘eu’…. Algumas vezes, você sente que ‘cara, eu não quero mais fazer isso’. Sinto que perdi meu propósito por um tempo

 

 

E Parris Goeble disse:

Eu me sinto muito, muito diferente. Eu me sinto completamente oposta. Eu me sinto muito livre e indestrutível, que nada pode me parar e me machucar. Eu só fico mais confiante e feroz … Eu sou um tipo que intimida. As pessoas ficam com medo de mim. (…)Para mim, a história que eu conto quando eu estou dançando é que sou o azarão, que não tem sido fácil, mas que eu sou uma jovem mulher confiante, bem sucedida, que faz e está seguindo os sonhos.

 

 
E a Parris coreografou a porra toda.

E claro, o Buzzfeed foi lá e fez um teste para você descobrir qual dançarina você é.

Nunca mais farei compras do mesmo jeito


 

Morta com a coreografia que começa no minuto 2!

*POST ATUALIZADO por motivos de:

Acho que você vai gostar de ver esta versão do clipe sem música

E ouvir essa outra versão em axé

Justin Bieber – Sorry (M.Billy Axé Remix) by maestrobilly on hearthis.at

E, quem sabe, aprender a coreografia

 


Pra você que também babou, siga a Parris Goebel por aí!
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Janis Joplin ganha doc ‘Little Girl Blue’

Janis Joplin (1943-1970), uma das maiores cantoras de rock/blues/soul do século 20, nunca ganhou um filme de ficção sobre sua vida.

Ícone da contracultura, movimento que teve seu auge na década de 1960, Joplin deixou como marca a sua voz em quatro álbuns solo – “Big Brother and the Holding Company” (1967), “Cheap Thrills” (1968), “I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama!” (1969) e o póstumo “Pearl” (1971) -, mas seu vício em drogas a levou a uma overdose de heroína aos 27 anos.

Nomes como Amy Adams, Zooey Deschanel, Renée Zellweger, Lili Taylor e Pink já foram cotados para interpretar a cantora no cinema, mas o projeto foi interrompido no ano passado por causa de problemas legais. NO ENTANTO, um documentário sobre Joplin estreia semana que vem no Reino Unido. O filme se chama “Little Girl Blue” (veja o trailer acima).

O trailer mostra um trecho de uma carta de Joplin lida por Chan Marshall, aka Cat Power. Pelo jeito, o tom do filme será esse de poesia misturada com “demônios” pessoais dela. “[As cartas] revelam uma franca honestidade, abertura emocional e inteligência feroz”, diz a crítica do “New York Times”.

O documentário, dirigido por Amy Berg, também usa material de arquivo e entrevistas com amigos e conhecidos para fazer um retrato pessoal de Joplin. Mas não foi assim fácil. Segundo o site da revista “Another”, a diretora levou anos para conseguir finalizar o filme e contou eventualmente com a ajuda do gestor de patrimônio da cantora para conseguir gravações raras.

DENMARK - APRIL 19:  Photo of Janis JOPLIN; Janis Joplin, posed, smoking cigarette  (Photo by Jan Persson/Redferns)
Janis Joplin na Dinamarca, fumando um cigarro (Foto de Jan Persson/Redferns)

Confete na cara contra o assédio nas ruas

Las Hijas de Violencia (As Filhas da Violência) é um grupo punk feminista mexicano que está combatendo o assédio enfrentado pelas mulheres nas ruas com armas de confete e música.

Elas vão caminhando pelas ruas e, caso elas vejam um cara assediando uma mulher na rua (que muitas vezes acabam sendo elas mesmas), elas não deixam barato: partem pra cima do sujeito com suas armas em punho e um microfone plugado em um mini-amplificador para cantarem o hino “Sexista Punk”. O clipe tá logo abaixo:

 

 
Elas fazem isso para que os homens que as assediam não saiam impunes. Elas precisam ser a voz das mulheres, precisam fazer os caras passarem vergonha publicamento pelo seu ato para que, quem sabe, pensarem melhor antes de mandar um fiu-fiu (ou pior) para uma mulher na rua. Elas fazem isso para incentivar que outras mulheres façam o mesmo.

Ao invés de sermão e agressão, elas recomendam que as mulheres tentem tirar graça da situação, para que não se sintam violadas nem humilhadas pelos homens.

 


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Gaycation: onde é proibido ser Ellen Page

De todos os shows previstos para estrear na Viceland, canal de TV independente Vice, nenhum parece tão promissor quanto Gaycation, série documentário apresentada por Ellen Page e seu melhor amigo Ian Daniel. Eles visitam comunidades LGBT ao redor do mundo, especialmente em países onde ser gay, lésbica, bi, trans ou travesti pode significar ter uma mira nas costas.

Nossa Ellen Page saiu do armário em 2014 e se tornou porta-voz da comunidade LGBT (ela inclusive estrelou um filme dessa temática com a atriz Julianne Moore). Como podemos ver no trailer acima, ela diz: “Ser gay não é uma escolha. A quantidade de pessoas que lutam contra a vergonha que sentem, fora o medo de serem oprimidas, feridas ou mortas. Por que alguém faria essa escolha?”

O trailer dá vislumbres de viagens para o Brasil, Jamaica, e Tóquio. Podemos ver uma Ellen Page diferente, mais feliz consigo mesma, depois de se calar durante tantos anos para sobreviver na indústria do cinema, que tanto oprime as pessoas da comunidade LGBT. Isso faz dela a escolha perfeita para por uma luz sobre as histórias de outras pessoas que tiveram a mesma coragem de encarar de frente o medo e a opressão.

Gaycation estréia dia 2 de março, às 22h. Assista ao trailer acima.