A não ser que sua internet seja de outro mundo, você provavelmente já ouviu falar do novo álbum da Beyoncé, intitulado Lemonade. No último sábado, a HBO foi a primeira a transmitir a versão visual das 11 músicas inéditas, além da já conhecida Formation, que a cantora já havia lançado e performado no SuperBowl deste ano.
O resultado é um filme de uma hora com todas as músicas do que já é considerado o melhor e mais biográfico trabalho de Beyoncé. Fato é que o álbum gerou muitas discussões e debates: desde o nome escolhido, até a representação da cantora nos clipes, passando pelas letras significativas e até pela forma como ela escolheu fazer o lançamento… Tudo isso e muito mais foi comentado na web nos últimos dias, desde a madrugada de sábado.
No maior estilo Links da Semana da Ovelha, preparamos um resumão para linkar as críticas, observações e problematizações mais relevantes sobre Lemonade, assim você não perde nada sobre esse que poderá ser o álbum do ano e o ponto mais alto na carreira de Bey.
// O TAL DE TIDAL
Diferente de quando lançou seu último álbum (também de forma visual, com todos os clipes já prontinhos e postados de uma só vez no YouTube), Beyoncé quis preparar o coração dos fãs e avisou que o lançamento seria feito pelo canal HBO no sábado a noite.
Quem já tinha TV por assinatura deu sorte pois, como acontece todos os anos, a HBO estava com o sinal aberto no último fim de semana, em função da estreia da sexta temporada de Game Of Thrones no domingo.
Considerando que Beyoncé tem falado de racismo e injustiças para pessoas negras nos seus trabalhos mais recentes, seria segregador e elitista disponibilizar o conteúdo com mais custos, sem nem a chance de ouvir gratuitamente como no Spotify, como observou Azaelia Banks (além de outros comentários polêmicos sobre a obra).
// O BANHO DE WHITE TEARS
Desde o lançamento de Formation, pessoas brancas (principalmente os americanos) têm se sentido atacadas e (pasme!) não-representadas por Beyoncé em suas novas músicas. Mais uma vez, temos que explicar o óbvio: o debate sobre racismo e feminismo negro, não é para agradar pessoas privilegiadas por cor!
O título já adianta: vai ter debate sobre racismo. Limonada era a bebida que os escravos americanos tomavam achando que teriam suas pelas clareadas (por causa do efeito do limão em tecidos). Em Freedom, música com batidas, vocais e parceria forte (de Kendrick Lamar, que fez uma apresentação absurda de incrível no último Grammy), Beyoncé diz: “Me deram limões, mas eu fiz limonada”, como que em resposta ao embranquecimento que a mídia e as gravadoras incentivaram nela ao longo dos anos e ao fato de que hoje ela chegou a um status em que pode apontar o problema. Na mesma música, ela afirma: “eu quebro as algemas por mim mesmo, não deixarei minha liberdade queimar no inferno”.
Vale a pena analisar e buscar significados para cada letra na álbum, que entra em questões ainda como solidão e preterimento da mulher negra, auto-estima, família, relacionamentos abusivos, traição e outras questões muito fortes. Para ir além da tradução e detalhar as expressões vai lá no Genius e consulte as letras das canções!
A grandiosidade e genialidade das letras — que inclui versos como “Se é isso mesmo que você quer/ Eu usarei a pele dela sobre a minha /” — não é gratuita. No total, cerca de 72 compositores colaboraram com o álbum! A música Hold Up, por exemplo, foi escrita por 15 pessoas. Tem gente criticando o título de gênio que o trabalho garante à ela, mas considerando que ela é a líder e idealizadora da coisa toda, isso mostra que ela compreendeu que as maiores inovações surgem a partir da colaboração e não do mito do indivíduo criador solitário, e ainda está remunerando essas pessoas pelo trabalho. Isso é moderno e genial.
Lemonade seria para muitos um atestado de que a traição aconteceu. E é claro que sempre que aparece uma brecha para continuar incentivando a rivalidade entre mulheres, por menor que seja, a mídia menos sofisticada agarra. Desde sábado, o povo segue especulando sobre quem é a tal da “Becky with the good hair”, personagem citada como amante de um marido traidor na faixa Sorry. Vale mencionar que essa expressão é a gíria para o estereótipo arquetípico da mulher branca média na cultura negra norte-americana – que tem “cabelo bom”, liso, em contraste com o cabelo afro, considerado “ruim”.
// E O QUE SE PODE APRENDER COM A CITAÇÃO “D’A OUTRA”
Um detalhe da coisa toda é que, mesmo citando a suposta amante, a letra de Sorry foca o tempo todo em desafiar o marido que quebrou os votos do casamento.
O que nos faz pensar que, em meio a toda essa fofoca, este artigo do Huffington Post disse tudo: “Bem, se você está focando na Becky, então você não entendeu nada. O ponto é o seguinte: Lemonade não é sobre com quem Jay-z traiu a Beyoncé. É sobre a força da Beyoncé – e a resiliência de mulheres negras de vários lugares”.
Mais significativo ainda é o fato de que a mensagem está sendo espalhada e aceita pela crítica como um dos pontos mais altos da nova obra da cantora. Grandes mídias como Huffington Post; The Guardian; Hollywood Reporter e Billboard classificaram Lemonade como um trabalho de feminismo negro e, por isso, direcionado para mulheres negras principalmente.
Achou mais algum link sensacional que a gente não colocou aqui no post? Então compartilha com a gente nos comentários! ;)
A não ser que sua internet seja de outro mundo, você provavelmente já ouviu falar do novo álbum da Beyoncé, intitulado Lemonade. No último sábado, a HBO foi a primeira a transmitir a versão visual das 11 músicas inéditas, além da já conhecida Formation, que a cantora já havia lançado e performado no SuperBowl deste ano.
O resultado é um filme de uma hora com todas as músicas do que já é considerado o melhor e mais biográfico trabalho de Beyoncé. Fato é que o álbum gerou muitas discussões e debates: desde o nome escolhido, até a representação da cantora nos clipes, passando pelas letras significativas e até pela forma como ela escolheu fazer o lançamento… Tudo isso e muito mais foi comentado na web nos últimos dias, desde a madrugada de sábado.
No maior estilo Links da Semana da Ovelha, preparamos um resumão para linkar as críticas, observações e problematizações mais relevantes sobre Lemonade, assim você não perde nada sobre esse que poderá ser o álbum do ano e o ponto mais alto na carreira de Bey.
// O TAL DE TIDAL
Diferente de quando lançou seu último álbum (também de forma visual, com todos os clipes já prontinhos e postados de uma só vez no YouTube), Beyoncé quis preparar o coração dos fãs e avisou que o lançamento seria feito pelo canal HBO no sábado a noite.
Quem já tinha TV por assinatura deu sorte pois, como acontece todos os anos, a HBO estava com o sinal aberto no último fim de semana, em função da estreia da sexta temporada de Game Of Thrones no domingo.
Considerando que Beyoncé tem falado de racismo e injustiças para pessoas negras nos seus trabalhos mais recentes, seria segregador e elitista disponibilizar o conteúdo com mais custos, sem nem a chance de ouvir gratuitamente como no Spotify, como observou Azaelia Banks (além de outros comentários polêmicos sobre a obra).
// O BANHO DE WHITE TEARS
Desde o lançamento de Formation, pessoas brancas (principalmente os americanos) têm se sentido atacadas e (pasme!) não-representadas por Beyoncé em suas novas músicas. Mais uma vez, temos que explicar o óbvio: o debate sobre racismo e feminismo negro, não é para agradar pessoas privilegiadas por cor!
O título já adianta: vai ter debate sobre racismo. Limonada era a bebida que os escravos americanos tomavam achando que teriam suas pelas clareadas (por causa do efeito do limão em tecidos). Em Freedom, música com batidas, vocais e parceria forte (de Kendrick Lamar, que fez uma apresentação absurda de incrível no último Grammy), Beyoncé diz: “Me deram limões, mas eu fiz limonada”, como que em resposta ao embranquecimento que a mídia e as gravadoras incentivaram nela ao longo dos anos e ao fato de que hoje ela chegou a um status em que pode apontar o problema. Na mesma música, ela afirma: “eu quebro as algemas por mim mesmo, não deixarei minha liberdade queimar no inferno”.
Vale a pena analisar e buscar significados para cada letra na álbum, que entra em questões ainda como solidão e preterimento da mulher negra, auto-estima, família, relacionamentos abusivos, traição e outras questões muito fortes. Para ir além da tradução e detalhar as expressões vai lá no Genius e consulte as letras das canções!
A grandiosidade e genialidade das letras — que inclui versos como “Se é isso mesmo que você quer/ Eu usarei a pele dela sobre a minha /” — não é gratuita. No total, cerca de 72 compositores colaboraram com o álbum! A música Hold Up, por exemplo, foi escrita por 15 pessoas. Tem gente criticando o título de gênio que o trabalho garante à ela, mas considerando que ela é a líder e idealizadora da coisa toda, isso mostra que ela compreendeu que as maiores inovações surgem a partir da colaboração e não do mito do indivíduo criador solitário, e ainda está remunerando essas pessoas pelo trabalho. Isso é moderno e genial.
Lemonade seria para muitos um atestado de que a traição aconteceu. E é claro que sempre que aparece uma brecha para continuar incentivando a rivalidade entre mulheres, por menor que seja, a mídia menos sofisticada agarra. Desde sábado, o povo segue especulando sobre quem é a tal da “Becky with the good hair”, personagem citada como amante de um marido traidor na faixa Sorry. Vale mencionar que essa expressão é a gíria para o estereótipo arquetípico da mulher branca média na cultura negra norte-americana – que tem “cabelo bom”, liso, em contraste com o cabelo afro, considerado “ruim”.
// E O QUE SE PODE APRENDER COM A CITAÇÃO “D’A OUTRA”
Um detalhe da coisa toda é que, mesmo citando a suposta amante, a letra de Sorry foca o tempo todo em desafiar o marido que quebrou os votos do casamento.
O que nos faz pensar que, em meio a toda essa fofoca, este artigo do Huffington Post disse tudo: “Bem, se você está focando na Becky, então você não entendeu nada. O ponto é o seguinte: Lemonade não é sobre com quem Jay-z traiu a Beyoncé. É sobre a força da Beyoncé – e a resiliência de mulheres negras de vários lugares”.
Mais significativo ainda é o fato de que a mensagem está sendo espalhada e aceita pela crítica como um dos pontos mais altos da nova obra da cantora. Grandes mídias como Huffington Post; The Guardian; Hollywood Reporter e Billboard classificaram Lemonade como um trabalho de feminismo negro e, por isso, direcionado para mulheres negras principalmente.
Achou mais algum link sensacional que a gente não colocou aqui no post? Então compartilha com a gente nos comentários! ;)
A não ser que sua internet seja de outro mundo, você provavelmente já ouviu falar do novo álbum da Beyoncé, intitulado Lemonade. No último sábado, a HBO foi a primeira a transmitir a versão visual das 11 músicas inéditas, além da já conhecida Formation, que a cantora já havia lançado e performado no SuperBowl deste ano.
O resultado é um filme de uma hora com todas as músicas do que já é considerado o melhor e mais biográfico trabalho de Beyoncé. Fato é que o álbum gerou muitas discussões e debates: desde o nome escolhido, até a representação da cantora nos clipes, passando pelas letras significativas e até pela forma como ela escolheu fazer o lançamento… Tudo isso e muito mais foi comentado na web nos últimos dias, desde a madrugada de sábado.
No maior estilo Links da Semana da Ovelha, preparamos um resumão para linkar as críticas, observações e problematizações mais relevantes sobre Lemonade, assim você não perde nada sobre esse que poderá ser o álbum do ano e o ponto mais alto na carreira de Bey.
// O TAL DE TIDAL
Diferente de quando lançou seu último álbum (também de forma visual, com todos os clipes já prontinhos e postados de uma só vez no YouTube), Beyoncé quis preparar o coração dos fãs e avisou que o lançamento seria feito pelo canal HBO no sábado a noite.
Quem já tinha TV por assinatura deu sorte pois, como acontece todos os anos, a HBO estava com o sinal aberto no último fim de semana, em função da estreia da sexta temporada de Game Of Thrones no domingo.
Considerando que Beyoncé tem falado de racismo e injustiças para pessoas negras nos seus trabalhos mais recentes, seria segregador e elitista disponibilizar o conteúdo com mais custos, sem nem a chance de ouvir gratuitamente como no Spotify, como observou Azaelia Banks (além de outros comentários polêmicos sobre a obra).
// O BANHO DE WHITE TEARS
Desde o lançamento de Formation, pessoas brancas (principalmente os americanos) têm se sentido atacadas e (pasme!) não-representadas por Beyoncé em suas novas músicas. Mais uma vez, temos que explicar o óbvio: o debate sobre racismo e feminismo negro, não é para agradar pessoas privilegiadas por cor!
O título já adianta: vai ter debate sobre racismo. Limonada era a bebida que os escravos americanos tomavam achando que teriam suas pelas clareadas (por causa do efeito do limão em tecidos). Em Freedom, música com batidas, vocais e parceria forte (de Kendrick Lamar, que fez uma apresentação absurda de incrível no último Grammy), Beyoncé diz: “Me deram limões, mas eu fiz limonada”, como que em resposta ao embranquecimento que a mídia e as gravadoras incentivaram nela ao longo dos anos e ao fato de que hoje ela chegou a um status em que pode apontar o problema. Na mesma música, ela afirma: “eu quebro as algemas por mim mesmo, não deixarei minha liberdade queimar no inferno”.
Vale a pena analisar e buscar significados para cada letra na álbum, que entra em questões ainda como solidão e preterimento da mulher negra, auto-estima, família, relacionamentos abusivos, traição e outras questões muito fortes. Para ir além da tradução e detalhar as expressões vai lá no Genius e consulte as letras das canções!
A grandiosidade e genialidade das letras — que inclui versos como “Se é isso mesmo que você quer/ Eu usarei a pele dela sobre a minha /” — não é gratuita. No total, cerca de 72 compositores colaboraram com o álbum! A música Hold Up, por exemplo, foi escrita por 15 pessoas. Tem gente criticando o título de gênio que o trabalho garante à ela, mas considerando que ela é a líder e idealizadora da coisa toda, isso mostra que ela compreendeu que as maiores inovações surgem a partir da colaboração e não do mito do indivíduo criador solitário, e ainda está remunerando essas pessoas pelo trabalho. Isso é moderno e genial.
Lemonade seria para muitos um atestado de que a traição aconteceu. E é claro que sempre que aparece uma brecha para continuar incentivando a rivalidade entre mulheres, por menor que seja, a mídia menos sofisticada agarra. Desde sábado, o povo segue especulando sobre quem é a tal da “Becky with the good hair”, personagem citada como amante de um marido traidor na faixa Sorry. Vale mencionar que essa expressão é a gíria para o estereótipo arquetípico da mulher branca média na cultura negra norte-americana – que tem “cabelo bom”, liso, em contraste com o cabelo afro, considerado “ruim”.
// E O QUE SE PODE APRENDER COM A CITAÇÃO “D’A OUTRA”
Um detalhe da coisa toda é que, mesmo citando a suposta amante, a letra de Sorry foca o tempo todo em desafiar o marido que quebrou os votos do casamento.
O que nos faz pensar que, em meio a toda essa fofoca, este artigo do Huffington Post disse tudo: “Bem, se você está focando na Becky, então você não entendeu nada. O ponto é o seguinte: Lemonade não é sobre com quem Jay-z traiu a Beyoncé. É sobre a força da Beyoncé – e a resiliência de mulheres negras de vários lugares”.
Mais significativo ainda é o fato de que a mensagem está sendo espalhada e aceita pela crítica como um dos pontos mais altos da nova obra da cantora. Grandes mídias como Huffington Post; The Guardian; Hollywood Reporter e Billboard classificaram Lemonade como um trabalho de feminismo negro e, por isso, direcionado para mulheres negras principalmente.
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Sabe quando você gosta tanto de uma série não muito conhecida, e acaba fazendo campanha para todos os seus amigos assistirem? Então… Eu sou assim com Black Sails. Muitas vezes me pego comparando a série com Game Of Thrones e recorrendo aos mesmos argumentos rasos que geralmente são usados para defender a série da HBO. “Você vai gostar. Tem política, ação, sangue, morte e muitos nudes”.
De fato, tirando o fator “magia”, o roteiro de Black Sails tem todos esses elementos. E ainda rola uma abertura com musiquinha legal e chiclete!
A grande diferença é que a série conta a história de piratas que frequentavam Nassau, capital das Bahamas, no século XVIII. Então se você gosta de histórias reais ou lendas da pirataria, a série da Starz já ganha pontos por reunir personagens como Capitão Flint, Long John Silver e, mais recentemente, Edward Teach, o notório Barba Negra. Nem preciso falar que a produção deixa a franquia de filmes da Disney, Piratas do Caribe, no chinelo, né?
Agora, como estou indicando a série para quem lê Ovelha, sei que posso ir muito além dos argumentos rasos e apresentar um fator ainda mais fortalecedor sobre Black Sails: as personagens femininas.
Já que a comparação com Game Of Thrones acabou sendo feita, é importante apontar que as mulheres não são colocadas como frágeis e em situações vulneráveis apenas por serem mulheres, independentemente do tempo em que vivem e dos riscos que corriam nesse período.
Na série da Starz, as mulheres são de fato relevantes para o contexto político da história e não estão lá para serem resgatadas. Até o fim da terceira temporada (que foi incrível!!!), os roteiristas e produtores da série nunca tiveram que explicar, por exemplo, uma cena de violência desnecessária, como já aconteceu mais de uma vez em GOT. Tudo isso sem apagar o contexto histórico e mostrar que a vida, de fato, não eram nada favorável para as mulheres da época.
Para você saber um pouco mais sobre cada guerreira de Black Sails, criei mini bios sem spoilers! Confira.
Eleanor Guthrie
(Atriz: Hannah New)
Para dar vida aos piratas, os roteiristas utilizaram registros históricos ou lendas de livros. Mas para uma figura política fictícia, que lidera a cidade dos contrabandos, nasce uma personagem novinha em folha. Uma mulher.
Eleanor Guthrie não aparece nas lendas e foi criada especialmente para a série. Aos 16 anos, ela herdou o comando de Nassau do pai e lutou para ter o respeito de qualquer um que faça negócios em suas terras. Nenhum alimento é plantado ou nenhuma peça roubada é revendida fora do conhecimento da governadora.
Max
(Atriz: Jessica Parker Kennedy)
Ela também é uma personagem criada do zero, com base somente no perfil das prostitutas de Nassau na época do domínio dos piratas. Por isso Max não tem sobrenome.
A evolução da personagem é impressionante. Desde a primeira temporada ela consegue ser relevante para os negócios da cidade. Logo aprendemos mais sobre seu passado de escravidão e conhecemos também o seu poder de liderança.
Miranda Barlow
(Atriz: Louise Barnes)
O capitão do navio Walrus, James Flint – personagem originário do livro A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson – é uma das figuras mais importantes para a trama de Black Sails. Mas na segunda temporada, descobre-se que ele não seria tão importante sem a ajuda da esposa, Miranda Barlow.
Não tem nada a ver com aquela baboseira de “por trás de todo grande homem existe uma grande mulher”. Flint e Barlow dividem um passado que origina boa parte da guerra política presente na série e ela prova ser uma personagem muito mais interessante do que a simples cidadã de Nassau que aparenta ser na primeira temporada.
Anne Bonny
(Atriz: Clara Paget)
Assim como nas lendas em que é citada, Anne Bonny é apresentada em Black Sails como uma pirata que navega por Bahamas ao lado do marido Jack Rackham. Na série, os dois fazem parte da tripulação do Capitão Charles Vane.
Muito habilidosa com armas de fogo e com a espada, Anne acaba se tornando uma figura solitária, que assusta os outros piratas pela fama de ser uma assassina de sangue frio. Mas, ao longo das temporadas, acabamos conhecendo mais sobre a personalidade da guerreira.
A Rainha da Ilha Maroon
(Atriz: Moshidi Motshegwa)
Eu prometi que faria este post sem spoilers, então vou tentar conter a excitação ao falar sobre a Rainha e a Princesa da Ilha Maroon, que surgem na terceira temporada como partes importantíssimas para o roteiro.
O que se sabe na história, é que a Ilha Maroon foi o esconderijo de dezenas de grupos de escravos que fugiram da Espanha e da Inglaterra na mesma época em que Nassau foi tomada pela pirataria. Lá, eles tentavam reconstruir suas vidas e reestabelecer suas tradições africanas.
Na série, qualquer tripulação, pirata ou não, que chega a Maroon precisa prestar contas para a Rainha da Ilha, uma figura misteriosa que comanda o lugar com veemência. A filha dela deve herdar o reinado e já recebe missões políticas importantes, mas mostra ter conflitos internos, principalmente em consequência da infância como escrava.
Por causa do distanciamento que elas mantém de qualquer pessoa de fora da Ilha, os nomes das duas líderes de Maroon ainda não foram revelados na série. Mas, ao que tudo indica, a aproximação da Princesa com o pirata Long John Silver pode quebrar esse mistério. Pesquisando alguns registros históricos, é possível adiantar que a Rainha a qual a série se refere, era conhecida como Nanny.
Já vale a pena assistir todas as temporadas só pela qualidade da série. Mas eu diria que a inclusão da história dos escravos em situação de luta e resistência foi a cereja do bolo para consagrar Black Sails.
Então está esperando o que? Vai lá assistir a série e corre aqui pra contar pra gente o que achou!
Formation, que a cantora já havia lançado e performado no SuperBowl deste ano.
O resultado é um filme de uma hora com todas as músicas do que já é considerado o melhor e mais biográfico trabalho de Beyoncé. Fato é que o álbum gerou muitas discussões e debates: desde o nome escolhido, até a representação da cantora nos clipes, passando pelas letras significativas e até pela forma como ela escolheu fazer o lançamento… Tudo isso e muito mais foi comentado na web nos últimos dias, desde a madrugada de sábado.
No maior estilo Links da Semana da Ovelha, preparamos um resumão para linkar as críticas, observações e problematizações mais relevantes sobre Lemonade, assim você não perde nada sobre esse que poderá ser o álbum do ano e o ponto mais alto na carreira de Bey.
// O TAL DE TIDAL
Diferente de quando lançou seu último álbum (também de forma visual, com todos os clipes já prontinhos e postados de uma só vez no YouTube), Beyoncé quis preparar o coração dos fãs e avisou que o lançamento seria feito pelo canal HBO no sábado a noite.
Quem já tinha TV por assinatura deu sorte pois, como acontece todos os anos, a HBO estava com o sinal aberto no último fim de semana, em função da estreia da sexta temporada de Game Of Thrones no domingo.
Considerando que Beyoncé tem falado de racismo e injustiças para pessoas negras nos seus trabalhos mais recentes, seria segregador e elitista disponibilizar o conteúdo com mais custos, sem nem a chance de ouvir gratuitamente como no Spotify, como observou Azaelia Banks (além de outros comentários polêmicos sobre a obra).
// O BANHO DE WHITE TEARS
Desde o lançamento de Formation, pessoas brancas (principalmente os americanos) têm se sentido atacadas e (pasme!) não-representadas por Beyoncé em suas novas músicas. Mais uma vez, temos que explicar o óbvio: o debate sobre racismo e feminismo negro, não é para agradar pessoas privilegiadas por cor!
O título já adianta: vai ter debate sobre racismo. Limonada era a bebida que os escravos americanos tomavam achando que teriam suas pelas clareadas (por causa do efeito do limão em tecidos). Em Freedom, música com batidas, vocais e parceria forte (de Kendrick Lamar, que fez uma apresentação absurda de incrível no último Grammy), Beyoncé diz: “Me deram limões, mas eu fiz limonada”, como que em resposta ao embranquecimento que a mídia e as gravadoras incentivaram nela ao longo dos anos e ao fato de que hoje ela chegou a um status em que pode apontar o problema. Na mesma música, ela afirma: “eu quebro as algemas por mim mesmo, não deixarei minha liberdade queimar no inferno”.
Vale a pena analisar e buscar significados para cada letra na álbum, que entra em questões ainda como solidão e preterimento da mulher negra, auto-estima, família, relacionamentos abusivos, traição e outras questões muito fortes. Para ir além da tradução e detalhar as expressões vai lá no Genius e consulte as letras das canções!
A grandiosidade e genialidade das letras — que inclui versos como “Se é isso mesmo que você quer/ Eu usarei a pele dela sobre a minha /” — não é gratuita. No total, cerca de 72 compositores colaboraram com o álbum! A música Hold Up, por exemplo, foi escrita por 15 pessoas. Tem gente criticando o título de gênio que o trabalho garante à ela, mas considerando que ela é a líder e idealizadora da coisa toda, isso mostra que ela compreendeu que as maiores inovações surgem a partir da colaboração e não do mito do indivíduo criador solitário, e ainda está remunerando essas pessoas pelo trabalho. Isso é moderno e genial.
Lemonade seria para muitos um atestado de que a traição aconteceu. E é claro que sempre que aparece uma brecha para continuar incentivando a rivalidade entre mulheres, por menor que seja, a mídia menos sofisticada agarra. Desde sábado, o povo segue especulando sobre quem é a tal da “Becky with the good hair”, personagem citada como amante de um marido traidor na faixa Sorry. Vale mencionar que essa expressão é a gíria para o estereótipo arquetípico da mulher branca média na cultura negra norte-americana – que tem “cabelo bom”, liso, em contraste com o cabelo afro, considerado “ruim”.
// E O QUE SE PODE APRENDER COM A CITAÇÃO “D’A OUTRA”
Um detalhe da coisa toda é que, mesmo citando a suposta amante, a letra de Sorry foca o tempo todo em desafiar o marido que quebrou os votos do casamento.
O que nos faz pensar que, em meio a toda essa fofoca, este artigo do Huffington Post disse tudo: “Bem, se você está focando na Becky, então você não entendeu nada. O ponto é o seguinte: Lemonade não é sobre com quem Jay-z traiu a Beyoncé. É sobre a força da Beyoncé – e a resiliência de mulheres negras de vários lugares”.
Mais significativo ainda é o fato de que a mensagem está sendo espalhada e aceita pela crítica como um dos pontos mais altos da nova obra da cantora. Grandes mídias como Huffington Post; The Guardian; Hollywood Reporter e Billboard classificaram Lemonade como um trabalho de feminismo negro e, por isso, direcionado para mulheres negras principalmente.
Achou mais algum link sensacional que a gente não colocou aqui no post? Então compartilha com a gente nos comentários! ;)