Girl Crush: Arvida Byström

Arvida Byström é modelo, fotógrafa, musicista, diretora de arte e artista feminista que ganhou fama por seu rosto angelical, cabelo arco-íris e um estilo e atitude que vem para confrontar qualquer ideal sobre o feminino. Muito mais que um “rostinho bonito” (frase típica que costumo repetir sobre nossas girl crushes), Arvida apresenta fortes posicionamentos políticos e costuma usar seu trabalho para criticar normatizações sociais – e tudo isso está relacionado com sua própria vivência como mulher lésbica (bastante consciente dos seus privilégios por ser branca, cis, magra, não-deficiente e de boa aparência para os padrões sociais). Seu trabalho aborda temas como menstruação, sexualidade, pêlos, feminilidade e monogamia, já tendo colaborado com diferentes marcas e revistas, como Vice, Rookie, Nasty Gal, Monki, Wonderland Magazine, Lula Magazine e Polyester Zine.

https://www.instagram.com/p/BV_-ewKgocI/?taken-by=arvidabystrom

https://www.instagram.com/p/BWxWA9xgMlc/?taken-by=arvidabystrom
 
Nascida em 4 de outubro de 1991, numa cidade sueca próxima a Estocolmo, Arvida começou a tirar fotos aos 12 anos com uma câmera digital. Através das selfies, ela buscou encontrar a verdade além da imagem que a sociedade projetava sobre ela. Ela se inspirava nas imagens, referências e comunidade do Tumblr, e foi na plataforma que ela começou a publicar suas fotos também a participar de um grupo de artistas feministas que questionavam os padrões de feminilidade e gênero, se apropriando de uma estética “girly” e tudo o que fosse codificado como feminino – porque isso sempre foi visto de forma pejorativa pela sociedade.


 
Em 2012, a amiga e fotógrafa Valerie Phillips a convidou para um ensaio, capturando o cotidiano colorido da artista sueca. As fotos foram clicadas com a alegria e sutileza de quem a conhece na intimidade. Foram dois anos de cliques que se transformaram no livro “Hi you are beautiful how are you” (traduzindo: oi você é linda como você está). Mais recentemente, Arvida também está presente no novo livro da fotógrafa, “Another Girl Another Planet“, de 2016. Além dos livros, as duas fizeram juntas quatro zines: “Meow“, “A Fantastic Kitten“, “It’s not him you see at night in your dreams” e “This Is My Drivers License“.

Livro “Hi you are beautiful how are you” (via)

 
Depois de crescer na Suécia e viver com seus pais, mudou-se para Londres para ter mais independência. Lá, ela fez seu primeiro editorial de moda para a Monki, marca sueca do grupo H&M. Na mesma época, criou sua própria galeria e espaço criativo, GAL, com a fotógrafa e amiga Hanna Antonsson. Através da GAL, as duas organizaram exposições e eventos com outras artistas emergentes.

Exposição da Galeria GAL (via)

 
Como membro do coletivo feminino The Ardorous, Arvida Byström apresentou algumas de suas fotografias no livro Babe – publicado em maio de 2015, que inclui o trabalho de outras 30 artistas feministas, com curadoria da fotógrafa Petra Collins.

Capa de “Babe” e foto de Arvida Byström presente no livro

 
No mesmo ano, Arvida participou da exposição “Girls At Night On The Internet“, com curadoria de Grace Miceli, juntamente com artistas como Petra Collins, Molly Soda e Maggie Dunlap. A exposição tratou da falsa representação de jovens artistas mulheres, bem como elas próprias no mundo da arte, na primeira exposição IRL da maioria das artistas.

Exposição “Girls At Night On The Internet”, na Art Baby Gallery

 
Uma das coisas que Arvida Byström sempre apresenta em seu trabalho é o poder das selfies como forma de expressão, amor próprio e arte. Essa documentação da própria vida é, aliás, uma das maiores expressões da sua geração – e uma ferramenta de expressão e empoderamento das mulheres. Um dos seus projetos, feito junto com a artista Maja Malou Lyse, é o Selfie-Stick Aerobics, de 2015. O vídeo é uma aula de como tirar selfies com um selfie-stick que as levou até o museu Tate Modern, em Londres, para um workshop.

https://www.youtube.com/watch?v=8HiIacvjiPw
 
Arvida Byström explora sua própria identidade, feminilidade e sexualidade fotografando seu corpo e provocando os limites do pudor e do NSFW. Por conta disso, muitas das suas fotografias foram censuradas pelo Instagram. Por justamente questionar o que é e o que não é “aceitável” mostrar do corpo da mulher, Arvida decidiu reunir as fotos censuradas de diversas artistas em um livro, chamado “Pics or It Didn’t Happen: Images Banned From Instagram“, em parceria com Molly Soda. O livro foi lançado em março de 2017.

https://www.instagram.com/p/BQlUHSXFYp7/

Ela é tão legal que este ano a Adidas a convidou para estrelar a nova campanha do tênis Superstar, chamada “Icons of Tomorrow” (ícones do amanhã, em português). Sim, porque Arvida é role model! Além dela, a campanha foi estrelada por outros jovens que estão comprometidos em mudar a sociedade, como o rapper Khalif e Barbie Ferreira, modelo plus size.

https://www.youtube.com/watch?v=elDe_kHYTb8

A participação dela foi neste vídeo acima e em fotos para a campanha. Nada demais, não? Mas, para a sociedade tradicional amedrontada pelas disrupções que a juventude pode provocar, é um absurdo uma mulher aparecer numa campanha com as pernas cabeludas. Oi? Sim, este detalhe, os pêlos da sua perna, gerou uma série de comentários de ódio nas redes sociais.

Mas quem conhece seu trabalho sabe que ela questiona a necessidade da depilação associada com o ideal desejável de feminilidade há muito tempo. Ela sempre se aproveitou de sua imagem lolita para fotografar os pêlos da virilha, da axila e das pernas:

https://www.instagram.com/p/BNxrh_Ygjnk/?taken-by=arvidabystrom

https://www.instagram.com/p/BJLwUywjvR6/?taken-by=arvidabystrom

Só que a Adidas pegou essa artista “indie” e “alternativa” e a colocou no mainstream. Graças a essa campanha, ela chegou em pessoas que nunca ouviram falar sobre Arvida Byström. Tinha tudo pra ser um sucesso, pra ser bom para sua carreira. Mas Arvida, naquele momento, saiu da sua bolha artística e ficou exposta ao horror do conservadorismo da sociedade que repudia tudo que é novo e estranho com ódio. Ela desabafou no Instagram dizendo que além das críticas que inundaram seu perfil, ela também recebeu diversas ameaças de estupro via inbox. Assustada (como qualquer mulher ficaria), Arvida deu um tempo das redes sociais e até mesmo seu site foi substituído apenas pela mensagem “brb” (be right back – traduzindo: já volto), para que evitasse novos ataques até a poeira baixar.

https://www.instagram.com/p/BZd1cbNggu7/
 
Mas Arvida não pára. Ela continuou fazendo seu trabalho como diretora de arte, modelo e fotógrafa. Porque ninguém pode silenciá-la! E isso é um incentivo e tanto a todas nós.

♡ ♡ ♡ ♡

Arvida para a Polyester Zine

 
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Siga a Arvida Byström: Site / Tumblr / Instagram / Soundcloud

Encontre Arvida Byström nos livros:

 

Musgo: sensibilidades unificadas

Em harmonia com a primavera, o MUSGO acaba de florar e traz excelentes jovens artistas para você conhecer.

A proposta iniciou a partir da ideia de juntar diferentes olhares artísticos femininos mas que se unem na mesma referência estética. Com base na criação coletiva, o projeto busca apresentar os trabalhos de mulheres artistas emergentes, combinando gostos e experiências mas com sensibilidades singulares.

Com curadoria do MUSGO, será realizada uma exposição em São Paulo trazendo trabalhos das artistas Bruna Bento, Naira Mattia, Anna Mascarenhas e Anália Moraes. A abertura é neste sábado, 11/11 com entrada gratuita.
 


Veja também o post que fizemos sobre a fotógrafa Naira Mattia aqui.

 
https://www.instagram.com/p/BbPzsGXhdca/?taken-by=musgo.o

https://www.instagram.com/p/BbPy75Ch2WK/?taken-by=musgo.o

a força que a matéria tem é inquestionável. existe e se tira a prova pelo tato. […] a proposta de MUSGO é a união de sensibilidades individuais em torno de uma estética unificada, num processo experimental de criação de novos discursos a partir da fusão de diferentes olhares. vários, que juntos são um.

https://www.instagram.com/p/BbPzwRfhu_2/?taken-by=musgo.o

https://www.instagram.com/p/BbPza4ZhE7d/?taken-by=musgo.o

 

Conheça um pouco mais sobre cada artista nos perfis abaixo:

Ilustração de Anália Moraes

Quem: Anália Moraes
O que faz: Artista Plástica, ilustradora e co-fundadora da Casa Dobra, uma produtora de conteúdo audiovisual e ateliê de arte.
De onde vem / onde mora atualmente: Nasci e resido em São Paulo – SP.
O que te ajuda a ter uma mente criativa: Não me limitar em suportes e plataformas de criação únicos, ou seja, me jogar em alguma técnica que eu não necessariamente domino e não ter medo disso. É muito importante nutrir a liberdade dentro de mim pra explorar de tudo para ter um resultado plástico interessante, e isso desbloqueia muito o processo criativo!
Quais são suas inspirações: Acho que todos somos esponjas quando se trata de inspiração, e tudo soma. O lance é justamente prestar atenção no que te chama atenção, guardar isso e cavar fundo pra dentro de você para saber porque aquilo foi importante e como você pode usar isso. É nesse processo que as coisas banais viram inspiração pra mim. O processo e a pesquisa de outros artista são muito importantes também, agora estou pirando no trabalho da Lauren DiCioccio, Ernesto Neto, Emma Larsson e Marco Tirelli.

 

Fotografia de Anna Mascarenhas

Quem: Anna Mascarenhas, 24 anos
O que faz: sou artista multimídia
De onde vem / onde mora atualmente: nascida, criada e atualmente habitando a cidade de São Paulo
O que te ajuda a ter uma mente criativa: tomar banhos quentes
Quais são suas inspirações: Van Gogh, Hans Ulrich Obrist, Lygia Clark, Ren Hang, Nan Goldin, Carlota Guerrero, David Bowie, Cindy Sherman, Bruce Neuman, Pedro Nekoi, Gabriella Garcia, Samuel Saboia.

 

Fotografia de Bruna Bento

Quem: Bruna Bento, 24 anos
O que faz: Sou fotógrafa e inquieta com mil ideias, gosto de empreender coisas movimentar pessoas. Colaboro com o projeto @bondeverde que tem o foco da conscientização da alimentação no ambiente de trabalho e na vida e idealizadora do MUSGO com a Naira Mattia.
De onde vem / onde mora atualmente: Sou de Perus, último bairro da periferia de SP e atualmente moro na Vila Mariana.
O que te ajuda a ter uma mente criativa: Eu busco me conectar com minha intuição o máximo que consigo dentro da rotina ou esquizofrenia dos meus horários, isso permite deixar minha sensibilidade aberta para as pessoas, que são pra mim a minha maior inspiração elas são um poço sem fim de conteúdo. Pois questionando elas e a eu mesma, tenho insigths muito intensos. Também vejo muitos vídeos, inúmeros desde vídeo clipes a documentários, palestras como a da monja Coen ou até propagandas que são bem sensíveis. Textos e imagens sobre ciências, filosofia, espiritualidade e psicanálise estão sempre entre minhas 400 abas do computador. Descansar, comer e beber é bem importante pra dar espaço pra mente apenas SER.
Quais são suas inspirações: Como eu nunca sei nome de ninguém e quem me conhece sabe disso (risos). Minhas inspirações mais profundas transitam quase sempre na espiritualidade, no cosmos, quando o que eu leio daquela obra é algo mais expandido do que a matéria. Com isso os movimentos em fotografia, colagens, filmes, ilustrações que tocam ou transitam no surrealismo, psicodelia, minimalismo, mexem muito comigo.

 

Fotografia de Naira Mattia

Quem: Naira Mattia
O que faz: Fotógrafa
De onde vem / onde mora atualmente: Vim do interior de SP, hoje moro em São Paulo
O que te ajuda a ter uma mente criativa: Estudar linguagens de expressão que não sejam fotografia; procurar publicações impressas com trabalhos que saiam do padrão do que vejo na Internet; aprofundamentos psicológicos como terapia ou astrologia e sair da rotina visual em geral, numa viagem pra longe, numa noite em que bebi ou, quem sabe, numa volta no meu próprio quarteirão.
Quais são suas inspirações: Luigi Ghirri, Can Dagarslani, David Mirete, Rosanna Jonez e outros tantos fotógrafos e artistas que sigo pelo Instagram.

 
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O estúdio/loja/bar Bang Bang fica em Pinheiros – SP e recebe a exposição das artistas até o dia 18 de setembro.


Siga:

MUSGO: @musgo.o
Anália Moraes: @moraes_a
Anna Mascarenhas: @annapmm
Bruna Bento: @bentobruna
Naira Mattia: @nrmtt
 

Leia: ‘At work’, de Annie Leibovitz

Annie Leibovitz é uma fotografa estadunidense, que ficou conhecida por seus retratos caráter íntimo, onde sua marca é a relação do retratista com o retratado. Essa mulher já foi diretora de fotografia da Revista Rolling Stones, é fotografa-retratista da revista Vanity Fair e Vogue, participou um dos projetos mais bacanas sobre contos de fadas, o “Disney Dream Portrait” um projeto da Disney World.

Eu, Janis, me interesso por fotografia com uma curiosa mesmo, então sempre procurei nos livros suprir essas algumas dúvidas e curiosidades. Deixando um pouco de lado os livros “tutoriais” ou livros técnicos, meus interesses na fotografia estava na relação foto e fotógrafo, portanto na experiência de um fotógrafo, como ele se encontrava com uma foto, lugares que visitou, inspirações, primeiro contato com a câmera e por aí vai, assim os livros biográficos de fotografia me agradavam muito. Me deparei com livros fantásticos, como a biografia de Robert Capa, Boris Kossoy, Sebastião Salgado, Henri Cartier-Bresson etc, no meio desses livro senti falta de uma FOTÓGRAFA, uma voz de uma mulher.

Foi então que encontrei ‘At work’ de Annie Leibovitz.

Em seu livro, Annie conta como se tornou fotografa e seus principais projetos. A escrita é intíma, como se você escutasse a voz da própria Annie contando tudo pra você, de maneira clara e muito pessoal, sua escrita nos dá espaço para construirmos o retrato de Annie, assim como ela faz com os artistas que retrata.

O livro está inglês e infelizmente não possui tradução para o português e recentemente ele ficou meio que esgotado nas livrarias daqui, maaas quem quiser se aventurar na leitura (que vale muito a pena) tem na amazon gringa e tem como achar o pdf dele de grátis na internet.

Girl Crush: Ashley Yuka Mizuhara

Ashley Yuka Mizuhara é uma japonesa que vem seguindo os passos de sua irmã, a famosa modelo Kiko Mizuhara. Nós da Ovelha normalmente não olhamos para modelos no nosso #girlcrush, principalmente porque para nós beleza por si só não significa nada. Então o que faz de Ashley Yuka nossa crush? Porque ela é muito mais que um rostinho bonito: ela é uma DJ e influencer japonesa ultra cool que tem um estilo ultra divertido e que detesta o blasé do mundinho fashion. É pra se inspirar com seus looks divertido e se encantar com seu sorriso good vibes.
 
https://www.instagram.com/p/BVV64TPFARj/
 
As irmãs Ashley e Kiko tem 4 anos de diferença: Kiko nasceu dia 15 de outubro de 1990 e Ashley dia 10 de outubro de 1994. Kiko nasceu em Dallas, Texas. As duas filhas de um pai americano e de uma mãe zainichi. Mas a família se mudou e se estabeleceu no Japão antes mesmo da Ashley nascer. Elas cresceram na cidade de Kobe.
 
https://www.instagram.com/p/BR5HREVl2ng/
 
Kiko e Ashley são muito unidas. Elas se protegem mutuamente e ajudam uma a outra em tudo, tanto que Ashley ficou mais conhecida porque começou a aparecer em trabalhos da irmã, sendo vista em editoriais e campanhas de importantes marcas da moda, como em 2015 para a Opening Ceremony.
 

 
Por seguir sua irmã nesse mundinho da moda, Ashley Yuka acabou fazendo fotos para a Vogue Japan, Numero Tokyo, Nylon e Elle Japan e hoje elas são as irmãs mais cool do Japão, tipo as irmãs Olsen para os americanos – só que mais divertidas. #shade
 


 
Mas por que queremos dar foco para a Ashley Yuka e não para a Kiko, sua irmã mais famosa e fashionista? Acho que… justamente por ela ser a outcast. Enquanto Kiko é super sexy, Yuka é mais fofolete e alternativa. É só ver o Instagram de cada uma (veja o da Kiko e o da Ashley): a Ashley Yuka publica mais fotos do seu dia-a-dia, de um jeito doce e divertido. Até a forma como elas se vestem é diferente. E por mais que faça trabalhos como modelo, a Yuka não é daquelas garotas que só se sentem lindas fazendo carão ultra maquiadas. E tem algo de único nela. Talvez porque ela seja um tanto tímida, talvez porque ela não se veja tão femme fatale como sua irmã mais velha. Acho que esse jeitinho awkward dela de menina que não sabe ainda direito seu lugar no mundo que faz com que ela seja assim tão incrível.
 

Ashley para a i-D Vice

 
Ela mesma já falou um pouco sobre essa coisa de ser ela mesma, natural sem ser blasé, em entrevistas, de como Tóquio é uma cidade de aparências e que ela ainda está aprendendo a dosar esse trabalho de imagem.
 


 
Mas fora a carreira de modelo, a verdadeira paixão de Yuka é a música. Ela não é como aquelas celebridades que “ataca de DJ” – ela leva isso a sério! Faz coleções de LPs e discoteca usando seus discos sob o nome artístico de angelyuka. Uma das suas maiores conquistas como DJ, por exemplo, foi ter trabalhado numa parceria com o produtor japonês Towa Tei:
 

 
Yuka cresceu em uma casa onde a música reinava: sua mãe sempre amou o jazz clásico, seu pai era mais fã de rock e Kiko a ensinou sobre o Hip Hop. Ela se sente muito mais confortável como DJ em eventos e festas do que como modelo propriamente. Ela, aliás, é uma grande entusiasta do City Pop (vem escutar)!
 
https://www.instagram.com/p/BTsaSHglKKW/
 
Fuçando pela internet encontrei uma playlist incrível de duas horas de música selecionadas por ela para a Honeyee. Escute aí pra curtir e conhecer um pouco das suas preferências musicais ;)
 

 
Vamos deixar mais alguns vídeos e fotos da nossa crush pra vocês entrarem na sintonia do nosso amor pela Yukinha. Mas não esquece de ver as fotos da galeria no início do post! É um carrossel de imagens, é só apertar NEXT! ;)



 
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Imagens via Gramunion e Facebook.
 

Conheça: Naira Mattia

Recentemente tive a oportunidade de conhecer a Naira Mattia e seu trabalho com cores, luzes e formas em fotografias incríveis.
 

 
Durante um evento no qual pude expor meus trabalhos ao lado de outras mulheres inspiradoras além da Naira (vide Bruna Bento e Débora Nisenbaum <3) pude entender um pouco – além da minha própria experiência – sobre como nos desdobramos em busca do que realmente queremos fazer, mesmo que isso não acabe sendo lá tão duradouro como imaginamos.

Digo isso pois a Naira – assim como eu – se formou em publicidade, seguindo profissionalmente na área até entender que aquilo não condizia com seus anseios.

De São Paulo (para o mundo!) ela hoje fotografa ensaios, retratos, viagens e inúmeras composições pensadas cautelosamente. É só dar uma olhada pelo seu Instagram para saber do que estou falando.
 

auto-retrato de Naira Mattia

 
Além de seu trabalho artístico, Naira também mantém um blog, onde além de postar seus trabalhos ela fala sobre seu processo, comenta algumas referências e dá boas dicas para quem está se acostumando com a fotografia profissional ou amadora.

Em um dos seus posts sobre construção de imagem, ela diz:

PRESENÇA: assumir a responsabilidade sobre os elementos que conseguimos controlar. estar sensível à realidade que nos circunda. deixar que a intuição nos diga como reagir. assumir como reais todas as variáveis. não julgar, só sentir.

É realmente importante essa percepção para qualquer processo artístico. Acredito que isso explica boa parte da beleza das composições da fotógrafa.
 

trabalho de Naira Mattia para o EP “Salva-Vidas” de Geo

 


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Amo/Sou: Charline Bataille

Charline Bataille é daquelas artistas feministas que você não só respeita como se apaixona. Dá vontade de esfregar a cara em tudo o que ela faz. De Montreal, no Canadá, ela ganhou fama com seus desenhos coloridíssimos de mulheres guerreiras e furiosas contra o patriarcado. Essas amazonas gloriosas (e também muito graciosas) aparecem em suas pinturas e também em roupas, desenhos, adesivos, zines e tatuagens – que são o destaque da sua arte hoje.

Bataille é uma feminista bastante ativista, expondo suas visões na sua arte. Em entrevista para a Bad Feelings, ela disse que criou uma “seita” com seu amigo Lucas chamada “Ugly Church” (traduzindo, “igreja feia”). A premissa da Ugly Church é ter um compromisso sagrado e devocional com a feiúra, que ela se refere como “uma coisa poderosa”. Se um deles ouve o outro queixar-se sobre algum aspecto da sua aparência que acham feio, eles lembram: “mas pertencemos à Ugly Church!” Ela vai contra a maré do amor próprio empoderado que desce forçado pela goela, do ideal de que “todos são lindos”. Ela protesta enfaticamente: “A beleza é tão violenta!” Em sua arte, muitas vezes vemos o slogan” BEAUTY KILLS”. Em entrevista, ela explica:

O sentimento duro de não ser bonita realmente mata (as mulheres)… então eu quero chegar o mais longe possível disso. Eu quero parecer suja… Quando os homens me virem na rua, quero que eles pensem ‘EWWW!’, e não ‘Ei gatinha’

https://www.instagram.com/p/BKB_x3oBXkq/

O foco do seu trabalho atualmente está na tatuagem. A arte de Charline Bataille fica realmente adorável na pele. Ela diz que suas tatuagens se diferem muito dos estúdios tradicionais. Ela diz não se importar com as tradições, com o jeito “certo” de tatuar. Pra ela, o importante é a arte e as pessoas que ela tatua: a maioria são membros da comunidade queer de Montreal, Toronto, Oakland e Los Angeles, que chegam até ela para estar em um espaço seguro, um ambiente confortável onde sempre há consentimento sobre tocar, bem como uma compreensão do trauma e seus efeitos sobre o corpo. Sua arte é uma mistura entre o universo da pele do indivíduo e da mente da artista, por isso é tudo tão especial e único.

Clique no centro da imagem para ver a galeria

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Mas além da tatuagem, Bataille é uma inspiração completa em muitos outros universos em que sua arte atua. Quer ver?
 

O look mais artsy-chic ativista e divertido do rolê? Charline Bataille!

https://www.instagram.com/p/BYGY_9oh8cG/
https://www.instagram.com/p/BQbWoBwgBn-/
https://www.instagram.com/p/BSO5-tShxtw
https://www.instagram.com/p/BVXbRSXhPgu/
https://www.instagram.com/p/BWL_W_fhhG_
https://www.instagram.com/p/BU75e6lhPtS/
 

Arte queer proud? Só ela, fodona, Charline Bataille!

https://www.instagram.com/p/BXGtVwtB_Pq/
https://www.instagram.com/p/BXTUN2mh_6b/
https://www.instagram.com/p/BVd6cagBJc3
https://www.instagram.com/p/BVd2fj0BLrB/
https://www.instagram.com/p/BTezcNihGg1
https://www.instagram.com/p/BTUcBHeBWqj/
 

Quer inspiração de decoração? Charline Bataille!

https://www.instagram.com/p/BSesQaUBvBQ/
https://www.instagram.com/p/BM95sgKgcJr/
https://www.instagram.com/p/BJQe8ozhE5O/
 

Inspiração de mulherão da porra? Charline Bataille!

https://www.instagram.com/p/BQeRePdgjVc/
https://www.instagram.com/p/BSCYepbhkM5/

COMO NÃO AMAR?

 
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Meu corpo não é público

Se você que está lendo isso aqui é mulher também deve estar furiosa, frustrada e decepcionada porém não surpresa com a decisão do juiz de liberar o agressor que ejaculou no pescoço de uma mulher em um ônibus na cidade de São Paulo. O homem foi preso em flagrante e depois foi descoberto que ele já tinha passagem por outros crimes sexuais: seis acusações de tentativa de estupro e dezesseis de assédio em transporte público.

Mas para o juiz, ele não cometeu um crime. E ainda adicionou: “Entendo que não houve constrangimento tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus, quando foi surpreendida pela ejaculação do indiciado”.

Isso é humilhante. Isso é revoltante. E isso é PERIGOSO. Para esta e outras vítimas de assédio e violência sexual. PARA TODAS NÓS. Clara Averbuck relatou ainda essa semana em seu Facebook o estupro que sofreu dentro de um Uber. E claro, ouviu muitas críticas, como ter escolhido não ir diretamente para a Delegacia da Mulher prestar queixa. Como ela mesma escreveu: “estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa delegacia da mulher ser questionada, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é que tem que provar. não quero impunidade de criminoso sexual mas também não quero me submeter à violência de estado. justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera.”

Ela não está errada em estar desiludida com o sistema (que afina, é patriarcal). Nossa “justiça” acabou de liberar mais um agressor, preso em flagrante com outras passagens pela polícia. A justiça brasileira espera espancar, matar. Aí sim, crime. Mas enfiar o dedo na vagina de uma mulher sem seu consentimento ou ejacular no pescoço da vítima no transporte público tá TUDO CERTO, né?

É com essa raiva e inquietação que um grupo de mulheres profissionais de criação no Facebook, o Mad Women, usou a criatividade para fazer barulho. Elas criaram a hashtag #MeuCorpoNãoÉPúblico e uma série de posters feitos colaborativamente. As redatoras escreveram as frases, as ilustradoras e designers as transformaram em pôster.

Clique no centro da imagem para navegar pela galeria:

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O intuito é colar os posters dentro do ônibus e nos pontos. Você mesma pode baixar as artes em alta e imprimir numa gráfica ou mesmo na sua casa. O importante é espalhar essa indignação e mostrar que estamos, mais do que nunca, unidas contra nosso silenciamento.

Acesse meu-corpo-nao-e-publico.tumblr.com e confira todas as artes!
Baixe, imprima e cole pela sua cidade!

#MEUCORPONÃOÉPÚBLICO

Amo/Sou: Cabelos cor-de-rosa

Fazem mais de cinco anos que eu pinto meu cabelo. Mas não é loiro nem ruivo: é rosa. Já foi também violeta, azul, cinza e laranja. Mas o rosa é a cor que realmente criou raízes e ajudou a moldar meu estilo e atual identidade. Quer dizer, não mais atual porque dei um tempo e voltei a deixar o castanho reinar.
 

Meu cabelo em 2012, longo e bem rosinha. Adorava!

 
Meu cabelo em 2013, mais claro e um pouco puxado pro pêssego.

 
Deixei a raiz do cabelo voltar a crescer por algumas razões. Porque havia esquecido como eu era com o cabelo escuro (ainda que logo mais vão aparecer fios brancos aos montes) e também porque batia de vez em quando aquela questão da idade: cabelo rosa aos 30 anos? SIM, POR QUE NÃO? Algumas das mulheres mais icônicas e estilosas pintam o cabelo de colorido mesmo (muito) depois dos trinta.
 
Helen Mirren já arrasou com o cabelo rosa depois dos 60

 
Fiquei ainda me questionando a relação da cor de cabelo com identidade. Achei um artigo da MTV sobre o assunto. Midge Wilson, professor PhD em psicologia, afirmou que “nosso sentimento em função da cor do cabelo é algo socialmente construído. O cabelo loiro já foi considerado indesejável – pálido, maçante e não confiável eram adjetivos comumente associados às loiras. E isso não mudou até o século 20, quando Clairol (marca americana de tintas pra cabelo) lançou a campanha ‘as loiras se divertem mais’.” Imagina as rosas!

Do mesmo artigo, o colorista Daniel Moon fez uma afirmação interessante. Ele diz que a cultura digital tem uma enorme influência em nossas escolhas de cor de cabelo – uma forma de recriar o que vemos na internet. Ele diz: “Tente olhar para a imagem de um lápis vermelho on-line e para um lápis vermelho na palma da sua mão. Um é analógico e o outro digital. Ao usar uma cor de cabelo não natural, tornamo-nos digitais e atraentes em alta definição. Nós nos conectamos com as cores da vida: o pôr-do-sol, as flores e as árvores podem ser associados com a cor do nosso cabelo. Você se torna parte da arte da sua foto ao lado de uma parede grafitada”.
 

O cabelo da Pony, por exemplo, é cabelo de sereia, cabelo de unicórnio, etc.

 
É, acho que o rosa faz parte da minha identidade agora. Me faz feliz, me faz eu me sentir bem comigo mesma e eu me divirto com ele. Foda-se o que os outros pensam! O importante é ser feliz e colorida! Então essa semana, depois de quase 6 meses de morenice, vou voltar a descolorir as madeixas pra voltar a ser rosa de novo.
 
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[infobox maintitle=”Colorido não é só pra cabelo liso!” subtitle=”Eu compartilhei as fotos das minhas referências, que se aproximam ao meu tipo de cabelo. Mas se você possui cabelo crespo ou cacheado também pode conferir uma seleção incrível de cabelos coloridos que já fizemos antes. Clica aqui!” bg=”red” color=”black” opacity=”on” space=”30″ link=”http://ovelhamag.com/cores-para-todas-as-cores/”]
 
Rosa é pra todo o tipo de cabelo!

 

Feliz rosa novo!

 

Ouça: Halsey

Apesar de ter lançado alguns trabalhos anteriormente como Ashley Frangipane – seu nome real – a cantora norte-americana começou a ser mais conhecida quando lançou em maio o EP “Room 93” como Halsey que, além de ser um anagrama de seu primeiro nome, também é o nome de uma rua em Nova York muito importante para ela.

Em agosto deste ano, seu álbum de estreia “Badlands” finalmente foi lançado. Ainda estou procurando maneiras para parar de apertar re-play. Com batidas mais fortes e sensuais, a maioria das letras falam sobre como se libertar das garras de algo que te oprime, sobre como enfrentar os próprios demônios e sair mais forte do que isso no final.

Hurricane foi a primeira música do “Room 93” a ganhar um clipe:

Halsey deixa bem clara sua bissexualidade, tanto que a música Ghost ganhou dois vídeos mostrando o relacionamento com…

um homem

…e com uma mulher

Ela também não esconde o fato de ser bipolar, mas não gostou nada quando a Billboard usou a seguinte headline: 

A cantora não deixou por menos e respondeu em seu twitter que um título muito mais interessante seria sobre o seu álbum que seria lançado dali a poucos dias. 

Ouça o disco Badlands:

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“A razão pela qual eu sou tão honesta nas minhas músicas é porque ela não me deixa espaço para falhar”(Halsey)

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Atualmente, sua música de trabalho é New Americana

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Onde acompanhar a Halsey:

facebook  | youtube  | twitter 

Rihanna é capa da Vanity Fair de outubro

Enquanto o novo álbum da Rihanna não vem, a gente se contenta com ela na capa da edição de novembro da Vanity Fair.

As fotos lindas da galeria foram feitas pela Annie Leibovitz em Havana, Cuba. Na entrevista, a cantora de 27 anos falou sobre vários assuntos como o vestido transparente cravejado de isvaróvisquis que ela usou na CFDA e sobre o conturbado relacionamento com Chris Brown. Lembra dele? Pois é, nem eu… Depois que ele a agrediu, deixei de acompanhar porque, né, não vi necessidade em celebrar artista que bate em mulher.

Ela – que ficou chati com o fim de Breaking Bad e que ama Bates Motel – também comentou sobre como as coisas são distorcidas e como seria divertido viver de acordo com a reputação que tem. Por outro lado, disse estar sempre preocupada em saber se as pessoas têm boas ou más intenções. E quem não está, RiRi?

Leia alguns trechos traduzidos:

Sobre o vestido

“Eu queria usar algo que parecesse flutuar sobre mim”, disse à jornalista Lisa Robinson. “Mas depois daquilo, pensei, OK, não dá pra gente fazer isso de novo por um tempinho. Sem mamilos, sem sexy shit, ou vai parecer chamariz. Aquela noite foi como um último berro. Eu decidi dar um tempo daquilo e usar roupas”.

Sobre relacionamentos

“Eu não tenho feito sexo ou saído com ninguém”, diz. “Não quero acordar no dia seguinte me sentindo culpada . Quer dizer, eu sinto tesão, sou humana, sou mulher, quero fazer sexo. Mas o que vou fazer? Achar o primeiro cara gato que acho que vai ser um ótimo programa pra noite e amanhã me sentir vazia e oca?”

(…)

“É solitário”, diz. “mas eu trabalho tanto que me distraio. Não tenho tempo para me sentir só. E fico com medo de relacionamentos porque me sinto culpada em querer que alguém seja completamente fiel e leal, quando eu não consigo dar nem 10% da atenção que eles precisam. É apenas a realidade do meu tempo, da minha vida, da minha agenda”.

falar sobre o assunto e dizer uma vez, 200 vezes, é como … Eu tenho que ser punida? Não me sinto bem com isso

Sobre Cris Brown

No ano passado, Rihanna foi puxada de volta pra história do abuso depois de um caso de um jogador de futebol americano que acabou sobrando pra ela. A NFL optou por não tocar a música Run This Town – parceria com Jay Z e Kanye West – durante um jogo por achar que seria uma “distração”. No Twitter, ela respondeu na época: “Vocês estão me punindo por algo que aconteceu com Ray Rice?”.

Lisa pergunta se Rihanna acha que sempre será um exemplo para vítimas de abuso doméstico. “Bem, eu simplesmente nunca entendi isso”, diz ela, “a forma como a vítima é punida mais e mais. Está no passado, e eu não quero dizer ‘Supere isso’, porque é uma coisa muito séria que ainda é relevante; ainda é real. Um monte de mulheres, um monte de jovens meninas, ainda estão passando por isso. Um monte de meninos também. Não é um assunto para varrer para debaixo do tapete, então eu não posso simplesmente rejeitá-lo como se não fosse nada, ou não levar a sério. Mas, para mim, e qualquer um que tenha sido vítima de abuso doméstico, ninguém quer nem lembrar. Ninguém sequer quer admitir. Então, falar sobre o assunto e dizer uma vez, 200 vezes, é como … Eu tenho que ser punida? Não me sinto bem com isso. ”

“Sempre vejo o melhor nas pessoas”, comenta. “Eu espero o melhor, e eu sempre procuro por aquela pouca bondade, aquele pontecial, e espero que desabroche. Você quer que eles se sintam bem sendo homem, mas agora os homens têm medo de ser homens. Eles acham que ser um homem de verdade é na verdade ser frouxo (being a pussy)*, que puxar a cadeira para uma mulher, ou ser gentil ou até mesmo carinhoso com sua garota na frente dos broder, você é menos homem por isso. Isso é doente. Eles não são cavalheiros porque isso faz com que eles pareçam fracos. É com isso que estamos lidando agora, cem por cento, e as meninas estão se acomodando com isso, mas eu não vou. Vou esperar para sempre se for preciso … mas OK. Você tem que ser ferrado várias vezes para aprender, mas agora eu estou esperando por mais do que esses caras podem realmente dar.”

Leia a entrevista original em inglês

*Nota da editora – Deixo aqui minha demanda para que se mude a conotação da expressão “being a pussy”.

Vale jogar: Missing Translation

Acho que a melhor palavra que eu tenho para descrever Missing Translation é “agradável”.

Ãhan. Esse deve ser o game mais agradável que eu jogo em semanas.

Gratuito, simples e tão gracinha, Missing Translation é um jogo redondinho, daqueles que estimulam a exploração e o ato de se perder num mundo curto, mas surpreendentemente carismático. Peguei para jogar numa manhã de sábado antes de colocar as mãos nos freelas-nossos-de-cada-dia, e, duas horas depois, já me sentia mais leve e disposta para começar o dia. Esse jogo me lembrou da experiência de ler um livro de aventuras deitada numa rede: descomprometida, calma e feliz.

Agradável.

A premissa? Você é uma pessoinha comum de saco cheio da velha rotina do acorda-trabalha-vai-dormir até que certo dia é puxada – claro que é – para um mundo paralelo bucólico com trilha sonora de RPG dos anos 1990 (que é linda por sinal). Você se vê em uma pacífica vila com moinhos de vento, nuvens preguiçosas, gatos everywhere e alguns moradores locais para conversar. Mas aí é que está a pegadinha: o idioma pelo qual eles se comunicam é completamente incompreensível! Você pode até ensaiar algumas palavras com o estranho sistema de símbolos que o game te dá, mas é certo que será apenas com muito esforço, observação e tentativa e erro que você será capaz de estabelecer uma conexão com aqueles habitantes. O mundo deles é completamente alienígena para você. E isso é de certa forma um alívio.

Para voltar para casa, será necessário coletar quatro pedras mágicas – claro que são – que se espalharam pelo mundo – claro que sim – depois que você atravessou o portal misterioso. Em termos mecânicos, isso significa completar quatro séries de quebra-cabeças progressivamente mais complicados. Embora os quebra-cabeças em si não representem nada de mais em termos de inovação ou dificuldade, é interessante como eles te colocam em um estado de concentração quase meditativo de encontrar um diálogo entre um processo comunicativo que nunca se completa plenamente com os habitantes e a tarefa semiconsciente de resolver uma charada com respostas possíveis.

(Ou pelo menos foi assim que li.)

O jogo é radical em te lançar em um universo novo retirando de você a capacidade entender e se fazer entender. A sensação de novidade e descoberta é quase infantil. Toda a palavrinha nova é um mistério solucionado e ainda existem “espaços escuros” suficientes neste universo para te causar admiração. O nosso mundo também possui milhares de lugares ocultos, mas as rotinas quase sempre nos fazem esquecer de que existem espaços além dos pavimentados e gastos que percorremos todo santo dia. De tempos em tempos, precisamos lembrar que ainda existe frescor se mudarmos nossas trilhas de vez em quando.

Missing Translation é uma pausa gostosa nessa marcha. Ele acaba na hora certa e não tem a pretensão de mudar a sua vida – mas isso está longe de ser uma coisa ruim. Jogos como ele são os que me lembram por que eu gosto tanto de videogames. São um lembrete de que nem todo jogo precisa ser sobre explosões espaciais e sobreviventes num mundo morto. Ou sobre grandes decisões morais e descobertas que podem mudar toda uma vida. Alguns games podem ser apenas isto: agradáveis.

Desenvolvedor: Alpixel

Lançamento original: 2014

Jogue: GameJolt, Steam, itchio, Google Play (pago)

Game do Batman terá Mulher-Gato como protagonista

A Rocksteady e a Warner anunciaram (22/09) quais os próximos pacotes de conteúdo que Batman: Arkham Knight vai receber. Um deles, a ser lançado em outubro, terá a Mulher-Gato como protagonista!

O nome do DLC (downloadable content – que pra quem não sabe são os pacotes de expansão de um jogo que o usuário pode baixar) será Catwoman’s Revenge (Vingança da Mulher-Gato) e a história se passa depois dos eventos de Arkham Knight. A vingança, no caso, será contra o vilão Charada. Até agora, o jogo já conta com enredos adicionais de personagens como Arlequina, Batgirl e Capuz Vermelho.

Trailer do DLC da Batgirl

Quem mais tá adorando ver esse tanto de personagem feminina de personalidade forte nesse game maravilhoso?

Trailer do game com a Harley Quinn só porque eu adoro ela

via | IGN

Ugra Zine Fest 2015

Ugra Zine Fest é um evento dedicado ao universo dos fanzines e das publicações independentes, uma iniciativa da editora independente paulistana Ugra Press. Todo ano rola uma feira de zines, HQs e publicações independentes, além de uma programação super bacana.

Esse ano uma coisa muito bacana que rolou foi um bate-papo sobre “Machismo, representação e feminismo nos quadrinhos.” com nada mais nada menos que Laerte Coutinho, Gabriela BorgesLuciana ForaciepeSirlanney e Camila Torrano. Legal né?

A quinta edição rolou nos dias 19 e 20 de setembro no Centro Cultural São Paulo. Conseguimos passar apenas no domingo para conferir e clicar a galera talentosa que participou. Confiram todas as fotos na galeria abaixo, é só clicar no centro da foto pra ver tudo :)
 
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Os mamilos não deveriam ser polêmicos

No último final de semana, foi ao ar o projeto #MamiloLivre, que está espalhando peitinhos e peitões pela cidade de São de Paulo. Acompanhamos e ajudei a colagem de uns posters no Minhocão e de quebra conversei com a fotógrafa Júlia Rodrigues, uma das autoras e – para o nosso privilégio, uma das colaboradoras da Ovelha – para entender um pouco melhor a parada toda ae:

 
Ovelha: O que é o projeto?

Júlia Rodrigues: O mamilo livre é a união entre meu projeto pessoal #podenãopode e os textos da psicóloga Leticia Bahia. É um questionamento sobre a censura das partes do corpo feminino que não existe para o corpo masculino. É mais um suporte para uma discussão que já está acontecendo pelo mundo todo neste momento. Sabemos que não estamos inventando a roda, mas sentimos a necessidade de ter essa discussão trazida para o público brasileiro e agregar ao tema que já anda ronlando por aí.

 

A DISCUSSÃO QUE ESTÁ ACONTECENDO PELO MUNDO

FREE THE NIPPLE from Parker Laramie on Vimeo.

 
Ovelha: E pq vc decidiu fazer esse projeto?

Júlia: Esse é um assunto que sempre me incomodou, principalmente por trabalhar como fotógrafa para revistas masculinas, com a nudez feminina e ter o meu trabalho pessoal sempre censurado nas mídias sociais. Me sentia meio que numa vida dupla, alimentando a objetificação do corpo feminino e ao mesmo tempo tentando quebrar a coisa toda. Mas, meu suporte para expor o que penso sempre foi visual. Me comunicar verbalmente ainda é um grande problema pra mim e as ideias da Leticia bateram perfeitamente com o que eu pensava. Essa fusão dos nossos trabalhos caiu como uma luva: eu cuido da imagem e ela cuida do conceito, texto, etc. No fim das contas, isso tudo é muito pessoal. Eu sou uma dessas pessoas que tem vergonha do próprio corpo e neste ano tive meu teste final: fui à uma praia onde topless era permitido e simplesmente entrei em pânico na hora de me libertar de todo aquele pano bobo por cima dos peitos. E quando uma amiga minha saiu do mar com o peito de fora, eu fiquei morrendo de vergonha e queria enfiar minha cabeça na areia. Ali, na hora, e antes mesmo disso, eu já sabia quão ridículo isso é… Mas não consigo me livrar dessa convenção social.

 

Uma das frases do manifesto do #MamiloLivre
Uma das frases do manifesto do #MamiloLivre

 
Ovelha: Qual é de espalhar peitinhos por aí?
Júlia: Sentíamos a necessidade de estourar a bolha da mídia social. A Leticia verbalizou isso de uma forma perfeita. A gente estava fazendo sermão pra quem já é convertido. As pessoas que me seguem e a seguem nos facebooks da vida, na maioria das vezes, já são pessoas que concordam com os nossos pontos de vista. A solução era certamente sair do virtual e ir pra rua.

Ovelha: O que essa etaoa tem de diferente da anterior?
Júlia: A maior diferença é que nossas ideias não estarão mais contidas dentro da nossa pequena bolha de simpatizantes e seguidores. A expectativa é que quem olhar as fotos na rua e ficar curioso, entre no site (que até o momento, já foi traduzido para 14 línguas por enquanto) e entenda melhor do que a gente está falando.

 

Mais um dos 7 pontos do manifesto
Mais um dos 7 pontos do manifesto

 
Ovelha:O que espera alcançar com isso?
Júlia: Não sei se a palavra é alcançar. Estou interessada em ver para onde a discussão vai. Quero saber o que as pessoas pensam sobre isso, apresentar o que eu penso, e também mudar até mesmo como eu mesma me sinto em relação a isso. Tentar desarmar esse primeiro pensamento que as pessoas têm sobre o corpo feminino e o sexo, o pornográfico, o censurável.

Viu algum poster dos mamilos? Poste suas fotos com a hashtag #MamiloLivre !!

Ajude as meninas a espalhar o projeto pelo mundo.

 
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Siga #MamiloLivre pela internet:

Tumblr | Site

Cobertura Ovelha: Casa TPM

 
A editora Trip convidou a Ovelha para cobrir o evento Casa TPM deste ano. Ficamos muito honradas e felizes pela lembrança e fomos conferir o que rolou nos dias 29 e 30 de agosto no Nacional Club, zona oeste da cidade de São Paulo.

 

Crachá mara feito pela Bárbara Malagoli (BabyC)
Crachá mara feito pela Bárbara Malagoli (BabyC)

 
Este foi o primeiro evento que fizemos uma cobertura. E também foi o primeiro encontro entre algumas das principais colaboradoras Ovelha: Bê Gondar, Karoline Gomes, Bruna Bento, Bárbara Malagoli (Baby C) e eu, Nina.

 
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A edição deste ano da Casa TPM levantou dois temas, um para cada dia de evento. Os debates de sábado giravam em torno de como as mulheres estavam inseridas, representadas ou participando da tecnologia. No domingo, a discussão foi sobre consumo consciente.

Resolvemos apresentar nossas considerações num formato despretensioso, divertido, honesto e fluido, como um bate-papo. Como tem muitas fotos e texto, dividimos em mais duas páginas. Use as setas do teclado (← →) para navegar ou, no smartphone, passe com o dedo.

 
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Todas as fotos e GIFs por Nina Grando, Bárbara Malagoli e Bruna Bento.
 

 

Atrizes com mais de 40 anos estão no Emmy

O portal de notícias Huffington Post fez uma observação belíssima que precisamos compartilhar aqui na Ovelha. Treze das 18 atrizes indicadas às categorias de protagonistas no Emmy Awards, o “Oscar da TV americana”, têm mais de 40 anos.

Essa é uma notícia maravilhosa levando em conta que muitas atrizes têm reclamado, com toda razão, de perderem papéis bons em filmes e séries de TV por causa da idade. Lembram da Maggie Gyllenhaal? Aos 37 anos, ela foi considerada velha para interpretar a amante de um homem de 55. Esse é só um exemplo.

 

 
Na categoria de melhor atriz em série de comédia, Amy Schumer, aos 34 anos, é a mais jovem indicada, e Lily Tomlin (“Grace and Frankie”) é a mais velha, com 75. Segundo o Huffington Post, até o momento a indicada mais velha dessa categoria foi Betty White, aos 69 anos.

A diversidade de idade é ainda mais significativa nas categorias de atrizes coadjuvantes, que inclui mulheres em seus 20, 30, 40, 50 e 60 anos, desde Emilia Clarke (“Game of Thrones”), de 28, até Christine Baranski “The Good Wife”, de 63. A maioria dessas atrizes, mesmo que não tenham mais de 35, está em seus 30 anos. Todas as atrizes estão interpretando personagens que são adequadas à sua idade.

Veja a lista das atrizes indicadas nas principais categorias do Emmy 2015:
 

Melhor atriz de série dramática

Claire Danes (“Homeland”) – 36 anos
Viola Davis (“How to Get Away With Murder”) – 49 anos
Taraji P. Henson (“Empire”) – 44 anos
Tatiana Maslany (“Orphan Black”) – 29 anos
Elisabeth Moss (“Mad Men”) – 32 anos
Robin Wright (“House of Cards”) – 49 anos
 

Melhor atriz de série de comédia

Amy Poehler (“Parks And Recreation”) – 43 anos
Lily Tomlin (“Grace and Frankie”) – 75 anos
Lisa Kudrow (“The Comeback”) – 51 anos
Edie Falco (“Nurse Jackie”) – 52 anos
Amy Schumer (“Inside Amy Schumer”) – 34 anos
Julia Louis-Dreyfus (“Veep”) – 54 anos
 

Melhor atriz em minissérie ou filme para a TV

Frances McDormand (“Olive Kitteridge”) – 58 anos
Maggie Gyllenhaal (“The Honorable Woman”) – 37 anos
Queen Latifah (“Bessie”) – 45 anos
Emma Thompson (“Sweeney Todd”) – 56 anos
Jessica Lange (“American Horror Story: Freak Show”) – 66 anos
Felicity Huffman (“American Crime”) – 52 anos
 

Melhor atriz coadjuvante de série dramática

Joanne Froggatt (“Downton Abbey”) – 34 anos
Lena Headey (“Game Of Thrones”) – 41 anos
Emilia Clarke (“Game Of Thrones”) – 28 anos
Christine Baranski (“The Good Wife”) – 63 anos
Christina Hendricks (“Mad Men”) – 40 anos
Uzo Aduba (“Orange Is The New Black”) – 34 anos
 

Melhor atriz coadjuvante em série de comédia

Mayim Bialik (“The Big Bang Theory”) – 39 anos
Niecy Nash (“Getting On”) – 45 anos
Julie Bowen (“Modern Family”) – 45 anos
Allison Janney (“Mom”) – 55 anos
Kate McKinnon (“Saturday Night Live”) – 31 anos
Gaby Hoffmann (“Transparent”) – 33 anos
Jane Krakowski (“Unbreakable Kimmy Schmidt”) – 46 anos
Anna Chlumsky (“Veep”) – 34 anos

Incite seu útero: Death Proof

Faz alguns anos que Tarantino não me agrada e não sei dizer exatamente o por que. Os filmes com seu nome feitos na década de 1990 e começo de 2000 sempre me deixavam animada, mas os que saíram depois disso comumente não geravam nada mais de um triste suspiro. Era quase como se ele ficasse tão preocupado em seguir ~o estilo Tarantino~ que seus filmes perderam a substância e viraram uma triste caricatura do que é entendido por um filme Tarantino.

Por isso não assisti Death Proof por quase dez anos. E isso foi um erro.
 
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A história começa com três protagonistas femininas (oi?!?!) em um carro, discutindo sobre a vida e os planos para dos próximos dias. O filme passa no teste Bechdel nos primeiros dez minutos. Nada mal para um filme dirigido por um homem, não é? Outro ponto positivo é: Rosario Dawson.
 

 
As três mulheres do começo vão a um bar para encher a cara antes de uma viagem que estavam planejando na primeira cena do filme. Lá, conhecemos outros personagens dos filme inclusive mais algumas mulheres. Todas elas são bem resolvidas, não precisam de nenhum pinto na sua vida (elas permitem a ida e vinda de alguns deles mas precisar mesmo não precisam de nenhum) e se sentem confortáveis o suficiente para mostrarem seus corpos como bem entenderem.
 
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Há no mínimo seis personagens femininas que vão te dar orgulho do seu gênero, cada uma a seu jeito e com suas particularidades.
 
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Falar muito sobre a história de Death Proof seria privar você da (boa) surpresa da descoberta. Só vou te dizer que no final você entende por que homens passaram tanto tempo querendo te convencer que você é o “sexo frágil”.
 
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O filme está no Netflix e no Popcorn Time.

FIGHT! Um zine que luta como uma garota

FIGHT! é um zine que convida artistas a criarem sua própria personagem de um jogo de luta. Cada artista desenha seu personagem mirando em uma direção – esquerda ou direita – e o zine reune duas artes por página dupla, de modo que as personagens pareçam que estão prestes a se enfrentar.

Jenn Woodall, a artista idealizadora, conta em seu vídeo para o Kickstarter que sempre amou as personagens femininas de games de luta, como as de Street Fighter e Darkstalkers. E tendo em vista as polêmicas sobre mulheres e games, que atingem desde as entusiastas até mesmo as desenvolvedoras, o zine FIGHT! tem como objetivo celebrar as mulheres nos jogos. Porque videogame é algo incrível e para todos, independente do gênero, raça e orientação sexual.
 
FIGHT! Zine, por Jenn Woodall | Ovelha
 
Serão ao todo três edições: ROUND 1, ROUND 2 e FINAL MATCH.

O zine reune artes talentosíssimas de Sam Bosma, Ze Burnay, Kali Ciesemier, Madeleine Flores, Andrea Kalfas, Guillaume Singelin, Stefie Zohrer, Kat Verhoeven, Stefan Tosheff, Patrick Carson Sparrow, Jenn Woodall, Trevor Henderson, Annie Stoll, Kevin Stanton, Schnekk, Kristen Acampora, Abby Boeh, Caitlin Rose Boyle, Alan Brown, Jenny Zych, Rachel Kahn, Baptiste Pagani, Kyle Fewell, Babs Tarr, Julian Callos, Jeanne D’Angelo, Jimmy Giegerich, Joanna Krotka, Dilraj Mann, Ralph Niese, John Lang, Paulina Ganucheau, Jordan Rosenberg, Valentin Seiche e Mathilde Kitteh.
 
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A campanha crowdfunding no Kickstarter está sendo um sucesso! Se você quer comprar o zine em primeira mão, apoie! (;

http://fightzine.tumblr.com/

As mina, pá: Girl Gang Coletivo

O Girl Gang Coletivo é um grupo de 24 artistas “fazendo muito quadrinho e outras artes que der na telha”, como elas próprias se descrevem.

Os quadrinhos falam de amores, corpos, desejos e identidades de forma colorida, interessante e próxima. Alguns te fazem se sentir poesia, outros reascendem aquela vontade de lutar – muitas vezes sufocada pelos percalços do dia-a-dia.
Girl Gang Coletivo
Girl Gang Coletivo
Girl Gang Coletivo

Se você tiver um Tumblr e quiser dar uma refrescante dose de luta na sua dashboard ou se você simplesmente se interessa pela arte de outras mulheres, siga o Girl Gang Coletivo.

O dia em que raspei o meu cabelo

Em 2012, eu raspei todo o meu cabelo. O processo foi gradual, não raspei de um dia para o outro. Tudo começou com uma obsessão pelo corte joãozinho da Emma Watson em 2010. Um ano depois juntei coragem para cortar as madeixas (que chegavam na altura do meu peito) a lá Jean Seberg. Mais um ano e consegui raspar tudo usando a máquina de barbear de um amigo.

Ok, passei do primeiro parágrafo. Do jeito que isso está escrito parece que cortar o cabelo é tipo, ALGO MUITO IMPORTANTE. Mas na verdade… será que não é? Eu demorei muito tempo para conseguir cortar meu cabelo, e não foi por medo de não ficar bom. O fato que todas conhecemos é que cabelo comprido é intimamente relacionado, no subconsciente coletivo da nossa sociedade, com feminilidade, com ser mulher.

De certa forma, acho que foi isso que me impulsionou a raspar o cabelo. Um cansaço geral de ser mulher, de ter pessoas me agarrando e puxando na rua, assediando no metrô, e tudo o mais que sabemos ser tão real.

Lembro que quando contei para as pessoas que iria cortar meu cabelo tive de ouvir comentários do tipo “Mas como vão saber que você é menina?” (uh, porque eu sou?) ou “Mas o que o seu namorado vai achar?”. Ninguém me perguntava se eu estava preparada para ir todo mês ao salão para manter o corte, ou como eu ia fazer para deixar crescer quando tivesse cansado (perguntas de fato relevantes sobre coisas que de fato são problemas de verdade quando se corta o cabelo curtinho). Todos estavam muito mais preocupados com o quão “mulher” eu ainda seria.

Sem cabelo, não conseguia mais me esconder, seja fisicamente atrás de uma cortina quando não tivesse com coragem de enfrentar o mundo a minha volta, seja emocionalmente atrás de penteados.

De certa forma, acho que foi isso que me impulsionou a raspar o cabelo. Um cansaço geral de ser mulher, de ter pessoas me agarrando e puxando na rua, assediando no metrô, e tudo o mais que sabemos ser tão real. A sensação que me deu é que raspar o cabelo tirou de mim tudo aquilo que fazia as pessoas me identificarem a primeira vista como mulher e me colocarem no espaço designado da mulher – como mulheres “não femininas” (usando mil aspas) dificilmente são consideradas sensuais pela sociedade, raspar o cabelo acaba te tirando da zona de conforto de todo mundo. Para mim, foi como se eu tivesse explodido do molde e colocado a minha cara no mundo. Sem cabelo, não conseguia mais me esconder, seja fisicamente atrás de uma cortina quando não tivesse com coragem de enfrentar o mundo a minha volta, seja emocionalmente atrás de penteados. Pela primeira vez, senti que era eu quem estava ocupando aquele espaço, e não um holograma de estereótipos femininos. E, com a falta de cabelo, veio a minha voz. Me sentindo no meu próprio corpo e ocupando o meu próprio espaço, me sentindo uma presença física no mundo, foi muito mais fácil conseguir ter a força de me posicionar e vocalizar as minhas vontades e minhas lutas.

Isso que eu conto é a minha experiência raspando o cabelo. Não sei se é a mesma para todo mundo, mas pelo que conversei com amigas que também rasparam, sinto que elas passaram por um processo similar. Como se você descascasse sua pele para renascer de maneira mais crua, mais tátil, mais real. Fui feliz sendo a minha própria Dalila. Tirar a minha ‘fonte da minha força’ foi a melhor coisa que já fiz por mim.

Barbara Mastrobuono
Pra quem só acredita vendo.

(imagens: cabeloscurtos.tumblr.com e baldblackbeauties.tumblr.com)