A designer Bee Grandinetti é uma pessoa maravilhosamente mineira (disclosure: ela é minha amiga e da Nina). Este post aqui é para rasgar seda pelo mérito dessa menina que nos abandonou e que agora está morando em Londres. Mas não só: também é uma oportunidade de conscientizar muitas leitoras aqui que ainda não conhecem o trabalho dela.
Dia desses, me peguei lembrando desse vídeo que ela fez como trabalho de conclusão da faculdade e que fala muito. O vídeo levanta “alguns pontos obscuros relacionados ao prazer no sexo para mulheres, discutidos sem rodeios e com muita sinceridade. Por uma liberdade sexual plena :)”
É antiguinho, mas é preciosinho e imaginei que muitas pudessem gostar de assistir. Aperta o play lá em cima!
Passei vários dias tentando falar com alguma integrante do Warpaint. Conforme a turnê do grupo avançava por 2014, a assessoria me dava um novo telefone de hotel. A guitarrista e vocalista Emily Kokal foi quem me atendeu quando a pauta já estava perto de ser derrubada.
Elas estavam divulgando bastante o novo “Warpaint”, segundo trabalho de estúdio, que é ainda mais etéreo e sofisticado do que “The Fool” (2010). Com guitarras menos aparentes e mais elementos eletrônicos, “Warpaint” marca a entrada da baterista Stella Mozgawa e a volta da configuração de quatro mulheres no grupo.
O Warpaint nasceu em Los Angeles, em 2004, a partir da amizade entre Emily e a também guitarrista e vocalista Theresa Wayman. Muito além dos cabelos incríveis, elas são interessantes porque mostram boa intenção para construir uma identidade artística única e “sexy”, termo que elas gostam de usar.
Para chegar à delicada atmosfera do mais recente disco, elas procuraram uma sensualidade própria. “Acho que isso é algo que temos uma facilidade intuitiva para comunicar, talvez porque somos quatro mulheres. Se prestar atenção nas letras, batidas ou linhas de baixo, elas refletem essa sensualidade”, disse Emily certa vez ao The Guardian.
Em 2011, o grupo esteve no Brasil para dois shows (uma festa fechada no Beco 203, em São Paulo, e uma apresentação no Circo Voador, no Rio). Enquanto uma nova data por aqui não aparece, resta esperar pelo lançamento do documentário artístico que está sendo feito pelo marido da baixista Jenny Lee Lindberg, o videomaker Chris Cunningham, que mostra a banda em turnê.
Leia abaixo a conversa rápida com Emily Kokal (publicada originalmente no portal iG).
iG: A gravação do segundo disco gerou ansiedade em vocês? Emily Kokal: Nós temos muita sorte. Quando começamos, não tínhamos a Stella na banda, ela não gravou o primeiro disco com a gente (a baterista Stella Mozgawa entrou em 2009). Estivemos em turnê com a Stella, tocamos umas 300 músicas juntas, mas nunca compusemos um disco com ela. Todo esse tempo entre discos nós tocamos muito ao vivo. Quando chegou a hora de fazer o novo álbum, como nunca tínhamos feito músicas com ela, sentimos como se esse fosse o primeiro. Tínhamos muita energia e criatividade guardadas, tantas músicas foram surgindo, por isso fomos tão sortudas nesse sentido.
iG: Vocês têm poucas covers no repertório de shows. Preferem focar apenas nas músicas próprias? Emily Kokal: Na verdade, isso acontece porque não conseguimos ter muito tempo para ensaiar, porque estamos em turnê o tempo todo. Quando temos a chance de nos juntar para um ensaio, normalmente preferimos aproveitar para tornar as novas músicas ainda melhores.
iG: Quando será lançado o documentário sobre a banda? Emily Kokal: Ainda não sei, mas acho que ele gostaria de filmar mais. O Chris tem filmado essa turnê enquanto o novo disco está sendo divulgado. Não é um documentário convencional, é mais um filme artístico. Ele une ideias à parte visual e imagina como as canções seriam em forma de imagens. Nossa música fica mais como uma trilha sonora.
iG: Desde o começo do grupo vocês já tinham em mente como deveria ser o clima das músicas do Warpaint? Emily Kokal: Acho que nossa sonoridade é um reflexo da quantidade de tempo em que estamos tocando juntas. Depois de três anos com a banda, estávamos prestes a desenvolver o nosso som. O que acontece (quando compomos) é que fazemos jams juntas, é como acontece com muitos músicos, em geral. Dedicamos bastante tempo a isso e, se estiver faltando algo, continuamos até ficarmos confortáveis com o nosso som, essa sonoridade que nos caracteriza.
iG: Você chegou a ter influências das riot grrrls (movimento de bandas de rock feminista populares dos anos 1990) quando começou a ouvir rock? Emily Kokal: Nunca fui da cena das riot grrrls ou estive em bandas assim, mas minha mãe colecionava muitos discos, ela costumava ter de tudo. Havia algumas mulheres que tocavam em grupos de rock populares nos anos 1990 que ouvia, como um pouco de Cranberries (da vocalista Dolores O’Riordan), Garbage (Shirley Manson), Hole (Courtney Love), No Doubt (Gwen Stefani). Elas estavam bastante nas rádios daquela época.
iG: Você tem outros projetos além do Warpaint? Emily Kokal: Tenho feito muita música sozinha. Acho que todas nós temos outras ideias que são diferentes da banda. Talvez em alguns anos eu lance alguma coisa solo. É bem diferente do que faço com o Warpaint, tem bases bem mais eletrônicas, é mais centrado nas batidas.
“Girls” voltou! E a quarta temporada começou no “arrasa arrasante”, como diz Nina Grando. Atenção! Pequenos spoilers a seguir!
Marnie, aquela personagem irritante de tão meiga-linda, protagoniza uma cena de sexo. Mas não é qualquer cena. Anteriormente transando apenas debaixo dos lençóis, Marnie recebe um “beijo grego” de Desi, seu parceiro musical. Ele diz “Eu amo isso”, e ela responde “eu também te amo”.
Não consigo pensar em nada mais constrangedor do que essa situação. Depois da trepada, Marnie tem que encarar a namorada do cara, que ainda fala “desculpe-me se eu achei que havia uma tensão sexual entre vocês”. E toda essa sequência desagradável é o que me anima em assistir à série e colocá-la entre as favoritas do coração. Obrigada, Lena Dunham!
Cena do ‘beijo grego’ do S04E01 de ‘Girls’‘Jenni e eu modelando a infame posição sexual da estreia da temporada para Allison’, publicou Lena Dunham no Instagram
Hannah e Adam, o casal que garantia as melhores posições sexuais da série, agora estão naquela fase reflexiva de um relacionamento. Com Hannah se mudando de Nova York para Iowa, toda a dinâmica muda. E parece que nada fica resolvido entre o casal mesmo após as pazes. Eles decidem planejar por não ter planos. Não há muito diálogo, mas há uma cena bonita de “despedida”. Veremos nos próximos episódios.
As participações dos outros personagens são pequenas, mas bem boas também. Elijah aparece em um momento “sai dessa egotrip, Marnie”. “O que Judy Garland e Lady Gaga têm em comum? As duas são vadias que não dão a mínima para o que as pessoas pensam”, diz o querido.
Soshanna se forma na faculdade e seus pais divorciados aparecem pela primeira vez. Jessa, que está brava com a mudança de Hannah, briga com a filha da Beadie (interpretada pela Natasha Lyonne, de “Orange is the new black“), artista que ela quase ajudou cometer suicídio na última temporada. Mas a parte mais bela desse primeiro episódio é quando Marnie aparece na casa da Hannah para desejar boa viagem. Isso é muito maior que um beijo grego.
Acostumada a entrevistar e escrever sobre a vida e a carreira dos outros, fiquei tímida quando percebi o tom confessional que minha coluna de estreia na Ovelha teria! Além de me apresentar com uma pequena história/impressão pessoal, gostaria de compartilhar que a ideia é trazer dicas de músicas e entrevistas que sigam a seguinte regra: Falar apenas de artistas mulheres. Sim.
A vontade de colaborar com um trabalho jornalístico musical e feminista eu tenho comigo há anos. E me lembro muito bem daquele sábado pós-grunge, lá por volta de 1996, quando fui acertada no coração por uma reportagem de jornal que apresentava – com um certo atraso, é verdade -, o movimento punk vibrante e encantador das Riot Grrrls.
Naquela época, o Bikini Kill, grupo liderado por Kathleen Hanna que foi um dos que mais se destacou na mídia (falarei dela em outro momento), já lançava seu terceiro disco. Considerado como parte da terceira onda feminista, o movimento Riot Grrrl surgiu nos Estados Unidos, no começo dos anos 1990, e polemizou dentro do cenário alternativo com letras sobre temas como aborto, estupro, racismo e abuso doméstico.
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Quando perguntada sobre sua importância na cena riot, Kathleen, que foi retratada no ótimo documentário “The Punk Singer”, fala ao The Guardian com modéstia. “Não me sinto como um ícone, me sinto mais como uma cantora de um trabalho social ou uma pessoa com um passado bizarro. Sou tipo um Forrest Gump do indie rock”, explica, fazendo referência às constantes fugas e combates que as mulheres enfrentam diariamente.
Graças ao Bikini Kill, fui pegando amor por mais bandas que compartilhavam dessa “rebeldia feminina”, como Sleater-Kinney e L7. Passei ainda a idolatrar as “meninas das bandas”, como Kim Gordon (Sonic Youth), Kim Deal (Pixies/Breeders), D’Arcy Wretzky (Smashing Pumpkins) por sentir que elas representavam as mulheres (e a mim!) dentro de um cenário tão masculino como o rock.
Além da “música de protesto”, as grrrls, ou melhor, as meninas na música de um modo mais amplo, ainda me ensinam a identificar melhor os preconceitos externos e a ponderar, por exemplo, minhas próprias inseguranças. Com as grrrls, aprendi também a valorizar os talentos das outras mulheres em vez de me preocupar com competições ou comparações vazias.
Não muito diferentes da atualidade, as revistas para as jovens dos anos 1990 me ensinavam a ficar bonita (dentro dos padrões pré-estabelecidos) para conquistar os colegas da sala. Já as músicas das grrrls, desde aquela época, me ensinavam a ser como eu quisesse para conquistar o que eu tivesse vontade! E isso era reconfortante.
Segue uma playlist com 10 sons dos projetos da Kathleen Hanna:
BroForce é um jogo para o qual eu, a princípio, torci meu nariz. Pra começar o nome já me deu coceira (traduzindo, é tipo a “força da irmandade entre machos”). Depois que o jogo é uma homenagem descarada e declarada aos clássicos filmes de herói dos anos 80, aqueles estrelados por Chuck Norris, Sylvester Stallone, Bruce Willis e companhia. E a velha fórmula dos EUA versus comunistas, muito tiroteio, explosões e homens-bomba (de esteróides). E nada daí me apetecia.
Mas foi na tarde tediosa do Natal que, vendo meu namorado jogar com minha irmã e meu cunhado, eu percebi o quanto o game era divertido. Ridiculamente divertido. O jogo permite que você jogue com até quatro amigos, online ou in loco, e todos os nomes dos personagens tem “bro” no meio: Brobocop (Robocop), Brominator (Terminator – O Exterminador do Futuro), Bro Hard (Die Hard – Duro de Matar), Brade (Blade – Blade, o caçador de vampiros), Rambro (Rambo), Indianna Brones (Indianna Jones), etc. Mas sabe todo aquela violência surreal dos filmes de ação? São ainda mais hiperbólicos no game. E é isso que torna a experiência ainda mais hilária. Ao terminar cada missão, aparece na tela a seqüência de todas as mortes dos inimigos e dos seus personagens, como se pudesse ser ainda mais nonsense.
The Brode e Ellen Ripbro
Sim, esse é o jogo dos bróders. Mas se você pensa que por ser mulher não é bróder, tá muy enganada. As atualizações do jogo presentearam as mulheres gamers com personagens incríveis dos filmes de ação que não poderiam jamais ficar de fora: Ellen Ripbro (Ellen Ripley, de Alien), The Brode (The Bride, a noiva de Kill Bill) e Cherry Broling (Cherry Darling, de Planet Terror).
Cherry Darling, The Bride e Ellen Ripley estão no BroForce
Minha dica é: se você tem quatro controles ou gosta de jogar online com os amiguinhos, BroForce é um must have. Principalmente porque é uma alegria ver o GrrrlForce chutando bundas. Compre no Steam, é o preço de um jantar. Tem pra Mac e pra Windows. Ah, e você pode testar o game agora, no seu navegador, através do Brototype. Divirta-se (;
Eu amo jogos que preenchem momentos de tédio no dia-a-dia. Por isso mesmo que jogos de smartphone são simplesmente a glória. E graças aos indie games, que trouxeram de volta a nostalgia e a simplicidade dos gráficos e da mecânica nos jogos, hoje os melhores games são surpreendentemente simples – mas com umas sacadinhas geniais.
E esse é o caso do novo amor da minha vida: Crossy Road. Um jogo arcade, ou seja, não tem uma história que precisa ser necessariamente contada, nem um objetivo final além de pontuar mais do que seu amiguinho ou do que seu último recorde.
O jogo é uma repaginação do clássico Frogger, de 1980, só que muito mais legal. Ele apresenta uma gráfico 3D blocado, brincando com a estética pixel art. É, tipo Minecraft, só que bonito, bem bonito – a versão para iOS, na verdade. A versão Android deixa a desejar, já que os gráficos tiveram que passar por adaptações para funcionar na maioria dos celulares com o sistema operacional.
A sacada do jogo está em trazer diferentes personagens com particularidades hilárias, como o peixe fora da água e o pombo que caga enquanto anda. São dezenas de bichinhos fofos com seus sons e efeitos próprios. Mas não pára por aí: o mais legal são os personagens que tem relação direta com a cultura pop. Você pode jogar como um jogador de basquete, como um unicórnio, como o Dracula, como o Frankenstein… e como o Doge. Sim, ele mesmo. Wow, very cross. Much awesome.
Bom, Crossy Road é um jogo viciante em muitos sentidos. Ele não te deixa descobrir por que a galinha atravessou a rua, mas não é isso que importa nesse caso. Essa belezinha é criação da Hipster Whale (melhor nome) e dá pra baixar de graça na versão iOS (a original e gloriosa) e Android (que dá pro gasto).
Você já viu uma peça de roupa incrível cujo preço não cabia no seu bolso, bolsa ou carteira? Bem – e se você fizesse uma versão mais barata você mesma?
É essa a proposta do show Make Thrift Buy, no qual Annika Victoria tenta reproduzir roupas de grandes marcas a partir de peças de brechó e uma boa dose de “faça você mesma”.
A escolha da peça a ser copiada é feita a partir dos pedidos de assinantes do canal e, ao fim do vídeo, Annika decide se vale a pena fazer o produto ou se compensa investir na peça.
Se você tem interesse em DIY, fazer ou modificar coisas sozinha, os vídeos de Annika são cheios de dicas e aprendizagem!
A indústria da moda tem cada vez mais optado pela terceirização na confecção de seus produtos, o que leva necessariamente a precarização das condições de trabalho e muitas vezes a situações análogas à escravidão. Shows como Make Thrift Buy nos fazem reavaliar o valor e a necessidade de certos produtos, bem como opções alternativas para satisfazer nossos desejos estéticos.
Como os vídeos de Annika deixam claro, tudo isso é muito mais fácil se você souber costurar e tiver uma máquina própria para isso. Entretanto, por experiência própria, sei que é possível investir nas customizações que estão ao seu alcance e transformar diversas peças em versões muito mais interessantes.
Infelizmente o show existe apenas em inglês – mas se você tiver uma câmera, paciência, criatividade e habilidades na costura há um lindo espaço para versões brasileiras!
Quando acaba o ano, o jornal “New York Times” faz um especial bem bonito com os atores que eles consideram que tiveram as melhores performances no cinema e na TV. A escolha não é em vão porque muito provavelmente alguns deles vão receber uma estatueta do Oscar no ano que vem.
O tema desta vez é “9 kisses”, em que os famosos unem-se em “uma série de encontros íntimos”. Eles dividiram as duplas em Benedict Cumberbatch com Reese Witherspoon; Laura Dern com Steve Carell; Rosario Dawson e Jenny Slate; Chadwick Boseman e Kristen Stewart; Patricia Arquette e Jason Schwartzman; David Oyelowo e Timothy Spall; Jack O’Connell e Shailene Woodley; John Lithgow e Julianne Moore; Gugu Mbatha-Raw e Miles Teller.
Os vídeos são bem curtinhos. O da Laura Dern com o Carell é o mais fofo, ao tratar de um casal em seu primeiro encontro, enquanto o da Kristen Stewart como uma groupie é meio doidinho, e o do Miles Teller com a noiva é tocante. Mas o meu favorito é o primeiro da série, em que Cumberbatch e a Reese aparecem fantasiados, fugindo de uma festa, para um “beijo às escondidas”. <3
Se quiser, dá para rever os especiais dos anos anteriores. É só clicar: 2013, 2012, 2011 e 2010. Qual sua performance favorita?
O canadense Xavier Dolan, de 25 anos, faz cinema como forma de terapia. Ele próprio já declarou isso em várias entrevistas. Seus filmes tratam de situações íntimas, com abordagem bem emocional, destaque para papéis femininos e homossexuais, e, muitas vezes, com um olhar especial sobre o relacionamento de um jovem com sua mãe. Talvez essas sejam questões da vida do diretor e roteirista.
Dolan tem cinco filmes: “Eu matei a minha mãe” (2009), “Amores imaginários” (2010), “Laurence anyways” (2012), “Tom na fazenda” (2013), e “Mommy”, que estreou essa semana. Esse último é o mais perturbador de todos. Conta a história de Steve, interpretado maravilhosamente por Antoine-Olivier Pilon – que tem 17 aninhos -, um garoto que sofre de uma doença chamada “transtorno desafiador opositivo”.
A incrível Anne Dorval interpreta a mãe de Steve, Diane ‘Die’ Després, que lida com o comportamento desobediente dele, mas também é meio doidinha. Uma das cenas mostra Steve chegando em casa com um presente para Die, um colar escrito “Mommy”. Ao acusá-lo de ter roubado, os dois brigam violentamente. É uma das melhores do filme, entre outras que vão te deixar bem baixo astral por alguns dias.
Sou apaixonada pelo tratamento que Xavier Dolan dá a um filme desde “Eu matei minha mãe”, com sua direção de arte, cenários e objetos feitos para causar a claustrofobia da mãe-protetora. A cena belíssima do triângulo amoroso de “Amores imaginários”, em que Francis e Marie se arrumam para um encontro ao som de “Bang bang (my baby shot me down)”. Dos figurinos e maquiagem de “Laurence anyways”, em que Melvil Poupaud vive um transexual, até a trilha sonora bem pop de “Mommy”, que tem Oasis, Dido, Céline Dion, e Lana Del Rey.
Tudo isso me faz querer ver um filme de Xavier Dolan e saber que não me decepcionarei. Seu próximo projeto, previsto para 2016, tem título provisório de “The Death and Life of John F. Donovan”, e os atores Jessica Chastain, Kit Harington, Susan Sarandon e Kathy Bates no elenco. Uma equipe hollywoodiana pela primeira vez nas mãos desse artista canadense. Espero que não estrague tudo que ele já conquistou.
Ontem a Elisa Rocha me passou o clipe da Tove Lo, uma artista que eu ainda não conhecia. Ela é uma cantora e compositora sueca e lançou esse som ainda em 2013, chocando um pouco as pessoas com o teor da letra. “Habits” é uma música sobre sexo e abuso de drogas pelo término de um relacionamento. O videoclipe deixa tudo ainda mais explícito.
Me identifiquei. Vi a Nina de vinte e poucos anos que passava as madrugadas no saudoso Vegas da Augusta, dançando e bebendo ao som das DJs Rassif, tentando lidar com um relacionamento estranho que vivia na época com um cara 13 anos mais velho. Ou quando ela bebeu tanto na Funhouse por causa do mesmo cara que acabou falando besteiras pra namorada do melhor amigo.
Quem nunca afogou as mágoas em gin tônicas no meio da pista de dança? Não, eu não estou aqui para fazer apologia do abuso de álcool. Mas sei que é algo que faz parte da vida de muitas garotas que, como eu, sabem se divertir quando querem ou quando precisam. Mesmo que depois a gente acabe chorando no banheiro.
Sabe quando aquele casinho dá um pé na bunda, quando estamos apaixonadas platônicamente ou quando só precisamos de um incentivo para relaxar não pensar na vida? É quando nós abraçamos uma garrafa e saímos dançando. Mas aí no dia seguinte temos que lidar não só com a ressaca, mas com as consequências das atitudes que fizemos quando tudo que a gente queria era sumir do mundo.
Eu só queria continuar bêbada.
EDIT: O vídeo acima é do Hippie Sabotage Remix. O original está logo abaixo, que traz a Tove cantando e mais cenas picantes (além de ser mais linear). Ah! E tem a letra logo depois pra você cantar junto:
I eat my dinner in my bathtub
Then I go to sex clubs
Watching freaky people gettin’ it on
It doesn’t make me nervous
If anything I’m restless
Yeah, I’ve been around and I’ve seen it all
I get home, I got the munchies
Binge on all my twinkies
Throw up in the tub
Then I go to sleep
And I drank up all my money
Dazed and kinda lonely
You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh
Pick up daddies at the playground
How I spend my day time
Loosen up the frown
Make them feel alive
Oh, make it fast and greasy
I’m numb and way too easy
You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh
Staying in my play pretend
Where the fun ain’t got no end
Ooh
Can’t go home alone again
Need someone to numb the pain
Ooh
Staying in my play pretend
Where the fun ain’t got no end
Ooh
Can’t go home alone again
Need someone to numb the pain
You’re gone and I gotta stay
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
High all the time
To keep you off my mind
Uh, uh, uh, uh
Spend my days locked in a haze
Trying to forget you babe
I fall back down
Gotta stay high all my life
To forget I’m missing you
Uh, uh, uh, uh
Se você às vezes dorme no ponto da internet e por conta disso perde os vídeos e memes mais divertidos que todo mundo já viu, saiba que não está sozinha.
Ontem meu namorado me apresentou a Epic Rap Battles of History que existe –pasmem– desde dezembro de 2011. Sim, demorou alguns bons anos para eu ver isso –mas antes tarde do que nunca. Como é uma daquelas coisas da internet que agracia a rotina, quem já viu sabe que vale à pena ver de novo.
Essa série de vídeos do YouTube traz sempre duas famosas personalidades históricas pop, reais ou ficcionais, para se enfrentarem em uma batalha de rap. A batalha pode ser personalidade vs. personalidade, grupo vs. grupo, casal vs. casal ou mesmo ter uma terceira parte do além que chega de repente para matar a batalha.
Nunca senti tanta nostalgia da adolescência nos últimos tempos quanto ao ver “Nós somos as melhores”, filme sueco de 2013 que estreou no fim de novembro em pouquíssimas salas de cinema. Não que eu tenha sido punk aos 13 anos. Mas, muito além da postura rebelde e ao mesmo tempo fofa das três protagonistas, o filme traz o saudosismo de uma fase da vida em que não há muito com o que se preocupar.
Do diretor Lukas Moodysson, o mesmo de “Corações em conflito” (2009) – drama com Gael García Bernal, que eu idolatro -, “Nós somos as melhores” se passa em Estocolmo nos anos 1980. Bobo e Klara são o que podemos chamar de amigas inseparáveis. Elas estudam juntas, falam ao telefone a tarde toda, dormem uma na casa da outra. Exatamente o que nós, mulheres aos 30 anos, fazíamos com a nossa melhor amiga de escola que hoje trabalha, é casada, tem filhos.
Bobo e Klara se vestem com roupas bem largas e cortam o cabelo curtinho, ou seja, diferente de todas as outras garotas do colégio. As duas também ouvem punk rock, enfrentando o argumento de que o punk está morto, e decidem montar uma banda mesmo sem saber tocar qualquer instrumento.
Elas usam a bateria e o baixo emprestados de um centro cultural, mas simplesmente espancam os instrumentos. “Odeio esporte, odeio esporte. Vamos abortar o esporte”, diz a primeira letra composta pela dupla. Nisso, entra Hedvig, uma garota que é cristã fervorosa e manja muito de acordes musicais. Logo ela entra pra banda e seus longos cabelos loiros ganham outro corte.
Todos os dilemas da adolescência estão ali: desentendimento com os pais; interesse pelos garotos, ou até pelo mesmo garoto; e a importância da amizade. Mas não é a visão do adulto, no caso a do diretor, que fica em primeiro plano. As atrizes Mira Barkhammar, Mira Grosin e Liv LeMoyne são o que dão naturalidade à história. De fato, elas são as melhores e reafirmam como é possível fazer um filme massa sobre adolescentes, sem cair num lugar-comum.
Hysterical Literature é uma série de vídeos que mostra mulheres atingindo orgasmos ao lerem trechos de seus livros preferidos. O projeto é arquitetado pelo fotógrafo Clayton Cubitt. Lançado em 2012, os vídeos já foram vistos 30 milhões de vezes em 200 países – segundo o próprio site.
Esse projeto me inspirou muito pelo fato de trabalhar com o contraste entre a cultura e a sexualidade. Evidentemente os vídeos são também uma critica a sociedades e religiões que ainda discriminam o orgasmo feminino. Além disso, gosto muito da temática do dualismo entre o corpo e a mente.
Garotas, essas menininhas de apenas 6 anos estão conquistando respeito e admiração dos sktatistas do mundo todo porque tiveram a “audácia” de entrar em um “território masculino“. Nenhuma novidade para as mulheres nos games, na programação, na ciência, etc. Mas o sucesso desse trio não se deu apenas por isso. É que elas são muito boas no skate. Mesmo.
Sierra Kerr, Relz Murohy e Bella Kenworthy formam o “Pink Helmet Posse” (Pelotão do Capacete Rosa). Se você pensa que elas ficam apenas “remando”, saiba que elas já “dropam” em piscinas de mais de 3 metros.
Vendo uma lacuna no mercado para esse target, os pais das garotas se juntaram para lançar uma linha oficial de skateboard para jovens meninas. Além disso, lançaram uma série de tutoriais na internet para quem precisar de um incentivo para iniciar suas manobras (er… como eu, por exemplo).
Como eu disse, o sucesso é tanto que elas já estrelaram um curta-documentário para o site do New York Times. Clique aqui para dar o play no vídeo que abre este post (em inglês, sem legendas) e derreter por essas fofuras.
O vídeo é antigo mas ainda é – para mim – a maior prova de que a Elle Degeneres é uma das melhores humoristas que há. Não me lembro de já ter visto algum vídeo ou alguma piada dela que explore minorias e o lugar comum para tentar fazer alguém rir. Isso é muito fácil. Sempre terá alguém para rir de uma piada de gordo fazendo gordice ou que diga que torcedor de determinado time é gay e que negro ou pobre é ladrão. Para mim o humor não está ~~mais politicamente correto~~ , está na verdade subindo de nível e ficando mais difícil. Fazer humor com respeito é um desafio. Se quiser pensar mais sobre isso, veja o documentário o Riso dos Outros, de Pedro Arantes (2012). Mas se der preguiça de ver o filme todo, tem também esta entrevista que a Trip fez com o diretor na época em que o filme foi lançado.
Bic for Her
Nesse vídeo, a Ellen conta que a Bic, fabricante de canetas, a convidou para ser garota propaganda de uma ~~caneta para mulheres~~.
Depois de tantos direitos que conseguimos como votar, usar calças e dirigir, finalmente as mulheres ganharam o direito que faltava! “Isso é real. Eu sei o que vocês estão pensando. Já não era sem tempo. Onde nossas canetas estiveram? Dá para acreditar nisso? A gente vinha usando canetas masculinas todos esses anos! Blerg”, diz Ellen. “Ela vem nas duas cores de menina: rosa e roxo.” A apresentadora fica tão chocada, pois a caneta além de ser ridícula, ainda custa mais caro!!
Em seguida, ela mostra o suposto comercial que ela teria gravado para a empresa, em que uma mãe conversa com a filha adolescente sobre ter uma caneta só para ela.
Como o vídeo não tem legendas em português, traduzi o texto para vocês:
“Vocês sabem que no meu show o que eu gosto de fazer é promover bondade e direitos iguais e eu não gosto de rótulos e não vejo cores – sou como um Cocker Spaniel nesse sentido… E não gosto de apontar diferenças entre pessoas. Especialmente homens e mulheres. E achei que nós mulheres… Nós progredimos muito em relação à igualdade. Temos a permissão de votar, acredito que desde 1982 agora… Podemos usar calças, podemos dirigir à noite. Todas essas coisas aconteceram. E aí eu vi uma coisa que me faz pensar que nós ainda temos muito a conquistar. É um novo produto da Bic, a empresa de canetas e eles tem uma nova linha de canetas chamada “Bic for Her” (Bic para ela, em português). Esse produto é real. São canetas apenas para as donzelas. Eu sei o que vcs estão pensando: ‘Já não era sem tempo. Por onde nossas canetas andaram?’ Dá para acreditar nisso? A gente vinha usando canetas masculinas todos esses anos! Blergh!
Elas vem em ambas as cores de garotas: rosa e roxo. E são exatamente como canetas normais, só que são duas vezes mais caras. Isso também é totalmente verdade. A pior parte é que elas não vem com nenhuma instrução. Como eles esperam que a gente aprenda a escrever com elas?! Eu estava lendo o verso da embalagem… Bom, eu pedi para um homem ler a embalagem para mim e ela dizia que a caneta é feita para se adequar à mão de uma mulher. Isso tudo é real. Não estou inventando nada. Feita para caber na mão de uma mulher. O que isso significa? Então quando a gente estiver anotando ordens dos nossos chefes vamos nos sentir mais confortáveis e vamos esquecer que não somos pagas tanto quanto eles? Sei lá… Quer dizer, pense nos últimos 20 anos. As empresas gastaram milhões de dólares fazendo pílulas que fazem o cabelo dos homens crescer e que conserta a vida sexual deles e agora as mulheres tem uma caneta. Uau! Nós progredimos muito, baby.
É tão ridículo! Eles me convidaram para ser a porta-voz deles e eu fiquei ultrajada. Disse que nunca faria um comercial para eles. Aí eles me disseram quanto me pagariam e eu topei. Aqui está o comercial que nós gravamos.
Vídeo:
Mãe: -O que foi, querida?
Filha: – Eu não sei. Às vezes eu me sinto diferente.
Mãe: – É que você está crescendo. Acho que é hora da gente ter aquela conversa: a conversa da caneta.
Filha: – Mas eu não consigo manusear aquelas canetas masculinas!
Mãe: – É por isso que você precisa da nova caneta da Bic para mulheres.
Filha: – Tem uma caneta para mulheres?
Mãe: – Agora tem! Elas são fortes o suficiente para um homem, mas são tão simples que até uma mulher pode entender como usá-las! Funciona assim: quando você tiver uma opinião, a escreva em um pedaço de papel e depois amasse-o e jogue fora, pois ninguém quer saber nossa opinião, querida.
Filha: – Uau! O que mais eu posso fazer com a caneta para mulheres da Bic?
Mãe: – Bom, você pode usá-la para anotar uma lista de compras do mercado, até receitas, para quando você precisar alimentar o seu homem. E ela é indestrutível. Ou seja, ela resiste a todas as nossas violentas oscilações de humor.
Filha: – É tão linda.
Mãe: – É a única caneta para mulheres de que você vai precisar.
Filha: – Posso usá-la também quando eu virar presidente!
Mãe: – Sim, claro! Hahahaha
Filha: Risos
Mãe: – Sua bobinha.”
Bic para mulheres: para melhores resultados, use quando estiver descalça ou grávida
Gone Home é um jogo muito, muito bonito. Eu considero ele um dos mais importantes indie games que estão ajudando a moldar as novas possibilidades de narrativa e gameplay na indústria de jogos. Mas essa é apenas a singela opinião de quem percebeu a relevância do jogo ao tratar de um tema tão delicado mergulhado em uma atmosfera de nostalgia.
A história se passa nos Estados Unidos, em 1995. Você é uma adolescente que volta para casa depois de passar um ano no exterior. Você espera que a sua família para recebê-la, mas a casa está vazia. Tem alguma coisa errada. Onde estão todos? E o que aconteceu?
Gone Home é um simulador de exploração interativa. Você está ali, sozinha, com uma casa inteira para explorar e descobrir a história das pessoas que ali viveram. Abra qualquer gaveta e porta. Pegue objetos e examine-os para encontrar pistas. Descubra o que aconteceu na vida de uma família investigando o que eles deixaram para trás.
Com trilha-sonora das bandas punk riot grrrlBratmobile e Heavens to Betsy, o jogo de clima nostálgico é dos criadores da série BioShock e do escritor de BioShock 2 – Minerva’s Den. Anita Sarkeesian, do Feminist Frequency, disse que este é um dos jogos mais envolventes e genuinamente emocionantes que ela já jogou. E eu posso dizer o mesmo.
É difícil eu dizer o que mais amei no jogo. Porque a história em si é de sentir as batidas do coração. Mas o mais legal e bonito é a preocupação com os detalhes do cenário, que retrata como eram os anos 90. Pra quem cresceu nessa época, não há como não vibrar ao encontrar fitas de Super Nintendo, poster de bandas, cartinhas escritas à mão, fitas k7, zines feministas e outras pérolas. Você pode ter um aperitivo do que estou falando logo abaixo:
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É indiscutível o fato de que este jogo mostra a importância dos videogames dentro da cultura. A forma como sua narrativa ajuda a explicar os conflitos e desejos de uma geração, isso sem contar o valor artístico. Se você não é uma pessoa muito ligada em games, esse jogo é um bom começo. O jogo é relativamente curto, você pode terminar em algumas horas ou em pouquíssimos dias. Para jogar, é necessário ter um conhecimento intermediário de inglês e gostar de se debruçar em histórias envolventes. Gone Home foi desenvolvido pela The Fullbright Company. Disponível para PC, Mac e Linux pelo Steam ou pelo site deles.
Tem coisas que te atingem de repente por falarem aquilo que ninguém fala. Por parecer que compreendem algo teu que ninguém compreende. E você se emociona e só tem a agradecer.
Isso aconteceu numa madrugada de agosto de 2013, quando eu estava passeando pelos vídeos que concorreram ao PBS Online Film Festival. Então esse vídeo, que parecia ser apenas ‘bonitinho’, me deu um belo tapa na cara emocional. Explico:
Milhares de meninas e meninos começam a detestar seu corpo devido a bullyings que sofrem na escola por alguma característica física diferente proeminente. Ou mesmo porque se dão conta de que não possuem as mesmas características louvadas pelas capas de revista (magra, alta, branca, cabelos lisos, sem manchas, sem pêlos e com “traços harmônicos” – é, pois é). Ou mesmo pelo tão comum preconceito da orientação sexual, cor, raça ou gênero.
Pra quem não me conhece (de verdade), eu tenho uma deficiência nas mãos. E sim, eu digito, cozinho, desenho, trabalho, dirijo e tudo mais muito, muito bem. Mas isso sempre me colocou como diferente. Fora do comum. Fora do padrão. E, apesar de eu lidar muito bem com isso, dói ser diferente.
Mas e se, ao invés de desejar ser igual a todo mundo, a gente olhasse essa diferença como algo positivo, que faz parte de nossa identidade e, por isso, extraordinariamente incrível?
O curta documentário animado, “Flawed“, de Andrea Dorfman, fala justamente disso. Por que querer corrigir nossas peculiaridades que a sociedade chama de “imperfeições”? É importante encontrar amor próprio e força para nos libertar-mos da pressão de ter que ser e parecer quem não somos. Mas isso não acontece de uma hora pra outra, não. É um exercício diário. Aperte o play e não desista! (;
Quando estive em Berlim em junho de 2013, minha amiga Juliana de Faria (criadora do maravilhoso grrrl power Think Olga) me levou até um restaurante/bar/estúdio de tatuagem chamado White Trash Fast Food, para experimentar o Octopus Burger. E lá todos os dias tem um show de algum artista ou banda independente.
Neste dia, quatro garotas subiram no palco. Elas tinham um estilo vintage super fofo, como uma banda de garotas vinda dos anos 60 – com excessão da baterista, que parecia ser do tempo dos Ramones. A vocalista e guitarrista me lembrou muito a Tavi Gevinson, por algum motivo. O que é um elogio, tive admiração imediata por ela. E pela baterista, claro. Alguns registros do show, retirados daqui):
Elas são The Anna Thompsons, uma banda canadense/espanhola/americana de Berlim. Algumas das suas inspirações: Dreamboat Annie, Dead Moon e The Zit Remedy. As garotas tem letras bastante politizadas e engraçadas, falando de tudo um pouco: unicórnios, caras assustadores, sexo, Gracie Jones e a crise econômica na Espanha. Todas elas dividem o vocal e até trocam de instrumentos durante os shows. Elas estão no Bandcamp e no Facebook.
Falando em Bandcamp, essas lindas lançaram seu álbum de estreia em janeiro desse ano. Embedei ele aqui com a arte da capa bem grandona – porque é linda, viu.
Depois dos anos 90 terem sido dominados pelo vampiro Lestat (Anne Rice forever) e pela caça vampiros Buffy, 2010 é a nova década vampírica. Com o sexy-pastelão de True Blood e os unicórnios chupa-sangue de Twilight (Crepúsculo), só de pensar em mais um filme sobre o assunto é de rolar os olhos. Porém, o grande Jim Jarmusch fez esta proeza no início do ano com o maravilhoso Only Lovers Left Alive. O mais impressionante é que o cinema mundial ainda foi brindado recentemente com a estreia da diretora iraniana Ana Lily Amirpour. A Girl Walks Home Alone at Night é um filme sobre vampiros em preto e branco que, mesmo com esse tema tão batido, causou furor no festival Sundance. Do trailer podemos perceber o quão incrível é sua promessa.
O filme parece ser um mix entre o girl power violento de Tarantino, a estética HQ sombria de Sin City e uma pegada Western dos filmes estrelados por Clint Eastwood. A trama se passa na cidade fantasma iraniana chamada Bad City, lar de prostitutas e viciados. Ali, uma vampira sem nome persegue os habitantes mais desagradáveis para cravar seus dentes. Mas ela encontra um rapaz… e aí se inicia um amor incomum e soturno.
A atmosfera fora-da-lei e o surrealismo urbano do filme preto e branco são o debut do cinema iraniano vampiresco. O mais legal é que temos mulheres nos principais papéis: a diretora e a protagonista (vivida por Sheila Vand, que também trabalhou em Argo).
Parece genial. Altamente interessante. Pra variar, não há previsão de estreia nas terras tupiniquins, mas nos EUA o filmes estreia agora, dia 21 de novembro #fikdik
Em um dia de tédio sozinha em casa, resolvi ligar o Netflix na TV da sala em busca por algum filme que pudesse trazer qualquer entretenimento. De repente me deparo com um filme com esta sinopse:
Apesar de sua família religiosa a julgar devota e dócil, a jovem Daniela tem um blog de confissões sexuais para adolescentes com desejos como o dela.
Um filme independente chileno sobre adolescência, sexo e crítica religiosa? Prato cheio. Se fosse sob a perspectiva de um garoto, confesso que rolaria os olhos e passaria para a próxima opção. Mas o fato de tratar-se sobre os selvagens desejos sexuais de uma jovem mulher me deixou extremamente curiosa e animada pelo que os 94 minutos teriam a contar. Play.
HISTÓRIA
Vamos agora um pouco além da sinopse do Netflix: Daniela (Alicia Rodriguez) é uma adolescente de 17 anos que teve uma rígida criação por sua família evangélica. Como resultado de tamanha repressão, sua frustração se revela num crescente desejo e curiosidade sexual (até aí, algo típico da idade) que resulta em aventuras sexuais narradas em um blog, bastante acessado e comentado por amigos e desconhecidos. Porém, quando uma dessas aventuras é descoberta pela diretoria do colégio onde estuda, Daniela é expulsa e ainda é proibida pela família de prestar o vestibular. Sua mãe (Aline Kuppenheim), uma crente fervorosa, está decidida a enviá-la numa missão missionária. Mas sua tia Isabel (Ingrid Isensee), um personagem que mostra o lado mais humano e leve da fé, a convence do contrário. Ainda assim, a mãe impõe que a menina trabalhe em uma emissora gospel. Lá ela conhece Antônia (Maria Gracia Omegna) e Tomás (Felipe Pinto), ficando claro que suas intenções vão muito além da amizade. A relação com ambos gera questionamentos existenciais sobre seus desejos, sua família e a sociedade. Até mesmo sua relação com Jesus, reminiscência da sua fé evangélica.
VISUAL
Eu, sendo designer por formação, óbviamente fiquei babando nos gráficos e efeitos visuais usados no filme, tanto nos momentos em que Daniela conta suas histórias como as entradas e comentários do seu blog. Que escolha de cores! E as animações? Geniais. A equipe que fez a direção de arte tá de parabéns. Conseguiram inserir os elementos digitais da história de modo louvável (ô glória). Dá pra se ter uma ideia desse visu todo nos créditos de encerramento do filme, olha só que belezinha:
Ah, se você também babou como eu e tá afim de saber mais sobre a direção de arte desse filme, o blog Art Of The Title fez um post dedicado a isso. Dá uma olhadinha.
TRILHA
A trilha-sonora é, como posso dizer, “xóvem”. Sabe o electropop da Yelle? Põe esses sintetizadores todos com letras em espanhol. Bueníssimo. Escutei as músicas por alguns dias depois de ver o filme e me deu saudades da Argentina, quando em 2011 fui num show em Buenos Aires e assisti aos meninos do El Hipnotizador Romantico e a linda Eugênia e sua banda Brusa y los Bombones de Murano. Tá, o estilo não tem nada a ver, mas deu saudade, gente. Mas isso porque ainda não conheço o Chile, onde o filme acontece. Bom, voltando ao electropop de Jovem e Aloucada, dá pra ouvir a trilha todinha no Soundcloud, yay!
BASTIDORES
O filme ainda é baseado no blog de mesmo nome, escrito pela verdadeira Daniela Ramírez. Sim, gente, a Danielita existe de verdade. A temática safada do filme não agrada os mais conservadores (mais um motivo para assistir). Além da história, dos gráficos impecáveis e da trilha, a direção é incrível. Isso porque Joven y Alocada é o primeiro longa-metragem de Marialy Rivas, uma diretora chilena que gosta de trabalhar temas como sexo, religião e juventude. O filme conquistou importantes prêmios internacionais, como o Queer Lisboa (melhor atuação feminina para Alicia Rodríguez), San Sebastián (melhor filme homossexual), Festival Latinoamericano de Toulouse (escolha do público) e Sundance (melhor roteiro de drama). O que você está esperando, garota? Vai assistir, vai.